Pirataria: suas causas e consequências

Tropa de Elite 2 ainda se beneficia da divulgação causada pela pirataria

Traçamos um panorama dos últimos grandes eventos ligados à pirataria de filmes, suas causas, consequências e a influência de tudo isso no público.

por Luiza dos Reis, do Rio de Janeiro

Vira e mexe o mundo do cinema é invadido por listas, sejam elas de indicados ao prêmios, de grandes sucessos ou fracassos, melhores da História ou do ano, vale tudo. Em 2010, pintou uma listinha curiosa cujo resultado foi muito interessante: o de filmes mais pirateados. E Avatar aparece em primeiro lugar na lista, que no Top 10 ainda tem outros dois filmes com grandes arrecadações em 2010, como A Origem e Homem de Ferro 2. Vale lembrar que a lista só conta as cópias obtidas por torrent, excluindo links diretos e a venda de cópias piratas, a prática mais comum no Brasil.

O curioso dessa lista é que Avatar também se tornou o filme de maior arrecadação da história até o começo desse ano, ao mesmo tempo que se diz que os downloads afastam o público do cinema, o que, em tese, contribui para redução na arrecadação. Esse argumento foi utilizado por Nicolas Chartier, produtor de Guerra ao Terror, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2010, que ameaçou processar aqueles que baixaram o filme, cuja arrecadação em território americano foi de apenas US$ 16 milhões e que, inicialmente, foi lançado no Brasil direto em DVD.

Outro caso em que a pirataria surge como influência para a repercussão dos filmes, é nacional. Tropa de Elite, cujo público “oficial” é de 2,4 milhões de espectadores, já era conhecido por uma audiência muito maior antes mesmo de sua estréia oficial. O número em si já é notório, ainda mais por se tratar de um filme nacional. Mas especula-se muito se o resultado seria possível sem o boca a boca gerado pela cópia vazada. Certamente a sua continuação, Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (que acabou de sair em Blu-Ray), só foi viabilizada por conta da repercussão e influência do filme original, considerando-se todos os aspectos envolvidos em sua tragetória. Aliás, Tropa 2 mostrou que, de alguma maneira, o enfraquecimento que se atribui ao cinema nos últimos anos não é universal. Uma conjunção de grande número de cópias em todo o país, interesse do público gerado pelo filme anterior, proteção dos rolos até o lançamento e a catarse causada pelo tema podem ser as responsáveis pelos mais de 6 milhões de espectadores e pelo filme de José Padilha ter se tornado o filme nacional mais visto de todos os tempos.

Essa equação, com algumas adaptações, poderia ser estendida aos demais filmes. Porém, são muitos os casos nos quais o espectador é visto como “criminoso” mesmo que tenha pago pelo seu ingresso ou comprado o DVD original. Mensagens nos filmes, tanto no cinema quanto nos DVDs, falam que pirataria é crime para quem não o comete, além de estabelecerem comparações risíveis.

Se tratando de filmes estrangeiros, há a questão da demora do lançamento em relação ao país de origem, havendo muitos casos em que filmes são lançados no Brasil quando no exterior já estão nas prateleiras das lojas de lá, ou nem isso. Algumas demonstrações de interesse, como o caso de Scott Pilgrim, possibilitaram o lançamento nos cinemas daqui, ainda que de maneira extremamente reduzida e demorada, já que são poucas cópias e em uma cidade por vez. No fim das contas, todo mundo teve a chance de ver o filme de Edgard Wright.

Mas a pirataria não é exclusiva da sétima arte. Livros, HQs e Séries de TV possuem casos marcantes nesse tipo de situação. Harry Potter e as Relíquias da Morte, o livro, foi fotografado página por página antes de seu lançamento oficial, o que gerou, não só a antecipação do desfecho da saga do bruxo, mas muitas traduções não oficiais feitas em grupo no mundo. Scans de quadrinhos são traduzidos e digitalizados com cerca de um ano de antecedência em relação ao lançamento oficial nas editoras brasileiras. Algo semelhante acontece hoje com os grupos de legenders, pessoas que traduzem e sincronizam as legendas das séries norte-americanas, disponibilizando horas após a exibição nos EUA e meses antes dos canais a cabo brasileiros. Por conta do crescimento desse tipo de atividade, algumas mudanças já podem ser notadas: a diferença nas datas de exibição já reduziu muito nos últimos meses, além dos lançamentos, como foi o caso de The Walking Dead.

Adquirir meios de entretenimento por links, arquivos e outros, tem uma série de desvantagens, como a perda de qualidade. Porém, para muitas pessoas, elas somem diante de situações que pode ser consideradas descaso por parte das distribuidoras e outras empresas. Resta descobrir maneiras de conciliar duas mentalidades e preocupações distintas quando se trata da pirataria.

Qual sua a sugestão?



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