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	<title>SOS Hollywood - Hollywood Nunca Esteve Tão Perto de Você! &#187; Opinião</title>
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		<title>Sly Nocauteia o Brasil, Twitter Contra-Ataca</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 17:15:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comic-Con]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Declarações de Sylvester Stallone tirando sarro do Brasil durante a Comic-Con deixam a internet brasileira cheia de raiva, irônia e descontentamento. Rapidamente nasceu o CALA BOCA SYLVESTER STALLONE. Saiba como tudo aconteceu!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/stallone-destaque1.jpg" alt="" title="stallone-destaque" width="580" height="386" class="aligncenter size-full wp-image-4764" /></p>
<blockquote><p>Declarações de Sylvester Stallone tirando sarro do Brasil durante a Comic-Con deixam a internet brasileira cheia de raiva, irônia e descontentamento. Rapidamente nasceu o CALA BOCA SYLVESTER STALLONE. Saiba como tudo aconteceu!</p></blockquote>
<p>Gostamos de pensar na História como algo sempre positivo e, quando possível, inspirador. Entretanto, convivemos muito mais com seu lado negativo do que gostaríamos, mas nada muda uma certeza: a História se escreve com ou sem nosso consentimento. Ela simplesmente é. Às vezes presenciamos suas guinad</a>as relevantes, noutras somos apenas informados, mas, normalmente, somos espectadores dos atos </a>de grandes homens ou grandes atos de homens alucinados. Um dos lugares onde isso acontece com freqüência é a Comic-Con, cujo objetivo é reunir as principais cartadas do mundo do entretenimento. Ontem, quando Sylvester Stallone divertia a platéia alucinada e frenética com as histórias sobre <strong>Os Mercenário</strong>s, o moderador do painel, Harry Knowles, do Ain’t Cool News [que é uma espécie de jornalista/divulgador oficial dessa produção, ou seja, tudo que ele disser é tendencioso], trouxe à baila o assunto: filmagens no Brasil. Elas foram problemáticas e os atrasos foram nítidos, coisa que desagradou Sly ao extremo, mas nada comparado com o que ele declarou em seguida. “Explodimos tudo lá. No Brasil você pode explodir, matar e fazer o que quiser, as pessoas ainda dizem obrigado e você ainda pode levar um macaco para casa”. Bela porrada, Sly, especialmente antes do seu filme estrear no Brasil.</p>
<p>O desgaste já existe. Semana retrasada, quando entrevistei Sylvester Stallone, ele fugiu do assunto e deu a resposta política para a imprensa. Falou sobre a beleza do país, a cordialidade das pessoas e de ter ficado impressionado com a recepção que recebeu dos fãs. Eric Roberts, que interpreta o vilão da história, já foi mais direto e contou um dos problemas. “A equipe de filmagens tinha 65 pessoas e ninguém falava inglês; apenas um tradutor precisava se comunicar todos, então foi difícil. Muito difícil. A barreira da língua atrasou muito as coisas”, comentou o veterano. Falando em números, em meio a suas “piadas” Stallone mencionou que foram precisos 70 seguranças para garantir o bem-estar de sua equipe durante o período numa área “cheia de roubos e violência”. Fatos inegáveis sobre a realidade social brasileira. Mentir nunca foi um fator nessa história toda, mas sim o tom de seus comentários.</p>
<p>Ler um texto transmite apenas uma frase, mas, por mais que tentemos, não permite o contexto total de seu momento. O público norte-americano se debulhava em gargalhadas e gritos de “Yeah!”, especialmente no comentário do macaco, e as piadas foram aumentando conforme Sly, acertadamente, por seu ponto de vista, claro, notou o frisson público. Stallone também mencionou o B.O.P.E como “os policiais deles usam camisetas com o símbolo de uma caveira, armas e uma adaga no crânio, aí vocês tem uma idéia de como a situação é perigosa por lá”. Mais um fato correto. Ele pode ter simplesmente ter procurado mostrar como é durão e encarou tudo isso para fazer um “filme mais real possível”? Pode, mas atores vivem reclamando quando são citados fora de contexto. Bem, nesse caso, contexto é tudo e exatamente o que define a relevância de suas palavras.</p>
<p>Stallone pode lavar a roupa suja e abrir seu coração publicamente. Nada mais justo. Aliás, sempre cobro honestidade nas entrevistas, entretanto ser sincero não confere a ninguém o direito de ser preconceituoso. Especialmente quando se trata de um mercado consumidor fiel, como é o caso do Brasil em relação aos filmes de Sylvester Stallone. Van Damme, por exemplo, por mais alucinado que esteja, só sabe dizer que ama o Brasil, pois os filmes dele só dão certo no nosso território. Sly não é Van Damme e não deve satisfação a ninguém. Seus comentários expõe alguns problemas brasileiros? Sim. São mentira? Não. Foi o jeito como ele disse, sem ensaiar, de bate pronto. É o que ele pensa. É o resultado de seu trabalho de meses num set que ele escolheu, mas falhou na logística. Um tradutor para 65 pessoas? Inconcebível! Locação distante de uma equipe mais preparada pode ter sido um dos fatores, mas, no documentário de Os Mercenários, vemos Fernando Meirelles visitando as gravações. Não sei dizer se houve envolvimento da O2, mas sei que a equipe é boa.  </p>
<p>A piada foi boba. A brincadeira, sem graça. E o efeito não demorou a surgir. Se vale a regra do “fale bem ou fale mal, mas fale de mim”, ele conseguiu algo fantástico. Um dia depois da publicação de diversas matérias sobre o assunto, incluindo minha reportagem feita de dentro do Hall-H, minutos após a declaração, o Twitter brasileiro se mobilizou e assim nasceu o CALA BOCA SYLVESTER STALLONE. Muita gente indignada pelo acontecimento, outros indignados com a reação. Aí começa aquele bate boca virtual interminável sobre a realidade do Brasil, o patriotismo [ou a falta de], e os exageros “do brasileiro”. </p>
<p>Fato é, o assunto foi para o primeiro lugar dos Trending Topics. Será um racha na relação de amor entre os fãs que usam a internet e o astro de Rocky? Dificilmente, afinal, anos de devoção não terminam com uma pisada na bola. Mas fere a imagem de Sly, afinal, como acreditar, numa declaração futura, que adora o Brasil ou que teve ótimas experiências em nosso País, quando um jornalista perguntar, se ele demonstrou sua verdadeira sensação em frente a 6 mil pessoas e todas aquelas câmeras ali presentes?</p>
<p>Os Mercenários é um filme divertido. Cheio dos clichês óbvios de Sly. Nenhuma novidade aí. E tem ação impecável. Ninguém pode antecipar o desempenho no filme no mercado brasileiro, mas, sem sombra de dúvidas, essa exposição na Internet – e talvez nas TVs e nos veículos impressos ao longo da semana – será fundamental para o resultado que, até então, deveria ser apenas mediano. Muito também vai depender da California Filmes aumentar, ou não, o número de cópias. Enfim, é o maravilhoso mundo da comunicação integrada. Sly falou besteira ontem, os americanos riram, os brasileiros, pra variar, discordaram uns dos outros, e a vida continua.</p>
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		<title>[TV] Hung: Crítica, Sexo e Família</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 20:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Anne Heche]]></category>
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		<description><![CDATA[As crônicas de um bem-dotado em tempos de crise é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SEJPJTJDK0RWRCtIdW5nJTJDK0RWRCtSb21hJTJDK0RWRCtCYW5kK29mK0Jyb3RoZXJzJTJDK0RWRCtUcnVlK0Jsb29kJTJDK0RWRCtFbnRvdXJhZ2UlMkMrRFZEK0pvbmgrQWRhbXMlMkMrVGhvbWFzK0phbmVfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18yMDYxNzA=-208" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/hung-e1279690355572.jpg" alt="" title="hung" width="580" height="201" class="aligncenter size-full wp-image-4093" /></a></p>
<blockquote><p>As crônicas de um bem-dotado em tempos de crise é tema de mais uma produção com o selo de qualidade HBO: Hung.</p></blockquote>
<p>Quando dois roteiristas corajosos criaram o conceito para a série <strong>Hung</strong>, a frase “a ocasião faz o ladrão” nunca se aplicou tão bem na TV mundial. Em tempos de crise declarada na economia, desemprego crescendo nos Estados Unidos e uma série de mudanças sociais inevitáveis, até que demorou para vermos uma das mais definitivas inversões de valor: sai a prostituta, entra o prostituto. Assim é <strong>Hung</strong>, programa da HBO que não apenas brinca com o conceito de um homem ser pago para fazer sexo, mas engloba toda a inversão de valores promovida pela liberdade feminina e os dilemas familiares da dinâmica moderna. Ser um trepador profissional é o menor dos problemas de Ray, papel que tirou Thomas Jane de seu eterno lugar como “astro de filmes secundários”. Ah, a segunda temporada de <strong>Hung </strong>entra no ar no próximo <strong>domingo</strong>, às <strong>23h</strong>!</p>
<p>A figura do puto, michê, garoto de programa, como queira, existe há muito tempo. Entretanto, o cinema tende a tratá-lo de forma marginal e sempre com forte influência do homossexualismo, como por exemplo em <strong>Garotos de Programa</strong>, com Keanu Reeves e River Phoenix. Hung é repleto de sexo, mas ele não é sua fonte principal. Pai de família, treinador do time de basquete da escola local e divorciado, Ray é forçado a pensar num diferencial no mercado de trabalho. E a única coisa que consegue pensar é em seu avantajado e idolatrado.. humm.. bem&#8230; pinto!</p>
<p>É a lei da oferta e da procura. Mas essa não é a única crítica, afinal, sobra espaço para avaliar o sistema educacional e seus constantes cortes e também o pouco usual, mas interessante, movimento de recuperação das propriedades nas beiras de rios de lagos nos Estados Unidos. Nas últimas décadas, essas casas se tornaram item de luxo e o custo de manutenção foi afastando famílias menos ricas. Esse é um dos pontos fortes de <strong>Hung</strong>, que abre mão de uma premissa tão dramática que chega a ser cômica (sim, o mundo é machista e imaginar um pai de família optando pela prostituição tem seu potencial de bom-humor e indignação) e explora as mazelas da classe média norte-americana.</p>
<p>Seria fácil apresentar Ray como um varão orgulhoso de sua nova função; cheio de si se exibindo para os amigos no bar; ou se achando superior por ganhar dinheiro fazendo sexo. Entretanto, o personagem principal masculino de <strong>Hung </strong>questiona cada passo, cada decisão, cada reação. E isso não acontece por conta de falso moralismo, mas sim pela preocupação honesta com sua família e, mesmo que improvável, fé no sucesso de seu emprego e um sonho distante de reconquistar a ex-esposa. De certa forma, Hung é um tiro de misericórdia numa geração que perdeu o lugar na sociedade americana. </p>
<p>Sabe aquele arquétipo do jogador de futebol idolatrado que se casa com a menina mais bonita e popular do colégio dos filmes? É bem por aí, só que o “felizes para sempre” não existe mais, pois, na maioria dos casos, o futuro desses casais é a mediocridade. Outro dia vi uma dessas imagens engraçadinhas de internet que mostrava a “curva de vida” de um sujeito como Ray e de um nerd que gente como ele, normalmente, abusava na escola. Enquanto o atleta tinha na realização esportiva colegial seu maior momento e “aquele jogo que nunca mais vai esquecer”, o nerd rapidamente se tornou chefe do outro sujeito, ficou milionário e encontrou a felicidade romântica anos mais tarde. </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/wallpaper-ray-drecker-1600-e1279690575474.jpg" alt="" title="ray-drecker" width="580" height="349" class="aligncenter size-full wp-image-4095" /></p>
<p>“Desde que comecei a gravar Hung me pergunto se algum de meus amigos, ou eu mesmo, não teria feito o que ele fez. Todo mundo tem fases ruins, mas quando tudo rui ao seu redor vale qualquer coisa”, analisa <strong>Thomas Jane</strong>, em entrevista ao <strong>SOS Hollywood</strong>. “É estranho pensar que sua vida pode ter acabado mesmo sem você ter sido preso ou feito algo de errado, é aquele encerramento natural. E isso faz de Ray um cara relevante hoje em dia. E se isso não desse certo? O que sobraria além do crime ou desespero?”.</p>
<p>É a dura realidade.</p>
<p>Mas Ray não está sozinho nessa. A seu lado está Tanya, uma poetisa frustrada e desiludida que assume o papel de cafetina. É de seu jeito com palavras, e de suas amigas – pelo menos no começo – que surge a nova profissão do jegue em questão. Adoro a personagem, até mais que Ray, justamente por ela ter que ir contra sua criação, formação e até mesmo convicções para poder faturar no meio dessa crise. Jane Adams assumiu a personagem e é responsável por metade da relevância da série, sem pensar duas vezes. </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/wallpaper-tanya-skagle-1600-e1279690891214.jpg" alt="" title="tanya-skagle" width="580" height="289" class="aligncenter size-full wp-image-4096" /></p>
<p>Quando entrevistei o elenco da série, ela me impressionou mais que Thomas Jane e Anne Heche. Talvez pela personagem ser ligada às letras ou à identificação com seus dilemas e frustrações, mas Jane foi extremamente simpática e direta. Claro, perguntas interessantes ajudam, mas não vi nada da postura ríspida de Hollywood na moça. “Nunca me perguntaram sobre a essência de viver uma poetisa. Todo mundo só quer saber sobre a cafetina, se conheci esse tipo de gente e etc”, disse <strong>Jane Adams</strong>, ao fim da primeira temporada. “Muito mais que ler ou saber nomes dessas mulheres [poetisas] precisei entender qual esse papel na sociedade atual, afinal, qualquer um pode usar a alcunha e nunca realizar nada. Poesia está em todo lugar, mas pode estar em lugar algum se for feita apenas pelo título”. Curiosamente, ela e sua personagem compartilham uma característica inusitada, mas bastante útil: Jane tem o nome do poeta francês Marcel Proust tatuado num dos braços. “Isso é totalmente meu. Um amigo emprestou um dos livros dele, li e fiquei apaixonada por alguns textos. Não é uma paixão daquelas doentias de ler toda a obra, mas foi o suficiente para fazer a tatuagem. Foi importante naquele momento”. </p>
<p><strong>Hung </strong>foge do comum tanto por argumento quanto por direcionamento. Morar nos Estados Unidos mudou minha perspectiva em relação a muitas coisas dessa sociedade tida como ‘muito mais evoluída e melhor que a nossa’, assistir <strong>Hung </strong>pode fazer o mesmo por você. Drama relevante, comédia bem estruturada e um tapa na cara atrás do outro.</p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Pasadena</font></em></p>
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		<title>Mel Gibson procurando encrenca</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 19:56:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Mel Gibson]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, Mel Gibson comprou briga com jornalistas, ofendeu repórteres no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TWVsK0dpYnNvbl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzIwNjE3MA==-64" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/mel-gibson-e1279698452115.jpg" alt="" title="mel gibson" width="580" height="376" class="aligncenter size-full wp-image-4087" /></a></p>
<blockquote><p>
Recentemente, Mel Gibson comprou briga com jornalistas, ofendeu repórteres no ar e pediu desculpas. Mas o que dizer agora que, aparentemente, ele deu dois socos na ex-namorada, ameaçou queimar a casa da moça e pode ter assumido tudo numa fita?</p></blockquote>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</font></em></p>
<p>A nuvem de problemas, controvérsia e negatividade não abandona <strong>Mel Gibson</strong>. Se sua moral nas telas já não é mais a mesma, o que pensar sobre a vida pessoal do ator? Hoje a coisa piorou quando o TMZ, e há instantes a <strong>CNN</strong>, anunciou que o astro de Mad Max está sendo acusado de ter agredido sua ex-companheira. Pela informação divulgada pelo programa de fofocas [que há pouco mais de 1 ano se transformou em fonte 'segura' de notícias, depois de ter declarado a morte de Michael Jackson], Mel Gibson teria dado dois socos na cantora russa Oksana Grigorieva, com quem teve uma filha. </p>
<p>O cenário não é bom, e isso vem de longe [<a href="http://www.soshollywood.com.br/mel-gibson/">leia mais aqui</a>]. Aparentemente existe um áudio no qual Mel Gibson assume ter descido a mão e ainda diz que &#8220;ela mereceu&#8221;. A coisa virou caso de polícia, afinal, Gibson já tinha ameaçado tocar fogo na casa da cantora [uma das propriedades de Gibson, onde ela vive desde a separação] e feito comentários sobre sua origem russa. </p>
<p>Sou contra esse tipo de noticiário, pois o que ele faz na tela me interessa. O resto, não. Entretanto, é impossível não pensar nas implicações desse tipo de acontecimento. Lindsay Lohan foi presa. Ok, ela nunca teve brilho ou relevância, mas a imprensa seguiu. Agora Gibson, que não é constantemente perseguido pela imprensa &#8211; fisicamente falando &#8211; mas age de modo que seja inevitável impedir o assédio e a especulação. Acredito no livre arbítrio e na liberdade de expressão. Ele brigou com a namorada e meteu a boca nela. Brigas normalmente envolvem ofensas e gritos, afinal, são brigas. Aí ele bate na cidadã e, pelo que o TMZ diz, enquanto ela segurava a bebê no colo. Parece roteiro de filme ruim, mas, se confirmado pela investigação da polícia de Malibu, Mel Gibson pode encontrar, de vez, o fim da linha de uma das maiores carreiras que o cinema já viu. </p>
<p>Sou contra julgamentos antecipados. Fui contra os Nardoni e sou contra nesse caso. Uma vez provado, a coisa muda de figura. As chances de que Gibson tenha perdido a estribeira são grandes, fato. E levanta a mesma questão de Lindsay Lohan: tirando o elemento ator/atriz de lado, o que sobra é um indivíduo que pode causar mal à sociedade. Com ou sem apoio de público, paparrazi e grandes estúdios, a justiça por aqui tende a ser muito dura. Erraram feio com OJ Simpson, mas de lá para cá, fez besteira, paga caro. </p>
<p>E tudo isso me entristece demais. Sou fanático por Mel Gibson, cresci inspirado por seus grandes papéis, decorei falas e sempre sonhei em entrevistá-lo. Hoje me pergunto: se encontrá-lo numa entrevista, terei a mesma reação dedicada que tive antes? Difícil responder, mas tenho minhas dúvidas. Quero muito acreditar em exagero do TMZ, em fofoca de vizinhos, em jogo sujo da ex-namorada e etc. Mas como ignorar tudo isso?</p>
<p>Estamos diante de uma queda tão estelar quanto sua história. Quem sabe não seria hora de Gibson olhar para os homens que marcaram sua carreira e seus feitos. William Wallace, Benjamin Martin, Reverendo Hess, Ten. Coronel Hal Moore e até mesmo o descontrolado, mas bem-intencionado, Martin Higgs. Todos repletos de exemplos e virtudes, erros e correções, tristezas e superações. E, por que não seguir os ensinos daquele que ele pregou na cruz mesmo que debaixo de toda a controvérsia com os judeus? É mais um triste caso de um cristão incapaz de seguir a palavra que, teoricamente, deveria guiá-lo. Não sou dessa fé, mas acredito no homem. E se o homem faz valer aquilo em que acredita, divulga e defende, seu caminho nunca se perderá.</p>
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		<title>Faces da Guerra &#8211; II</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 20:13:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Continuando uma série de artigos sobre viver num país em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/Q2FsbCtvZitEdXR5JTJDK0JhdHRsZWZpZWxkJTNBMTk0MiUyQytCcm90aGVycytpbitBcm1zJTJDK1RoZStQYWNpZmljJTJDK01vZGVybitXYXJmYXJlXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-164" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Apache-e1279698278635.jpg" alt="" title="Apache" width="580" height="336" class="aligncenter size-full wp-image-4071" /></a></p>
<blockquote><p>Continuando uma série de artigos sobre viver num país em guerra, suas reações e impressões.</p></blockquote>
<p>A imagem de um grupo de especialistas realizando uma manobra evasiva com um satélite de comunicações inspira modernidade; os soldados sendo guiados e protegidos por caças de última geração incentiva o companheirismo e a certeza da vitória; o marinheiro municiando um bombardeio em ação em águas hostis dá aquela sensação de dever e orgulho; um helicóptero Apache metralhando pessoas numa praça no Iraque demoniza tudo isso e coloca a atuação das Forças Armadas Norte-Americanas em cheque, mais uma vez, em sua longa história militarizada. É muito mais que um simples caso de “fogo amigo” por ser simplesmente a realidade da guerra: se você não é soldado americano, está segurando qualquer coisa que se assemelhe a uma arma fora da Zona de Segurança, sua vida está em risco. Esse é o cenário exposto por um vídeo confidencial que vazou, ganhou força na internet e, agora, levou o soldado responsável pelo vazamento a responder judicialmente. Uma coisa é certa: os Estados Unidos, especialmente seus braços militares, nunca lidaram bem com algumas verdades.</p>
<p>Antes de mais nada, veja o vídeo em questão, liberado pelo Private First Class Bradley E. Manning, 22 anos, em 2007. O material contém cenas muito fortes e, embora filmado à distância, mostra pessoas sendo mortas.</p>
<p><center><object width="416" height="374" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="ep"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="movie" value="http://i.cdn.turner.com/cnn/.element/apps/cvp/3.0/swf/cnn_416x234_embed.swf?context=embed&#038;videoId=world/2010/04/06/vo.apache.reuters.journalists.cnn" /><param name="bgcolor" value="#000000" /><embed src="http://i.cdn.turner.com/cnn/.element/apps/cvp/3.0/swf/cnn_416x234_embed.swf?context=embed&#038;videoId=world/2010/04/06/vo.apache.reuters.journalists.cnn" type="application/x-shockwave-flash" bgcolor="#000000" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="416" wmode="transparent" height="374"></embed></object></center></p>
<p>O cinema cria uma sensação de heroísmo, a propaganda incentiva e os videogames contam que matar seus “inimigos” é legal e até mesmo divertido. Na contramão, os noticiários locais das zonas de guerra sempre mostram o poder da destruição, as crianças órfãs ou machucadas, as vidas destruídas. Os responsáveis normalmente pedem desculpas. E o cenário se repete. Desculpas não encerram conflitos, reparam feridas eternas e, claro, não trazem ninguém de volta das pilhas de escombros e corpos resultantes dos bombardeios.<br />
 Entretanto, isso não passa de matéria curta nos canais de notícias ou jornais diários, se é que chegam até eles. Falar contra o vencedor não é boa idéia. Bem da verdade, nunca é simples escolher um lado correto nessa situação. Cada um tem sua justificativa [“eles estavam armados” / “eles atiraram primeiro e perguntaram depois”], afinal trata-se de guerra. Homens com o poder de matar. Homens com medo. Homens com desejo pela adrenalina do combate. Mistura perigosa.</p>
<p>O soldado que copiou esse vídeo e permitiu sua divulgação vai ser julgado – e condenado. A acusação é técnica: instalou software proibido em computador do governo e copiou material sigiloso para a máquina em questão. As conseqüências para ele são muito menores que as sofridas pelo Exército, afinal, esse vídeo mostra a morte de doze civis no Iraque. Dois deles eram jornalistas da agência Reuters. As armas identificadas pela tripulação do Apache eram câmeras de vídeo, uma delas inclusive foi encarada como um RPG – lança-mísseis utilizado para derrubar helicópteros e blindados. Fogo amigo acontece mesmo entre unidades militares. E os casos são muitos. Lembro de um deles, na Guerra do Golfo, quando um A-10 Thunderbolt abriu fogo contra uma unidade terrestre. Dez soldados norte-americanos morreram. O avião recebeu informação errada e cumpriu seu papel: atacou o inimigo. Quer um exemplo cinematográfico? O começo de <strong>Coragem Sob Fogo</strong>, com Denzel Washington e Meg Ryan. Isso não é novidade e não razão suficiente para provocar um artigo idealista antiguerra.</p>
<blockquote><p>Leia a primeira parte desse especial aqui: <a href="http://www.soshollywood.com.br/faces-de-uma-guerra/ ">Faces da Guerra &#8211; I</a>.</p></blockquote>
<p>Entretanto, coloca em questão o comportamento do Exército norte-americano perante a mídia e o controle de informação que sai da zona de guerra. O conflito do Vietnã ensinou algumas lições nesse sentido. Manter a moral em meio a uma campanha que carece de apoio público é fundamental, mas como fazer isso quando seu maior General – Stanley McCrystal – é demitido depois de abrir a boca para a revista Rolling Stone? Casos assim dizem mais sobre a natureza humana do que, especificamente, o comportamento dos militares. Toda verdade tende a ser incômoda, pior ainda quando se fala em vida e morte de forma diária, literal e, por que não, trivial. Mortes são estatísticas. Inimigos não têm rosto. Mas suas vítimas sim. Nesse caso do vídeo, pelo menos. </p>
<p>Viver num país em guerra mostra vários lados dessa realidade. Não há ação ou tiros por aqui, mas há o medo do terrorismo e a preocupação do preço tanto financeiro quanto pessoal entre os norte-americanos. Guerras afundam países, derrubam presidentes e podem apagar gerações inteiras pelo atrito do combate. Logo, tudo que provém dessa ‘Zona Morta’ na qual matar e morrer são pensamentos constantes é controverso. Quem não vive a situação não é capaz de compreender em sua totalidade, mas, mesmo assim, não mede esforços para julgar e se indignar. É o bipartidarismo, ou melhor, o bi-idealismo, em sua presença máxima: quem apóia é ‘radical de direita’, quem se opõe é ‘antipatriota’ ou ‘comunista’.</p>
<p>Essas linhas se dissipam entre os soldados durante os combates, mas cada nova informação controversa recebida de Khandahar ou Tikrit chacoalha as bases e alimenta o sentimento cada vez maior de “Support Our Troops&#8230; Bring Them Back!” [Apoie nossos Soldados... Traga-os de Volta!]. E quando acreditar na missão do soldado e em seu dever de cumprir ordens deixa dúvidas, provoca incerteza e, especialmente, irritação mesmo a uma nação acostumada à noção de Guerra [os Estados Unidos já se envolveram em pelo menos dez grandes conflitos desde a Guerra da Independência], como acreditar que vídeos como esse não sejam o dia a dia dessas regiões e que os sempre idolatrados soldados não passem de caubóis loucos por adrenalina como o personagem principal de <strong>Guerra ao Terror</strong>? Quando o erro passa a ser a norma, a essência em si se perde e os justos são os primeiros a cair perante a chuva indiscriminada de balas. Sejam elas amigas ou não.</p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</font></em></p>
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		<title>[Toy Story 3] Análise Exclusiva</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 22:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
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		<category><![CDATA[Toy Story 3]]></category>

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		<description><![CDATA[Começa a cobertura especial do Terra para Toy Story 3. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RFZEK1RveStTdG9yeSUyQytQaXhhciUyQytEVkQrU2hyZWslMkMrRFZEK0t1bmcrRnUrUGFuZGFfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18yMDYxNzA=-124" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/06/toy-story-3-lotso.jpg" alt="" title="toy-story-3-lotso" width="650" height="361" class="aligncenter size-full wp-image-3835" /></a></p>
<p>Começa a cobertura especial do Terra para <a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/toy-story-3/"><strong>Toy Story 3</strong></a>. Fui enviado a São Francisco para visitar a Pixar, entrevistar o elenco e, claro, assistir ao filme. Leia um trecho da análise! Em breve, entrevistas, matéria fotográfica sobre a visita aos Estúdios, e bastante material exclusivo!</p>
<blockquote><p>Brincar. Colecionar brinquedos, raros ou não. Acreditar no faz de conta. Habitualmente, tais conceitos são aplicados a crianças ou, na pior das hipóteses, nas inúmeras teses jornalísticas ou comportamentais dedicadas a tentar compreender os adultos e seus action figures. Toy Story mudou essa história ao transformar essa brincadeira em experiência formativa mundial; seja pela humanização dos brinquedos ou pela recíproca relação de amor, respeito e carinho entre o então garotinho Andy e sua vasta coleção liderada pelo caubói Woody. Quinze anos se passaram, Woody, Buzz, Jessie e Cia transcenderam a tela para ganhar lugar no imaginário de toda criança, jovem ou adulto que tenha contato com o cinema. Seus personagens e arquétipos ocupam o mesmo espaço de princesas em perigo, príncipes encantados e bruxas más da literatura, mas com um diferencial: Toy Story nasceu para ser visual e visto, instantaneamente, por centenas de milhares de adoradores. E nem mesmo a ida de Andy para a faculdade e o destino incerto de seus companheiros de plástico e pano é capaz de ameaçar esse laço, afinal Toy Story 3 chegou! E o melhor filme da trilogia estréia com emoção, drama e um primor técnico inigualável.</p></blockquote>
<p><a href="http://cinema.terra.com.br/interna/0,,OI4497020-EI1176,00-Toy+Story+e+filme+mais+emocionante+e+assustador+da+serie.html"><strong>Leia o resto da matéria clicando aqui.</strong></a></p>
<p>Para ler tudo que já foi publicado, e ficar de olho nas próximas, sobre Toy Story 3. <a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/toy-story-3/"><strong>Clique aqui!</strong></a> Logo mais, um banner vai aparecer aí do lado direito.</p>
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		<title>[TV] A Nova Geração dos Seriados Interativos</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 00:10:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Interação]]></category>
		<category><![CDATA[Lost]]></category>
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		<description><![CDATA[Natureza interativa da atual relação entre fãs e suas séries [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RFZEK0xvc3RfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18yMDYxNzA=-60" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/06/john_locke_lost.jpg" alt="" title="john_locke_lost" width="650" height="459" class="aligncenter size-full wp-image-3739" /></a></p>
<blockquote><p>Natureza interativa da atual relação entre fãs e suas séries tem provocado uma onda interessante de “conversas” entre roteiristas e público, durante os episódios, sem medo de irritar os críticos. Quer um exemplo? Os finais de temporada de Lost e Supernatural!</p></blockquote>
<p><strong>[SPOILERS]</strong></p>
<p>A página em branco é o famoso “maior inimigo” do profissional das letras. Seja ele jornalista, roteirista, escritor, redator ou enviador compulsivo de e-mails! Afinal, como começar? Como encontrar o melhor caminho para contar algo relevante e, no caso da TV, suficientemente atraente para seu público? Isso piora quando é hora de encerrar ciclos, ou melhor, temporadas. Historicamente alheias à existência de sua platéia, especialmente por conta do formato, os seriados televisivos existiram por muito tempo em seu universo paralelo. Uma mera janela para outras realidades, épocas ou espécies. Agora, não mais. O mundo 2.0 aproximou espectador de roteiristas, mudou a relação entre propaganda e programa e provocou mais mudanças do que imaginamos. A maior delas é notar que grandes seriados decidem, assim, sem mais nem menos, “conversar” com seus espectadores durante seus episódios. É a representação mal da tal metalinguagem. É a voz do fã ecoando através dos personagens e a estrutura em si sendo construída em torno da reação daquele que assiste. É o fim da mera observação. Quem viu o final de <a href="http://www.soshollywood.com.br/lost-final/"><strong>Lost</strong></a> e o término da quinta temporada de <a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/supernatural"><strong>Supernatural </strong></a>viu os primeiros passos dessa realidade.</p>
<p>Tentar desvendar os mistérios da Ilha de <strong>Lost </strong>virou passatempo mundial e cada pergunta levantada pelo programa merecia infindáveis teorias. Uma delas era: Quem seria o substituto de Jacob? Jack Shepard era a carta marcada. A escolha óbvia. Para alguns, a mais improvável justamente por ser a ‘não surpresa’. E foi o que aconteceu, por um curto período, mas aconteceu. Uma onda de incredulidade deve ter assolado o mundo quando a cena da escolha foi exibida, mas ficar indignado com isso não foi apenas um direito dos fãs. John Locke, ou melhor Monstro de Fumaça que Mata Todo Mundo e Não tem Deus no Coração, reagiu do mesmo jeito: “Então é você? Pelo que conheço de Jacob, esperava alguma surpresa. Você é meio que a escolha óbvia, não acha?” <em>[Original: So it’s you. Jack: Yeah, it’s me. Locke: Jacob being who he is, I expected to be surprised. You're sort of the obvious choice, don't you think?] </em></p>
<p>Não há melhor maneira de interagir com seus seguidores, especialmente no caso de Lost, que arregimentou um dos maiores exércitos de fanáticos que a TV moderna já viu ao longo de seus seis anos. Você tem dúvidas e expectativas, nós entendemos. E sabemos exatamente quais são. Essa é a mensagem, um modo curioso para respeitar a clientela e aumentar ainda mais sua identificação com o roteiro. Entretanto, há um elemento fundamental aí: ao reconhecer a existência do público dessa forma, não há volta para o sistema antigo, no qual tudo acontece alheio à vontade do espectador. É a semente de uma nova dinâmica.</p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RFZEK1N1cGVybmF0dXJhbF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzIwNjE3MA==-72" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/06/impala_supernatural.jpg" alt="" title="impala_supernatural" width="650" height="344" class="aligncenter size-full wp-image-3738" /></a></p>
<p>Mas Lost não está sozinho nessa tendência. <strong>The Swan Song</strong>, o último episódio da quinta temporada de <strong>Supernatural</strong>, fez mais do que transmitir as dúvidas dos fãs e conversou com sua platéia ao longo do episódio. Tudo começa com Chuck, o profeta que escreve o Evangelho dos Irmãos Winchester, reconhecendo as dificuldades de sua tarefa: escrever. Afinal, como concluir uma história bem desenvolvida ao longo de cinco anos, ou melhor, como vencer o Apocalipse e ainda deixar espaço para um sexto ano? É um dilema tanto para espectador quanto para os roteiristas. Uma decisão errada, e tudo iria ralo abaixo.</p>
<p>Ao entender seu processo, Chuck encontra um caminho para iniciar sua história: o Impala, que faz as vezes de lar para Dean e Sam, assim como já se consagrou na mitologia televisiva como um dos carros mais marcantes do gênero. Com isso, <strong>Supernatural </strong>envolveu sua audiência, agora instruída no difícil ato da criação, e essa combinação – público e roteiro – serviu de guia para a conclusão da temporada. De algum modo, mesmo sem influência direta, cada um colaborou para aquele final. Ou foi levado a acreditar nisso. </p>
<p>De qualquer forma, falamos aqui sobre o exercício criativo e a nova estrutura, que convida o espectador a ter sua voz na tela. Muito mais que Hurley com suas colocações nerds – fazendo as vezes de representante, mas sem permitir esse tipo de interação – ou, no caso de Supernatural, no episódio em que Sam e Dean ficaram presos dentro de uma convenção de fãs. Nesse capítulo, aliás, encontraram-se muitos representantes, mas poucas vozes ativas, especialmente se considerarmos a abrangência minúscula do fã-clube fictício e a enormidade de sua versão real. Nunca que apenas uma fã perceberia estar diante de seus ídolos. Ali, a diminuição serviu apenas como homenagem.</p>
<p>Mas as regras mudaram. Viver o dia a dia de Chuck, compreender sua narrativa, e encontrar sua voz ativa em Lost mostra um caminho. O roteirista é deus, cuja existência depende da crença de sua platéia. Uma questão de fé, seja ela real ou fictícia. É uma interação mais positiva e menos incisiva do que a proposta pelos primórdios do Você Decide e não prevê a participação ativa, e desregrada, das ligações dos reality shows. É chegada a hora de uma nova tela branca, na qual letras serão inseridas não para atender ao produtor e, com sorte, atrair fãs, mas sim para incorporar todos esses elementos e, dessa mistura, desenvolver o novo conceito de seriados interativos e de qualidade.</p>
<p>E que isso afunde com o reinado acéfalo da TV realista que de real não tem nada.<br />
<a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RFZEK1N1cGVybmF0dXJhbF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzIwNjE3MA==-72" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/06/chuck-supernatural.jpg" alt="" title="chuck-supernatural" width="650" height="366" class="aligncenter size-full wp-image-3740" /></a></p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</font></em></p>
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		<title>[Príncipe da Pérsia] As Mil e Uma Noites do Século XXI</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/critica-principe-da-persia/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/critica-principe-da-persia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 May 2010 11:46:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Walt Disney]]></category>

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		<description><![CDATA[Príncipe da Pérsia &#8211; As Areias do Tempo é praticamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RFZEK1BpcmF0YXMrZG8rQ2FyaWJlJTJDK0JydWNraGVpbWVyXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-96" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/jake_gyllenhaal.jpg" alt="" title="PRINCE OF PERSIA: THE SANDS OF TIME" width="650" height="450" class="aligncenter size-full wp-image-3641" /></a></p>
<blockquote><p>Príncipe da Pérsia &#8211; As Areias do Tempo é praticamente um jogo condensado em 2 horas. Cheio de impossibilidades, perseguições, ótima trilha sonora e um enigma das arábias!</p></blockquote>
<p>Certa vez, Stan Lee me disse que não se surpreende com grandes filmes de sucesso, afinal, com seus orçamentos avantajados, dar resultado é obrigação. É o dinheiro a serviço do entretenimento, o coração de Hollywood. Entretanto, algumas pessoas entendem melhor essa dinâmica e uma delas é o produtor Jerry Bruckheimer, verdadeiro dono de <strong>Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo</strong>, que estréia na próxima sexta-feira, no Brasil. Responsáveis por colossos de bilheterias como <strong>Piratas do Caribe</strong> e séries de TV como <strong>CSI</strong>, ele resolveu encarar as controversas adaptações de videogames para o cinema num projeto audacioso cujo sucesso dependeria das acrobacias impossíveis e ambientação fantástica da Pérsia do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal). Mas nada disso significa que o Toque de Mídas de Bruckheimer seja infalível e os US$ 30 milhões da bilheteria de estréia (em fim de semana prolongado) servem como alerta.</p>
<p>Bruckheimer tomou as precauções necessárias em <strong>Príncipe da Pérsia</strong> e buscou validação artística para sua idéia ao convocar o veterano Mike Newell, diretor inglês de 68 anos de idade, para comandar o filme. Foi uma relação conturbada, especialmente pela constante luta pelo poder de decisão. É um filme de produtor, mas nem por isso Newell aceitaria passivamente. O ponto alto aconteceu quando a versão do diretor foi entregue. Bruckheimer não gostou e chamou um novo editor para deixar o filme do seu jeito. Resultado: 10 minutos, mais artísticos e dedicados às tomadas no deserto marroquino, foram retirados do filme. Mas isso não afetou a qualidade do produto final, muito acima da média para as adaptações de videogames, mas bastante longe do nível artístico imaginado pelo envolvimento de Newell. Ou seja, funciona. Mas e as bilheterias? Provavelmente culpa do fraco apelo de Jake Gyllenhaal e Gemma Arteton, mas, acima de tudo, pelo fiasco qualitativo de <a href="http://www.soshollywood.com.br/furia-de-titas/"><strong>Fúria de Titãs</strong></a> – com a mesma Arterton –, recente aventura similar. E também a ausência de cópias em 3D.</p>
<p>Esperar originalidade não vem ao caso, uma vez que o desfecho é óbvio e inevitável. Aproveitar a viagem pela Pérsia Antiga e a fictícia cidade sagrada de Alamut é decisão saudável, pois mesmo a trama das tais Areias do Tempo do título soa banal. Bem, trata-se de um videogame para ser assistido. Nada de desmerecedor, mas como obra de gênero, ela segue suas regras e entrega o grupo de mocinhos, o vilão e a missão. Há um charme especial, porém: um “botão” de rebobinar – e seu magnífico e brilhante efeito visual – brinca com a linearidade da história. Recurso prioritariamente visual, mas interessante para proporcionar a imersão naquele mundo mágico. A sensação é de ver algum viciado em <strong>Príncipe da Pérsia</strong> jogando numa telona e sem errar um golpe, salto ou escolha das frases no RPG! You Win!</p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QmVuK0tpbmdzbGV5XyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-64" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ben-kingsley-principe-da-persia.jpg" alt="" title="ben-kingsley-principe-da-persia" width="650" height="462" class="aligncenter size-full wp-image-3642" /></a></p>
<p><strong>Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo</strong> é o ápice de uma colaboração velada que existe a anos. Os jogos de videogame aprimoraram, e muito, sua natureza cinematográfica na última década seja em sua narrativa ou nos belíssimos filmes de transição presentes nos jogos mais encorpados; por sua vez, o cinema entendeu o potencial comercial e visual dessas histórias para seu meio. Adaptações não são coisas novas, claro, mas os limites tem se misturado tanto que fica difícil separar as duas mídias em alguns momentos. Resident Evil é uma das franquias de maior sucesso nesse âmbito, mas nem mesmo toda a fortuna da Umbrela Corporation permitiu uma viagem tão visual e fantástica quanto essa aventura da Disney. Se bem que o próximo filme – <strong>Resident Evil AfterLife</strong> – está prestes a estrear, em 3D, e pode reverter essa situação. </p>
<p>E há muita coisa boa para se retirar desse relacionamento. Videogames se levam a sério, claro, mas tem por obrigação entreter seu consumidor por horas, dias, semanas. O cinema é conciso por natureza, mas, no caso de Príncipe da Pérsia, conseguiu entender que esse entretenimento pode, e deve, misturar bom-humor com certeza de maravilhamento visual. Por isso as piadas são constantes, especialmente quando Alfred Molina está em cena. Jake Gyllenhaal tem seus momentos, mas foca boa parte de sua atenção nas piadas internas com base na tensão romântica entre Dastan e Tamina (Gemma Arterton, “a princesa antiga do momento”). </p>
<p>Seriedade não existe, pelo menos não na frente do público. Qualquer pensamento mais sisudo ou sombrio fica reservado aos conflitos da produção e à mente de Bruckheimer, já que nem mesmo o vilão de Ben Kingsley aspira muito medo. É um inimigo a ser derrotado, seja pela espada ou pela inteligência. E Dastan tem os dois.<br />
Da trama simples pouco se tira, especialmente quando a apoteose de cores do clímax do filme chega ao fim, mas o primordial ali é a experiência. A possibilidade de visitar aquele mundo normalmente restrito à telinha do computador que de pequeno não tem nada. Filmes como esse reduzem aqueles desfiladeiros existentes entre algumas gerações. Pais muitas vezes encaram a diversão de seus filhos como perda de tempo, mas ao ver tudo que esse “vício” tem a oferecer na telona, pode ser que alguns paradigmas mudem.</p>
<p>Nunca é tarde para segundas chances. Os super-heróis tiveram uma nova oportunidade e, com orçamento certo, assumiram a ponta do cinema de ação, e há razões de sobra para dar o mesmo voto de confiança aos videogames. Em termos comerciais, não vai ser tão simples. US$ 30 milhões em três dias é relativamente pouco, especialmente ficando atrás do patético <strong>Sex and the City 2</strong>, mas também do líder natural <strong>Shrek Forever.</strong> Mas ainda é cedo para pânico, pois a universalidade do título <strong>Príncipe da Pérsia</strong> vai garantir bom desempenho nos mercados internacionais. Bruckheimer pode ficar feliz. E o público também. Mas ficar atento é necessário, pois com um investimento de US$ 200 milhões, abrir em terceiro não é nada bom. Especialmente depois de um adiamento de praticamente um ano. Não é qualquer um que pode ser Johnny Depp e Bruckheimer sabe disso, mas mesmo assim arriscou com Gyllehnaal no papel principal. Nem mesmo o marketing pesado da Disney, que encartou o pôster do filme no LA Times da última sexta-feira, foi suficiente. Agora, só o boca-a-boca salva.</p>
<p>Paga-se para se divertir e é exatamente isso que <strong>Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo</strong> entrega. Um filme eletrizante, deslumbrante e engraçado. São as mil e uma noites dos tempos modernos. Pouco romantismo e muita correria, mas as mesmas maravilhas inimagináveis.</p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UGlyYXRhcytkbytDYXJpYmVfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18yMDYxNzA=-72" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/gemma_arterton.jpg" alt="" title="PRINCE OF PERSIA: THE SANDS OF TIME" width="650" height="515" class="aligncenter size-full wp-image-3643" /></a></p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</font></em></p>
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		<title>Uma Ilha para Todos Intrigar e Emocionar</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 01:43:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Qual o último final de série do qual você se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TG9zdF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzIwNjE3MA==-56" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/lost21.jpg" alt="" title="lost2" width="650" height="389" class="aligncenter size-full wp-image-3596" /></a></p>
<blockquote><p>Qual o último final de série do qual você se lembra de ter realmente se importado e antecipado, seja para elogiar ou tirar barato, nos últimos dez anos? A resposta só pode ser uma: Lost! <strong>SPOILERS!</strong>
</p></blockquote>
<p>Existe um formato literário há muito obsoleto nos jornais brasileiros, mas cuja essência ainda vive: o folhetim. Basicamente, um grande autor escrevia uma pequena história publicada diária ou semanalmente num jornal de grande circulação. Podemos considerar o casamento entre as radionovelas e o folhetim como a gênese da ficção em série ou, como conhecemos hoje, os seriados de TV. A grande chave do folhetim era, acima de tudo, manter o leitor vidrado e ansioso pelo capítulo seguinte. Valia tudo: suspense, mistério, surpresas, personagens fora do comum, qualquer coisa capaz de causar curiosidade. Antes de cair na mesmice abissal, as novelas conseguiram atualizar esse conceito e o mesmo aconteceu com boa parte das séries da TV a cabo até que os criadores malucos de Lost resolveram derrubar o Oceanic 815 na bendita ilha e tudo começou. E, claro, com um diferencial: quanto mais perguntas, dúvidas ou mistérios, melhor! Seis anos depois, o maior de todos os folhetins chega ao fim, divide opiniões, provoca emoção, envolve toda a mídia e, mesmo sem responder a maioria de suas perguntas, cumpre sua missão – re-energizar um formato. </p>
<p>J.J. Abrams disse a esse repórter que o final de Lost seria “polêmico, mas necessário”. Promessa feita, promessa cumprida. Bem, a frase foi bem pensada e era segura de ser dita, afinal, qualquer final causaria esse efeito. Tudo por conta da relação especial entre os fãs da série e seu objeto de culto. Diferentes de outras séries mais jovens, esse devoto não morre de amores por fotos dos atores ou persegue o que fazem em suas vidas pessoais. Seu compromisso é com a série, com sua proposta e, acima de tudo, com seu significado. Desde o primeiro instante todos perguntam: o que é a ilha?</p>
<p>A resposta? É o que você quiser que ela seja! Nada de conclusão definitiva. É a aplicação do conceito da ‘Caixa Mágica’, de J.J. Abrams. A história é verídica: ele tem uma caixa com uma ‘surpresa mágica’ que ganhou quando criança. A idéia é abrir e ser surpreendido pelo presente, algo misterioso e inesperado. O diretor e produtor executivo nunca a abriu, pois prefere manter sua mente curiosa sobre o conteúdo mesmo depois de tantas décadas. A ilha de Lost e a maioria de suas razões está dentro da caixa que Abrams entregou a cada um dos valentes dispostos a encarar seis anos do seriado sabendo que dar soluções nunca foi o forte do programa. Propositalmente, claro.</p>
<p>Será? Damon Lindelof e Carlton Cuse os “responsáveis pelo programa”, ou show runners, em inglês, foram bombardeados ao longo da série por gente tentando descobrir o desfecho, acusações de que não sabiam quais os rumos e que estavam inventando aos poucos. Sempre responderam que tinham as respostas. Atirei uma dessas pedras, afinal, cansei do excesso de charadas e abandonei a série depois do final da segunda temporada. Só voltaria a assistir os “anos ignorados” perto da estréia da derradeira e, confesso, a sensação permaneceu. Erro do meu foco em querer respostas ou no constante conflito da série entre personagens carecerem de realizações para se manterem interessantes e nenhum desses atos poder ser conclusivo em relação aos temas principais? Ou seja, eles tinham que fazer algo, mas nada aliviava a tensão exercida pelos mistérios. </p>
<p>Muito além de respostas, algo feito nas últimas duas temporadas mudou esse rumo. De forma sutil, mas mudou. Pouco a pouco, a ilha – até então peça-chave para toda e qualquer teoria sobre Lost – foi saindo de foco, primeiro com o duelo entre os irmãos Jacob e Esaú, oops, Adão, oops, Flocke, oops, Monstro de Fumaça, oops, Ruivo Hering&#8230; ; depois a realidade alternativa, na qual o avião não caiu. Afinal, de que ajudaria saber o que é a ilha? Poderia ser uma recompensa por tanto tempo dedicado, claro. Porém, essa situação mantém Lost, mesmo depois de seu final, tão pessoal e íntima quanto durante sua exibição.</p>
<p>Tudo culpa daquele sentimento de posse desenvolvido entre fãs e séries. Recebemos estímulos e imaginamos diversas possibilidades para sua evolução e talvez por isso Lost tenha causado tanto impacto, pois enquanto nossas mentes se concentravam em respostas, os roteiristas da série ofereciam apenas mais perguntas. Talvez esse seja um dos grandes méritos da série, capaz de manter a atenção durante tanto tempo sem, efetivamente, contar nada. Esse estilo é presente também na literatura. A Estrada, de Cormac McCarthy, também postula a conquista do público pela simples expectativa numa construção desprovida de grandes ações ou explicações. É a saída para a TV formuláica e previsível, do final repleto de sorrisos e pessoas felizes. McCarthy levou esse conceito até o final, Lost não. </p>
<p>As respostas não vieram. Se nem mesmo a vida nos dá respostas, qual a obrigação de Lost em provê-las? Há um acordo velado quando se resolve seguir um seriado tão longo: a produção abastece o telespectador com um determinado conteúdo, ele aceita, ou não.  Essas são as regras, e de regras o fã de Lost entende por ter sido exposto a inúmeras delas. Pressione o botão; fique longe dos Outros; não brinque com as bananas de dinamite do Black Rock; nunca deixe o Hurley sozinho com a comida; o Monstro de Fumaça não pode atravessar a cinza e também não pode matar Jacob, que, por sua vez, escolhe os candidatos, e por aí vai. </p>
<p>Mas sem as respostas definitivas, cada um pode manter suas teorias e continuar a discutir o assunto. Todos estão certos quando ninguém está certo. É chato e frustrante? Sim. Mas faz mais sentido do que reescrever a Bíblia e se contradizer a cada episódio ou ponta deixada em aberto. Torci muito por uma conclusão mais FC, mas se esse era o plano, que seja. Essa discussão toda não acontecia desde Matrix Reloaded, com suas infinitas possibilidades e aquela mistura entre misticismo e tecnologia. Algo muito parecido com o oferecido por Lost, embora seu final tenha guinado indiscutivelmente para o lado espiritual. E que final!</p>
<p>A conclusão de Lost apostou no emocional. Fez muita gente chorar, fez muita gente odiar. Entrei no primeiro grupo em algumas ocasiões por um motivo muito especial: minha avó. Quando Jack encosta no caixão do pai lembrou-me da última vez em que vi o rosto da <a href="http://www.soshollywood.com.br/uma-simples-homenagem/">Dona Elza</a>, sorrindo e imóvel. Lembrança triste e razão do choro, afinal, por que não acreditar, só por um pouquinho, que o futuro pode ser daquele jeito? A saudade voltou e um pingo de esperança egoística surgiu. Se eles podem, eu também quero. Esse universo paralelo possivelmente representa o meio termo entre a religiosidade de J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse sintetizado em uma só palavra: esperança. </p>
<p>Comentei no podcast <a href="http://www.soshollywood.com.br/podcast-losties-the-candidate/">LOSTies </a>que houve muita embromação em Lost. Fato. A série registrou momentos muito mais grandiosos que seu final, possibilidades mais atrativas seja como série de ficção científica ou como drama. Mas tudo isso sempre promovia a dúvida, a curiosidade e, em algumas vezes, a dura certeza de que ninguém sairia dali vivo. E não saiu, só que nos faltava essa concepção de que o “ali” não era a ilha, mas sim a vida. Nesse aspecto, o final de Lost foi preciso, afinal, para que dar um grande desfecho tecnológico e ficcional se esse mundo anda precisando muito mais da esperança do que de teoria? Clássico já é. Famoso também. Então por que não acalentar o emocional quando meio mundo estava assistindo? É um ciclo. </p>
<p>Começou com pessoas procurando rumo, salvação, razão para viver. Terminou com essas mesmas pessoas sorridentes, felizes, redimidas e, acima de tudo, em paz. E mensagem melhor não, especialmente sabendo que Fringe está no ar justamente para fazer o contrário: dar respostas, mergulhar na ficção científica com o mesmo drama e mentes criativas. Aliás, brinquei com a Lu outro dia dizendo que o final de Lost seria o comecinho de Fringe, só que no “outro universo”. Tudo é possível no mundo de Walter Bishop.</p>
<p>E tudo ainda é possível quando se pensa na ilha e nos sobreviventes do Oceanic 815. Muitas respostas foram dadas há tempos e, por escolha própria, o fã decidiu não aceitá-las esperando um grand finale mais mastigado ou ligando todos os pontos. A série nunca permitiria isso, ou seria mais uma regra da ilha? Assim como encontrei uma razão extremamente pessoal para me emocionar no final, cada espectador tinha suas razões para seguir, ou não, o programa. E cada uma delas levava a uma teoria ou desejo. Ninguém acertou; e isso foi fantástico, pois manteve o caráter imprevisível do seriado.</p>
<p>Ao tornar a ilha num simples pano de fundo para a vida de Jack Shepard e seus amigos, finalmente, o tal drama pessoal defendido pelos produtores se fez presente e muita coisa fez mais sentido. A ilha existiu, enlouqueceu pessoas, uniu outras, poderia ter acabado com o mundo, mas acabou nas mãos daquele que melhor cuidava de seus iguais: Hurley. É a vitória dos nerds até mesmo na ilha dos birutas e também marcou a redenção. Odiar Ben Linus virou lugar comum e, como aconteceu, sua redenção marcou demais. Não foi uma segunda chance, afinal ele teve inúmeras oportunidades anteriormente, mas o sujeito se manteve honesto a seu desejo primário: precisava de atenção, queria cuidar da ilha e de seus moradores. Quando teve a chance foi brilhante. Engraçado ter uma certeza dessas sem ter a menor idéia do que ele fez, não é mesmo?</p>
<p>Gosto de pensar que a melhor das histórias é aquela não contada. Contar pode, às vezes, engessar um conceito. Provocar a mente é o melhor caminho. Por isso gosto de H.P. Lovecraft, que sempre me fez ficar apavorado sem nunca definir exatamente o que deveríamos imaginar. A mente nos leva a lugares negros, mas também conhece o caminho da Luz, seja ela o poço eletromagnético no centro da ilha ou das lembranças boas. </p>
<p>Por isso me emocionei com a conclusão naquela igreja, aliás, um lugar de todas as religiosidades. Pelos olhos de Jack – sempre eles! – vivenciamos uma inundação de boas lembranças, de sensações e um maravilhamento único. Desmond ajudou todos a se lembrarem, mas naquele momento não havia lugar para a dor. Eles sofreram o suficiente ao longo dos seis anos.</p>
<p>E nós também. Será essa nossa deixa para vivermos em paz a partir de agora? </p>
<p>E pensar que tudo começou com o folhetim.</p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</font></em></p>
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		<title>Hollywood: Sob o Domínio do Óbvio</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 18:16:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Filmes incapazes de surpreender, críticos indispostos, estúdios enriquecendo e um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UnVzc2VsbCtDcm93ZSUyQytSb2JpbitIb29kXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-84" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/russell-crowe-robin-hood.jpg" alt="" title="russell-crowe-robin-hood" width="650" height="432" class="aligncenter size-full wp-image-3432" /></a></p>
<blockquote><p>Filmes incapazes de surpreender, críticos indispostos, estúdios enriquecendo e um consumidor que só quer saber de uma coisa: se divertir no cinema. Qual a cara de Holllywood hoje em dia? Ridley Scott conseguiu fugir do óbvio, como prometeu, com seu <strong>Robin Hood</strong>?</p></blockquote>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Quando Kenneth Turan critica a previsibilidade do roteiro de <strong>Robin Hood </strong>em sua análise principal da edição de hoje do Los Angeles Times, o leitor pode encarar o problema como ponto fraco do filme de Ridley Scott, mas, assim como as multidões atraídas por remakes, adaptações, seqüências e origens, o crítico do célebre diário angeleno individualiza um problema sistemático no cinema hollywoodiano atual. Eis a pergunta: como cobrar criatividade e originalidade quando, mais do que nunca, os blockbusters carecem de ousadia e novas idéias? A resposta pode ser dura demais.</p>
<p>O sucesso de <a href="http://www.soshollywood.com.br/avatar/"><strong>Avatar </strong></a>provocou um interessante movimento entre cinéfilos e comentaristas compulsórios na internet: quem não gostou tinha um ótimo argumento para debulhar o filme, seu roteiro. Boa parte dos debates beirava a infantilidade e as comparações a Pocahontas e outras tantas versões da Grande História, porém tal debate se mostrou extremamente valoroso e influente para 2010 e os anos seguintes. Por quê? Tornou-se latente a ânsia pela originalidade que, embora travestida por surtos chiliquentos, é necessária em Hollywood. E tudo isso aconteceu pela natureza divisora de águas do filme de James Cameron. Ame ou odeie. Estava criado o debate. Foi um momento polarizador, logo quase todo mundo fez questão de opinar, defender, atacar, analisar.</p>
<p>Retirado o elemento polêmico [<strong>Avatar</strong>, no caso], o cenário se repete. A discussão, não. Analisando a lista das dez maiores bilheterias de 2010*, apenas três delas são roteiros originais (<strong>Valentine’s Day</strong>, <strong>Date Night</strong> e <a href="http://www.soshollywood.com.br/o-admiravel-fim-do-mundo/"><strong>O Livro de Eli</strong></a>), as demais (<a href="http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/"><strong>Alice no País das Maravilhas</strong></a>, <strong>Como Treinar Seu Dragão</strong>, <a href="http://www.soshollywood.com.br/furia-de-titas/"><strong>Fúria de Titãs</strong></a>, <a href="http://www.soshollywood.com.br/homem-de-ferro-elenco/"><strong>Homem de Ferro 2</strong></a>, <a href="http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/"><strong>Ilha do Medo</strong></a>, <strong>Percy Jackson e o Ladrão de Raios</strong>, e <strong>Querido John</strong>) entram no grupo das adaptações, continuações ou remakes. Em 2009* foi a mesma coisa. Apenas três filmes originais na lista dos dez mais vistos: <strong>Avatar</strong>, <strong>Up – Altas Aventuras</strong> e<strong> Se Beber, Não Case</strong>.</p>
<p>É repetição ao extremo.</p>
<p>Por um lado deve-se levar em consideração o medo dos estúdios, cada vez menos dispostos a assumir riscos. “Todo mundo diz que adora meus filmes, mas não acha que o roteiro atual se encaixe nos planos, aí me mato pra fazer e ‘todo mundo adora’ e blabla”, disse Terry Gilliam, em entrevista ao <strong>SOS Hollywood</strong> no lançamento de <strong>O Imaginário do Dr. Parnassus</strong>, que ainda não estreou no Brasil e já saiu em DVD nos Estados Unidos. As dificuldades de Gilliam são perfeitamente compreensíveis. Seu cinema é autoral, surreal e pouco comercial. Fato. Confrontar um público cada vez mais despreparado, acomodado e mal acostumado quando é necessário pensar ou mesmo ter imaginação. Tudo precisa ser mastigado. Seja um texto jornalístico, seja uma história no cinema.</p>
<p>Nesse reinado do óbvio, não há como fugir do final previsível no rol dos filmes de sucesso financeiro. Afinal, o mocinho precisa vencer, certo? É uma equação construída ao longo dos anos por Hollywood, que demorou um pouco para reencontrar seu equilíbrio, mas compreendeu os desejos da geração digital. Foi uma década marcada pelo reaproveitamento e reimaginação, como John Lasseter gosta de analisar as revisitas da Disney a personagens clássicos como Sininho, devidamente globalizada e agora chamada de Tinker Bell, por exemplo.</p>
<p>Se o público quer a história previsível e divertida, para justificar seu investimento no ingresso e na pipoca. É isso que Hollywood entrega. Mas, assim como qualquer outra tendência de grande volume, uma vez liberta, nada mais pode restringi-la e seus efeitos podem ser devastadores. Roma não imaginou que ao abandonar sua postura radical e passar a tolerar o cristianismo, permitiria o nascimento de uma das maiores religiosidades do planeta. Sem resistência de nenhum estúdio, o formato foi se fortalecendo e, inevitavelmente, tornou-se regra, que afetou tanto o público casual quanto o cinéfilo especializado que freqüenta o Festival de Cannes. Sem muito glamour e com uma “seleção questionável e mediana”, de acordo com o Los Angeles Times, quem abriu a edição 2010 do evento foi <strong>Robin Hood</strong>. Comparado jocosamente a <strong>Gladiador </strong>ou <a href="http://www.soshollywood.com.br/um-mundo-serio-demais/"><strong>Cruzada </strong></a>[dois filmes históricos anteriores de Ridley Scott] pela imprensa norte-americana, criticado pela obviedade e falta de ligação com a “história famosa”. </p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UmlkbGV5K1Njb3R0XyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-64" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ridley_scott_robin_hood.jpg" alt="" title="Untitled Robin Hood Adventure" width="650" height="433" class="aligncenter size-full wp-image-3431" /></a></p>
<p>O cinema comercial vive momentos importantes de definição, seja pela eficiência do 3D e seus efeitos no processo de criação de novos filmes, ou no abandono definitivo da originalidade em prol do projeto mais seguro, do retorno garantido. Ridley Scott vendeu Robin Hood sob a égide da versão mais histórica do personagem, da melhor descrição já feita, e encontrou descrédito. É o máximo que pode ser feito: mudar alguns elementos dentro do grande esquema comercial. Os nomes de Russell Crowe, Cate Blanchett e, claro, Robin Hood devem ser suficientes para garantir bons resultados. É o que Hollywood vê, nada mais. E não importam as teorias sobre influência das mídias sociais ou a tentativa da criação da Bolsa de Valores para Bilheterias [proposta vetada há algumas semanas, mas ainda com chances de se tornar realidade], o foco é o resultado final.</p>
<p>A qualidade é secundária. Ao mesmo tempo em que o ótimo e original <strong>Como Treinar Seu Dragão </strong>mistura diversos aspectos positivos e também a tecnologia 3D, o desagradável <a href="http://www.soshollywood.com.br/furia-de-titas/"><strong>Fúria de Titãs</strong></a> só precisou de uma grande campanha de marketing enganoso e também os óculos 3D para se definir como bilheteria de respeito. Essas são as novas regras. Aceitá-las não é obrigatório, mas ajuda no entendimento do novo cenário. Críticos cobram novidade, empalam desfechos previsíveis, mas precisam ir além do “filme a filme” para compreender o caminho que já trilhado pelos estúdios de Hollywood. Assim como entender sua nova relação com os estúdios, cada vez mais debilitada e vinculada às campanhas de marketing.</p>
<p>E, ao contrário da estrada de tijolos amarelos, essa trilha é repleta de roteiros baratos, muito dinheiro, truques técnicos, exagero no 3D, mais dinheiro ainda, e nenhum compromisso com o bom cinema. Qualidade vai continuar existindo, mas em poucos focos de resistência em estúdios como a Pixar e DreamWorks ou em diretores autorais como Tim Burton ou James Cameron. </p>
<p>Talvez, a ousadia limitada e calculada de Ridley Scott seja o melhor que se possa esperar dessa nova dinâmica. Uma eventual pérola em meio à inevitável, e latente, inundação de mesmice, formatos marcados e, claro, finais óbvios. O mocinho sempre se dá bem [Robin Hood, Jake Sully ou o público?]. E os cofres dos estúdios, ou seria o malvado, mimado e contrariado Príncipe John?, ficando cada vez mais cheios. Na vida real, não há Na’Vi ou arqueiro benevolente capaz de lutar contra a injustiça.</p>
<p>A crítica brada por um salvador, mas o Rei está morto&#8230;</p>
<p>*Dados do mercado norte-americano. Fonte: <a href="http://boxofficemojo.com/yearly/chart/?yr=2010&#038;p=.htm">Boxofficemojo</a></p>
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		<title>Censura: o último suspiro</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 22:40:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto boa parte da cobertura tecnológica se dedica a antecipar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/burmavj_filmstill1.jpg" alt="" title="burmavj_filmstill1" width="650" height="366" class="aligncenter size-full wp-image-3278" /></p>
<blockquote><p>Enquanto boa parte da cobertura tecnológica se dedica a antecipar e discutir o novo cacareco do momento, seja ele qual for, alguns aspectos da evolução da tecnologia ficam em segundo plano. Um deles prega o final da censura, uma prática inviável na comunidade virtual globalizada.</p></blockquote>
<p>por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</p>
<p>Relembrar fatos históricos, ou de um passado célebre, quando se pensa em evolução é uma ferramenta bastante útil. Citamos as mazelas humanas na era pré-penicilina quando falamos nos avanços da medicina, ou os efeitos visuais caseiros e manuais criados por George Lucas ou Stanley Kubrick em seus grandes filmes nas comparações com os prodígios gerados por computador na Hollywood dos remakes. Por vezes, porém, esquecemos das mudanças mais radicais – cada vez mais constantes na dinâmica moderna – e, dentro da contagem mais ampla dos anos, instantânea. A queda da censura aconteceu e ninguém percebeu, aliás, já é passado; pois vivemos os primórdios da definição de uma vida na qual a informação não pode ser contida, não tem dono, e desconhece barreiras.</p>
<p>Algumas gerações encaram o próprio termo – censura – como algo tenebroso. Quase um tabu. Medo de tempos sombrios, dos anos da Ditadura Militar brasileira, ou mesmo Argentina. Essa memória se dissipou ao longo de poucas décadas e a inexistência de novas tentativas de Golpe. O cinema engajado se esforça na luta para manter a memória viva. Lembrar para não repetir o erro. Nunca esquecer, para não sofrer. Na prática, a questão é outra: a geração da internet não faz idéia, ou melhor, é incapaz de compreender um mundo sem acesso à informação. Com a telefonia móvel cada vez mais avançada, não se passa um minuto sem consumir ou produzir conteúdo. Censura para eles é resolvida ao selecionar a opção: “tenho mais de 18 anos” no site impróprio. Ou então a “classificação indicativa” dos filmes nos cinemas. Bem, essa também caiu, afinal, pode-se ter acesso a qualquer filme – seja ele para maiores de 16, 18 ou 21 – sem sair de casa.</p>
<p>Os pais podem controlar o material. O Windows oferece ferramentas. Diversos sites com “especialistas familiares” recomendam material adequado e tentam, numa luta inglória, conscientizar sobre os perigos online. Essa batalha já acabou faz tempo. O momento requer compreensão da ferramenta e meios de minimizar seus efeitos. O conteúdo está ali, disponível. Dar base de caráter, moral e educação é a melhor arma contra a banalização ou idiotização, nesse caso. De qualquer forma, essa censura deixou de existir.</p>
<p>Assim como a pior aplicação da palavra também desapareceu, ou melhor, sua efetividade. Governos autoritários impõem suas vontades em países desajustados e o YouTube pode ser bloqueado pela Embratel [como aconteceu no caso da modelo e ex-celebridade relevante Daniela Cicarelli], mas a transmissão da informação não pode mais ser interrompida sem a ocorrência de uma hecatombe nuclear. Especialmente quando a causa é nobre. É a Skynet em sua melhor concepção.</p>
<p>Péssima notícia para o jornalismo, que perdeu a exclusividade na produção de notícia, ou melhor, de conteúdo [seguindo o termo mais moderno]. Qualquer celular, blog ou conta do Twitter oferece o mesmo serviço. A qualidade é o diferencial, mas não vem ao caso. Jornais podiam ser censurados, ameaçados e retirados de circulação; assim como canais de TV e emissoras de rádio podiam ter seus sinais cortados. A mídia tradicional é controlável em situações extremas, por isso, a imprensa sempre foi grande alvo de regimes ditatoriais. As vozes precisam ser caladas.</p>
<p>Como fazer isso na sociedade moderna, na qual cada voz pode ser ouvida? Impossível. De maneira alguma essa nova realidade impede opressão, violência, genocídios e tragédias, mas suas histórias, invariavelmente, atingem os meios de comunicação. Em diversas ocasiões, TVs e outras mídias clássicas, utilizam esse material para abastecer seus noticiários. Foi o caso do levante popular em Burma, em 2007, que resultou no documentário <strong>Burma VJ</strong>, indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2010. Ou então das diversas imagens transmitidas do Irã durante as manifestações pós-eleitorais no ano passado. </p>
<p>Acontecimentos como esses movem a opinião popular podem provocar reações externas capazes de mudar doutrinas ou melhorar a vida de povos inteiros, ou, pelo menos, apresentar suas condições ao resto do mundo. Pouca gente sabe que existe um país miserável chamado Burma e muito menos que sua Junta Militar utiliza violência e medo para controlar o país. Não é sempre, afinal, a ONU pouco pode fazer por sua postura neutra e não-ativa, mas é preciso acreditar que, assim como a censura, governos militares autoritários, opressores e letais deixem de existir. Seja qual for sua orientação ou doutrina política.</p>
<p>Transmissões via satélite, maior capacidade de vídeo e imagens dos celulares e uma rede especializada em fragmentar informação, locais de armazenamento e pontos de retransmissão são o resultado da construção orgânica, e não planejada, das chamadas redes sociais. Mesmo sendo utilizadas para fins pouco produtivos e baseada na transmissão de inutilidades na maioria das ocasiões, nesses momentos pontuais elas fazem toda a diferença. Parar um indivíduo é possível e rápido; interromper uma emissora é mais complexo, mas a fórmula já foi testada e comprovada; porém, felizmente, não existe nada capaz de interromper o gigantesco fluxo de informação, opiniões e mentes dedicadas ao simples ato de se comunicar e consumir informação. </p>
<p>Mesmo sem querer, a internet realizou a maior de suas revoluções sem tirar o traseiro da cadeira. É a maior entidade artificial “viva” existente depois da biosfera da Terra, porém, está longe de ser autoconsciente e realmente transformadora. A censura caiu, a liberdade da informação – seja ela boa ou descartável – reina, mas ainda não sabemos o que fazer com essa conquista. Afinal, mesmo massacres como os de Burma, o terremoto no Haiti ou a repressão de Teerã se transformam em hits momentâneos e desaparecem tão logo o próximo vídeo chocante ou morte inesperada chegue aos olhos hiperativos e hiperconsumistas dos internautas.</p>
<p>Entretanto, um novo tipo de moderação se faz presente na internet: o autopatrulhamento. Com tanta informação disponível, e tantos nichos especializados envolvidos, a informação errada, a notícia inventada, o vídeo falsificado e tantas outras modalidades são rechaçados pelos indivíduos dessa comunidade. É a censura produtiva: preste atenção no que diz, ou sofrerá as conseqüências. Revolução é um passo, maturidade define se ela valeu a pena ou não. </p>
<p>Liberdade é uma dádiva, mas nunca é concedida acompanhada por manual de instruções. E não adianta procurar a resposta no Google ou perguntar tno Formspring.</p>
<p>[ATUALIZAÇÃO: minutos depois da publicação desse texto, fui informado que um colega do entretenimento, o dublador Guillherme Briggs, deixou de participar do site Twitter depois de sofrer ameaças pessoais por conta da pior espécie existente na internet: o chamado Troll, sujeito agressivo e invasivo que assedia suas vítimas. Maior prova não existe. A censura pode ter caído no sentido ruim da palavra, mas o excesso de liberdade permite a existência de aberrações como essa. Fica aqui o apoio ao colega e profissional. FIM DA ATUALIZAÇÃO].</p>
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		<title>[The Pacific] Episódio 3 &#8211; Melbourne</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 18:07:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mesmo quando a tranqüilidade reina, a alma não encontra descanso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/4459088402_60dbc86099.jpg" alt="" title="4459088402_60dbc86099" width="500" height="333" class="aligncenter size-full wp-image-3263" /></p>
<blockquote><p>Mesmo quando a tranqüilidade reina, a alma não encontra descanso na Campanha do Pacífico, por colocar os fuzileiros navais em contato com sua humanidade e os sentimentos há muito esquecidos, como amor e felicidade.</p></blockquote>
<p>por <strong>Wikerson Landin</strong>, do <a href="http://www.portaldecinema.com.br">Portal de Cinema</a>.</p>
<p>Em uma série, episódios de transição são sempre marcados por duas características: excesso de informações para justificar o desenvolvimento de um trama, muitas vezes apresentada superficialmente, e reviravoltas mirabolantes que colocam a produção num rumo completamente diferente.</p>
<p>No entanto, embora o episódio <strong>Melbourne </strong>da série<a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/the-pacific"><strong> The Pacific</strong> </a>represente um momento de transição na trama, seu comportamento em relação à característica-padrão é completamente distinto. E o mérito, nesse caso, é dos dois capítulos anteriores, o que nos mostra um roteiro bem estruturado e, principalmente, bem pensado para a TV.</p>
<p>Os dois primeiros episódios mergulham o espectador direto na ação, sem dar muita margem para que conheçamos à fundo as suas histórias. Embora reflita exatamente a maneira como os soldados foram “lançados ao mar”, sem saber exatamente contra quem lutariam, a estrutura adotada revela um outro aspecto interessante.</p>
<p>Em uma série de TV, não há nada mais importante do que cativar um espectador em seus primeiros episódios. E o marketing e a publicidade entorno de The Pacific foram grandes demais para a série dar margem a alguma decepção advinda de um episódio mais lento ou menos movimentado em termos dramáticos.</p>
<p>Assim, no episódio Melbourne temos a saída dos soldados americanos que resistiram bravamente à batalha desigual em Guadalcanal. A sensação de dever cumprido e a recepção digna de heróis na cidade australiana de Melbourne permite à trama acompanhar um período de fôlego dos combatentes, que só voltariam a lutar quase um ano depois.</p>
<p>Enquanto Robert Leckie (James Badge Dale) personifica um romance com uma garota da cidade &#8211; algo comum à muitos dos fuzileiros na época já que, devido ao fato da maioria dos homens estarem lutando em outras frentes “sobravam” mulheres na cidade &#8211; por outro lado John Basilone recebe a honraria máxima do exército norte-americano, concedida pelo presidente Roosevelt.</p>
<p>Se os romances nascidos em meio à guerra parecem fadados à separação do combate que se aproxima, da mesma forma a ilusão do uso e da criação de heróis também surge com uma sombra onipresente e belissimamente ilustrada numa fala do Tenente Coronel Lewis Puller (o ótimo William Sadler).</p>
<p>“Vender histórias de guerras americanas é tão importante quanto manter vidas. Quantas histórias você vai vender falando deles contra nós?” Pelo jeito, assim como <strong>Band of Brothers</strong>, <strong>The Pacific</strong> se sairá muito bem em sua missão. É inegável a importância de se contar histórias como essa, mas também é impossível deixar de pensar o quanto ela é oportuna para um país que tem na indústria bélica uma fatia considerável do seu faturamento. </p>
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		<title>Modernices nos Países das Maravilhas</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 10:34:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Modernizar um conto secular vai além da história da Alice [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/02_alice.jpg" alt="" title="02_alice" width="685" height="385" class="aligncenter size-full wp-image-3231" /></p>
<blockquote><p>
Modernizar um conto secular vai além da história da Alice de Tim Burton. Esse é apenas mais um capítulo envolvendo uma tendência recente para expandir universos clássicos estrelados por mulheres&#8230; e subvertê-los. Seja com Alice, Dorothy ou a Bruxa Má do Leste.</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Uma Alice mais velha se vê frente a frente com a Rainha de Copas, que dominou o País das Maravilhas e iniciou um reinado de terror e opressão; sua missão é devolver a beleza e a alegria ao lugar que visitou na infância. O leitor desavisado pode entender essas linhas iniciais como o roteiro para o novo filme <a href="http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/"><strong>Alice no País das Maravilhas</strong></a>, dirigido por Tim Burton e escrito por Linda Woolverton, porém, é o argumento para uma produção de menor impacto mundial, mas igualmente bem-produzida e relevante no rol das adaptações de Lewis Carroll: <strong>Alice</strong>, minissérie produzida e exibida pelo canal a cabo Syfy. Mulher feita, instrutora de caratê e traumatizada pelo súbito desaparecimento do pai, essa Alice encontra um cenário urbano, deturpado e mais cheio de relações com o mundo real do que gostaria. É um novo momento para a heroína, cujo destino é causar a mudança e libertar. Entretanto, ela não é a única personagem literária envolvida nessa linha de raciocínio e adaptação. Tudo começou com uma famosa Bruxa&#8230;</p>
<p>Quando<strong> Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West </strong>foi lançado, em 1995, muito se ponderou sobre alguma das verdades absolutas dos clássicos infantis, especialmente seus vilões. Afinal de contas, restavam poucas dúvidas sobre a malevolência da Bruxa Má do Oeste, bem, pelo menos até o lançamento de <strong>Wicked</strong>. Longe da linguagem infantil, repleto de alegorias políticas, econômicas e sociais, o romance [que mais tarde foi transformado em musical de sucesso na Broadway] subverteu os conceitos definidos sobre a personagem, revelou suas verdadeiras motivações e a transformou em ídolo para parte dos grupos defensores dos animais. Os tempos são outros. Ninguém é bom ou mau simplesmente por que o autor assim o disse, em 1900. Os leitores mudaram, assim como a dinâmica do mundo. </p>
<p>Um resultado direto dessa tendência surgiu quando o <strong>Syfy </strong>[então ainda chamado de SciFi Channel] produziu a minissérie de sucesso: <strong>Tin Man</strong>. Os elementos estavam todos lá, menos o ambiente fantasioso da ambientação infantil do original L. Frank Baum. É um novo mundo, um novo Oz. Dorothy, ou melhor, a neta da personagem original se vê jogada num ambiente deprimente, sombrio e assustador. Não por simples cores, mas por personagens amargos e um governo autoritário. Interpretada por Zooey Deschannel, a nova Dorothy faz seus aliados clássicos (e conhece o Mágico, vivido por Richard Dryefus) e procura soluções para as mazelas que afetam o lugar. Nada é o que parece e tudo é surpreendente assim que termina a estrada de tijolos amarelos. Não há lugar para inocência ou dúvidas infantis, Dorothy enfrenta a morte a cada novo desafio. Sua função vai além da simples leitura da “valorização da mulher” e afeta o âmago de todos, uma vez que seus dilemas são universais.</p>
<p>“Se a fantasia tem uma função no mundo de hoje, é chamar atenção para problemas latentes, mas incomuns na mídia ou na agenda dos políticos”, comenta o ator <strong>Alan Cumming</strong>, em entrevista exclusiva ao <strong>SOS Hollywood</strong>; ele interpreta o Espantalho, ou melhor, Glitch, uma nova vertente imaginada para o personagem sem cérebro (sem memória, nesse caso). “Por vezes, apostar apenas no noticiário ou em um filme esporádico abordando tais temas não é o suficiente. Precisamos utilizar cada oportunidade; algumas decisões são irreversíveis no nosso mundo. Torná-las públicas é um direito, agir é um dever, mas aí não podemos fazer mais nada. O trabalho do ator tem limites”.</p>
<p>De acordo com Cumming, “o espectador disposto a enxergar apenas o óbvio seja numa alegoria clássica, seja numa dessas novas versões, opta pela postura da aceitação. Não creio que todos devam se tornar revolucionários, mas quando o simples ato de ter compaixão por alguém, ou mesmo um animal, pode fazer a diferença. Isso sem contar na relevância política que certas atitudes provocam”. Debate é o grande atributo nessa tendência, cujo aspecto comercial é inegável, mas a mera escolha por ambientações mais sombrias e próximas da realidade de cidades e países afetados por tragédias reforça sua atualidade.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/tinman-cast.jpg" alt="" title="tinman-cast" width="650" height="488" class="aligncenter size-full wp-image-3245" /></p>
<p>Tudo isso é feito com respeito à importância dos valores familiares e também da amizade, presentes do original. Entretanto, não há nada que impeça tais conceitos de fazerem parte de uma vida mais politizada ou ativa. Aliás, pelo contrário, <strong>Tin Man</strong> incentiva essa prática, seja pela grande decisão de Dorothy ou pelo doloroso passado do Homem de Lata [o Tin Man do título], vivido por Neal McDonough. </p>
<p>Mais assustador, porém, é o País das Maravilhas encontrado pela Alice da minissérie de 2009. A estreante Caterina Scorsone visita a terra dos sonhos de Lewis Carroll cerca de 150 anos depois da história clássica; ela é uma reencarnação da personagem. Assim como sua protagonista, o argumento também renasceu e ressurgiu perante uma nova realidade mundial. Sem a existência de grandes governos opressores, uma vez que o Grande Irmão de Orwell não se concretizou, responder a outras ameaças se faz necessário e, quer dizer, versões dessa grande mazela: dependência virtual e irrelevância pessoal.</p>
<p>Cada vez mais afetados por uma sociedade vivendo sob o signo da celebridade e da falsidade realista da versão deturpada da obra de Orwell, anacronismos se fazem mais constantes e a massificação parece inevitável. Alice vê tais elementos presentes em seus encontros com o Cavaleiro Branco [Matt Frewer, que será visto nessa semana em <strong>Supernatural</strong>, interpretando o Cavaleiro do Apocalipse: Peste] e sua visita ao Cassino de Emoções, uma alegoria direta ao vício pela gratificação instantânea da Internet e, mais recentemente, das mídias sociais. </p>
<p>Exploração e ilusão são dois elementos fortemente presentes nessa versão. Os humanos são as Ostras [retratadas de maneira infantil pela animação da Walt Disney, por exemplo], seres explorados pela Rainha de Copas (Kathy Bates) e sua demanda não por cabeças, mas por emoções das quais é naturalmente incapaz de sentir. Os habitantes do País das Maravilhas não passam de ferramentas para que ela alcance seus objetivos, portanto, perdem suas cabeças no ato de seu nascimento, por serem despidos de qualquer chance de uma vida normal. E o Chapeleiro Maluco [numa brilhante interpretação de Andrew-Lee Potts] faz as vezes de facilitador, negociante, intermediador, vilão e bom-moço, de acordo com a maré. A síntese do sujeito moderno: disposto a sacrifícios para encontrar sua felicidade individual, mas como limites rasos e tão mutáveis quanto sua nova afinidade.</p>
<p>Muito pode ser explorado do original de Lewis Carroll, cujas estruturas e personagens servem, na verdade, como linha guia para infindáveis adaptações e aplicações, assim como as fórmulas matemáticas com as quais Carroll convivia: basta encontrar o contexto correto e aplicá-las. Felizmente, esses preceitos literários são mais flexíveis que a rigidez numérica.  Porém, o aspecto sombrio anexado pelas leituras contemporâneas supera, e muito, o contexto assustador do original. Alice podia se ver diante de situações incompreensíveis, portanto, aterrorizantes, mas quando a <strong>Alice </strong>do SyFy se depara com vida e morte num mundo semi-destruído e, aparentemente, sem esperanças, o resultado é diferente. E sem todo aquele nonsense digno de tablóides sobre as implicações sexuais e pedófilas envolvendo Carroll e Alice Liddell. </p>
<p>O ser humano é sempre seu pior inimigo. Seja em nosso mundo, no País das Maravilhas ou na Terra de Oz, por vezes surgem mulheres capazes de abrir nossos olhos e, providas de sua sensibilidade afinada e carinho latente, transformam suas ações em tarefas muito mais transformadoras que a habitual força bruta masculina. Há muito que se aprender com tais exemplos e arquétipos, mas o aprendizado só é possível quando suas reais intenções e lições são compreendidas. E tal compreensão vai muito além de sexo, vínculo com a realidade ou período de inscrição histórica. Não é preciso estar diante de um surto psicodélico para vivenciar as maravilhas da imaginação.</p>
<p>Veja um vídeo dos bastidores de <strong>Alice</strong>:</p>
<p><center><object width="400" height="400" align="middle"><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="movie" value="http://widget.syfy.com/singleclip/singleclip_v1.swf?CXNID=1000004.10035NXC&amp;WID=48e10f5e9dbb50aa&amp;clipID=1182152"/><param name="quality" value="high" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><embed src="http://widget.syfy.com/singleclip/singleclip_v1.swf?CXNID=1000004.10035NXC&amp;WID=48e10f5e9dbb50aa&amp;clipID=1182152" quality="high" bgcolor="#ffffff" width="400" height="400" align="middle" allowScriptAccess="always" allowFullScreen="true" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object><center></p>
<p>Galeria de Imagens de <strong>Alice </strong>e <strong>Tin Man</strong>.<br />

<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/01/' title='01'>01</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/01_1/' title='01_1'>01_1</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/02/' title='02'>02</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/02_alice/' title='02_alice'>02_alice</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/04_hatter/' title='04_hatter'>04_hatter</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/06/' title='06'>06</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/09/' title='09'>09</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/10/' title='10'>10</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/modernices-nos-paises-das-maravilhas/attachment/11/' title='11'>11</a>
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</p>
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		<title>[The Pacific - Ep. 2] Basilone</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 18:58:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[John Basilone: O herói de Guadalcanal e, até hoje, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/john_basilone_sm.jpg" alt="" title="john_basilone_sm" width="650" height="366" class="aligncenter size-full wp-image-3165" /></p>
<blockquote><p>John Basilone: O herói de Guadalcanal e, até hoje, um dos fuzileiros navais mais reverenciados da História. É o nascimento do arquétipo de Rambo.</p></blockquote>
<p>por Wikerson Landin,<br />
do <a href="http://www.portaldecinema.com.br">Portal de Cinema.</a></p>
<p>Não importa o lado ou o motivo: não há vencedores em uma guerra. Mesmo o mais importante dos atos de bravura ainda soa como uma atitude covarde diante da morte inexplicável e cruel de um ser humano apenas porque as cores de farda são distintas.</p>
<p>A reflexão que o segundo episódio de <strong>The Pacific</strong> traz ao público contrasta, ao menos em termos visuais, comas pesadas cenas de batalha apresentadas no episódio “Basilone”. Seguindo a mesma linha do episódio anterior, o capítulo é iniciado com a narrativa de ex-combatentes da Segunda Guerra e o que vemos em seguida é a dramatização de aspectos dos seus depoimentos.</p>
<p>Estamos em outubro de 1942 e a chegada de novas tropas à ilha contrasta ainda mais com a situação atual dos fuzileiros. Sua comida é parca e insuficiente, as armas e munições são da pior qualidade. Ao perceber o quão melhor estão equipados os novos soldados a revolta é imediata o que cria uma cisão entre os dois grupos.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pacific-part-one-basilone.jpg" alt="" title="pacific-part-one-basilone" width="650" height="341" class="aligncenter size-full wp-image-3164" /></p>
<p>Enquanto isso, os soldados japoneses intensificam os seus ataques noturnos, tornando cada missão um verdadeiro inferno. Sob fogo cerrado e contra probabilidades adversas o sargento John Basilone (Jon Seda) se destaca e é o primeiro do grupo a receber uma indicação para uma medalha.</p>
<p>Se por um lado a sobrevivência dos fuzileiros diante de um ataque kamikaze é vista como um ato de heroísmo pelos demais integrantes do exército, por outro o roteiro do episódio faz questão de deixar claro que, apesar da “vitória” nada parece justificar ou ter importância diante da morte em combate de alguns dos integrantes do batalhão.</p>
<p>Em contraposição ao grupo que está nas Ilhas Salomão, acuado e sem saber ao certo o porque de todo aquele caos, a trama pontua mais algumas nuances da vida de Eugene Sledge (Joseph Mazzello). Filho de um médico e com um dos seus irmãos em combate, o jovem precisa lutar contra a frustração de não poder servir devido a um problema cardíaco.</p>
<p>A partir de um novo exame, ele constata que o sopro que tinha no coração desapareceu e, mesmo contrariando seus pais, volta todas as suas forças para o alistamento. Essa dualidade entre aqueles que estão no campo de batalha sonhando com volta e aqueles que estão longe querendo entrar em combate, ressalta de maneira envolvente o sentimento de patriotismo, razão única para a entrada em um combate onde o inimigo é desconhecido.</p>
<p>Com um primeiro episódio mais focado na ação, o segundo ainda dedica boa parte aos aspetos mais visuais da guerra, mas já permite um olhar mais aprofundado em alguns dos personagens, além de proporcionar uma ótima reflexão em um curto espaço de tempo. Definitivamente, a aposta de <strong>The Pacific</strong> parece ter sido a de um começo impactante para colocar o espectador exatamente na posição dos soldados: heróis de uma guerra com objetivo de luta ainda incerto.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pacific02_sm.jpg" alt="" title="pacific02_sm" width="556" height="337" class="aligncenter size-full wp-image-3167" /></p>
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		<title>[The Pacific - Ep. 1] Guadalcanal/Leckie</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/the-pacific-episodio-1/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/the-pacific-episodio-1/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 18:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
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		<description><![CDATA[A série The Pacific estreou com uma imensa expectativa em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Pac1.jpg" alt="" title="Pac1" width="650" height="361" class="aligncenter size-full wp-image-3157" /></p>
<blockquote><p>
A série The Pacific estreou com uma imensa expectativa em torno de si nos Estados Unidos. Desenvolvida pela mesma equipe criadora do sucesso Band of Brothers, a produção mais uma vez ficou a cargo de Steven Spielberg e Tom Hanks. O resultado é a série mais cara da história, com orçamento estimado em US$ 230 milhões.</p></blockquote>
<p>Por Wikerson Landin,<br />
do <a href="http://www.portaldecinema.com.br">Portal de Cinema</a>.</p>
<p><strong>The Pacific</strong> acompanha um trágico momento da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente os fatos que se desenrolaram a partir do ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, num evento que ficou conhecido como “uma data infame” para os Estados Unidos. Até então, aquela era a primeira que alguém havia ousado atacar em solo americano.</p>
<p>Os acontecimentos são contados do ponto de vista de três soldados, todos ainda vivos e que aparecem logo no início do primeiro episódio dando os seus depoimentos. O que vemos a partir de então é uma dramatização dos fatos. Guadalcanal/Leckie deixa de lado as já conhecidas imagens do ataque japonês e inicia a narrativa já nos preparativos para a ofensiva norte-americana.</p>
<p><a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/the-pacific">LEIA O ESPECIAL THE PACIFIC, COM MAIS CRÍTICAS, GUIA DE EPISÓDIOS E ENTREVISTAS!</a></p>
<p>O grupo de soldados parte então para aquela que ficaria conhecida como a Batalha de Guadalcanal. Sem saber ao certo para onde estavam indo e nem porque deveriam lutar, a disputada travada no arquipélago das Ilhas Salomão contra os japoneses, representou a primeira vitória dos Aliados, marcando um ponto de virada na guerra.</p>
<p>O primeiro episódio mostra a chegada do grupo de soldados à ilha, em imagens muito similares as já exibidas em filme como <strong>O Resgate do Soldado Ryan</strong>. O destaque aqui fica por conta das violentas cenas de embate, pouco comum em séries televisivas. A reconstituição dos cenários da época é um trabalho primoroso que fica ainda mais evidente se compararmos as imagens da ficção com fotos da época.</p>
<p>Outros aspectos que merecem destaque são a fotografia e a direção de arte. A primeira, além de garantir a transição de um visual mais ameno para um aspecto sombrio após as primeiras batalhas, utiliza muito bem o recurso de reconstituição da época explorando em seus planos os mesmos ângulos de conhecidas imagens disponíveis. Já a direção de arte garante uma abertura belíssima, com sequências que plasticamente parecem sugerir a pintura de um quadro da época.</p>
<p>Assim como <strong>Band of Brothers</strong> é considerada até hoje uma das melhores minisséries já exibidas na Tv norte-americana,<strong> The Pacific</strong> em seu primeiro episódio inicia uma trilha pelo mesmo caminho. Porém, diferente da série anterior, em que a ação propriamente dita ficava reservada para o final do segundo e início do terceiro episódio, aqui são precisos pouco mais de trinta minutos para estarmos em meio à guerra.</p>
<p>Resta saber como será o desenvolvimento dos personagens nos próximos episódios, já que a ambientação, e consequentemente a rápida identificação do público com algum dos atores principais torna-se mais difícil. Em verdade, o primeiro episódio presume que o processo ocorrerá ao longo da série. É esperar para ver, mas sem dúvida não deixa de ser um começo promissor.</p>
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		<title>[A Estrada] À Espera do Fim</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/critica-a-estrada/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/critica-a-estrada/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Apr 2010 17:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Viggo Mortensen]]></category>

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		<description><![CDATA[A Estrada, adaptação da obra de Cormac McCarthy questiona limites, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/a_estrada_viggo_mortensen_01.jpg" alt="" title="a_estrada_viggo_mortensen_01" width="650" height="435" class="aligncenter size-full wp-image-3084" /></p>
<blockquote><p>
<strong>A Estrada</strong>, adaptação da obra de Cormac McCarthy questiona limites, debate a essência e mostra tudo que Hollywood esconde com seus finais felizes para filmes apocalípticos. Menos intenso que o livro, mas tão relevante quanto.  </p></blockquote>
<p>Especular um eventual fim do mundo não apresenta grandes dificuldades para Hollywood. O formato está bem definido: encontre uma provável causa, defina os personagens cientes da calamidade, invente soluções mirabolantes, tudo regado a muita velocidade e heroísmo, e aperte o Play. Tradicionalmente, essa construção gera um perigo catastrófico, mas, claro, permitindo ao mocinho – e sua família – uma saída dramática. Vive-se a tensão de margear o precipício sabendo da inevitabilidade do braço salvador no instante derradeiro. E tudo acaba bem. Essa situação previsível deixa de existir quando se busca inspiração na literatura, ou melhor, nas construções literárias corajosas como <strong>A Estrada </strong>(The Road), que rendeu a Cormac McCarthy o prêmio Pullitzer. É o clímax anti-hollywoodiano, concluindo uma narrativa despreocupada com a receptividade do público ou os efeitos especiais.</p>
<p>Um homem caminha pela estrada. Está sujo, barba por fazer, e empurra um carrinho de supermercado. Seu filho caminha a seu lado. Tão sujo quanto o pai, carrega uma mochila. Eles caminham. O mundo é cinzento, nublado e melancólico. Nada de cometa a caminho da Terra. O fim já aconteceu. E eles são o que restou. Esse é o ambiente da versão cinematográfica de <strong>A Estrada</strong> , dirigida pelo australiano John Hillcoat, um filme modesto se comparado a sua abrangência social e relevância mundial, mas estrelado por Viggo Mortensen e com participações bem-vindas de Robert Duvall, Charlize Theron e Guy Pearce, que estréia no dia 16 de abril no Brasil, em circuito limitado, claro. </p>
<p>Por uma razão não revelada nem pelo livro nem pelo filme, o planeta morreu. Sem recursos, os últimos sobreviventes humanos limitam-se a sobreviver. Viggo e seu filho são bons moços. “Carregam a chama”, como o pai resume suas escolhas, e vivem de sobras de um mundo já saqueado e esgotado. Acostumados à fome, seu maior problema são os parcos, mas letais, grupos – ou gangues tribais – de homens que vagueiam a procura de alimento: carne humana é o único disponível.</p>
<p>Sem esperanças, o pai dedica cada segundo de sua vida para manter o filho vivo. Seu sofrimento, tanto emocional quanto físico, questiona valores sociais e morais a todo instante. E isso se vê nos detalhes e indagações. Comer ou guardar para mais tarde? Acompanhar essa dupla faz pensar no exagero e desperdício da sociedade moderna. Impossível olhar para um prato de comida da mesma maneira depois de ler o livro, principalmente. O filme, por ser obrigatoriamente mais resumido, deixa tais dilemas num segundo plano próximo dando preferência à questão da sobrevivência desproposital. Para onde ir quando não há lugar seguro ou habitável?</p>
<p>Fala-se pouco na estrada. Medo e solidão caminham ao lado dos protagonistas desse mundo onde Estado e Deus falharam. Viggo aparece transformado nesse sujeito surrado, Duvall surge como velho cego e tão desesperançoso quanto o pai, Theron perde as esperanças, o garoto cresce com histórias de um mundo que não conheceu e sonha. <strong>A Estrada</strong> tem seu próprio ritmo, sem compromissos com gêneros ou sucesso de público. É um daqueles filmes necessários, que vira referência, mas pouca gente vê no cinema. Também pudera, Hollywood costuma entregar esperança e agilidade. <strong>A Estrada </strong>é hiperrealista, mas não pessimista, pois prega uma dinâmica diferente. São outras regras. Sobreviver o máximo possível é tudo que importa.</p>
<p>O livro já inspirou muita gente. Muito dele foi inserido em <a href="http://www.soshollywood.com.br/sem-salvacao-para-terminator/"><strong>O Exterminador do Futuro: A Salvação</strong></a>, assim como no recente <a href="http://www.soshollywood.com.br/o-admiravel-fim-do-mundo/"><strong>O Livro de Eli</strong></a>. Entretanto, essas duas histórias mostram uma luz no fim do túnel. <strong>A Estrada </strong>é uma rota direta para a escuridão, do corpo e da alma. Ficção? Sim. Porém, um retrato peculiar para um desfecho nem mesmo contemplado por teóricos ou fanáticos religiosos. Com a evolução tecnológica e as novas gerações informatizadas, acreditar num futuro próximo da Matrix é mais viável do que a ausência de vida de <strong>A Estrada</strong>, mas, como sempre, é questão de referencial e de identificação.</p>
<p>Acompanhar essa trajetória confronta dogmas pessoais e egocêntricos muito enraizados no homem moderno. A maioria dos religiosos norte-americanos, por exemplo, acredita no apocalipse bíblico enquanto estiverem vivos. Ou seja, para a vida ter sentido, os grandes eventos da Humanidade precisam acontecer perante seus olhos. A simples ausência de esperança ou fé espiritual é um argumento poderoso e eficaz, especialmente se imerso num mundo condizente com essa realidade. Gritar aos ventos no meio da Avenida Paulista, hoje em dia, não funciona. Pensar nisso quando humanos canibais vagueiam entre as árvores mortas e estradas abandonadas faz sentido.</p>
<p>O homem é aquilo que ele imagina. Quando imaginar deixa de ser possível ou viável, pouco sobra do ser sofisticado da atualidade. Caminhar por essa estrada é algo duro, mas proveitoso e reflexivo para os de coragem suficiente. Enfrentar seus medos debaixo das cobertas e com uma geladeira cheia não é nada se comparado a fazer o mesmo olhando para o fim do mundo mostra as verdadeiras fronteiras de cada um.</p>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Publicado originalmente na <strong><a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a></strong>.<br />
<strong><br />
<center>TRAILER:</center></strong><br />
<center><object width="450" height="242"><param name="movie" value="http://www.traileraddict.com/emd/16637"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"><param name="wmode" value="transparent"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.traileraddict.com/emd/16637" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" wmode="transparent" width="450" height="242" allowFullScreen="true"></embed></object></center></p>
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		<title>[Crítica] A Fúria dos Homens (Fúria de Titãs 2010)</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/furia-de-titas/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/furia-de-titas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 02:40:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Sam Worthington]]></category>

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		<description><![CDATA[Festival de incertezas e liberdades poéticas (!) marcam o primeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2990" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/furia_de_titãs_2.jpg" alt="" title="Clash of the Titans" width="650" height="266" class="size-full wp-image-2990" /><p class="wp-caption-text">Oops!</p></div>
<blockquote><p>Festival de incertezas e liberdades poéticas (!) marcam o primeiro fiasco do ano no reino dos blockbusters. <strong>Fúria de Titãs</strong> já seria um filme com problemas, mas a conversão para o 3D deu o golpe de misericórdia. </p></blockquote>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Hollywood entende muito bem sua relação com algumas temáticas como o judaísmo, a guerra e o romance. Construiu impérios explorando essa fórmula, mas sempre deixou claro seus pontos vulneráveis: Ficção Científica e Mitologia. A FC tem sua dinâmica e, felizmente, consegue se manter graças a gigantescas bilheterias e tem vida fora do sistema dos estúdios. Lunar é o último grande exemplo. Já a Mitologia não tem tanta sorte. Recentemente, os estúdios tentaram<a href="http://www.soshollywood.com.br/um-mundo-serio-demais/"> extirpar a magia</a> de suas narrativas para apresentar personagens mais “reais”, ou então buscaram paralelos adolescentes com Harry Potter – a prova máxima de que magia e cinema funcionam. Vale tudo, afinal, não passam de mitos e, como Mitologia é a religião dos outros [e antigos, nesse caso], a liberdade é total. Arma poderosa nas mãos de quem entende e tem certeza de sua narrativa, a liberdade se transforma em tragédia quando mal utilizada. É o caso de <strong>Fúria de Titãs</strong> (Clash of the Titans, 2010, Warner Bros.), dirigido pelo fraco <a href="http://www.soshollywood.com.br/entrevista-louis-leterrier-hulk/">Louis Leterrier</a> (O Incrível Hulk), que, mesmo repleto de Mitologia, se mostra inseguro e confuso até na hora de contar a história de amor desse mito. </p>
<p>Nada funciona. Começando pelo mais óbvio: a conversão para o <a href="http://www.soshollywood.com.br/sos-cast-12-mercado-3d/">3D</a>, feita na última hora [em 8 semanas]. Sem apelo dramático e empregado pela simples tentativa de fazer fortuna com a onda do formato, o 3D assombra de maneira literal por causa do <strong>ghosting </strong>[os personagens e elementos convertidos se destacam em primeiro plano, mas também continuam no segundo plano, ou seja, o que se vê são pessoas com mais profundidade e com fantasmas/sombras de si mesmas as seguindo]. Incomoda e tira a atenção; tudo que não se espera de uma ferramenta que, teoricamente, deveria ajudar.</p>
<p>O mesmo vale para a liberdade poética do roteiro – que teve 4 versões, envolvendo 12 roteiristas diferentes e cuja versão final foi assinada por três pessoas diferentes – na adaptação da história de Perseu e Andrômeda [Alexa Davalos, de<strong> A Batalha de Riddick</strong>]. Essa é uma das histórias de amor mais pontuais da Mitologia Grega, cuja versão romanceada prevê que o amor de Perseu pela princesa condenada a ser devorada pelo Kraken [uma lula gigante chamada Cetus, no mito] e também sua devoção pela mãe [no mito original] o motiva a desafiar a Medusa e a ira de Poseidon.</p>
<p>Compreender a relação dos gregos antigos com os deuses do Olímpo se faz fundamental nesse momento. Cientes da existência dos deuses, que, por vezes, caminhavam entre os mortais e tinham filhos [Hércules e Perseu são os mais conhecidos] com mulheres e ninfas, o povo tinha suas preces atendidas, depois de muita idolatria, claro. Por conta disso, a rebelião de Argos [hilariamente grafada como Athos em várias ocasiões no Los Angeles Times] contra suas deidades. Tudo isso exagero dos surtos egocêntricos de Cassiopéia, mãe de Andrômeda, que era tão orgulhosa da filha e a declarou mais bela que as filhas de Poseidon. Como com os deuses não se brinca, ele decidiu punir seu reino [habitualmente chamado de Ethiópia, mas sem relação com a nação africana; Joppa no filme original]. No roteiro do novo <strong>Fúria de Titãs</strong>, os humanos queimam os templos e destroem as estátuas dos deuses. Querem o início da Era dos Homens e, tal qual os numenorianos de Tolkien, deveriam encontrar apenas a ruína por seu desafio e descrença. Númenor não tinha semideuses, a Grécia Antiga sim.</p>
<p>Mas, enquanto o Perseu adolescente de Percy Jackson se transforma no sujeito mais convencido e imbuído de sua natureza dêitica quando descobre ser filho de Poseidon [no filme], o Perseu do novo <strong>Fúria de Titãs</strong> renega ainda mais sua paternidade. Ele tem um papel social a exercer nessa sociedade envolvida diretamente com os deuses, mas o personagem de Sam Worthington se comporta como um adolescente moderno ao tentar resolver tudo com as próprias mãos, ou seja, sem ajuda dos deuses. Não aceita os presentes enviados por Zeus (uma espada e o cavalo Pégasus, que, nessa versão, é um garanhão negro) e não perde a chance de dizer que vai resolver o problema “como um homem”, mas demora para perceber a inevitabilidade de seu destino. Ele não tem um botão que desligue suas habilidades. Não é à toa que é o único capaz de decepar a cabeça da Medusa.</p>
<p>A birra praticamente adolescente quebra o encanto da história e desmerece suas intenções. Ele não faz pelo povo, nem pela princesa – com quem não tem contato algum – mas sim para provar que pode. É a essência do ‘herói moderno’ revisitado à exaustão desde o Neo, de Matrix. Seus talentos contra o mundo, sua própria fé quebrando barreiras enquanto soldados e civis morrem aos montes ao seu redor. É o pior uso já registrado da Jornada do Herói. Perseu não cresce, se mantém monotemático e sempre no mesmo tom, ao longo da trama. Cumpre seu destino muito a contragosto. E se nem o personagem principal está contente com a história, como agradar ao público?</p>
<p>Li uma versão anterior do roteiro [a segunda], cuja figura de Perseu era uma figura mais militarizada e não o pescador do filme final. Daí entende-se a disparidade de idéias que pontuaram essa produção que, colocada na mão de um diretor de aluguel e sem a menor identidade, atirou para todos os lados. Há disparidade mitológica, dramática e visual, além da inconsistência provocada pelo 3D [que se comportava da pior maneira possível sempre que tinha uma oportunidade]. Perseu é semideus, Zeus e Hades são deuses e o Kraken é um monstro marinho controlado originalmente por Poseidon [no filme, Hades é seu mestre]. Não há nenhum Titã presente [no clássico de 1981 Thetis estava presente, em intepretação de Maggie Smith]. As diferenças são tantas que fazem questionar ainda mais a escolha do termo “remake” para essa produção. Desnecessário e improdutivo, afinal, comparar é inevitável.</p>
<p>Enquanto a fantasia romântica de 81 apostava na história de amor, definia Perseu como o bom moço e Calibos como vilão [deformado, castigado pelos deuses, dedicado à ruína do herói], a nova versão não define suas barreiras. Por vezes são os deuses exigentes, noutras são os homens egocêntricos, mas mesmo os soldados que desafiam Zeus acreditam em sua força. Não é questão de fé, mas sim de medir forças. Tarefa inglória, mas popular nessa Argos com ares de Sodoma e Gomorra. Outra linha de raciocínio é uma jogada de mestre de Zeus para conter o ímpeto de Hades, eternamente insatisfeito com seu lugar no Mundo Inferior.</p>
<p>Não há Titãs, assim como na versão original. Entretanto, uma menção: o Kraken teria dizimado os Titãs em batalha. Nenhuma referência histórica ou mitológica, basicamente um elemento para aumentar o medo da criatura com a qual Perseu não chega a lutar, afinal, apenas a cabeça da Medusa pode derrotá-lo. Além da mulher serpente, o herói enfrenta escorpiões gigantes em batalhas sem emoção [saudade de Ray Harryhausen nessa hora, aliás] e confusas; e encontra até mesmo Gênios, em mais uma versão sombria e mística dessa figura mitológica [cujo rosto lembra, e muito, um mini-Optimus Prime].</p>
<p>Pouco se salva dessa cornucópia de referências e conceitos jogados a esmo. Liam Neeson se esforça como Zeus, mas só prova que é possível fazer um filme dos Cavaleiros do Zodíaco; os demais deuses do Olimpo são meros figurantes. No que deveria ser um dos melhores momentos – o embate entre Zeus e Hades, pairando no topo do mundo – o roteiro exige pouco de Neeson e Ralph Fiennes. A presença de grandes nomes foi herdada o filme de 1981, que tinha Laurence Olivier como Zeus e Maggie Smith como Thetis e Ursula Andress como Afrodite. </p>
<p><strong>Fúria de Titãs</strong> tenta ser grandioso que deixa de ter essência. Falta carisma a Perseu, falta relevância no roteiro, falta um inimigo verdadeiro. Hades é imortal e o Slusho [monstro do <strong>Cloverfield</strong>], ou melhor Kraken, tem destino certo. É uma jornada injustificada. Um fracasso titânico. Um vexame em 3D.</p>
<p>Felizmente, também entra em cartaz <strong>The Secret of Kells</strong>, animação irlandesa indicada ao Oscar de Melhor Animação, que aborda mitologia e espiritualidade do jeito certo. Há salvação, mas longe de Hollywood.</p>
<p><strong>Fúria de Titãs</strong> estréia no Brasil em <strong>21 de maio</strong>.</p>
<p>==<br />
Assista em 2D.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/04/fúria_de_titãs_02.jpg" alt="" title="CLASH OF THE TITANS" width="650" height="479" class="aligncenter size-full wp-image-3045" /></p>
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		<title>2010: O Oscar da Ficção Científica</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 19:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Sci-Fi News]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1977, Guerra nas Estrelas e Contatos Imediatos do Terceiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SmFtZXMrQ2FtZXJvbl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-60" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/avatar_01.jpg" alt="" title="avatar_01" width="650" height="433" class="aligncenter size-full wp-image-2873" /></a></p>
<blockquote><p>
Em 1977, <strong>Guerra nas Estrelas</strong> e <strong>Contatos Imediatos do Terceiro Grau</strong> concorreram ao Oscar de Melhor Diretor. Mesmo perdendo para Woody Allen, George Lucas e Steven Spielberg registraram a primeira dobradinha da Ficção Científica na disputa. Trinta e três anos depois, o fenômeno se repete – claro, graças à expansão do número de indicados: <strong>Avatar</strong>, de James Cameron, e <strong>Distrito 9</strong>, de Neill Blomkamp, estão no páreo. Para completar o quadro, Quentin Tarantino entra na dança com sua História Alternativa de Bastardos Inglórios. Sem contar as indicações técnicas para <strong>Star Trek</strong> e <strong>Coraline e o Mundo Secreto </strong>disputando Melhor Animação. É o Oscar da Ficção Científica e da Fantasia. Os benefícios são claros para um gênero assumidamente odiado pela Academia e, normalmente, tratado como subproduto cinematográfico. Entretanto, tudo depende de uma coisa: a vitória de Avatar na categoria principal.</p></blockquote>
<p>*artigo publicado ANTES do anúncio dos vencedores do Oscar, na <a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a>. </p>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p><strong>Avatar </strong>é o Melhor Filme do Oscar 2009. Ou pelo menos deveria ser. Razões não faltam para a nova coroação de James “Rei do Mundo” Cameron; e nenhuma delas é inócua. Entretanto, a disputa dessa categoria extrapola a mera qualidade técnica nessa edição do evento que continua sofrendo com problemas na audiência e, de forma arriscada e benéfica, ampliou a quantidade de concorrentes. Com mais filmes de sucesso envolvidos, mais gente se interessa pela premiação, logo, mais televisores ligados. Além disso, as dez vagas permitem menos injustiças como a inexplicável não indicação de <strong>O Cavaleiro das Trevas</strong> no ano passado. É a Academia mostrando desejo para se modernizar e – antes tarde do que nunca – reconhecer boas realizações no reino dos blockbusters. A escolha entre <strong>Avatar</strong>, <strong>Guerra ao Terror </strong>e <strong>Amor Sem Escalas </strong>[os verdadeiros concorrentes nessa briga] vai definir muito mais que o filme do ano. Na verdade, os membros da Academia vão eleger seu novo modo de pensar e compreender os concorrentes daqui para a frente; ou seja, vão escolher entre continuar buscando apenas a melhor mistura da fórmula “roteiro, história e caracterização” ou também vão levar em conta a influência comercial e relevância  popular do Melhor Filme. </p>
<p>Uma escolha parecida precisou ser tomada nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, quando votar em Barack Obama representava apostar no futuro e na mudança, enquanto apoiar John McCain significava a manutenção do status quo político. Traduzindo em termos cinematográficos, a vitória de Avatar vai revitalizar os conceitos da Academia. Se <strong>Guerra ao Terror</strong> ou <strong>Amor Sem Escalas</strong> vencerem, nos veremos diante de um novo período regido por dramas sérios. Mera questão de posicionamento, afinal de contas, cada um desses três filmes merece a estatueta com louvores.</p>
<p>Avatar tem mais de 2 milhões de vantagens por conta da bilheteria recorde mundial. Nos Estados Unidos, faturou mais de US$ 600 milhões, cerca de 30% de seu faturamento total. Tudo isso em menos de dois meses, período em que liderou as bilheterias de forma absoluta não sendo ameaçado nem mesmo pelo <strong>Sherlock Holmes</strong> de Robert Downey Jr. Sucesso comercial irreparável, porém é o critério cinematográfico que faz de Avatar o virtual vencedor da competição: há pelo menos dez anos não se via um filme capaz de mudar o modo de se fazer cinema e, claro, sua relação com o público. É o famoso “game changer”, um evento capaz de mudar as regras do jogo. </p>
<p>A combinação entre tecnologia de captura de performance e 3D redefiniu o futuro da cinematografia de maneira incisiva. Antes de Avatar, esse tipo de técnica impressionava, mas sua influência tinha abrangência limitada e não impedia outros cineastas de tentar inventar suas próprias tecnologias. Foi o caso do Gollum de Peter Jackson, que apontava um caminho promissor, mas não impediu Robert Zemeckis de seguir outro caminho com animação em <strong>A Lenda de Beowulf</strong>. Assim como o bullet time de Matrix gerou inúmeras cópias. Entretanto, <strong>Avatar </strong>não permite espaço para dúvidas justamente por beirar a perfeição. </p>
<p>Isso acontece pela mudança na relação entre filme e público. Tradicionalmente, os filmes de ficção científica e fantasia criam mundos maravilhosos como a Terra-Média ou Tatooine, mas a natureza plana da imagem os mantém distantes do público. É bonito, mas nitidamente construído para causar aquela impressão. Pandora é diferente, pois é um lugar tão “real” quanto uma visita à floresta mais próxima. O cinema abandonou a esfera do efeito visual para a realidade simulada, tanto para personagens quanto para cenários. Esse é seu maior mérito e, sem dúvida, o mais longevo. </p>
<p>Pelos critérios oficiais de avaliação, <strong>Avatar </strong>fica devendo em originalidade da história, tanto é que seu roteiro não foi indicado. Mesmo totalmente relevante e influente, sua trama é mais uma releitura das mitologias heróicas e da grande história da raça humana. Essa discussão, porém, transcendeu os cinéfilos e tomou grandes proporções criando grandes grupos de defensores e detratores. Comparações com a trajetória de John Smith, de <strong>Pocahontas</strong>, e o tenente Dunbar, de <strong>Dança com Lobos</strong>, municiaram aqueles que odiaram; enquanto conceitos ecológicos e inspiradores abasteceram o outro lado. Esse cenário criou outro ponto positivo para <strong>Avatar</strong>, pois permitiu ao cinema demonstrar novamente sua relevância nas discussões do grande público, algo dificilmente provocado por um blockbuster. </p>
<p>É a junção de todos esses elementos que faz de Avatar o filme merecedor do prêmio:<br />
- Revitalizou o formato comercial bem no meio da crise provocada pelo fantasma da pirataria; com a tecnologia 3D, a maior parte dos espectadores correu para os cinemas resultando nos mais de US$ 2 bilhões de faturamento, contra os aproximados US$ 500 milhões de orçamento [número extra-oficial];<br />
- Reinventou a “experiência cinematográfica”, ao garantir realismo a algo anteriormente apenas exótico e curioso;<br />
- Mudou os conceitos cinematográficos ao entregar um novo jeito de fazer filmes – há produtores que apostam nesse sistema para reduzir os custos de filmagem, por exemplo, então se criar um cenário com essa riqueza de detalhes pode se encaixar como uma luva nessa situação; É o nascimento de uma nova linguagem.<br />
- Reintroduziu o debate sobre a qualidade de um filme no dia a dia dos espectadores;<br />
- Lembrou Hollywood que, com ou sem crise, essa é uma das indústrias mais rentáveis e influentes do mundo.</p>
<p>Mais algum dos concorrentes consegue reunir tantos marcos tecnológicos, comerciais e históricos como esse? Não. Logo, premiar é inevitável, a não ser que se queira passar uma forte mensagem. Entretanto, isso já aconteceu com <strong>O Retorno do Rei</strong>, escolhido não necessariamente por ser o melhor filme do ano, mas pelo conjunto da obra gigantesca da Trilogia do Anel de Peter Jackson. E o Oscar precisa aumentar, e manter, o nível de interesse público por sua cerimônia. Para alguns, consagrar <strong>Avatar </strong>é um mal necessário, para outros, nada mais que justiça por uma trajetória de sucesso e competência. </p>
<h2>ALIENÍGENAS E SOLDADOS</h2>
<p>Os outros dois filmes de FC&#038;F envolvidos na disputa por Melhor Filme são experiências menos modificadoras que Avatar, fazem por merecer a indicação. <strong>Distrito 9</strong> foi a surpresa do ano ao maximizar seu desempenho sem ter orçamento milionário e nenhuma estrela em seu elenco. Custou US$ 30 milhões e faturou pouco mais de US$ 200 milhões em todo o mundo, mas, acima de tudo, reintroduziu a ficção científica social de modo simples. São os três S de <strong>Distrito 9</strong>: Surpreendente, Simples e Sem Famosos. Sua presença entre os dez melhores do ano é indício de que a Academia decidiu, pelo menos, reconhecer certos fenômenos. No caso desse filme, sucesso comercial coincide com qualidade técnica e também em termos de história, tanto é que Distrito 9 também disputa a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado.</p>
<p>Caso diferente enfrenta <strong>Bastardos Inglórios</strong>, de Quentin Tarantino. Fossem cinco os indicados, sem dúvida, essa História Alternativa sobre a Segunda Guerra Mundial estaria entre os indicados. Porém, exceto por Christoph Waltz, que já venceu o Globo de Ouro e só perde o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante caso uma bomba atômica caia em Los Angeles, <strong>Bastardos </strong>ficará de fora. Não se trata de injustiça, mas de azar de Tarantino, por concorrer com James Cameron, Kathryn Bigelow e Jason Reitman tanto em Melhor Filme quanto Melhor Diretor. Mas há um consolo, chegou mais longe que outros ícones da cinematografia como<strong> Blade Runner</strong> e <strong>2001 – Uma Odisséia no Espaço</strong>, que sequer foram indicados à categoria principal, mas nunca deixaram de influenciar.</p>
<p>Ganhando ou não, esses filmes fazem a sua parte gerando receita, provocando discussão e dando voz ao gênero; por outro lado, o Oscar garante o glamour, promove exposição midiática e popular e eleva as obras a postos inesquecíveis. E, nesse ano, tudo isso vai acontecer em meio a esse cenário improvável: com destaque para extra-terrestres, planetas alienígenas, armas esquisitas e guerras que não aconteceram. É o melhor momento já visto pela Ficção Científica nos holofotes de Hollywood.</p>
<p>Seguro dizer que, de uma vez por todas, o gênero que sempre encheu de dinheiro os bolsos dos estúdios deixou de aparecer de forma pontual nas premiações e se torna uma constante. Muito por isso graças às novas tecnologias, que permitem aos diretores criarem efeitos menos chamativos e, assim, despistar os críticos sedentos por razões para reprimir fantasias mal-feitas, por exemplo. Com toda essa exposição e discussão sobre o papel da Ficção Científica no cinema, é de se esperar novas ondas de consumo direcionado nos Estados Unidos e as editoras celebraram da mesma forma que os estúdios de cinema. No Brasil, exceto pela injeção de ânimo aplicada pela recém-chegada Editora Draco, os lançamentos continuam parcos e sem investimento em novos talentos nacionais [por investimento entenda um lançamento decente, acima das 1.000 cópias tradicionais que, invariavelmente, encalham]. O momento é bom. FC deixou de ser subproduto e tomou seu lugar no mainstream. Só não aproveita quem não quer.</p>
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		<title>O Admirável Fim do Mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 15:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Denzel Washington]]></category>
		<category><![CDATA[O Livro de Eli]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Duvall]]></category>
		<category><![CDATA[Viggo Mortensen]]></category>

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		<description><![CDATA[Distante de sua especulação fantasiosa e ultratecnológica, cinema e literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RGVuemVsK1dhc2hpbmd0b25fIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-64" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/book_of_eli_denzel_washington_3.jpg" alt="" title="book_of_eli_denzel_washington_3" width="650" height="271" class="aligncenter size-full wp-image-2786" /></a></p>
<blockquote><p>Distante de sua especulação fantasiosa e ultratecnológica, cinema e literatura de ficção científica enxergam um futuro sombrio ultimamente. Não importa se haverá máquinas controladoras ou desertos desolados pela guerra nuclear, o fim inexorável da raça humana é tema constante nas produções do gênero, entre elas <strong>O Livro de Eli</strong>, com Denzel Washington, e o recente <strong>A Estrada</strong>, com Viggo Mortensen. É o reflexo do terror. E do medo.</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Uma nova Era da Humanidade começou em 11 de Setembro de 2001 e seus efeitos estão muito longe de se esgotar, especialmente nas mentes de roteiristas e escritores norte-americanos. Enquanto George Orwell e diversas gerações de mentes criativas, no máximo, imaginaram o fim da sociedade nas mãos de governos ou corporações ultracontroladores, a geração atual acredita no nada. Alguns enxergam possibilidades de reconstrução ou reinvenção da raça, porém, bradam em uníssono: o apocalipse armamentista é inevitável. É a visão de uma nação mergulhada em guerras há 30 anos, atacada em seu âmago e desconfiada de qualquer outro país. E, assim como o escorpião, quando se ver efetivamente acuado – seja por paranóia interna ou algum inimigo externo – pode provocar uma catástrofe. Alan Moore acredita num momento de caos para recriar algo melhor; Cormac McCarty enxerga o fim definitivo; canais de TV gastam fortunas em especiais tentando antecipar a trajetória decadente que levaria ao fim; enquanto os irmãos Hughes e Denzel Washington acreditam em segundas chances e no poder da religião, em seu <strong>O Livro de Eli</strong>, que estréia hoje nos cinemas.</p>
<p>O cinema sempre apontou como canal perfeito para a divulgação desses conceitos, por causar assombro e maneira mais fácil. <strong>Mad Max</strong>, <strong>Equilibrium</strong>, <strong>Matrix</strong>, <strong>O Dia Seguinte</strong>,<strong> O Exterminador do Futuro</strong> são apenas alguns exemplos. Entretanto, tanto a incidência quanto a gravidade desses cenários na produção intelectual da última década disparou, assim como seu formato mudou. Nas décadas de 50 e 60, o medo do Apocalipse atômico criava a necessidade de se saber quem seria o vilão capaz de aniquilar a Terra: americanos ou soviéticos? Hoje em dia não se procura um culpado, apenas aceita-se a alta probabilidade desse desfecho soturno. </p>
<p>Um pouco disso é visto em <strong>O Livro de Eli</strong>. Houve guerra. Extermínio em massa. Falência do Estado. Mas nada se sabe, apenas resquícios na paisagem – gigantescas crateras – e uma população de sobreviventes divididos entre cegos afetados pelas explosões e novas gerações acostumadas a uma civilização desprovida de tecnologia e vivendo das sobras do que outrora foi nossa sociedade. Muda-se o cenário, mas não as pessoas. Ainda há luta pelo poder, representada por Gary Oldman e sua obstinação por encontrar um livro; e fé numa segunda chance, centralizada em Denzel Washington, Eli, um sobrevivente numa missão messiânica em direção ao Oeste. </p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RGVuemVsK1dhc2hpbmd0b25fIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-64" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/book_of_eli_denzel_washington.jpg" alt="" title="book_of_eli_denzel_washington" width="650" height="270" class="aligncenter size-full wp-image-2785" /></a></p>
<p>“As grandes histórias ainda tem lugar na literatura. O fato de eu e você ainda lermos já justifica a existência dos livros”, comenta Denzel Washington, em entrevista exclusiva à <strong>Sci-Fi News/SOS Hollywood</strong>, em Los Angeles. Descontraído e simpático, o ator não teve problemas em dizer que aceitou esse papel por conta de seu filho, John David, que se apaixonou pelo aspecto espiritualístico e acabou trabalhando como produtor no longa. “Mas há uma coisa que afeta as pessoas muito mais que 11 de Setembro: o ego! Afinal, o que nos faz pensar que o mundo vai acabar durante o nosso período de vida nesse planeta? Cada um enfrenta seu próprio apocalipse quando morre, então, por alguma razão maluca queremos vivenciar isso lendo ou assistindo a um filme”. </p>
<p>É um modo de tentar compreender essa nova dinâmica, a realidade do terrorismo e a incerteza de um mundo melhor. Nesse contexto, filmes com temática ecológica ou positivista acabam relegados ao segundo plano como utópicos. <strong>Wall-E</strong> se arriscou e até a extinta New Line tentou com o mal recebido Mimzy, mas a glória atual está reservada aos “gênios” capazes de levar o mundo cyberpunk ou alguns pedaços do Velho Testamento para as telas. Em alguns casos, até ultrapassam essa barreira, como é o romance vencedor do Pullitizer e também filme, <strong>A Estrada</strong>, de Cormac McCarthy, previsto para estrear em maio, no Brasil. Nesse futuro, não há salvação, livro místico ou colônia de sobreviventes esperando a chance de um novo começo. O Klaatu de Keanu Reeves definiu essa situação perfeitamente: se os humanos sobreviverem, a Terra morre; se os humanos morrem, a Terra sobrevive. McCarthy matou o planeta. O que resta é um retrato cru e desagradável da natureza humana. “É incômodo, mas ao mesmo tempo produtivo pensar nisso; imaginar essas pessoas; se ver sem ter o que comer e, mesmo assim, sobreviver”, comenta o veterano Robert Duvall, que faz uma pequena participação em A Estrada, em entrevista à <strong>Sci-Fi News/SOS Hollywood</strong>. </p>
<p>Olhar para o futuro e ver apenas tragédia pode parecer pessimismo exagerado, mas razões existem – além do 11 de setembro – e não são gratuitas. Washington explica: “já repararam como não valorizamos o que temos? Lembro de ficar em longas filas para tentar usar o telefone quando era garoto, hoje, qualquer um faz uma ligação de qualquer lugar. Essa falta de respeito e valor ao que temos – seja uma fruta ou uma roupa nova – não é um bom indicativo”. </p>
<p>De acordo com Washington, “filmes ou livros até podem influenciar as pessoas, mas o mínimo que se espera é que iniciem debates e provoquem novos questionamentos; não é isso que me faz escolher, ou não, um trabalho, mas é algo que aprendemos quando treinamos para ser atores e, por mais distante e surreal que pareça, sempre está por ali”. Seja escolha consciente ou mero reflexo das incertezas sociais, a Ficção Científica lança o alerta para algo mais plausível do imaginarmos uma estação espacial em Marte, a primeira colônia em Alpha Centauri, ou mesmo as maravilhas da Pandora de James Cameron – também vitimada pela devastação e guerra humana – e as perspectivas de um mundo ficcional parecem menores a cada dia.</p>
<p>Muito disso pela forte influência da guerra ao terror liderada pelos Estados Unidos. A cada ataque, novas ondas de preocupação. Na TV, o History Channel conta como seria o “Mundo Depois da Gente”, e a CNN transforma atentados, mortes nas frentes de batalha e prisões de terroristas nas notícias mais ameaçadoras e relevantes do mundo, além de deixar implícito – a cada nova notícia – que o Irã pode deflagrar o conflito nuclear a tanto custo evitado com a Rússia. É o poder da globalização e da superinformação.  Nenhuma guerra desses moldes começou, mas se depender da FC. Perdemos antes mesmo do primeiro tiro.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/book_of_eli_denzel_washington_2.jpg" alt="" title="book_of_eli_denzel_washington_2" width="650" height="270" class="aligncenter size-full wp-image-2787" /></p>
<p>Publicado na <a href="http://www.scifinews.com.br"><strong>SCI-FI NEWS</strong></a>, 144, nas bancas.</p>
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		<title>Nos Domínios de Tony Stark</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/homem-de-ferro-2-previa/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 16:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[Tony Stark]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele é o dono do mundo e do cinema em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SG9tZW0rZGUrRmVycm9fIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-60" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/iron-man-21.jpg" alt="" title="iron-man-2" width="540" height="374" class="aligncenter size-full wp-image-2776" /></a></p>
<blockquote><p>Ele é o dono do mundo e do cinema em 2010. Seu nome: Tony Stark! <strong>SCI-FI News</strong> conversou com Robert Downey Jr. no set de filmagens e é ele quem conta os detalhes do filme mais aguardado do ano, que estréia em 30 de Abril no Brasil!</p></blockquote>
<p>Tony Stark deixou o mundo de pernas para o ar quando anunciou ser o Homem de Ferro. Entretanto, anunciar ser um super-herói e viver como tal são coisas completamente diferentes, e nada fáceis. Mudanças na vida pessoal, novos inimigos – tanto na política quanto na hora da pancadaria – e a constante luta contra sua mortalidade fazem do milionário mais arrojado do mundo um sujeito a ser batido e admirado, dentro e fora das telas. <strong>Homem de Ferro 2</strong> é novamente dirigido por Jon Favreau e estrelado por Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson, Mickey Rourke, <a href="http://www.soshollywood.com.br/homem-de-ferro-elenco/">Don Cheadle e Sam Rockwell</a>. </p>
<p>“Tony é um sujeito consciente de que pode morrer a cada missão; especialmente por viver no limite e gastar até o último minuto de energia em seu reator”, conta Robert Downey Jr. no intervalo entre as filmagens, em Los Angeles. Empolgação e auto-análise se misturavam no comportamento desse veterano das telas que pegou gosto por heróis famosos. Ele também é o astro principal de <strong>Sherlock Holmes</strong>, ao lado de Jude Law. “Tive muita influência criativa nos dois filmes. Mas isso se justifica não apenas pelo sucesso do primeiro filme, mas por encontrar apoio total.”</p>
<p>Pouco modesto e igualmente orgulhoso, Downey Jr. nunca escondeu o fato de ter sido fundamental para a realização do primeiro filme, fato com o qual Jon Favreau concorda e assume sem o menor problema. Downey Jr completa: “Quando funciona percebo que não são surtos provocados por excesso de café, mas por que, de alguma maneira, consigo captar algumas necessidades de cena ou do personagem. Jon e eu nos confiamos mutuamente; e ficamos surpresos quando seguimos um palpite e, no fim das contas, era exatamente o que o filme precisava. E <strong>Homem de Ferro 2</strong> reflete isso diretamente: no primeiro filme, ele tinha os elementos para poder escapar da morte, mas agora ele se vê confrontado por sua mortalidade e não faz idéia do que precisará fazer para continuar vivo. Instintos vão servi-lo muito bem nessa jornada.”</p>
<p>Quem vai lembrar, e muito, o Homem de Ferro de sua mortalidade é Whiplash, vilão barra pesada interpretado por Mickey Rourke, renascido das cinzas depois de <strong>O Lutador</strong>. “Sou um burocrata agora e aprendi a ficar de boca fechada (risos)”, brinca Downey Jr. “Não é segredo que Mickey e eu vamos sair na porrada, mas o modo como isso acontece é muito único e profundo do que o pessoal imagina”. As surpresas preparadas por Downey Jr. e Favreau tem muito a ver com o conceito de adaptar os personagens ao estilo e fisionomia dos atores, não o contrário. “Muita gente tenta transformar as pessoas, mas isso pode ficar falso se não for feito perfeitamente, então adaptamos os personagens aos atores e isso funcionou de modo produtivo, pois cada um pode colaborar e inserir seu estilo neles. Especialmente Mickey, que é um sujeito excêntrico, mas brilhante.” Essa decisão agradou, e muito, ao público masculino, que pode contar com Scarlett Johansson em seu esplendor como a espião Viúva Negra.</p>
<p>Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) continua na jogada, mas agora como CEO das Indústrias Stark – o que explica a elegância e charme das mocinhas que distribuíam os cartões da visita da companhia na última Comic-Con – e Scarlett faz as vezes de Natasha, a nova assistente que não compartilha a lealdade e paixão de sua precursora pelo chefe. Pelo menos não de forma sincera, afinal trabalha infiltra e esconde seu alter-ego.</p>
<p>Cercado por inimigos tanto em seu círculo íntimo quanto durante suas missões, Tony Stark precisa se preocupar com mais uma figura, mas no campo político e econômico: Justin Hammer (Sam Rockwell), um fabricante de armas obstinado para se tornar o próximo “Stark”. Afetado por seus constantes lembretes de mortalidade, Tony continua seguindo seu compromisso de fazer do mundo um lugar mais seguro, mas se já deixou seu “homem de confiança” irritado ao ponto de tentar matá-lo no primeiro filme, não precisa muito para imaginar as conseqüências mundo a fora. Assim nasce a parceria entre Whiplash e Hammer. </p>
<blockquote><p>MEIO HOMEM, MEIO MÁQUINA, 100% ADRENALINA!</p></blockquote>
<p>Embora Tony e suas novas armaduras possam dar conta do recado, o Homem de Ferro conta com a ajuda do Máquina de Combate, codinome utilizado por seu amigo Cel. Rhodey. Aliás, esse personagem foi foco de muita polêmica quando Terrence Howard não concordou com o salário para o segundo filme, levou a disputa a público e perdeu. Em seu lugar entrou Don Cheadle, infinitamente mais dramático e carismático que Howard. A existência de um segundo herói é bem-vinda e óbvia, afinal, no mundo de Tony Stark ele não é o único com acesso a alta-tecnologia. Ninguém pode dizer que o trabalho de Cheadle não será autêntico, afinal, ele sabia tão pouco sobre o personagem que jurava que o Homem de Ferro era um robô! </p>
<p>É uma nova relação inserida nessa dinâmica, que tem ramificações muito mais profundas do que aparentam. Downey Jr. explica: “Sem saber, Tony faz parte de um legado gigantesco. Toda a coisa da S.H.I.E.L.D. e dos heróis, que já estão em atividade há muito tempo. E também existe aquela constante fantasia entre pais e filhos, já que todo mundo, pelo menos uma vez, imagina que seu pai controla os segredos do universo e você precisa aprender tudo dele para descobrir esses segredos. É uma noção bem inocente de roleplaying, mas faz sentido. Faço isso com meu filho, é muito válido”.  Estaria o Homem de Ferro já pensando em passar a bola, ou são apenas reflexos de um ator diante do auge de sua carreira? Provavelmente a segunda opção.</p>
<p><a href="http://www.soshollywood.com.br/trailer-homem-de-ferro-2/"><strong>VEJA O TRAILER</strong></a></p>
<p>De acordo com Downey Jr. “às vezes você passa por mudanças por conta das escolhas profissionais. E vejo um paralelo nisso com o filme também; essas mudanças acontecem de acordo com o que você quer ou, na maioria das vezes, precisa. Estou com quarenta e poucos anos e faço parte dessa grande “piada” na qual sou praticamente o Super-Homem (risos). É muito engraçado. Acreditando nisso ou não, tenho uma confiança extrema no que faço e sempre me vejo tendo uma carreira imensamente melhor e mais representativa que qualquer um que conheço. De um modo narcisistico, e meio bizarro, sempre tive essa relação muito otimista com as possibilidades.”</p>
<p>Quem tem mais possibilidades que Downey Jr. é o Homem de Ferro e sua segunda aventura nos cinemas. Diferente da surpresa causada pelo primeiro filme, esse novo capítulo será dissecado tanto pelo público especializado quanto pelo espectador comum, que gostou do primeiro e vai voltar aos cinemas. São milhões de críticos invisíveis, esperando o melhor, mas a postos para reclamar do menor dos erros quando as luzes se apagarem e o mundo de Tony Stark voltar à vida. <strong>Homem de Ferro 2</strong> estréia mundialmente em 7 de maio de 2010, quer dizer, teoricamente, pois, no Brasil, chega aos cinemas em 30 de abril. (Colaborou Fernando Dias Netto)</p>
<p>Reportagem: Andrea Cangioli, de Los Angeles / Texto: Fábio M. Barreto<br />
Publicado originalmente na <a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a> 142</p>
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		<title>[Prévia] Predadores / Predators</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 07:29:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Primeiro vídeo oficial de Predators, possivelmente Predadores em português, chega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UHJlZGFkb3IlMkMrUm9iZXJ0K1JvZHJpZ3Vlel8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-80" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/predators_robert_rodriguez.jpg" alt="" title="predators_robert_rodriguez" width="604" height="453" class="aligncenter size-full wp-image-2705" /></a></p>
<blockquote><p>Primeiro vídeo oficial de <strong>Predators</strong>, possivelmente Predadores em português, chega à internet. Publicar trailers é fácil, mas só no <strong>SOS Hollywood</strong> você vê as imagens com as impressões e informações de quem visitou o set de filmagens, em Austin!</p></blockquote>
<p><strong>Robert Rodriguez</strong> começou a mostrar a cara de sua mais nova criação na internet: <strong>Predators</strong>, Predadores na tradução direta, novo filme na mitologia dos caçadores intergalácticos. A quantidade de novidades é tão grande quanto o nível de segurança promovido pela Troublemaker Studios, empresa de Rodriguez, baseada em Austin, no Texas. Visitei o set de filmagens há alguns meses como enviado da revista <strong>MOVIE </strong>e pude caminhar pelos principais cenários mostrados nessa prévia, além de entrevistar todos os produtores, equipe técnica e atores. Pois é, de <strong>Adrien Brody</strong> a <strong>Alice Braga</strong>. </p>
<p>Um dos principais cenários vistos nessas imagens é uma floresta chamuscada, repleta de esqueletos e corpos dos mais diversos tipos de animais. É a toca dos inimigos. Mas nada é obvio nessa trama que, propositalmente, tende a levar o espectador para conclusões distantes da real linha da história. Não vou contar aqui, quem ler a <strong>MOVIE </strong>vai ficar sabendo. Enfim, mesmo os inimigos estão além da expectativa do espectador. Não se tratam simplesmente de <strong>Predadores</strong>, os humanos do elenco precisam lidar com coisas que assustam até mesmo a um Predador clássico. E fico por aqui em termos de história.</p>
<p>Outra coisa curiosa é a presença de <strong>Laurence Fishburne</strong>, que havia gravado suas primeiras cenas no dia em que visitei o set. Se você ficou empolgado, imagine a reação de Alice Braga, Topher Grace e os atores menos famosos do elenco ao ver uma lenda da atuação chegando de surpresa para integrar o grupo? Foi um dia cheio de emoções.</p>
<p>Andar pelos cenários, aliás, muitos deles presentes na prévia e ver os truques que Rodriguez usou para inventar o cenário parecia ser a coisa mais nerd do dia, porém, um outro momento bateu as expectativas. Sempre me lembro dos comentários sobre o momento em que Hayden Christensen vestiu a armadura de Darth Vader pela primeira vez, em <strong>Episódio III</strong>, mas ver meu amigo Derek Mears [comediante stand up e ator, que fez o papel de Jason Vorhees no último <strong>Sexta-Feira 13</strong>] vestia a roupa de Predador para uma sessão de fotos e mais algumas cenas foi algo mágico. Arrepiou.</p>
<p>Predators pode ser considerado uma continuação direta do primeiro filme. Não há ligações com a mitologia crossover com a série Alien.</p>
<p>Bem, assista ao vídeo abaixo e para a cobertura completa, fique de olho na Revista <strong>MOVIE</strong>. Começamos a cobertura na próxima edição!</p>
<p><center><object width="450" height="303"><param name="movie" value="http://www.traileraddict.com/emd/19594"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"><param name="wmode" value="transparent"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.traileraddict.com/emd/19594" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" wmode="transparent" width="450" height="303" allowFullScreen="true"></embed></object></center></p>
<p><a href="http://www.soshollywood.com.br/trailer-predators/"><strong>VEJA O TRAILER OFICIAL AQUI</strong></a></p>
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		<title>[Crítica] Alice no País das Maravilhas</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 08:14:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
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		<category><![CDATA[Alice no País das Maravilhas]]></category>
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		<category><![CDATA[Tim Burton]]></category>

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		<description><![CDATA[Novo-longa metragem de Tim Burton reinventa, revisa e reposiciona o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QWxpY2Urbm8rUGElRURzK2RhcytNYXJhdmlsaGFzXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-80" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Alice1.jpg" alt="" title="Alice" width="650" height="360" class="aligncenter size-full wp-image-2618" /></a></p>
<blockquote><p>Novo-longa metragem de Tim Burton reinventa, revisa e reposiciona o clássico de Lewis Carroll com 3D moderado e um verdadeiro trabalho de equipe. Nessa versão, cair no buraco do Coelho Branco é o menor dos seus problemas&#8230; divirta-se!</p></blockquote>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Precisamos crescer quando entramos na escola, precisamos amadurecer rápido demais no ginásio, aprendemos a torcer cada vez mais pela maioridade e, aí, precisamos crescer e amadurecer novamente, afinal, os ciclos anteriores não foram suficientes ou serviram apenas àqueles momentos. Isso quando não resolvemos fazer tudo de novo aos 40 e em todas as outras crises da meia e da maior idade. Respiramos, logo amadurecemos. É a condição humana. É a história de <strong>Alice no País das Maravilhas</strong>, livro que nasceu clássico pelas mãos de um matemático com o dom lingüístico em 1865. E também serve como base para o roteiro de Linda Woolverton (<strong>A Bela e a Fera</strong>;<strong> Rei Leão</strong>), que Tim Burton dirigiu com Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Alan Rickman no elenco. </p>
<p>Embalado por uma ostensiva campanha visual em todo mundo e, claro, grande expectativa por conta da mais nova colaboração entre Burton e Depp, Alice no País das Maravilhas estreou com força total, faturou mais de US$ 200 milhões no primeiro fim de semana e desbancou <strong>Avatar </strong>como melhor abertura da história. Também pudera, teve cerca de 220 salas 3D a mais que o filme de James Cameron – é o mercado em franca expansão para atender à crescente demanda da tecnologia – e a máquina de fazer dinheiro chamada Walt Disney. Tudo isso, claro, conseqüência de um <a href="http://www.soshollywood.com.br/alice-especial/">trabalho que começou na infância de Tim Burton</a>, quando o diretor leu o clássico de Lewis Carroll pela primeira vez. </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/tim_burton_mia_wasikowska_alice.jpg" alt="" title="tim_burton_mia_wasikowska_alice" width="650" height="360" class="aligncenter size-full wp-image-2627" /></p>
<p>As novidades dessa nova versão concentram-se no aspecto do formato, afinal, mesmo com roteiro diferente do livro, os elementos são os mesmos. Alice, as Rainhas – Branca e de Copas -, o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco e demais personagens do mundo maluco e tresloucado conhecido como País das Maravilhas. Ao optar pelo <a href="http://www.soshollywood.com.br/alice-3d/">uso contido da tecnologia 3D</a>, Tim Burton coloca a responsabilidade nas costas de seu elenco, muito valorizado, mesmo inserido num ambiente repleto de cores [numerosas, mas nem tão brilhantes e atraentes como sugeriam seus pôsteres] e cenários fantásticos.</p>
<p>A própria história busca sua maturidade. Alice (Mia wasikowska) não foge apenas das pressões de uma sociedade machista, mas corre em busca do passado idílico, no qual a presença do pai a confortava. Nesse mesmo passado existe a lembrança de um sonho maluco: o País das Maravilhas. Aprenda seu passado, aprimore o futuro. Mas nesse caso, os períodos voltam a se encontrar quando Alice despenca buraco abaixo. É o início de sua nova jornada, menos formativa que as anteriores, mais definitiva por seu momento pessoal. Toda pessoa boa é meio louca, diz o pai de Alice. Está certo. Imaginação e criatividade valem mais que qualquer convenção social quando se sonha com algo mais que uma vida trivial.</p>
<p>Tal jornada beira o xamanismo, repleto de animais de poder, <a href="http://www.soshollywood.com.br/musica-tema-alice-in-wonderland/">música marcante</a>, reflexos do mundo real, mensagens e uma tarefa. Tão habilmente quanto <strong>Neil Gaiman</strong> faz em <strong>Deuses Americanos</strong>, a trajetória de Alice a confronta com algo capaz de mudar sua vida. Ela não quer, mas vai fazer o que precisa. E vai mudar. Entretanto, como o Sombra de Gaiman, a grande pergunta fica na capacidade de assimilação da experiência. Ou seja, quanto amadurecimento isso vai gerar. </p>
<p>Tim Burton considera uma mistura de contos de fadas com história de terror, acontecendo de forma independente ao original da Lewis Carroll. Já Linda Woolverton, a roteirista, tem outra opinião: “é uma continuação; uma história revisionista, ou melhor, um exemplar do nonsense cinematográfico”, disse à revista Script. Essa dissonância criativa mesmo entre os criadores da obra reforça um das maiores qualidades dos contos de fadas: pluralidade de interpretações. O material base é um só, entretanto, Burton imprimiu sua visão, enquanto Woolverton pode fazer sua contribuição [pesada, aliás, criando nomes, situações e contextos inéditos à obra de Carroll]. Atualidade sobrepondo o clássico, necessidade de uma nova dinâmica tão alucinadamente veloz e competitiva que nem mesmo Carroll antecipou quando lançou a pequena Alice no buraco pela primeira vez.</p>
<p>A história de Alice nasceu como conto infantil, evoluiu para uma complexa provocação matemática e consolidou-se por sua capacidade semântica e criativa. Tudo para instigar as mentes juvenis da virada do século 19, quando o mundo ainda precisava ser explorado e a vida era difícil, mesmo para uma burguesia limitada por seus portões de aço ou mansões cercadas pela pobreza do proletário industrial. As barreiras modernas são outras e o amadurecimento de Alice caminha na direção da independência – pessoal, sexual, comportamental. É a jovem atual e, no mundo virtual de seus sonhos, pode tudo. Muda de tamanho, de visual, de idéia, de postura e precisa mata um monstro por dia. Alice não é mais menininha e não há príncipe encantado vindo salvá-la, pelo contrário, só ela pode decidir o destino do País das Maravilhas.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/alice_armour.jpg" alt="" title="ALICE IN WONDERLAND" width="650" height="360" class="aligncenter size-full wp-image-2619" /></p>
<p>Muita responsabilidade, claro. Entretanto, falamos em amadurecimento. E carga maior do ser responsável por seus atos e escolhas não há. Longe do dilema de Peter Parker, nota-se o ciclo completo da influência de Alice. Quando <strong>Matrix </strong>estreou, em 1999, Neo seguiu o Coelho Branco buraco abaixo e virou sua vida de ponta cabeça, agora é a vez do Oráculo – ou melhor, Lagarta – devolver o favor à mocinha. Ela bem conhece esse mundo de sonho, mas não se lembra. Ela é Alice, ao mesmo tempo que não é Alice. Quem sabe numa outra vida? Noutro dia? Noutro momento? Tudo muda a nossa volta, mas as maiores mudanças acontecem quando mudamos mais que o entorno. Uma Estranha Numa Terra Estranha. Ainda não está pronta. O tempo é curto. O Coelho Branco está atrasado. E o Jabberwocky está à espreita. </p>
<p>Mas há conforto no nonsense lexical e comportamental do Chapeleiro Maluco.  Muito mais amargurado e saudoso do que maluco, aliás. Um homem perdido no tempo, desprovido de função, numa eterna cerimônia sem propósito. Assim como Nora Dinsmoor, sempre à espera. Não do amor. Da Salvação. De Alice. Chance de ouro para Johnny Depp brilhar. Mas, de comum acordo, mesmo que velado, tanto Depp quanto Burton deixam o brilho para o esforço coletivo. Nada de exageros e pouca ousadia. Se o visual espalhafatoso deixou de ser surpresa meses atrás, sobraria à interpretação a grande novidade&#8230; que nunca veio. Seja a fala semi-fanha digna de Magorium, ou os trejeitos simultaneamente atrapalhados, mas arrojados, esse Chapeleiro é um herói recolhido e assim se mantém, contentando-se em ser o escudeiro da verdadeira heroína. Competência também significa compreender sua função e permitir que a história se desenvolva, sem tentar roupar a cena. E assim é Depp, funcional e agradável quando solicitado. Ah sim, dançarino irreparável. Para padrões do País das Maravilhas, claro.</p>
<p>Por ser uma história seminal e extremamente influente, Alice requer cuidados em seus paralelismos. Não é ela quem se espelha no mundo atual, ao contrário, é nossa modernidade que encontra raízes nos dilemas da pequena sonhadora. Quase adulta na nova versão, enfrente dilemas tão atuais em 1865 quanto em 2010. Mudam-se os formatos e nomes, porém, o ser humano é o mesmo. Assim como suas mazelas. Carroll foi elogiado – e acusado por seu suposto interesse sexual nas irmãs Liddell (Alice, Lorina e Edith), para quem inventou a história, em especial pela fotografia que tirou de uma delas, Alice. Tivesse publicado seu surto no mundo moderno, enfrentaria chacota, apologia a entorpecentes e fracasso inevitável. A mesma inocência que Alice tentava se livrar desesperadoramente, é justamente o que nos acomete atualmente.</p>
<p>Tim Burton não é inocente, nem prega tal conceito. Mas gosta de falar sobre amadurecimento, escolhas e as situações constrangedoras que fazem parte desse processo. Difícil entre escolher entre ter mãos de tesoura na casa de uma vendedora da AVON e conversar com animais falantes na terra onde a Rainha de Copas pode cortar sua cabeça! Sua assinatura está em Alice no País das Maravilhas, mas, dessa vez, ele se comporta como espectador, em vez de maestro. Permite que esse mundo se desenvolva e assiste, de camarote, ao maior dos espetáculos: ver a nossa reação a essa espiadela num lugar onde nada é o que parece e tudo pode acontecer, contanto que você não perca a cabeça! É o pintor, pintando o pintor, que pinta o pintor, que pinta&#8230; e no fim das contas, alguém sabe por que o corvo se parece com a escrivaninha?</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/gato_alice1.jpg" alt="" title="gato_alice" width="650" height="360" class="aligncenter size-full wp-image-2622" /></p>
<p>Alice no País das Maravilhas estréia dia 23 de Abril, no Brasil.<br />
<a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/especial-wonderland/"><br />
<strong>VISITE O ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS!</strong></a></p>
<p><strong>Confira algumas fotos:</strong><br />

<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice-3/' title='Alice'>Alice</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice-in-wonderland/' title='ALICE IN WONDERLAND'>ALICE IN WONDERLAND</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice_garden-3/' title='alice_garden'>alice_garden</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice_garden_2/' title='alice_garden_2'>alice_garden_2</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/gato_alice-2/' title='gato_alice'>gato_alice</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/lebre-de-marco-2/' title='lebre de março'>lebre de março</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/madhatter-2/' title='madhatter'>madhatter</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice-in-wonderland-2/' title='ALICE IN WONDERLAND'>ALICE IN WONDERLAND</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/alice-in-wonderland-3/' title='ALICE IN WONDERLAND'>ALICE IN WONDERLAND</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/tim_burton_mia_wasikowska_alice/' title='tim_burton_mia_wasikowska_alice'>tim_burton_mia_wasikowska_alice</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/alice-critica/valete-de-copas-2/' title='valete de copas'>valete de copas</a>
</p>
<p><a href="http://dihitt.com.br?ref=240009" dihitt_check="1c436f2ecd0ac9e267c7ef089d5b084c">diHITT &#8211; Notícias</a></p>
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		<title>O Coeficiente Scorsesiano</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 23:20:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A sensação de urgência e tensão proposta pelos minutos iniciais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TWFydGluK1Njb3JzZXNlXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-60" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/scorsese_shutter.jpg" alt="" title="scorsese_shutter" width="650" height="367" class="aligncenter size-full wp-image-2599" /></a></p>
<blockquote><p>
A sensação de urgência e tensão proposta pelos minutos iniciais de <strong>Ilha do Medo</strong> compõe a primeira camada da trama do melhor filme de Martin Scorsese, no qual descobrir o mistério é a menor das preocupações.</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>O resultado do 82º Academy Awards foi considerado pelo Los Angeles Times, por exemplo, como o desejo da Academia de reencontrar a ligação com um cinema mais simples  e questionador, ou melhor, relevante artisticamente. Essa discussão vai longe. Conversando com <strong>Oliver Stone</strong>, consegui a melhor definição até agora, e veio em formato de pergunta que ele fez a mim: “Por que as pessoas insistem em separar entretenimento de relevância?”. Justo. E completou: “Nunca vi essa separação, ou seja, meus filmes não tentam fazer uma coisa ou outra.” Não sei o que <strong>Martin Scorsese</strong> pensa a respeito disso, mas<strong> Ilha do Medo</strong> (Shutter Island) mescla essas duas características de forma assustadora e íntima. Entretêm, provoca e surpreende. É o melhor filme de Scorsese, descontando, claro, o punhado de obras-primas que criou ao lado de Robert DeNiro e que o alçaram à condição de mito em Hollywood.  E, sem dúvida, melhor colaboração entre o diretor e Leonardo DiCaprio.</p>
<p>Grandes dilemas compõem os personagens da <strong>Ilha do Medo</strong>. Questionados a cada momento, e de forma velada na maior parte da projeção, os policiais e médicos dessa ilha inóspita que acomoda uma prisão para criminosos com problemas mentais agem de maneira peculiar e obtusa. Há um mistério no ar: uma paciente desapareceu; e o FBI vai investigar, enviando dois agentes &#8211; veteranos da Segunda Guerra Mundial – vividos por Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo. Tudo muito estranho, tudo muito mal explicado.</p>
<p>São os elementos perfeitos para o desenvolvimento dessa trama, entretanto, ao contrário do sugerido pelos trailers e campanha de marketing, descobrir a reviravolta incutida na mente do público não é a grande surpresa de <strong>Ilha do Medo</strong>. Não há certezas, nem mesmo a existência da tal reviravolta. Há perguntas, há memórias terríveis, há algo de errado com aquele lugar. As memórias de Teddy Daniels (DiCaprio) o levam a sua esposa morta e também a um dos campos de concentração da Alemanha Nazista [Dachau, cuja recriação destoa gritantemente de seu design e visual original, lembrando muito mais Auschwitz do que a locação desejada]. Tudo se mistura em meio às investigações de Daniels, até mesmo experimentos mentais nazistas. O desaparecimento ganha tons de ponta de um iceberg gigantesco.</p>
<p>Mesclar tanta coisa sem cair na obviedade e no clichê é para poucos. Martin Scorsese é um deles e sabe aterrorizar. Já o fez em <strong>Cabo do Medo</strong>. E não precisa de monstros. Faz isso com pessoas, sempre passíveis de causar terror puro aos que os cercam por conta de sua agressividade ou violência. Como não lembrar de personagens como o instável e autodestrutivo Jack LaMotta e o taxista Travis Brickle, a versão humana de uma bomba-relógio circulando pelas ruas de Nova Iorque. “Somos homens de violência”, diz um dos policiais. “Não necessariamente violentos, mas dependentes da violência, ela está a nossa volta”. Eis o grande tema de <strong>Ilha do Medo</strong>: violência, ou ausência de, e suas conseqüências. Méritos do romance de Dennis Lehane, cuja construção irreparável permitiu tamanha profundidade ao roteiro de Laeta Kalogridis (que assinou o ótimo <strong>Guardiões da Noite</strong>, mas também fez bobagem em <strong>Alexandre</strong>, de Oliver Stone).</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/dicaprio_ilha_do_medo.jpg" alt="" title="dicaprio_ilha_do_medo" width="650" height="276" class="aligncenter size-full wp-image-2595" /></p>
<p>A guerra é mental. Se a geração Vietnã voltou traumatizada, o que dizer dos homens que descobriram os horrores nazistas? É a luta do sujeito comum buscando balancear um passado atormentado com a chance de fazer o Bem e desvendar o mistério da ilha. Sempre perfeitamente apoiado por Mark Ruffalo e Sir Ben Kingsley, DiCaprio brilha. Seja no sotaque alemão irrepreensível, seja na carga dramática. Não há mais resquícios do garoto de Titanic, assim como ficaram de lado os exageros de <strong>Diamante de Sangue </strong>ou <strong>Rede de Mentiras</strong>.</p>
<p>Ancorado por uma trilha tensa e sempre presente, <strong>Ilha do Medo</strong> lembra o público da violência e no medo. Não do desfecho, mas do que ele pode significar para aquelas pessoas. E essa resposta vem de forma perturbadora e desorientadora. Scorsese dá o maior de todos os golpes sem dó nem piedade, DiCaprio responde à altura e a trilha incita o desespero. Naquele momento, um trio perfeito. E terrível. </p>
<p>Considerar o último dos dilemas causaria desconforto num bate-papo, entretanto, ser confrontado com tal contexto é tiro certeiro no calcanhar de Aquiles. Como se defender do desarme perfeito? Impossível. O filme valeria somente por essa cena, mas ela funciona como clímax para um filme igualmente provocador e instigante.</p>
<p>É a essência do thriller, mas sem sustos desnecessários ou respostas mirabolantes. É o inferno das grandes histórias da literatura, o terror de Lovecraft longe de seus cenários ficcionais, a Matrix do mundo pré-computadorizado. </p>
<p>Confira algumas imagens:<br />

<a href='http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/dicaprio_ilha_do_medo/' title='dicaprio_ilha_do_medo'>dicaprio_ilha_do_medo</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo/' title='dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo'>dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/kingsley_dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo/' title='kingsley_dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo'>kingsley_dicaprio_ruffalo_ilha_do_medo</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/leonardo_dicaprio_ilha_do_medo/' title='leonardo_dicaprio_ilha_do_medo'>leonardo_dicaprio_ilha_do_medo</a>
<a href='http://www.soshollywood.com.br/ilha-do-medo/scorsese_shutter/' title='scorsese_shutter'>scorsese_shutter</a>
</p>
<p>*agradecimento ao Ricardo Rigotti, que revisou e aprovou o texto! \o/</p>
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		<title>House: Auto-Ajuda do século XXI</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:54:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[House]]></category>
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		<description><![CDATA[Hugh Laurie, David Shore e Robert Sean Leonard analisam a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SG91c2VfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-48" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/hugh_laurie_blue_carpet_3.jpg" alt="" title="hugh_laurie_blue_carpet_3" width="648" height="486" class="aligncenter size-full wp-image-2550" /></a></p>
<blockquote><p>Hugh Laurie, David Shore e Robert Sean Leonard analisam a melhor série dramática da atualidade. Saiba como foi o tapete vermelho, ou melhor, azul, da sexta-temporada em matéria exclusiva! Entrevistas e mais entrevistas! Com os cumprimentos da Sci-Fi News, que liberou a publicação!</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
De Los Angeles</p>
<p>House é um dos poucos homens sem medo na TV mundial. Destemido, despreocupado e totalmente convencido de seus ideais, o personagem de <strong>Hugh Laurie</strong> revitalizou os roteiros televisivos com esse médico especializado em diagnósticos incapaz de jogar conversa fora ou usar meias verdades. Com House é tudo preto e branco, sim ou não, verdade ou enganação. Entretanto, nem mesmo ele resistiu ao resto do mundo politizado e, no final da quinta temporada, perdeu a batalha para sua própria convicção, fixação e, finalmente, alucinação. A guerra desse exército de um homem só recomeça num brilhante show de Hugh Laurie, em <strong>Broken</strong>, episódio de duas horas de duração – um filme do melhor calibre. E a corrida para os Emmy 2010 termina antes mesmo de começar. É barbada!</p>
<p><a href="http://www.soshollywood.com.br/fotos-tapete-azul-de-house/"><strong>VEJA A COBERTURA FOTOGRÁFICA!</strong></a></p>
<p>“É o House, meu deus!”, gritou um motorista alucinado na Sunset Blvd, em frente ao ArcLight Cinerama Dome, um dos cinemas mais tradicionais de Los Angeles. <a href="http://www.scifinews.com.br"><strong>Sci-Fi News</strong></a> entrevistava Hugh Laurie naquele momento, em cobertura exclusiva da estréia da sexta temporada da série. “O pessoal exagera às vezes”, comentou o simpático Laurie, ainda espantado com as reações de seus fãs. O motorista em questão quebrou várias leis de transito ao sacar sua câmera portátil, parar o carro no meio da rua, e, antes de bloquear a faixa de pedestres, começar a filmar o “<a href="http://www.soshollywood.com.br/fotos-tapete-azul-de-house/"><strong>tapete azul</strong></a>” armado no local. A maior surpresa, porém, estava no fato de tamanho evento – com cobertura internacional – acontecer por conta do sexto ano da série. “Thirteen, eu te amo!”, outro grito provocou gargalhadas nos presentes. Grandes lançamentos [a estréia do novo <strong>91210</strong>, do CW, por exemplo] ou retomadas relevantes [a segunda temporada de <strong>Heroes</strong>] recebem tal tratamento, mas nunca um programa já tão consagrado, premiado e devidamente divulgado. </p>
<p>A grande expectativa em torno da retomada de House e um patrocínio considerável da montadora Ford foram os elementos que colocaram esse evento em andamento, mas tudo por uma boa causa graças a uma generosa contribuição dos envolvidos para uma entidade dedicada ao tratamento de mazelas mentais. A experiência de House no hospital psiquiátrico é marcante, mas facilitada pela ótima estrutura. Muito diferente da vida de cão retratada por Rodrigo Santoro em Bicho de Sete Cabeças. É a eterna magia da qualidade médica norte-americana na TV, cuja natureza preparada e efetiva se imortalizou com <strong>Plantão Médico</strong>, mas anos-luz de distância da realidade das emergências mais pobres e, claro, de outros países. Claro que isso não é problema da série e nem de Hugh Laurie, que vive a essência de Hollywood ao entregar um cheque milionário, enquanto é ovacionado e calma frisson pelo simples fato de entrar no ambiente.</p>
<p>Provas de popularidade não faltavam: três mil convidados, mais de cem jornalistas, outdoors pela cidade e muito trabalho para os seguranças, dando duro para manter os curiosos – a pé ou motorizados – longe do evento. “Fico chocado com isso, seis anos depois e cada nova temporada parece algo de outro mundo”, assume Laurie, indicado quatro vezes ao Emmy [sem vencer] e outras quatro ao Globo de Ouro [faturou dois prêmios] na categoria Melhor Ator em Série Dramática. Mesmo recolhido, nada deslumbrante como Olivia Wilde ou falastrão como criador David Shore, Laurie vê seu trabalho com reservas e, claro, bom-humor: “Não acho seguro falar em Emmy agora, mas criar esse episódio, que tem duas horas com intervalos, mas só uns 9 minutos sem cortes [risos] foi algo marcante”. Especialmente por contar com a presença do ator em todas as cenas e também sem a presença de nenhum dos médicos membros de sua equipe.</p>
<p>Hugh Laurie ficou surpreso. “Pensei que os outros [atores] fossem me espancar ou me trancar num quarto escuro sem comida por alguns meses”, brinca o ator, sobre o momento em que recebeu o roteiro e se viu distanciado de seus funcionários. “Foi um exercício interessante para ver até onde eu conseguiria explorar aquela situação. Não foi fácil para House e nem para mim, especialmente por saber que se não acertasse no tom da atuação, teríamos problemas sérios; elenco, cenário e estrutura novos e nada típico em termos de House, então havia muito risco envolvido”.</p>
<p>Mais complicado ainda é manter um personagem tão odiável, mas adorado, no ar sem ultrapassar as barreiras do aceitável. “O conceito inicial apontava para essa personalidade controversa”, comenta David Shore, cuja primeira opção foi mesmo a Fox [no Brasil, House é exibido pelo Universal Channel e também pela Rede Record], mesmo com um programa cheio de potencial para canais com mais liberdade como HBO ou Showtime. “Ele poderia ser sincero sobre o que comeu no café da manhã, por exemplo, e soltar o verbo. Entretanto, é mais fácil aceitar esse sujeito na televisão, sabendo que ele não existe, pois a vida real seria muito mais árdua e cheia de agressividade.”</p>
<p>O formato não é exclusivo para o Dr. House, que influenciou [Sheldon Cooper, de <strong>The Big Bang Theory</strong>] e foi influenciado [Stewie, o bebê megalomaníaco de <strong>Family Guy</strong>]. Recentemente, Hollywood apostou num desbocado Gerard Butler, em A Verdade Nua e Crua, falando poucas e boas sobre relacionamentos e os exemplos não param. Além disso, o constante sucesso de House em diversos países coloca a honestidade em alta. “Esse jeito de ser é fundamental numa situação de vida e morte”, comenta Hugh Laurie. Ouvido sem auxílio de imagens, seu sotaque britânico o distância totalmente da persona de House, assim como seu modo de agir ou conversar. É a essência do grande ator, simplesmente absorvido por seu personagem e não o contrário. “Não deve ser muito legal se casar com alguém assim [risos], mas ouvir, e saber dizer, a verdade é necessário. Seu talento e postura direta faz com que as pessoas tolerem o jeito incomum, por assim dizer, aquele jeito de ser.”</p>
<p>Na vida real, franqueza e falta de habilidade política são recompensadas com exclusão ou abandono. Na TV, o resultado pode ser a internação hospital psiquiátrico e também o afastamento dos amigos. Não necessariamente nessa ordem. “Fiquei maluco para saber como começaríamos a sexta-temporada, pois a situação era maluca demais, mesmo para House”, lembra Laurie. “Essa série permite muita inventividade, seja trancar o protagonista num asilo, seja acreditar num longa-metragem no sexto-ano”.</p>
<p>A falta de objetivo social surge como elemento curioso na persona de Greg House. “Ele não quer cair nas graças de ninguém, nem ser popular e nem mesmo receber elogios”, explica Shore, altamente reverenciado por Laurie. “Claro que ele faz tudo de caso pensado, mas nunca almeja nada fútil ou aparente. Gosto de House por ele saber diferenciar certo de errado, e, literalmente, vive com base nessas duas realidades e persegue o que acredita estar certo. Há algo atraente nesse modo de encarar a vida, mesmo ele estando errado algumas vezes”.</p>
<p>“Não tenho dúvidas de que falar a verdade e viver sem rodeios sejam elementos fundamentais no sucesso de House, mas também existem muitos segredos escondidos ali”, analisa Laurie. “Logo, a existência de alguém capaz de expressar suas experiências de forma natural e transmitir essas verdades de forma indefensável, seja de modo engraçado ou cruel, transforma uma situação potencialmente agressiva em algo empolgante e viciante”. Ou, no caso do personagem, enlouquecedor.</p>
<p>Essa atração pode ser explicada como válvula de escapismo social. <strong>House </strong>acerta em cheio o público da classe média, normalmente acostumado com os dramas médicos do estilo de <strong>Plantão Médico</strong>. No Brasil, é a opção de qualidade para substituir as formas batidas e previsíveis das novelas globais. “Se comportar, pensar muito antes de falar e, agora com a internet, tomar cuidado com cada palavra se une à necessidade de engolir sapos durante o trabalho e temos um bando de gente louca para dizer umas verdades por aí”, contextualiza Robert Sean Leonard, que interpreta do Dr. Wilson, em House. “Como ninguém quer falar e perder o emprego, ou o amigo, as pessoas se contentam em ver um sujeito com carta branca para fazer tudo isso”. O personagem de Leonard é um dos poucos que mantém uma relação saudável com House, pois, em meio aos trotes e constantes conflitos, sua amizade serve como apoio bilateral ao longo das temporadas, tanto é que Wilson é o único personagem fixo presente no episódio especial.</p>
<p>“Não é qualquer amizade que resiste a tantos altos e baixos, talvez por isso House e Wilson funcionem bem juntos”, analisa Leonard, inesquecível em <strong>A Sociedade dos Poetas Mortos</strong>. Ajuda o fato de Wilson não fazer parte da cadeia hierárquica de <strong>House </strong>– sua agressividade afeta tanto funcionários, quanto a chefia – em sua busca desenfreada pela solução dos quebra-cabeças. “House tenta derrotar monstros imbatíveis o tempo todo, quer ganhar uma guerra impossível e desconsidera obstáculos, ou emoções alheias, em suas jornadas obstinadas”, acrescenta Laurie. É justamente essa guerra constante para encontrar um equilíbrio único, totalmente diferente do normal, a fonte das inesgotáveis piadas e chacoalhadas do personagem. “Difícil acreditar num recuperação completa, afinal, ele seria apenas mais um médico sem seu jeito de ser”, acredita Laurie.</p>
<p>Mediocridade não combina com Greg House, do mesmo modo que covardia não se aplica a Han Solo e sedentarismo está fora do vocabulário de John Keating. Daí sua ascensão como herói moderno, o vingador dos oprimidos. Assim como toda boa obra ficcional, House reflete um desejo latente de se recuperar a espontaneidade e sinceridade social, fato que só piorou com o aumento exponencial da importância da internet e das mídias sociais. Todos vêem e são vistos, participando do maior concurso de popularidade da história da Humanidade, mas poucos arriscam quebrar as regras ou impor suas próprias leis. House faz isso por eles , mas seu custos. Afinal, como todo sonho idílico da internet, <strong>House </strong>também pode ser assistido gratuitamente e os episódios estão sempre a um download de distância. O desejo de ser House existe, a predisposição de assumir suas opiniões e posturas não. É o culto nas sombras, sem dúvidas, idolatrar algo do qual nunca serão capazes.</p>
<p>O mais surpreso com tamanha identificação mundial foi David Shore. “Pensei que só eu tinha esse ponto de vista, dessa necessidade de ser sincero, mas quando descobri que mais gente gostava da idéia, fiquei sem reação”. Shore ofereceu o programa para a Fox descrevendo apenas o intelecto e modo de agir de House. Naquele momento, não havia organização de personagens de apoio, história a longo prazo e etc., havia um homem sarcástico, direto e médico genial. “Mas nada podia me preparar para os resultados de audiência, aquilo foi mais surpreendente que qualquer outra coisa”. Em média, <strong>House </strong>tem cerca de 14 milhões de espectadores nos Estados Unidos. O episódio mais assistido foi <strong>Frozen</strong>, da quarta temporada, com 29 milhões de televisores sintonizados. </p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SG91c2UlMkMrSHVnaCtMYXVyaWUlMkMrSG91c2UrTStEXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-84" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/house.jpg" alt="" title="house" width="650" height="500" class="aligncenter size-full wp-image-2545" /></a></p>
<p>*Matéria originalmente publicada na capa da <strong>Sci-Fi News</strong>. Entende quando eu digo que o material melhorou por lá? <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>A Cruz de Mel Gibson</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 20:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Acusado de fazer comentários anti-semitas, prisão por embriaguez ao volante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TWVsK0dpYnNvbl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-56" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Mel_Gibson.jpg" alt="" title="Mel_Gibson" width="650" height="488" class="aligncenter size-full wp-image-2689" /></a></p>
<blockquote><p>Acusado de fazer comentários anti-semitas, prisão por embriaguez ao volante e muita polêmica tem cercado um dos maiores astros de Hollywood. Muito por conta de uma relação pouco saudável do ator com a imprensa e sua pouca disposição para manter a boca fechada. É mais um elemento da panela de pressão da mídia, de quem Gibson precisa, mas simplesmente não consegue mais seduzir.
</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>Na manhã ensolarada de quinta-feira, <strong>Mel Gibson </strong>vai pessoalmente até a porta de sua residência em Malibu, na Califórnia. Lá encontra uma equipe de TV francesa pronta para entrevistá-lo por conta de seu novo filme, <strong>O Fim da Escuridão</strong> (Edge of Darkness). Parte da regalia se dá por conta da boa relação de Gibson com a distribuidora do filme na França, mas também é um jeito de dizer: bem-vindos, sou um sujeito legal e quero ser amigável com vocês. Mas os tempos são outros e sua fama de temperamental ganhou níveis tão altos que, quando o astro convida os jornalistas para ficar mais um pouco depois do fim da entrevista e almoçar com ele, é repelido. Sob a desculpa de outro compromisso, os franceses deixam para trás um Mel Gibson contrariado. A verdadeira razão é clara: quanto menos contato, melhor. É um verdadeiro pesadelo de relações públicas, especialmente com a facilmente ofendida imprensa internacional, pronta a taxar os grandes nomes sem piedade.</p>
<p>Caso sofresse apenas com os frutos de uma relação desgastada, Gibson ainda poderia sonhar com uma volta por cima, porém, os problemas continuam. No início de fevereiro, Mel Gibson concedeu uma entrevista a um canal de TV de Chicago e quando perguntado sobre “o público ter superado a controvérsia e estar pronto a esquecer o assunto”, o ator reagiu mal, disse que já se desculpou o suficiente e sugeriu que a entrevista seguisse outro rumo. Mas o pior estava por vir: antes das câmeras saírem do ar, tomou um gole de seu café e, aparentemente, xingou o repórter de babaca [a$#hole, em inglês]. Foi pego pelas câmeras.</p>
<p>Veja a matéria da CNN:<br />
<center><object width="416" height="374" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" id="ep"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="movie" value="http://i.cdn.turner.com/cnn/.element/apps/cvp/3.0/swf/cnn_416x234_embed.swf?context=embed_edition&#038;videoId=showbiz/2010/02/05/sbt.mel.gibson.outrage.cnn" /><param name="bgcolor" value="#000000" /><embed src="http://i.cdn.turner.com/cnn/.element/apps/cvp/3.0/swf/cnn_416x234_embed.swf?context=embed_edition&#038;videoId=showbiz/2010/02/05/sbt.mel.gibson.outrage.cnn" type="application/x-shockwave-flash" bgcolor="#000000" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="416" wmode="transparent" height="374"></embed></object></center></p>
<p>A ofensa caiu como uma bomba no colo da mídia, que transformou o caso em grande acontecimento e gerou uma quantidade gigantesca de publicidade negativa para <strong>Edge of Darkness</strong>. Mais tarde, Gibson disse ter xingado seu assessor de imprensa por não ter gostado das perguntas. Não importava mais, o estrago estava feito. E o filme só faturou US$ 42 milhões, contra US$ 80 milhões de orçamento.</p>
<p>De um lado a imprensa diz que Gibson deveria estar preparado para perguntas referentes a seus momentos conturbados e, corretamente, se vê no direito de tocar no assunto [mesmo que de maneira repetitiva e, normalmente, por falta de assunto]; do outro, o ator e diretor sendo cada vez mais hostilizado e confrontado com questões sobre seus exageros e opiniões, em vez de suas realizações profissionais. O conflito é inevitável, uma vez que, na cabeça de editores ao redor do mundo, falar de polêmica é mais lucrativo e atrai mais leitores. Verdade incômoda, mas ruim a longo prazo. Situações como essa transformaram Eddie Murphy, por exemplo, num astro relativamente retraído em entrevistas e sempre muito bem preparado para transmitir uma imagem positiva e sorridente, mas menos autêntico do que fora anos atrás. Gibson é autêntico em demasia e tem trocado sinceridade por agressividade.</p>
<p>Nada disso diminui a brilhante carreira de Mel Gibson, responsável por filmes como <strong>Coração Valente</strong>, <strong>Máquina Mortífera</strong> e <strong>Mad Max</strong>. Entretanto, fica clara a necessidade de deixar os holofotes um pouco. Anti-semitismo, violência gratuita e surtos. Agressividade gera mais agressividade. E a imprensa é imperdoável. É um caso clássico de quanto mais mexer, mais problema vai causar. Uma pena.</p>
<p>*originalmente publicado na <a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a>.</p>
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		<title>Visual e 3D de &#8220;Alice no País das Maravilhas&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 19:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Alice no País das Maravilhas testas os limites da imaginação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lebre-de-março.jpg" alt="" title="lebre de março" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2432" /></p>
<blockquote><p><strong>Alice no País das Maravilhas</strong> testas os limites da imaginação com grande força visual e um 3D moderado. Tim Burton moderado? Leia e descubra por que!</p></blockquote>
<p>Imaginação é uma das maiores dádivas da raça humana. Toda criança sabe disso. E Charles Lutwidge Dodgson sabia disso. James M. Barry também sabia. Tolkien passou dos limites, positivamente, mas, essencialmente, imaginar muito era fundamental na virada do século 19, um período de tecnologia feiosa, perspectivas amargas e poucas cores &#8211; especialmente na Inglaterra industrial. Atualmente, as coisas mudaram e imaginar perdeu aquele tom pessoal para muita gente – não a maioria, mas, ainda assim, muita gente. O cinema conta as histórias e o 3D coloca o público lá dentro num momento positivo para a tecnologia visual. E, justamente nesse momento, <strong>Tim Burton</strong> apresenta sua <strong>Alice no País das Maravilhas</strong> ao mundo. Porém, antes do deslumbre, é necessário precaução e atenção. Ah sim, Dodgson é o verdadeiro nome de Lewis Carroll.</p>
<p>As comparações com <strong>Avatar </strong>serão inevitáveis, mas não por mérito, pelo contrário, pela escassez de argumentos válidos na internet e na memória cada vez mais curta dos novos jornalistas impressos. A capacidade de analisar um filme pelo que ele é perde força e, com isso, se perde a habilidade de realmente compreender e apreciar as minúcias de um trabalho visualmente primoroso como esse. Alice no País das Maravilhas não é perfeito, mas suas poucas falhas são incapazes de desmerecer a obra, que <a href="http://www.soshollywood.com.br/alice-especial/">sempre esteve nos planos de Tim Burton</a>, fã assumido da história desde a infância.</p>
<p>Revisitar o País das Maravilhas visualmente não é tarefa fácil, entretanto, sua natureza surreal permite grande exercício criativo da produção. Pode não ser o seu ou o meu País das Maravilhas, mas com certeza se parece – ou não – com cada versão já imaginada. Os elementos estão lá: o Gato de Cheshire, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco, a Rainha de Copas, as peças de Xadrez da Rainha Branca e o temível Jabberwocky. </p>
<p>É prato cheio para mentes imaginativas como a de Burton. Tudo é real, surreal e irreal, com menos cores do que a idéia transmitida pelas campanhas de pôsteres. Ou melhor, as cores estão lá, entretanto, com menor saturação e causando uma sensação mais real. Um resultado próximo do visual cru de <strong>Sweeney Todd</strong>, por exemplo. E as comparações param por aí.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/valete-de-copas.jpg" alt="" title="valete de copas" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2433" /></p>
<p>A mistura do 3D com live action funcionou bem e ajudou a história na maioria dos casos. Única exceção ficando nas mãos do <strong>Valete de Copas</strong>, interpretado por Crispin Glover (o pai de Martin McFly). De forma inexplicável, o personagem – homem “comum”- foi totalmente digitalizado (exceto por sua cabeça) e animado ganhando um movimento desajeitado e artificial. Decisão possivelmente tomada por conta de sua constante integração com seu cavalo – esse sim computadorizado -, entretanto, com resultado negativo. Pelo aspecto positivo, o Coelho Branco está perfeito, assim como Helena Bonham Carter e sua Rainha de Copas, com seu cabeção! A Tea Party (ou Lanche da Tarde, na tradução mais aproximada) também ganhou muito realismo e bela integração entre <strong>Johnny Depp (Chapeleiro Maluco)</strong>, <strong>Mia Wasikowska (Alice)</strong> e os personagens computadorizados.</p>
<p>Exagerado com cores por um lado, ponderado no uso da tecnologia 3D pelo outro. Isso mesmo, Tim Burton foi contido. É uma presença discreta e com função bastante dramática. Essa é a resposta à declaração esnobe de Jason Reitman ao SOS Hollywood sobre “quem quer ver uma lágrima em 3D?”. Novamente, o 3D se apresenta como linguagem e garante aquele conhecido mergulho num novo mundo. É o público seguindo o Coelho Branco e despencando buraco abaixo durante sua visita ao País das Maravilhas.</p>
<p>O 3D de Alice no País das Maravilhas serve à profundidade, à perspectiva e também ao senso de realidade da história, seja na fumaça da Lagarta, na Tea Party ou na integração entre Alice e todos os demais personagens. Por esse aspecto, Tim Burton nunca pode ser acusado de ter exagerado. Fez o certo, ousou em outros aspectos, mas manteve sua história e personagens no primeiro plano, enquanto objetos, árvores e backgrounds ficavam nos seus devidos lugares. </p>
<p>Como tudo no universo de Alice é passível de diversas opiniões, interpretações e mutante, as escolhas de Tim Burton em relação ao 3D seguem a norma, não imitando os filmes mais recentes como Avatar, ou tentando revolucionar e reinventar. Burton simplesmente usou uma ferramenta criada sob medida para histórias como essa ou <strong>O Mágico de Oz</strong>, por exemplo, para entreter o público. Ele testa os limites da imaginação, se é 3D ou não, pouco importa.</p>
<p>Dentro da cinematografia de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas não encontra paralelo, ou gênero. É tudo novo, até mesmo para ele. Comparar é tão Flinguntaken quanto uma boa Fragenlaken!</p>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
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		<title>Depp e Burton reinventam Lewis Carroll</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 20:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tim Burton seguiu o Coelho Branco e encontrou Johnny Depp [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QWxpY2Urbm8rcGElRURzK2RhcytNYXJhdmlsaGFzXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-80" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Alice.jpg" alt="" title="Alice" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2371" /></a></p>
<blockquote><p>
Tim Burton seguiu o Coelho Branco e encontrou Johnny Depp esperando do outro lado! É Alice no País das Maravilhas chamando a atenção de pessoas do mundo inteiro. </p></blockquote>
<p>Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles e San Diego</p>
<p>Quando Alice decidiu seguir o Coelho Branco buraco abaixo, em 1865, a literatura mundial ganhou um de seus maiores clássicos. Dois séculos mais tarde, <strong>Tim Burton</strong>, uma das mentes mais perturbadas e alucinadas de Hollywood embarca na mesma jornada para recriar <strong>Alice no País das Maravilhas</strong>. Apostando pesado na mistura de tecnologias de filmagem – 3D, Imax, animação e película – Burton conta com seu mais proeminente aliado: Johnny Depp. Ele é o Chapeleiro Maluco, o homem das charadas sem resposta, o maior de todos os excêntricos, um personagem escrito sob medida para o estilo extremo e brilhante de Depp. <strong>Alice no País das Maravilhas</strong> estréia na próxima sexta-feira, mas <strong><a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a></strong>/<strong>SOS Hollywood</strong>* conversou com a dupla e leva você para a primeira visita à toca do coelho. Prepare seu chá e torrões de açúcar!</p>
<p><strong>Alice no País das Maravilhas </strong>marca mais uma dobradinha entre Tim Burton e Johnny Depp [<strong>Edward Mãos de Tesoura</strong>, <strong>Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet</strong>, <strong>A Fantástica Fábrica de Chocolates</strong> e tantos outros] e que deve continuar nos próximos anos. Burton vai dirigir <strong>Dark Shadows</strong>, cujos direitos pertencem a Depp, estrela natural para essa adaptação de uma novela gótica exibida em 1966, pela ABC. Depp será o vampiro Barnabas Collins. Mas que fruto de um estilo cinematográfico similar, essa proximidade apóia-se numa visão peculiar e alinhada do mundo a sua volta. “Quando começamos a falar sobre o Chapeleiro Maluco, fiz alguns rascunhos e mostrei ao Tim”, comentou Johnny Depp, bem-vestido com um colete listrado sobre uma camisa branca. “Ele tinha feito o mesmo. Bem, preciso dizer que os desenhos eram muito parecidos? (risos)”. </p>
<p>Para Depp, a relação com Burton é algo “que existe, mas não é declarado; uma conexão em termos de compreensão e linguagem própria”. Mas é no lado profissional que as boas piadas surgem: “O melhor de tudo é que ele me empregou umas sete vezes. Estou doido pela oitava e pela nona (gargalhadas). Uma vez estávamos conversando, aí um sujeito ouviu o papo todo e veio falar comigo: ‘não entendi absolutamente nada da conversa, qual era o assunto?’ Não tenho certeza se eu sabia também (risos)”.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/madhatter.jpg" alt="" title="madhatter" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2374" /></p>
<p>Atualmente morando na França, Depp recebeu Sci-Fi News em Los Angeles, perto do lançamento de Inimigos Públicos [drama de época dirigido por Michael Mann; <a href="http://www.soshollywood.com.br/inimigos-publicos/">leia crítica aqui</a>]. Oportunidade rara. Depp fala pouco com a imprensa. Simpatia e bom-humor marcaram o encontro, que também foi pontuado pelo comportamento agressivo e exibido de parte dos jornalistas presentes. Tudo terminou com uma batalha por fotos ao lado do ator; alguns chegando a agarrar Depp. Constrangedor. É o poder da celebridade mesmo entre quem convive com astros. Só Depp faz isso ultimamente.</p>
<p>E isso é marcante na vida pessoal do ator. “Gostaria tanto de poder andar incógnito pela Disneylândia com meus filhos; não posso dar essa experiência a eles, pois sabem que quando papai resolve passear em público – especialmente num lugar como a Disney – as coisas ficam esquisitas e fora de controle muito rápido (gargalhadas); gostaria que eles pudessem viver essas coisas comigo”, comenta Depp, indicado ao Oscar por Jack Sparrow, da cinessérie Piratas do Caribe.  </p>
<p>Porém, todas as atenções se voltam para um personagem intrigante e de visual único: <strong>Chapeleiro Maluco</strong>. Johnny Depp assumiu a tarefa de recriar um clássico. Fez isso recentemente com Sweeney Todd, ao lado de Tim Burton, mas o barbeiro parece um sujeito normal, se comparado ao novo Chapeleiro. Pele branca, maquiagem pesada, chapéu digno do Visconde de Sabugosa, comportamento errático e um papel aparentemente maior do que versão literária marcam o personagem. </p>
<p>Mais que o roteiro, o conteúdo original de Lewis Carroll serviu como guia para Depp. E material não falta. “Muita gente estudou Alice à exaustão, eu gosto dos pequenos mistérios, de algumas pistas que o livro dá; isso me fascina, então foi esse rumo que tomei para entender o Chapeleiro Maluco”, comenta. “O que mais me intrigou é o fato dele investigar ‘coisas que começam com a letra M’. Pirei com isso e depois de alguma pesquisa sobre chapeleiros históricos, notei coisas em comum entre eles e, claro, encontrei a frase ‘as mad as a hatter’[tão louco quanto um chapeleiro, expressão anterior a Carroll]. Descobri que uma das razões para isso era envenenamento por mercúrio [presente na cola utilizada na confecção dos chapéus]. Imagine a minha cara quando descobri a razão desse M; é por isso que eles ficavam pineis (risos)”.</p>
