[The Flower Shop] Diário #10
Publicado por Fábio M. Barreto em Apr 1, 2012 em Blog, Curta-Metragem, The Flower Shop | Comente!
Esse é um diário de produção do filme The Flower Shop, logo, vai conter um monte de detalhes sobre a realização de um curta-metragem, impressões e anotações pontuais que podem, ou não, interessar a entusiastas pela Sétima Arte. Acima de tudo, vou escrever para manter o trabalho organizado e poder analisar tudo quando estiver internado num SPA para me recobrar do trabalho hercúleo que vem por aí. Se seu sonho é fazer um filme, espero que meus obstáculos e soluções possam ajudar no árduo caminho que enfrentamos.
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Depois de algumas semanas de muito foco no trabalho de pré-produção, hora de atualizar as coisas por aqui. Algumas coisas foram definidas e estamos entrando em orçamento. Precisei aprender muitas ferramentas de pré e fazer uma série de apresentações para meu professor, inclusive fazer os pôsteres. Como não mexia no Photoshop há uns 6 anos, demorou um pouco mais do que imaginava. Mas o resultado ficou bacana e, no fim desse texto, mostro para vocês.
Antes de falar de The Flower Shop, tive uma bela oportunidade de trabalhar num curta-metragem profissional chamado Mom, produzido pela amiga Yana Bille, que vai produzir o meu filme também. Fiz a função de 2nd AC, Segundo Assistente de Camera. Basicamente, é o cara da claquete! ☺ Mas vai muito além, já que essa pessoa é responsável pela claquete, pelas baterias da câmera, por ajudar o 1st AC – que monta e às vezes opera a câmera – e, o melhor, as lentes! Tínhamos um kit de 7 lentes Zeiss e aprendi um bocado sobre elas. Começava na 35mm e ia até a 135mm.
Foram três dias intensos de trabalho para toda a equipe. Pulei um deles, pois fui até Anahein entrevistar o Ridley Scott e a Milla Jovovich na WonderCon. Acordar as 4 da matina para trabalhar de graça é meio bizarro e curti muito. Além de ver uma equipe profissional trabalhando bem de pertinho, a melhor coisa que fiz nesse job foi conhecer o ator Chris Sweeney, que estava trabalhando num dos papéis principais. Depois de vê-lo atuando e de bater um papo, resolvi tentar a sorte e falei sobre The Flower Shop. Ele leu o roteiro, adorou e muito provavelmente vai ser Frank, o co-protagonista. Vamos nos encontrar durante essa semana para conversar mais. Boa novidade! ☺
Voltando à vaca fria. Uma das primeiras coisas que precisamos fazer foi o AD Breakdown, que é basicamente uma decupagem do roteiro, cena por cena, detalhe por detalhe. Funciona da seguinte forma: você pega o roteiro, separa a duração de cada cena em oitavos e depois preenche uma planilha – uma página para cada cena – detalhando cada um dos elementos: elenco, efeitos, som, extras, veículos, figurino, maquiagem e etc. A separação em oitavos (americano é doido por frações) é assim: cada página de roteiro tem oito oitavos, partindo daí vai no olhometro para ver quanto mede cada cena. Isso serve para dar uma noção de tamanho, duração e referência em tempo de filmagem. Depois você usa marcadores de cores diferentes e marca cada um dos itens listados acima (elenco, efeitos, etc).
Com tudo isso em mãos, é possível saber melhor o tamanho do seu roteiro, começar a tomar decisões sobre cenas mais complicadas e ter recursos para orçar melhor. Por exemplo, se há uma cena envolvendo uma piscina, pode parecer bobo, mas você precisa saber se os atores sabem nadar ou se será necessário um dublê. O mesmo vale para dirigir, cavalgar, atirar, escalar, etc. Ou então, se houver alguma tomada maluca com uma câmera passeando pelo cenário, é preciso decidir se será usada uma grua ou uma steady cam. Coisas assim só podem ser vistas “de fora” com o AD Breakdown, que significa “Detalhamento do Assistente de Direção”.
Fizemos tudo isso na primeira etapa, assim que reduzi o roteiro para 11 pgs. A recomendação para o circuito de festivais é de 10 minutos, logo, The Flower Shop terá essa duração. Então começamos a decidir alguns aspectos de marketing e de venda do projeto. O título foi ratificado (o grupo bem que tentou mudar para The Red Tulip ou LifeCycles, mas não conseguiram. Hehe) e já temos uma Tag Line, Log Line, sinopse para os festivais e um Pitch de Venda, ou seja, um texto que servirá para atrair investidores e elenco. E culminou com o pôster.
Resumindo tudo assim parece até rapidinho, mas foi infernal e um bocado cansativo. Piorou um pouco quando a equipe começou a brigar entre si e alguns problemas pintaram, mas consegui resolver a tempo. Fiquei orgulhoso quando vi os pôsteres impressos em formatão. O mais engraçado foi imaginar a “escalação dos meus sonhos” para The Flower Shop. Duas coisas sobre os pôsteres antes de verem: são conceituais, ou seja, nada definitivo; e outra, lá embaixo mostra “Credits Not Contractual”, ou seja, os nomes envolvidos são os desejados e ninguém ali está contratado.
Isso não quer dizer que eu não vá falar com os agentes de cada um deles. Lorna Raver eu faço questão. Adorei entrevistá-la pelo Arraste-Me Para o Inferno e escrevi a personagem para ela. O Turturro eu acho que consigo por um dia! Agora o outro cada, haha, sonho meu! Uma ideia que acabou pintando meio que do nada, mas que combina perfeitamente, foi o Antonio Calloni. Já mandei e-mail para ele, vamos ver. Gosto muito dele e o cara tem a compreensão poética para sacar a proposta do filme. Torçam aí!
Enfim, digam o que acham. E se alguém aí quiser ajudar nesse departamento, é só falar. Continuamos em busca de storyboards com experiência e equipe técnica para o pôster.
Abraço!
Pôster para o público masculino:

Pôster para o público feminino:

