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	<title>SOS Hollywood - Hollywood Nunca Esteve Tão Perto de Você! &#187; O Estranho Mundo de Jack</title>
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		<title>D23: A Nova Aventura de Walt Disney</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 16:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Convenção lota em seu primeiro dia, mostra fanatismo inigualável e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/09/mickey_expo_sm.jpg" alt="mickey_expo_sm" title="mickey_expo_sm" class="aligncenter size-full wp-image-831" /></p>
<blockquote><p>Convenção lota em seu primeiro dia, mostra fanatismo inigualável e aposta na aproximação dos aficionados com os line ups de cinema e TV, e, claro, com as grandes lendas da companhia. É de tirar o chapéu.</p></blockquote>
<p>A <strong>D23 </strong>começou de forma curiosa: fora do circuito Disney, pouca gente sabia do evento. Mas o público certo foi avisado e faltou espaço na colossal arena do Anaheim Convention Center na abertura apoteótica, com direito a música, preview de filmes e até a presença de Robin Williams. Fãs de Mickey Mouse não poderiam pedir algo melhor, já que, mesmo com alguns erros, o know how da Walt Disney Co. faz a diferença. Em tempo, D23 significa: <strong>Disney 1923</strong>, ano de fundação da companhia! E o <strong>SOS Hollywood</strong> traz a cobertura online exclusiva para todo o Brasil!</p>
<p>Um dos primeiros destaques foi uma prévia de <strong>A Princesa e o Sapo</strong>. É belíssimo, sem exagero nas músicas. Tiana, a primeira princesa negra da Disney, é estonteante e extremamente carismática. Difícil não se apaixonar pela garota sonhadora. E tem o sapo&#8230; e ele quer um beijo. Mas nem tudo é como parece e há muito mais que um simples feitiço por trás do romance entre Naveen, o sapo, e Tiana, a princesa. A experiência de voltar a ver algo novo da Disney e, especialmente, em animação 2D é muito agradável. O clima de Nova Orleans [que ocupa boa parte dos parques temáticos e é familiar ao público] caiu como uma luva em termos visuais e narrativos. Parece mais um acerto em cheio!</p>
<p>A atriz e cantora Anika Nani Rose apareceu no evento, mesmo no meio de uma crise de bronquite forte, e cantou a música tema de sua personagem, Tiana. Arrepiante! Se há uma coisa que deve ser celebrada nesse mundo, são grandes vozes! E ela está nesse grupo. </p>
<p>A D23 começou em sua apoteose por conta de algo muito especial. Anualmente, a companhia homenageia seus grandes criadores, funcionários e parceiros de grande renome. É o <strong>Disney Legends</strong>, evento que acontecia dentro dos estúdios em Burbank, no Hall of Legends, mas que nesse ano deixou os domínios de Mickey e aconteceu em público. Dez foram os homenageados, entre eles, Tony Anselmo (voz do Pato Donald), Bill Farmer (voz do Pateta), TODAS as <strong>Super Gatas</strong> (Bea Arthur, Estelle Getty, Rue McClanahan e Betty White, que é um amor de pessoa!). Por fim, <strong>Robin Williams</strong> por seus inesquecíveis filmes. Lá do fundo da platéia alguém *gritei* “Way to go, Robin!”. E ele gritou de volta “Thank you very much!”.  <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/09/robinwilliams_legends_d23_sm.jpg" alt="robinwilliams_legends" title="robinwilliams_legends" class="alignleft size-full wp-image-832" />Em papo rápido com Williams, depois de ele ter marcado o cimento com suas mãos e assinado a peça agora eternizada, ele deixou o lado profissional de lado: “Preciso agradecer por esse prêmio, mas, acima de tudo, depois de uma cirurgia de coração, tenho que agradecer por estar vivo”. O astro foi ovacionado de pé por mais de 3 mil pessoas. Arrepiante. </p>
<p>Em termos de novidades, a ABC aproveitou o momento para divulgar suas novas séries. Mostraram um novo promo de <strong>Lost</strong>. Aliás, <strong>Lost </strong>tem grande destaque com um cômodo da Universidade de Lost, onde você pode aprender tudo sobre Viagem no Tempo, teorias paralelistas, física quântica e literatura. E eles ofereciam um negócio: seu e-mail por um broche exclusivo! Demorou, né? E-mail devidamente prostituído, ganhei um lápis e um bloco de notas. Nos vídeos abaixo você ver um pouco mais daquele ambiente e da “floresta” montada ao lado do quarto, com itens que serão leiloados.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PD72xSOTf3E&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/PD72xSOTf3E&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QyCIfv-L4hE&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/QyCIfv-L4hE&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>A ABC também mostrou promos de <strong>FlashForward</strong>, que será exibido hoje na íntegra; levou o elenco de <strong>Modern Family</strong>, <strong>The Middle</strong>, <strong>Hank </strong>e <strong>Cougar Town</strong> ao palco. Isso mesmo, Kelsey Grammer, Ed O’Neill, Patricia Heaton e Courtney Cox ao palco. A galera pirou! Mas o pirar da Disney é diferente do “pirar” da Comic-Con. O pessoal ali é mais recatado, muitas famílias, muita gente mais velha, então eles demonstram a empolgação nas palmas. Nada de berros ou “eu te amo Courney”. Ah sim, eles sabem todas as músicas, mesmo aquele trava língua de Mary Poppins. Coisa de doido!</p>
<p>Hoje tem mais, com direito a Tim Burton e exibição 3D de <strong>O Estranho Mundo de Jack</strong>! E o fim de semana promete, com John Lasseter mostrando novas animações e falando do futuro da companhia. </p>
<p>Só uma coisa que vale a pena notar: praticamente nada de cobertura internacional no evento, muitos editores brasileiros desinteressados, especialmente online. Vou fazer matérias para alguns veículos impressoas, mas o pessoal da internet anda muito fissurado naquela coisa de &#8220;se não tem famoso, não interessa&#8221;. É a síndrome do primeiro ano afetando mesmo a Disney. Isso me lembra Crepúsculo, quando os assessores de imprensa pediam pelo amor de deus para as pessoas participarem da primeira coletiva de imprensa, e agora quem esteve lá não consegue nem chegar perto dos famosinhos.</p>
<p>D23 está indo bem. Veremos hoje. Tento postar algo no twitter ao longo do dia, mas é realmente corrido lá. </p>
<p>Muita coisa para apurar, entrevistas e exibições. Mickey Mouse é um ser supremo e como todo aquele marketing, quem não seria? Nos falamos mais tarde!</p>
<p>Enquanto isso, veja mais dois vídeos:<br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Rt7KCy2n0qk&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Rt7KCy2n0qk&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_FMWM0Spe48&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/_FMWM0Spe48&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>por Fábio M. Barreto, de Anaheim </p>
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		<title>Os Botões de Neil Gaiman</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 06:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-26 aligncenter" title="gaiman_buttons" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/gaiman_buttons.jpg" alt="gaiman_buttons" /></p>
<blockquote><p>Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente &#8211; Neil Gaiman</p></blockquote>
<p>Entrevistar Neil Gaiman sempre foi um sonho. Livros como <strong>Deuses Americanos</strong>, <strong>Os Filhos de Anansi</strong> e o desbunde visual de <em>Stardust</em>, ao lado de Charles Vess, foram alguns dos títulos que marcaram minha vida e carreira, isso sem contar <strong>Sandman</strong>. Tudo, claro, por conta do jeito como Gaiman consegue retratar o mesmo tema (na maioria dos casos) com vitalidade e maestria. Confesso que quando recebi o email convidando para a junket de lançamento de <strong>Coraline</strong> fiquei bastante ansioso, afinal, <strong>Neil Gaiman</strong> estava entre os presentes e, se fosse aprovado, realizaria mais um sonho.</p>
<p>A entrevista aconteceu e fiquei bastante feliz ao conhecer um de meus ídolos. Aquele medo do cara ser um porre era gigantesco e não queria, nunca, frustrar com Gaiman. O resultado do bate-papo está aí embaixo, mas o que foi muito bom foi o modo como o escritor tratou todos os jornalistas, a sinceridade com que tratou o tema e, claro, seu tradicional humor permeando todas as respostas. Muito mais que uma entrevista, foi uma conversa sobre livros, cinema e, claro, <strong>Coraline e o Mundo Secreto</strong>, filme que Gaiman está altamente empenhado na divulgação, seja por seu Twitter (@neilhimself) ou por suas inúmeras entrevistas em Los Angeles, Nova Iorque e Canadá, e resto do mundo, via telefone.</p>
<p>Foi um momento muito emocionante e profissionalmente positivo, pois estou cansado de entrevistar gente que não tem nada a dizer. Foi um encontro notável e inesquecível, precisava registrar, sem dúvida. Adorei <strong>Coraline</strong>, cujo livro, infelizmente, não li e até a pequena Ariel (a herdeira do clã) assistiu em 3D e pirou! Ela será apresentada ao livro tão logo aprenda a ler, pode apostar.</p>
<p>Encerrando, <strong>Neil Gaiman </strong>é o cara. Escreve como poucos hoje em dia, recebeu agradecimento de Alan Moore nas edições mais recentes de <em>Watchmen </em>e conseguiu criar uma obra-prima literária chamada <em>Deuses Americanos</em>. Atores apenas representam, escritores vislumbram novos mundos inteiros e, quando trabalhando direito, são capazes de mudar vidas com suas palavras: Neil Gaiman é um desses. Soberbo.</p>
<p><em>CONFIRA A ENTREVISTA:</em></p>
<p><strong>Quando você notou essa possibilidade sempre explorar novos mundos e jornadas de auto-descobrimento presentes em seus livros?</strong><br />
Não tenho a menor idéia. Essa é provavelmente uma daquelas coisas que acontecem quando você imagina estar fazendo algo totalmente diferente e empolgante a cada novo livro, mas quando se colocam todos os livros em ordem cai a ficha ‘olha fiz tudo relacionado, veja só’. E eles se parecem. Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente.</p>
<p><strong>É algum tipo de “síndrome de <em>Alice no País das Maravilhas</em>”?</strong><br />
Pode ser, pois <em>Alice no País das Maravilhas</em> foi um livro que li, reli e reli tantas vezes que ele, provavelmente, foi gravado no meu DNA antes de me tornar escritor.</p>
<p><strong>Imaginar que <em>Coraline </em>seja um título capaz de ter esse efeito de longo prazo nas crianças? Ser algo formador como Alice foi no seu caso?</strong><br />
A coisa mais esquisita sobre Coraline é que ele foi publicado há sete anos. E sete anos é tempo demais para parâmetros infantis. Muita gente que leu por volta dos 11 anos de idade vem falar comigo agora e as experiências são fantásticas. <em>Coraline </em>foi realmente um livro seminal para algumas gerações. É uma sensação estranha encarar tudo isso e eles acham que eu seria muito mais velho do que sou, me sinto culpado por não parecer um bom velhinho (risos). Aliás, são essas pessoas que estão ansiosas pela estréia do filme e pensando: “é bom terem feito direito ou alguém vai morrer!” (gargalhadas).</p>
<p><strong>E a escolha de Henry Selick para dirigir? Deu certo?</strong><br />
Acho que ele mandou muito bem. Ele leva isso muito a sério.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-28" title="gaiman_selick" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/gaiman_selick.jpg" alt="gaiman_selick" /></p>
<p><strong>Você tem que dizer isso obrigatoriamente, confessa!</strong><br />
Humm, acho que o contrato desse não me obriga a elogiar não. Por exemplo, o contrato de <em>A Lenda de Beowulf</em> me proíbe terminantemente de dizer nada ruim ou maldoso sobre o filme até o fim dos meus dias (risos).  Aliás, o negócio de <em>Beowulf </em>é o seguinte: vai ser muito interessante ver onde os filmes de motion capture vão chegar daqui dez anos, pois nada do que eles conseguirem seria possível sem esse filme. O que me impressionou nesse projeto foi o fato de terem gastado US$ 160 milhões num longa-metragem 3D para adultos, sem nenhuma tentativa de atrair crianças. Há toda a discussão sobre ter funcionado ou não, mas como roteirista tinha minhas dúvidas sobre a capacidade daqueles rostos transmitirem as emoções necessárias para funcionar bem e perdemos muito ali. Como romancista, escrevo o que as pessoas vão imaginar. Sou como o cara que constrói a casa e mostra para você, leitor. Agora, como roteirista, faço uma espécie de planta baixa e mando as especificações. Dois anos depois me chamam para ver e acabo comentando coisas do tipo: ‘humm, notei que vocês colocaram o banheiro no meio da cozinha’ e alguém responde ‘pois é, ninguém nunca tinha feito isso antes, por isso achamos legal fazer, não é bacana?’; ou então, ‘e essa cor púrpura no lugar o branco, também mudou’, e a resposta ‘sabe a namorada do produtor? ela tem certeza de que essa cor vai ficar melhor’ (gargalhadas).<br />
<strong><br />
E quanto a Stardust?</strong><br />
Esse eu também posso dizer o que quiser. E gostei. O que acho mais interessante sobre <em>Stardust </em>é que daqui uns 20 anos, alguém pode querer refilmar e fazer algo totalmente diferente da visão que foi para os cinemas e, mesmo assim, ser tão interessante e dentro da proposta do livro. Sempre soube que o filme ficaria daquela maneira, pois a escolha do diretor define o tipo de filme que podemos esperar. Matthew Vaughn nunca faria algo à la Tarantino, Steven Spielberg ou Tim Burton, seria algo dentro do estilo dele. E foi o que aconteceu com <strong>Coraline</strong>. Terminei o primeiro tratamento e, mesmo faltando algumas páginas, pedi ao meu agente que enviasse a cópia para Henry Selick. Adorei <em>O Estranho Mundo do Jack</em>, sou um dos três seres humanos no mundo que notou que, embora o nome de Tim Burton esteja no título (<em>Tim Burton’s Nightmare Before Christmas</em>), o filme tenha sido dirigido por ele e não pelo Burton (risos) e pelo fato de ter levado meus filhos para assistir <em>James e o Pêssego Gigante</em>. Pensei: ‘há algo interessante sobre esse cara’.</p>
<p><strong>E o que é esse ‘algo interessante’?</strong><br />
Especialmente no tocante à animação stop-motion, toda a atenção aos detalhes e a disposição de seguir a história de acordo com o necessário. Foi um processo muito longo para nós dois, por exemplo, quando o livro foi publicado em junho de 2002, fiz uma leitura completa em São Francisco e quando acabei de ler, três horas e meia mais tarde, tinha gente gritando ‘leia de novo! Leia de novo!’ (risos). Henry estava lá, ele acompanhou todo o processo de <strong>Coraline</strong>. Houve um momento em que os direitos do livro expiraram e fiz o que ninguém recomenda – e fui até contra a norma da escola de escritores – e permiti a renovação gratuita. Queria que ele fizesse.<br />
<strong><br />
Então havia realmente um objetivo nisso tudo. Qual a razão?</strong><br />
O principal motivo é que ele não tem medo do escuro (risos). Ele entende que ter medo do que existe no escuro pode ser uma coisa boa. Vou dar um exemplo. Já assistiu ao Disney Channel? Então, não acontece nada lá. Sempre há alguém triste, pois, aparentemente, um personagem não foi convidado para a festa, ou pensa que não foi. E aí você se vê no meio de uma história em que todo mundo vai participar da bendita festa, mas houve apenas um mal-entendido. É a mesma ladainha de resolver esse “grande problema” e no final todo mundo se abraça (risos). Pô, tento ensinar as crianças através de uma história e as coisas tem que ter relevância. <strong>Coraline </strong>é um conto de fadas, essencialmente. Não precisamos dizer que há monstros por ali, pois, a essência humana garante que os monstros vão aparecer, mais cedo ou mais tarde. O que temos que contar é que esse monstro pode ser derrotado. Lembro da primeira versão de roteiro que Henry me apresentou, era fiel demais. Ele simplesmente havia transferido o livro para o filme e não funcionaria, eu sabia. Precisava de mais refinamento e de uma verdadeira adaptação. O livro não é um filme e ponto. Ele entendeu o processo.</p>
<p><strong>As ampliações de personagens sugeridas por Selick – Bobinski e as atrizes inglesas – foram &#8216;banheiros na cozinha&#8217;?</strong><br />
De maneira alguma. Adorei o resultado, pois tudo está no livro, mas Henry ampliou e deu a vida necessária a cada um deles. Bobinski está no livro como Mr. Bobo e é romeno, não russo como no filme. Já as duas atrizes inglesas aposentadas dizem ser da escola shakeasperiana, mas tenho minhas dúvidas se não eram dançarinas de cabaré.</p>
<p><strong>Há duas reações comuns sobre <em>Coraline</em>: gostei do livro, mas estou triste por meus filhos serem velhos demais para isso; e, gostei do livro, mas vou pensar duas vezes antes de mostrar para meus filhos. O filme seguirá esse caminho?</strong><br />
Acho que sim. Mas há uma terceira reação que pouca gente nota, pois não está presente nas críticas ou na internet: a reação das crianças. O que me fascinou em <strong>Coraline</strong>, como livro, foi notar adultos encarando como horror – acham absolutamente assustador – e crianças vivendo uma grande aventura, como se estivessem lendo dois livros totalmente diferentes. Muito adulto se assusta por conta de memórias reprimidas da infância, mas a garotada não tem nada reprimido ainda, então eles encaram de uma nova forma. Além disso, como adulto, você encara <strong>Coraline </strong>como a história de uma “criança em perigo” e esse é um dos gêneros literários mais assustadores possível, especialmente se você for um pai. Mas para crianças, é algo do tipo James Bond. Eles se identificam com <strong>Coraline </strong>e sabem que, no fim das contas, ela vai se dar bem. Adultos já ficam com o pé atrás, pois me conhecem e ficam na dúvida se algo terrível vai, ou não, acontecer. Não há dúvidas para as crianças e elas gostam de enfrentar algo grande e assustador. Parando para pensar, vencer algo trivial é coisa do Disney Channel e não leva a lugar nenhum.</p>
<p><strong>Um dos elementos mais marcantes da sua obra é o forte simbolismo. Em <em>Deuses Americanos</em> temos um graveto que se transforma em lança e, em <em>Coraline </em>vemos botões representando um mundo bizarro e assustador. As histórias nascem ao redor dos símbolos ou eles são assimilados ao longo da criação?</strong><br />
Basicamente, todos esses símbolos são ferramentas que sempre estão à disposição do escritor. Agora, com os botões, estamos falando de algo muito esquisito para mim. Se alguém me desse uma máquina do tempo, garanto que antes de usá-la para zanzar por aí lutando contra vilões e alienígenas, eu voltaria 20 anos na minha vida para me dar um recado: ‘em algum ponto no próximo ano, você terá a idéia de escrever um livro chamado <strong>Coraline</strong>, que ela terá uma Outra Mãe e ela terá botões pretos no lugar de olhos. Quando acontecer, por favor, escreva quando e como foi, pois você vai passar o resto da vida falando sobre isso’ (gargalhadas). Nunca prestei atenção e realmente não achei que isso fosse se transformar num livro.</p>
<p><strong>Morar em Minneapolis traz alguma inspiração especial?</strong><br />
Tirando idéias para histórias passadas no frio, não muita (risos). A melhor parte é morar longe de Los Angeles. Pense assim, se alguém quiser marcar uma reunião comigo ou discutir alguma idéia, precisa pagar US$ 5.000 para me trazer, colocar num hotel legal, dar boa comida e me levar de um lado para o outro. Você não imagina a quantidade de tempo que ganho evitando alguns aventureiros.</p>
<p><em><font size="-2">Texto: Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>[Entrevista] Neil Gaiman</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 20:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente. - Neil Gaiman]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://judao.com.br/blogs/hollywood/files/2009/02/gaiman_buttons-600x412.jpg" alt="gaiman_buttons" title="gaiman_buttons" width="600" height="412" class="aligncenter size-medium wp-image-1210" /></p>
<blockquote><p>Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente &#8211; Neil Gaiman
</p></blockquote>
<p>Entrevistar Neil Gaiman sempre foi um sonho. Livros como <strong>Deuses Americanos</strong>, <strong>Os Filhos de Anansi</strong> e o desbunde visual de <em>Stardust</em>, ao lado de Charles Vess, foram alguns dos títulos que marcaram minha vida e carreira, isso sem contar <strong>Sandman</strong>. Tudo, claro, por conta do jeito como Gaiman consegue retratar o mesmo tema (na maioria dos casos) com vitalidade e maestria. Confesso que quando recebi o email convidando para a junket de lançamento de <a href="http://judao.com.br/blogs/hollywood/2009/02/12/coraline/"><strong>Coraline</strong></a> fiquei bastante ansioso, afinal, <strong>Neil Gaiman</strong> estava entre os presentes e, se fosse aprovado, realizaria mais um sonho.</p>
<p><span id="more-1684"></span></p>
<p>A entrevista aconteceu e fiquei bastante feliz ao conhecer um de meus ídolos. Aquele medo do cara ser um porre era gigantesco e não queria, nunca, frustrar com Gaiman. O resultado do bate-papo está aí embaixo, mas o que foi muito bom foi o modo como o escritor tratou todos os jornalistas, a sinceridade com que tratou o tema e, claro, seu tradicional humor permeando todas as respostas. Muito mais que uma entrevista, foi uma conversa sobre livros, cinema e, claro, <strong>Coraline e o Mundo Secreto</strong>, filme que Gaiman está altamente empenhado na divulgação, seja por seu Twitter (@neilhimself) ou por suas inúmeras entrevistas em Los Angeles, Nova Iorque e Canadá, e resto do mundo, via telefone.</p>
<p>Foi um momento muito emocionante e profissionalmente positivo, pois estou cansado de entrevistar gente que não tem nada a dizer. Quer um exemplo? Falei com Amanda Righetti (<em>The Mentalist </em>e <em>Sexta-Feira 13</em>) por duas vezes já, e a mulher não responde absolutamente nada de interessante, acho que devia ter perguntado sobre malhação, dieta ou algo do tipo. Hehehe. Não é machismo, não, é uma triste constatação de que a “nova geração” de beldades considera a coisa toda como mero trabalho e só responde o necessário.</p>
<p>Não pude evitar um novo momento fanboy e pedi autógrafo no meu <strong>Stardust</strong>, versão brasileira da Conrad, e tirei uma fotinha. Foi um encontro notável e inesquecível, precisava registrar, sem dúvida. Adorei Coraline, cujo livro, infelizmente, não li e até a pequena Ariel (a herdeira do clã) assistiu em 3D e pirou! Ela será apresentada ao livro tão logo aprenda a ler, pode apostar.</p>
<p>Encerrando, <strong>Neil Gaiman </strong>é o cara. Escreve como poucos hoje em dia, recebeu agradecimento de Alan Moore nas edições mais recentes de <em>Watchmen </em>e conseguiu criar uma obra-prima literária chamada <em>Deuses Americanos</em>. Atores apenas representam, escritores vislumbram novos mundos inteiros e, quando trabalhando direito, são capazes de mudar vidas com suas palavras: Neil Gaiman é um desses. Soberbo.</p>
<p><strong>Quando você notou essa possibilidade sempre explorar novos mundos e jornadas de auto-descobrimento presentes em seus livros?</strong><br />
Não tenho a menor idéia. Essa é provavelmente uma daquelas coisas que acontecem quando você imagina estar fazendo algo totalmente diferente e empolgante a cada novo livro, mas quando se colocam todos os livros em ordem cai a ficha ‘olha fiz tudo relacionado, veja só’. E eles se parecem. Definitivamente, existe esse tema na minha obra ficcional que possibilita ao personagem atravessar um portal e chegar a outro lugar que, embora semelhante ao nosso, seja totalmente diferente.</p>
<p><strong>É algum tipo de “síndrome de <em>Alice no País das Maravilhas</em>”?</strong><br />
Pode ser, pois <em>Alice no País das Maravilhas</em> foi um livro que li, reli e reli tantas vezes que ele, provavelmente, foi gravado no meu DNA antes de me tornar escritor.</p>
<p><strong>Imaginar que <em>Coraline </em>seja um título capaz de ter esse efeito de longo prazo nas crianças? Ser algo formador como Alice foi no seu caso?</strong><br />
A coisa mais esquisita sobre Coraline é que ele foi publicado há sete anos. E sete anos é tempo demais para parâmetros infantis. Muita gente que leu por volta dos 11 anos de idade vem falar comigo agora e as experiências são fantásticas. <em>Coraline </em>foi realmente um livro seminal para algumas gerações. É uma sensação estranha encarar tudo isso e eles acham que eu seria muito mais velho do que sou, me sinto culpado por não parecer um bom velhinho (risos). Aliás, são essas pessoas que estão ansiosas pela estréia do filme e pensando: “é bom terem feito direito ou alguém vai morrer!” (gargalhadas).</p>
<p><strong>E a escolha de Henry Selick para dirigir? Deu certo?</strong><br />
Acho que ele mandou muito bem. Ele leva isso muito a sério.</p>
<p><img src="http://judao.com.br/blogs/hollywood/files/2009/02/gaiman_selick-600x400.jpg" alt="gaiman_selick" title="gaiman_selick" width="600" height="400" class="aligncenter size-medium wp-image-1211" /></p>
<p><strong>Você tem que dizer isso obrigatoriamente, confessa!</strong><br />
Humm, acho que o contrato desse não me obriga a elogiar não. Por exemplo, o contrato de <em>A Lenda de Beowulf</em> me proíbe terminantemente de dizer nada ruim ou maldoso sobre o filme até o fim dos meus dias (risos).  Aliás, o negócio de <em>Beowulf </em>é o seguinte: vai ser muito interessante ver onde os filmes de motion capture vão chegar daqui dez anos, pois nada do que eles conseguirem seria possível sem esse filme. O que me impressionou nesse projeto foi o fato de terem gastado US$ 160 milhões num longa-metragem 3D para adultos, sem nenhuma tentativa de atrair crianças. Há toda a discussão sobre ter funcionado ou não, mas como roteirista tinha minhas dúvidas sobre a capacidade daqueles rostos transmitirem as emoções necessárias para funcionar bem e perdemos muito ali. Como romancista, escrevo o que as pessoas vão imaginar. Sou como o cara que constrói a casa e mostra para você, leitor. Agora, como roteirista, faço uma espécie de planta baixa e mando as especificações. Dois anos depois me chamam para ver e acabo comentando coisas do tipo: ‘humm, notei que vocês colocaram o banheiro no meio da cozinha’ e alguém responde ‘pois é, ninguém nunca tinha feito isso antes, por isso achamos legal fazer, não é bacana?’; ou então, ‘e essa cor púrpura no lugar o branco, também mudou’, e a resposta ‘sabe a namorada do produtor? ela tem certeza de que essa cor vai ficar melhor’ (gargalhadas).<br />
<strong><br />
E quanto a Stardust?</strong><br />
Esse eu também posso dizer o que quiser. E gostei. O que acho mais interessante sobre <em>Stardust </em>é que daqui uns 20 anos, alguém pode querer refilmar e fazer algo totalmente diferente da visão que foi para os cinemas e, mesmo assim, ser tão interessante e dentro da proposta do livro. Sempre soube que o filme ficaria daquela maneira, pois a escolha do diretor define o tipo de filme que podemos esperar. Matthew Vaughn nunca faria algo à la Tarantino, Steven Spielberg ou Tim Burton, seria algo dentro do estilo dele. E foi o que aconteceu com <strong>Coraline</strong>. Terminei o primeiro tratamento e, mesmo faltando algumas páginas, pedi ao meu agente que enviasse a cópia para Henry Selick. Adorei <em>O Estranho Mundo do Jack</em>, sou um dos três seres humanos no mundo que notou que, embora o nome de Tim Burton esteja no título (<em>Tim Burton’s Nightmare Before Christmas</em>), o filme tenha sido dirigido por ele e não pelo Burton (risos) e pelo fato de ter levado meus filhos para assistir <em>James e o Pêssego Gigante</em>. Pensei: ‘há algo interessante sobre esse cara’.</p>
<p><strong>E o que é esse ‘algo interessante’?</strong><br />
Especialmente no tocante à animação stop-motion, toda a atenção aos detalhes e a disposição de seguir a história de acordo com o necessário. Foi um processo muito longo para nós dois, por exemplo, quando o livro foi publicado em junho de 2002, fiz uma leitura completa em São Francisco e quando acabei de ler, três horas e meia mais tarde, tinha gente gritando ‘leia de novo! Leia de novo!’ (risos). Henry estava lá, ele acompanhou todo o processo de <strong>Coraline</strong>. Houve um momento em que os direitos do livro expiraram e fiz o que ninguém recomenda – e fui até contra a norma da escola de escritores – e permiti a renovação gratuita. Queria que ele fizesse.<br />
<strong><br />
Então havia realmente um objetivo nisso tudo. Qual a razão?</strong><br />
O principal motivo é que ele não tem medo do escuro (risos). Ele entende que ter medo do que existe no escuro pode ser uma coisa boa. Vou dar um exemplo. Já assistiu ao Disney Channel? Então, não acontece nada lá. Sempre há alguém triste, pois, aparentemente, um personagem não foi convidado para a festa, ou pensa que não foi. E aí você se vê no meio de uma história em que todo mundo vai participar da bendita festa, mas houve apenas um mal-entendido. É a mesma ladainha de resolver esse “grande problema” e no final todo mundo se abraça (risos). Pô, tento ensinar as crianças através de uma história e as coisas tem que ter relevância. <strong>Coraline </strong>é um conto de fadas, essencialmente. Não precisamos dizer que há monstros por ali, pois, a essência humana garante que os monstros vão aparecer, mais cedo ou mais tarde. O que temos que contar é que esse monstro pode ser derrotado. Lembro da primeira versão de roteiro que Henry me apresentou, era fiel demais. Ele simplesmente havia transferido o livro para o filme e não funcionaria, eu sabia. Precisava de mais refinamento e de uma verdadeira adaptação. O livro não é um filme e ponto. Ele entendeu o processo.</p>
<p><strong>As ampliações de personagens sugeridas por Selick – Bobinski e as atrizes inglesas – foram &#8216;banheiros na cozinha&#8217;?</strong><br />
De maneira alguma. Adorei o resultado, pois tudo está no livro, mas Henry ampliou e deu a vida necessária a cada um deles. Bobinski está no livro como Mr. Bobo e é romeno, não russo como no filme. Já as duas atrizes inglesas aposentadas dizem ser da escola shakeasperiana, mas tenho minhas dúvidas se não eram dançarinas de cabaré.</p>
<p><strong>Há duas reações comuns sobre <em>Coraline</em>: gostei do livro, mas estou triste por meus filhos serem velhos demais para isso; e, gostei do livro, mas vou pensar duas vezes antes de mostrar para meus filhos. O filme seguirá esse caminho?</strong><br />
Acho que sim. Mas há uma terceira reação que pouca gente nota, pois não está presente nas críticas ou na internet: a reação das crianças. O que me fascinou em <strong>Coraline</strong>, como livro, foi notar adultos encarando como horror – acham absolutamente assustador – e crianças vivendo uma grande aventura, como se estivessem lendo dois livros totalmente diferentes. Muito adulto se assusta por conta de memórias reprimidas da infância, mas a garotada não tem nada reprimido ainda, então eles encaram de uma nova forma. Além disso, como adulto, você encara <strong>Coraline </strong>como a história de uma “criança em perigo” e esse é um dos gêneros literários mais assustadores possível, especialmente se você for um pai. Mas para crianças, é algo do tipo James Bond. Eles se identificam com <strong>Coraline </strong>e sabem que, no fim das contas, ela vai se dar bem. Adultos já ficam com o pé atrás, pois me conhecem e ficam na dúvida se algo terrível vai, ou não, acontecer. Não há dúvidas para as crianças e elas gostam de enfrentar algo grande e assustador. Parando para pensar, vencer algo trivial é coisa do Disney Channel e não leva a lugar nenhum.</p>
<p><strong>Um dos elementos mais marcantes da sua obra é o forte simbolismo. Em <em>Deuses Americanos</em> temos um graveto que se transforma em lança e, em <em>Coraline </em>vemos botões representando um mundo bizarro e assustador. As histórias nascem ao redor dos símbolos ou eles são assimilados ao longo da criação?</strong><br />
Basicamente, todos esses símbolos são ferramentas que sempre estão à disposição do escritor. Agora, com os botões, estamos falando de algo muito esquisito para mim. Se alguém me desse uma máquina do tempo, garanto que antes de usá-la para zanzar por aí lutando contra vilões e alienígenas, eu voltaria 20 anos na minha vida para me dar um recado: ‘em algum ponto no próximo ano, você terá a idéia de escrever um livro chamado <strong>Coraline</strong>, que ela terá uma Outra Mãe e ela terá botões pretos no lugar de olhos. Quando acontecer, por favor, escreva quando e como foi, pois você vai passar o resto da vida falando sobre isso’ (gargalhadas). Nunca prestei atenção e realmente não achei que isso fosse se transformar num livro.</p>
<p><strong>Morar em Minneapolis traz alguma inspiração especial?</strong><br />
Tirando idéias para histórias passadas no frio, não muita (risos). A melhor parte é morar longe de Los Angeles. Pense assim, se alguém quiser marcar uma reunião comigo ou discutir alguma idéia, precisa pagar US$ 5.000 para me trazer, colocar num hotel legal, dar boa comida e me levar de um lado para o outro. Você não imagina a quantidade de tempo que ganho evitando alguns aventureiros.</p>
<p><img src="http://judao.com.br/blogs/hollywood/files/2009/02/gaiman_barreto-600x335.jpg" alt="gaiman_barreto" title="gaiman_barreto" width="600" height="335" class="aligncenter size-medium wp-image-1209" /></p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Quem tem medo de Botões? Ou a História do Gato Astuto do Outro Lado&#8230;</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/coraline/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 19:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Coraline representa um momento especial na carreira cinematográfica da obra de Neil Gaiman que, finalmente, recebe a atenção necessária e se traduz com maestria e fábula visual]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TmVpbCtHYWltYW4lMkMrQ29yYWxpbmVfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-72" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/02/coralinelow-1024x617.jpg" alt="" title="Coraline" width="650" height="400" class="aligncenter size-large wp-image-2473" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Coraline </strong>representa um momento especial na carreira cinematográfica da obra de Neil Gaiman que, finalmente, recebe a atenção necessária e se traduz com maestria e fábula visual.</p></blockquote>
<p>Há algo único no estilo de Neil Gaiman, algo quase mágico. Repletos de jornadas transformadoras, visões diferentes do marasmo do dia-a-dia e desafios ao mais valente dos leitores, seus livros fazem por merecer o culto e os ótimos resultados nas vendas, porém, a transposição para outras mídias – especialmente o cinema – ainda não havia sido capaz de fazer jus aos méritos literários. Até agora. Até a estréia de <strong>Coraline e o Mundo Secreto</strong>. O termo fabuloso cabe perfeitamente para definir esse longa-metragem stop motion que mescla toda a fábula transformadora de <a href="<a href="http://www.soshollywood.com.br/entrevista-neil-gaiman/">Neil Gaiman</a>&#8220;>Neil Gaiman</a> com o maravilhamento visual promovido por Henry Selick (<em>O Estranho Mundo de Jack</em>), especialmente na versão 3D.</p>
<p>“Fazer um filme desse tipo em 3D é algo inigualável, pois o stop motion é um dos poucos estilos que merece essa sensação de profundidade e realismo”, comenta Henry Selick com exclusividade ao <strong>SOS Hollywood</strong> e à <em>Sci-Fi News</em>. “O que faço é diferente de toda essa animação por computador. Cada personagem, peça e elemento de cenário realmente existe, então poder incorporar essa noção de que há algo atrás dos personagens e coisas é um sonho se tornando realidade.” E ele não poderia estar mais certo, entretanto, um elemento adicional fez toda a diferença em Coraline: a bela trilha sonora do francês Bruno Coulais.</p>
<p>Coraline aborda o tema recorrente de Gaiman – reinvenção pessoal após visitar outro mundo, normalmente, por conta de um portal – ao mostrar a pequena Coraline Jones indo parar no mundo de sua “Outra Mãe”, em princípio perfeita e o oposto de sua verdadeira mãe, uma profissional cujo trabalho vem em primeiro lugar. Claro que tudo parece lindo no início, mas, pouco a pouco, ele percebe estar presa numa armadilha mortal. Os habitantes desse outro mundo tem algo em comum: todos tem botões pregados no lugar de seus olhos. Bem, quase todos, exceto pelo gato, um personagem astuto capaz de cruzar os dois mundos e verdadeiro “guia espiritual” de Coraline.</p>
<p>O personagem do gato é curioso, pois agrega toda a característica mística dos gatos da antiguidade, a esperteza atribuída à raça pela literatura – vide <em>O Gato de Botas </em>– e também faz as vezes de consciência de Coraline, ou, no mínimo, algo que delimite as fronteiras da coragem da jovenzinha, que precisa de muito mais que bravura para encarar sua jornada.</p>
<p>Seguindo sua vocação literária, <strong>Coraline </strong>não se caracteriza como um filme totalmente focado em adultos por conta de seu conteúdo assustador e sombrio ou para crianças, que o encaram como uma grande aventura. “Afinal, toda criança sabe, lá no fundo, que, no fim das contas, Coraline vai se dar bem, mesmo passando por grandes apertos”, explica Neil Gaiman em entrevista exclusiva ao <strong>SOS Hollywood</strong> (confira o conteúdo na <strong>Sci-Fi News de Fevereiro</strong>). Henry Selick concorda com a dubiedade, mas aproveitou para relembrar os primórdios dos desenhos animados. “Embora não soubesse direito se seria um filme infantil ou adulto, não deixei o elemento assustador me intimidar. Já parou para pensar que o início da Disney era totalmente assustador? <em>Branca de Neve</em>,<em> Bela Adormecida,</em> <em>Bambi </em>e até mesmo <em>Fantasia </em>eram histórias aterradoras. E inúmeras gerações se apaixonaram do mesmo jeito”.</p>
<p>Curioso notar que, ao contrário do que muita gente pensa, <strong>Coraline </strong>não é um filme de terror. Ele tem elementos assustadores e incômodos, mas nunca chega a ser uma trama assustadora por vocação. Especialmente por isso, o filme pegou classificação livre no Brasil e deve, sem dúvida, agradar a diversas camadas da população. Há tempos que não surgia um filme de fantasia com qualidade e capacidade para atrair famílias ao cinema (<em>As Crônicas de Spiderwick</em> foi o último nessa linha) e sem precisar do apelo Disney ou de animais falantes. Bom, tem o gato, mas ele é diferente. <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/02/henry_selick_coraline.jpg" alt="" title="henry_selick_coraline" width="600" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-2475" /></p>
<p>O visual chama atenção, claro. Fazer o filme em stop-motion, filmá-lo totalmente em 3D (é o pioneiro nesse estilo) e entregar algo bastante verossímil até mesmo dentro da proposta alucinante do livro faz com que <strong>Coraline </strong>se sustente com as próprias pernas. O nome de Gaiman ajuda? Em partes, pois o autor goza de grande fama em alguns nichos, mas ainda não está na boca do povo como Anne Rice ou qualquer autor de besteiras adolescentes que ganham adaptações aos montes e, depois, desaparecem. Deve se tornar cult em pouco tempo, mas, dificilmente, alcançará o sucesso de <em>O Estranho Mundo de Jack</em>, que muita gente atribui inteiramente a Tim Burton, que escreveu o roteiro, e deixa Henry Selick de lado. Se há um erro nesse longa-metragem, pode ser a semelhança da identidade visual entre os mundos de Jack e Coraline. É uma assinatura visual característica do estilo de Selick, também visto em <em>James e o Pêssego Gigante</em>, mas que impede seus filmes de terem diferenciais próprios no quesito visual. Tudo é executado de maneira soberba, mas a impressão de “já vi isso antes” é inevitável.</p>
<p>Depois da adaptação inglesa quase mambembe de <em>Neverwhere </em>e do tropeço hollywoodiano com <em>Stardust – O Mistério da Estrela</em>, Neil Gaiman finalmente ganha uma adaptação digna de seu trabalho. Coraline é um filme memorável em seu gênero e com plena capacidade para encontrar novos seguidores, especialmente pais em busca de bons conteúdos para apresentar a seus filhos. É magia pura, no melhor dos sentidos e que merece ser conferida com muita atenção. Afinal, no menor dos detalhes reinam as maquinações de Neil Gaiman e as soluções para o desafio de Coraline.</p>
<p><center>Para encerrar, uma breve mensagem de Neil Gaiman:<br />
<object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vQC0QVXa33o&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/vQC0QVXa33o&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></center></p>
<p><center>E o trailer, claro:<br />
<object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Js7wxoqeVK0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Js7wxoqeVK0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></center></p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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