<p>Além da composição psicológica e psicotrópica do Chapeleiro, Depp também visualizou sua próxima criação esquisita. Foi dele a idéia de inserir muitas cores e brilho, para depois tirar a saturação. “Johnny busca bases sólidas para tudo que faz; procura coisas que te façam sentir e vai além do sujeito simplesmente doido”, explica Tim Burton a esse correspondente em meio ao caos da Comic-Con, em San Diego. “A maioria das versões mostra o Chapeleiro como um sujeito de uma nota só, invariavelmente maluco; Johnny fugiu disso. Há um lado humano mais forte nessa versão; aliás, é isso que ele sempre faz com seus personagens, vejo muito mais seu estilo nisso do que no visual.”</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/coelho-branco.jpg" alt="" title="coelho branco" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2373" /></p>
<p>Nem seqüência imediata, nem adaptação direta; nem conto de fadas, nem história de terror. <strong>Alice no País das Maravilhas</strong> é um pouco de tudo para Tim Burton: “nunca vi um filme que realmente gostasse, então resolvi fazer minha versão; faltava ligação emocional com as outras versões. Alice é uma história contínua, não uma simples série de eventos, ou seja, ela não é apenas uma garotinha que fica pulando de cenário maluco para cenário maluco. Há um propósito ali”. Assim como é inevitável não buscar propósito no visual constante da persona de Burton. Usando óculos escuros, com blazer preto, cabelo bagunçado e barba por fazer, parece que minutos separam um encontro recente com o diretor com uma conversa no ano antes. O tempo funciona de forma diferente naquela cabeça criativa&#8230; ou seria louca?</p>
<p>Curioso, porém, notar a semelhança do argumento de Burton com o da minissérie <strong><a href="http://www.syfy.com/alice/">Alice</a></strong>, recentemente exibida pelo SyFy Channel: anos depois, Alice precisa retornar ao País das Maravilhas, lugar comandado pela tirania da Rainha de Copas. Muitas cabeças foram cortadas ali e a insanidade reina absoluta.</p>
<p>Loucura parece ser um elemento constante nessa obra, mas em meio ao caos existe certa ordem. Ou razão. Seja ela a manipulação visual obtida com filmagens em 3D, IMax e animação computadorizada, seja ela transferência emocional que cada espectador pode projetar na história. “Cada indivíduo é esquisito nessa história, mas essa esquisitice é relacionável, afinal, todo mundo passa por algo parecido na vida; até que colocamos a cabeça no lugar (risos)”, brinca Burton, que leu <strong>Alice no País das Maravilhas</strong> quanto tinha cerca de 10 anos de idade.</p>
<p>Embora a história de Alice seja repleta de camadas, subleituras e trocadilhos, há limites até mesmo para Tim Burton. Um deles é o relacionamento entre o Chapeleiro Maluco e Alice. “Não há nada de sexual ali, ela é uma garotinha!”, em versões anteriores um romance ficou implícito entre os personagens o que, por conseqüência, sugeriria algo além no relacionamento entre Lewis Carroll e Alice Liddell [e suas irmãs], para quem ele inventou a história verbalmente e, mais tarde, escreveria o livro.  </p>
<p>Burton tem bastante certeza do que precisa visualmente, ou pelo menos aparenta. Diferente de Robert Zemeckis e sua constante busca pela perfeição virtual, ele filmou tudo misturando 3D e filme tradicional, mas evitou a captura de imagem. “Não gosto dessa ferramenta. Preferi mergulhar na animação pura e complementar com live action; essa mistura faz de Alice no País nas Maravilhas algo novo”, explica Burton. “Essa mistura faz de Alice algo novo, mas como ainda não terminei de descobrir tudo que vai fazer parte dessa novidade (risos), não sei ao certo onde vamos parar; enfim, não gosto da idéia de encher um ator com pontinhos verdes, mas isso não significa que captura seja algo inútil. Cada mídia tem sua utilidade dependendo do objetivo do projeto. Não funciona pra mim”. </p>
<p>Essa é uma das maiores expectativas em torno da obra, afinal, como integrar personagens virtuais como o Coelho Branco, pessoas “normais” como Alice e o Chapeleiro Maluco, e elementos mesclados como a Rainha de Copas e suas cartas. “Helena [Bonhan Carter, esposa do diretor] tem um cabeção, então caiu como uma luva”, brinca Burton. Helena faz as vezes da Rainha Louca. E tem mesmo um cabeção! A personagem, não a atriz. O próprio roteiro faz jus ao conceito de misturar elementos, pois vai assimilar trechos, personagens e acontecimentos de todo o universo que compõe Alice. “Não posso falar que vou utilizar tudo do Jabberwock, por exemplo; é importante salientar que nada acontecerá de forma linear ou exatamente como descrita no livro”, alerta.</p>
<p>Ainda é cedo para especular se o resultado será tão fantástico como imaginado ou descrito por Depp e Burton. As prévias parecem promissoras, mas de uma coisa podemos ter certeza: <strong>Alice no País das Maravilhas</strong> será uma mistura completa e ensandecida entre contos de fadas e histórias de terror: “é isso que faz desse gênero algo tão atemporal, não é? Misturar fantasia e medo”, define Burton. </p>
<p>Em 5 de março é melhor não se atrasar para um compromisso muito importante!</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/03/alice_garden.jpg" alt="" title="alice_garden" width="650" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-2372" /></p>
<p>*Matéria originalmente publicada na revista Sci-Fi News, ed. 138, 2009.</p>
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		<title>Momento Nostalgia: O Pássaro Azul</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 14:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[Maurice Maeterlinck]]></category>
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		<description><![CDATA[Continuando nossa série de filmes clássicos da Sessão da Tarde, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2008/02/blue-bird.jpg" alt="" title="blue bird" width="500" height="500" class="aligncenter size-full wp-image-1860" /></p>
<p>Continuando nossa série de filmes clássicos da <strong>Sessão da Tarde</strong>, que começou <a href="http://soshollywood.wordpress.com/2008/02/14/momento-nostalgia-a-fortaleza/"><strong>aqui</strong></a>, falarei do nome máximo de todos os tempos: <strong>O Pássaro Azul</strong>, para a geraçào pré-<em>Curtindo a Vida a Doidado</em>, claro!</p>
<p>Acreditem ou não, esse filme é estrelado por Shirley Temple, a eterna estrela-mirim de Hollywood. O longa-metragem dirigido pelo fantástico Walter Lang (do oscarizado <em>O Rei e Eu</em>, com Iul Brynner) e trilha sonora de Alfred Newman (<em>Aeroporto</em>, vencedor do Oscar por <em>O Rei e Eu</em>, entre tantos outros), estreou em 1940 e contava a história dos irmãos Mytyl e Tytyl. Eles moram numa cidade européia perto de uma grande floresta e sofrem por estarem sozinhas, pois seu pai foi recrutado para combater as forças de Napoleão, que assolavam o continente.</p>
<p>Inspirado na peça homônima de Maurice Maeterlinck &#8211; bem interessante, aliás -, o filme mostra como Mytyl e Tytyl precisam recuperar <strong>O Pássaro Azul</strong>, capaz de trazer felicidade e alegria às pessoas. Porém, sua tarefa é difícil, já que precisam viajar no tempo e nas dimensões para encontrar o passarinho. Para ajudá-los, sua gata &#8211; totalmente esnobe e indiferente aos problemas que os afetam &#8211; e seu cachorro &#8211; subserviente, leal e preocupado ao extremo com a segurança das crianças &#8211; são transformados em humanos e todos participam da jornada. A viagem é assustadora, com poucos momentos de felicidade descarada. é uma verdadeira jornada de amadurecimento que chegou cedo demais para duas crianças. Entre as passagens da viagem, há a memorável visita ao local onde &#8220;as crianças ficam antes de nascer&#8221;. Ali eles conhecem a genialidade, a fraternidade e, claro, o amor das jovens almas prestes a serem separadas mais uma vez pelo inevitável nascimento.</p>
<p>Shirley Temple usa todo o seu charme e doçu&#8230; não, maldade para tentar entender essa viagem &#8220;tola&#8221; em busca de um pássaro. Foi a primeira vez que ela interpretou um papel não-angelical. O que a personagem não sabe, porém, é que tudo isso não passa de uma alegoria para o próprio drama da personagem que, por um certo egoísmo, deixa de ajudar um amigo doente. A partida do pai também afetou muito a &#8220;cabeça&#8221; dos pequenos irmãos, que perdem seu referencial de segurança.</p>
<p>O filme foi a resposta da Fox ao sucesso de <strong>O Mágico de Oz</strong>, da MGM, e, por uma série de fatores, foi um fracasso comercial retumbante. Quem levou a pior, porém, foi Shirley que, pela primeira vez, viu um filme seu não estourar na bilheteria. Duas razões: <strong>Segunda Guerra </strong>batendo à porta da América e a escalação de Temple num <strong>papel &#8220;maldoso&#8221;</strong> não convenceu o público. Tudo culpa do produtor de Shirley, Darryl F. Zanuck, que achou que os filmes de fantasia infantil estavam em alta depois que Dorothy e Totó colocaram o Kansas no mapa. Tomou?</p>
<p>O filme só antecipava algumas das mazelas que crianças norte-americanas passariam nos anos seguintes, ao verem seus pais partirem para combater a ameaça do momento, Hitler. O que justifica um certo retorno financeiro na TV nos anos posteriores, mas aí já era tarde demais. Curiosamente, há outra ligação entre <strong>O Pássaro Azul</strong> e <strong>O Mágico de Oz</strong>: a atriz Gale Sondergaard, que interpreta a gata Tylette, havia sido escalada para fazer a Bruxa Má, porém, abriu mão do papel para ficar ao lado de Shirley Temple. Dançou!</p>
<p><strong>O Pássaro Azul</strong> é assumidamente infantil, cativou os brasileiros por anos na TV aberta até que foi para a grade do Telecine Classic. Não sei se ainda passa, mas essa versão do YouTube foi retirada de lá. Se você conhece, relembre. Se não conhece, tente travar contato com um tempo em que o cinema servia para contar histórias &#8211; tristes, como nesse caso -, mas belíssimas e inesquecíveis. Especialmente por sua simplicidade, até certo ponto ingênua, mas graciosa e marcante. Shirley que o diga. <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>O longa foi indicado a dois Oscar: Melhor Fotografia Colorida e Melhores Efeitos e Efeitos Especiais, que englobava também edição de som, na cerimônia de 1941.</p>
<p>O DVD de <strong>O Pássaro Azul</strong> está disponível em área 1 na <a href="http://www.amazon.com/Blue-Bird-Shirley-Temple/dp/B000LC4ZE4/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=dvd&amp;qid=1203402991&amp;sr=1-1"><strong>Amazon</strong></a>.</p>
<p>Algumas cenas para matar a saudade!</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6H2VMcdaF4w&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/6H2VMcdaF4w&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/n-tOd--lP8A&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/n-tOd--lP8A&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/idECVxNvmv8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/idECVxNvmv8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
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		<title>The Pacific: Ecos da Guerra</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/the-pacific-hbo/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 15:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Band of Brothers]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>
		<category><![CDATA[The Pacific]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hanks]]></category>

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		<description><![CDATA[Tom Hanks e Steven Spielberg repetiram a dobradinha de Band [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QmFuZCtvZitCcm90aGVycyUyQytEVkRfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-72" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/the_pacific.jpg" alt="" title="the_pacific" width="570" height="320" class="aligncenter size-full wp-image-2230" /></a></a></p>
<blockquote><p>Tom Hanks e Steven Spielberg repetiram a dobradinha de <strong>Band of Brothers</strong> e agora miram seus olhares no Teatro do Pacífico, com a minissérie <strong>The Pacific</strong>, que estréia em março na HBO. Conferimos alguns episódios e uma prévia em primeira mão desse evento televisivo de 2010!</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto<br />
de Los Angeles</p>
<p>Mundialmente, dois eventos marcaram a Guerra do Pacífico, braço da Segunda Guerra Mundial basicamente disputado por Estados Unidos e o Império do Japão: o ataque surpresa a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1942, e os ataques nucleares em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. O restante dos acontecimentos perde força perante o romantismo e “relevância” do Teatro Europeu, ou seja, historicamente, Hitler é mais popular que Hirohito. Mais sangrenta e violenta que a guerra européia, a faceta do pacífico ficou conhecida como “a outra guerra” pelos norte-americanos e, em 2010, ganhará nova força de mídia com a estréia de <strong>The Pacific</strong>, minissérie de dez episódios produzida pela HBO e produzida por <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/U3RldmVuK1NwaWVsYmVyZ18jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-64" class="bbli">Steven Spielberg<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> e <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/VG9tK0hhbmtzXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-52" class="bbli">Tom Hanks<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>. </p>
<p>Diversos filmes retrataram esse conflito [veja os destaques abaixo], mas, normalmente, tem suas temáticas focadas numa das grandes batalhas. Não é o caso de <strong>The Pacific</strong>, cujo objetivo é acompanhar a história do Primeiro Regimento de Fuzileiros Navais ao longo da Segunda Guerra Mundial, começando em Guadalcanal e acompanhando esses soldados até a cansativa volta para casa depois do final da guerra. No elenco principal estão James Badge Dale [terceira temporada de <strong>24 Horas</strong>], como Robert Leckie, o soldado intelectual; Joseph Mazzello (<strong>o garotinho de Jurassic Park</strong>), fazendo as vezes do idealista Eugene Sledge; e Jon Seda (<strong>Bad Boys II</strong>), vivendo o herói John Basilone, uma das maiores lendas entre os fuzileiros navais.  Todos personagens reais. Quase todos sujeitos que escreveram livros sobre suas provações em meio ao calor, mosquitos, malária, desembarques perigosos, entre eles &#8220;Helmet for My Pillow&#8221; (Leckie) e &#8220;With the Old Breed&#8221; (Sledge). </p>
<p>Se a História ensina algo é que séries e filmes de guerra têm o ótimo hábito de revelar talentos rapidamente reconhecidos por Hollywood. Assim aconteceu com Damian Lewis, Roy Livingston e Frank John Hudges (todos de <strong>Band of Brothers</strong>), <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/VmluK0RpZXNlbF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-56" class="bbli">Vin Diesel<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> (<strong>O Resgate do Soldado Ryan</strong>) e Alexander Skarsgard (<strong>Generation Kill</strong>). </p>
<p>Novamente, é uma história sobre soldados. Desinformados, abandonados, responsáveis por derrotar um império passo a passo. Às vezes, meras testemunhas de eventos além de sua compreensão, como por exemplo, quando a Marinha norte-americana sofre uma de suas piores derrotas em Guadalcanal e precisa fugir para não ser aniquilada. Da ilha, os fuzileiros assistiam sem saber quem era quem. O resultado foram meses de abandono e martírio durante a luta nas florestas. O Pacífico teve uma guerra crua, travada por homens expostos ao extremo. Se a alucinação do desembarque do Dia D, na Normandia, romantizou a Guerra na Europa, essa era a norma no Pacífico, com “uma Normandia” a cada nova batalha. E cada invasão mais sangrenta que a anterior. <strong>The Pacific</strong> mostra várias delas, mas seu mote são os personagens. Seus questionamentos e motivações; coragem e simples desejo de continuar vivo – algo bastante improvável perante a quantidade de desembarques anfíbios, a ferocidade dos soldados japoneses e, especialmente, as florestas inóspitas. </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/pacific02-1024x621.jpg" alt="" title="pacific02" width="650" height="400" class="aligncenter size-large wp-image-2236" /></p>
<p>Terrence Malick buscou o extremo psicológico com seu <strong>Além da Linha Vermelha</strong>, totalmente ambientado em Guadalcanal, mas não poderia fugir da realidade daquela campanha. Marcada por muita espera e dificuldade por conta de um inimigo obstinado. <strong>The Pacific</strong> aproveita aquela mesma sensação, embora abra mão dos devaneios em meio à floresta. Duas vozes para uma mesma mensagem: nada ali foi fácil, especialmente pelo efeito do isolamento imensamente maior que o dos soldados na Europa. Visualmente, a minissérie dirigida por gente do calibre do especialista em pilotos <strong>David Nutter</strong> (<strong>Supernatural</strong>, <strong>ER</strong>, <strong>Band of Brothers</strong> e tantos outros) e Carl Franklin (<strong>Roma</strong>), é irreparável. Bela mistura de câmera na mão e poucos ângulos tradicionais, uso de diversas ferramentas para garantir seqüências contínuas nos desembarques, corridas pela selva ou mesmo na constante movimentação dos soldados em combate. </p>
<p>Em termos de roteiro existe grande rigor e comprometimento com os relatos dos soldados envolvidos. Tom Hanks e Steven Spielberg respeitam esses homens com fervor, logo, funcionam como mensageiros para uma história considerada fundamental pela dupla. Um dos principais roteiristas é <strong>Bruce McKenna</strong>, que assinou três episódios de <strong>Band of Brothers</strong>, responsável por quatro capítulos dessa saga. </p>
<p>Muito mais que criar uma nova série cultuada por homens apaixonados pela Segunda Guerra Mundial, <strong>The Pacific</strong> se encaixa mais na qualidade de registro histórico. Um verdadeiro legado de uma geração que vingou um país, mas ficou à sombra da guerra galante e romântica na Europa de Hitler. Ver um jovem Sledge fazer de tudo para se alistar mesmo com seu pai [veterano da Grande Guerra] o alertando sobre os efeitos desse tipo de conflito na alma das pessoas ou mesmo Basilone criar o mito de “Rambo”, ao repelir um ataque japonês com ferocidade e obstinação sobre-humana [e usando apenas uma metralhadora] tira o fôlego. Sem dúvida, situações agressivas e violentas, mas extremamente comoventes. É o homem comum fazendo a diferença num mundo em que liberdade ainda era um ideal digno de colocar a vida em risco.</p>
<p>O maior foco de <strong>The Pacific</strong> é o drama pessoal, mesmo com batalhas como Iwo Jima, Peleleu e Saipan garantindo o atrativo militar. Todos os atores passaram por um intenso treinamento de combate antes das filmagens que aconteceram inteiramente na Austrália ao longo de um ano. Durante esse período, os atores responsáveis pelos soldados japoneses faziam a mesma coisa, poucos quilômetros de distância do acampamento norte-americano. Parte da preparação envolvia situações de atrito entre ambos os campos. Surpresa assustadora para ambos os elencos, mas que gerou ótimo resultado nos episódios. Os combates são curtos, mas de intensidade gigantesca. </p>
<p>Essa natureza dramática faz dessa série algo diferente de <strong>Band of Brothers</strong>, cujo único vestígio é o estilo visual da abertura e a qualidade técnica utilizada em sua realização. Narrativamente são duas séries totalmente díspares. <strong>The Pacific</strong> faz jus a toda expectativa, pode frustrar alguns entusiastas por seu ritmo desacelerado e reflexivo, mas cumpre sua missão com méritos: entrega aos norte-americanos algo que eles nunca se cansam – novos heróis. Para o resto do mundo ficam as lições de companheirismo, devoção e a lembrança dos limites da estupidez humana. É uma série incapaz de mudar o mundo, mas com plenas condições de promover mudanças em cada um de nós. Impactante e inesquecível. </p>
<p><strong>The Pacific</strong> estréia em 11 de abril de 2010, na HBO Brasil.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/pacific03.jpg" alt="" title="pacific03" width="650" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-2237" /></p>
<p><strong>FILMES SOBRE A GUERRA DO PACÍCIFO</strong><br />
<strong>Além da Linha Vermelha</strong> (1998): Terrence Malick mergulha no aspecto psicológico dos soldados que lutaram em Guadalcanal num filme repleto de estrelas, mas extremamente injustiçado pelos prêmios de cinema. Indicado a sete categorias no Oscar e não venceu nenhuma. Jim Caviezel, Elias Koteas e Sean Penn se destacam no elenco. </p>
<p><strong><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QStDb25xdWlzdGErZGErSG9ucmFfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-68" class="bbli">A Conquista da Honra<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a></strong> / <strong><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/Q2FydGFzK2RlK0l3bytKaW1hJTJDK0NsaW50K0Vhc3R3b29kXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-88" class="bbli">Cartas de Iwo Jima<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> </strong>(2006): A dobradinha de Clint Eastwood para narrar as agruras de Iwo Jima entraram para a História rapidamente, especialmente pela “segunda” parte ser totalmente feita em japonês e, finalmente, contar o outro lado da moeda. Um espetáculo na direção, grandes momentos de ação e atuação memorável de Ken Watanabe. Do lado norte-americano, a natureza política e econômica da guerra ganha mais destaque com a história da foto da bandeira sendo erguida no topo do Monte Suribachi. Um momento que mudou os rumos do conflito e deu novo ânimo a uma nação. </p>
<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TmltaXR6KyV1MjAxMytEZStWb2x0YSthbytJbmZlcm5vJTJDK1BlYXJsK0hhcmJvcl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-108" class="bbli"><strong>Nimitz – De Volta ao Inferno</strong><img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> (1980): O ataque japonês a Pearl Harbor decretou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra mundial e mudou os rumos do mundo, mas os americanos nunca engoliram essa história muito bem. Mesmo tento arrasado o Império do Japão nos anos seguintes, o sentimento de revanchismo sempre existiu e Nimitz foi o jeito do cinema, e a ficção científica, tentarem dar o troco. Durante testes em seus novos reatores nucleares, um porta-aviões moderno é lançado ao passado exatamente no dia 6 de dezembro de 1941, um dia antes do ataque japonês. Martin Sheen e Kirk Douglas vivem esse drama: usar seus caças F-14 Tomcat para massacrar a frota japonesa e impedir o ataque ou manter História do mesmo jeito em vez de arriscar mudanças radicais em nossa civilização? </p>
<p>Outras recomendações: <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QStVbStQYXNzbytkYStFdGVybmlkYWRlJTJDK1BlYXJsK0hhcmJvciUyQytEVkRfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-104" class="bbli">A Um Passo da Eternidade<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/SW1wJUU5cmlvK2RvK1NvbCUyQytEVkQlMkMrU3RldmVuK1NwaWVsYmVyZ18jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-100" class="bbli">Império do Sol<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>;, <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/VG9yYStUb3JhK1RvcmElMkMrSmFwJUUzbyUyQytEVkRfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-84" class="bbli">Tora! Tora! Tora!<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QyVGM2RpZ29zK2RlK0d1ZXJyYSUyQytEVkQlMkMrTmljb2xhcytDYWdlJTJDK1dpbmR0YWxrZXJzXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-116" class="bbli">Códigos de Guerra<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>, <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UGVhcmwrSGFyYm9yJTJDK0RWRCUyQytCZW4rQWZmbGVja18jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-88" class="bbli">Pearl Harbor<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QXMrQXJlaWFzK2RlK0l3bytKaW1hXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-68" class="bbli">As Areias de Iwo Jima<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TWFjQXJ0aHVyJTJDK1BlYXJsK0hhcmJvciUyQytEVkRfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-84" class="bbli">MacArthur<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/MTk0MSsldTIwMTMrVW1hK0d1ZXJyYStNdWl0bytMb3VjYSUyQytTcGllbGJlcmclMkMrRFZEXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-112" class="bbli">1941 – Uma Guerra Muito Louca<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>; <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QStQb250ZStkbytSaW8rS3dhaSUyQytBbGVjK0d1aW5uZXNzJTJDK0RWRF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-100" class="bbli">A Ponte do Rio Kwai<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> e <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/Sm9obitXYXluZSUyQytEVkRfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-64" class="bbli">They Were Expendables<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>.</p>
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		<title>Emmerich e A Fundação</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 11:36:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Roland Emmerich volta a falar sobre A Fundação, adaptação da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QXNpbW92XyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-48" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/hariseldon.jpg" alt="" title="hari-seldon" width="429" height="306" class="aligncenter size-full wp-image-2259" /></a></p>
<blockquote><p>Roland Emmerich volta a falar sobre <strong>A Fundação</strong>, adaptação da obra-prima de Isaac Asimov, para os cinemas.</p></blockquote>
<p>Há notícias e há fatos históricos. Por mais exagero que pareça, quando Peter Jackson revelou seus planos para adaptar <strong><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TytTZW5ob3IrZG9zK0FuJUU5aXNfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-68" class="bbli">O Senhor dos Anéis<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a></strong>, muita coisa mudou, seja pelo aspecto de se fazer filmes, seja pelo simples fato de que gostar da obra de <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/VG9sa2llbl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXw==-52" class="bbli">Tolkien<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>deixou de ser regalia dos leitores, que desde então dividem opiniões com os fãs 100% audiovisuais, que só viram no cinema, pouco se importam com <strong>O Silmarilion</strong> e etc. O público literário se vê, novamente, diante de situação similar, mas, agora, o assunto é <strong>Isaac Asimov</strong>. Ou melhor, <strong>A Fundação</strong>, sua obra máxima. Hari Seldon e a saga de Terminus tem novo destino: o cinema!</p>
<p>Já não era muito segredo em Hollywood, mas, finalmente, <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/RW1tZXJpY2hfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI18=-52" class="bbli">Roland Emmerich<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a> volta a falar sobre seu envolvimento [que agora parece ser definitivo] com a adaptação de <strong>A Fundação</strong>, à MTV norte-americana. Ele havia comentado sobre o projeto durante a Comic-Com 2009, quando falou sobre o roteirista, mas depois ficou quieto. Há alguns meses, quando o <strong>SOS Hollywood</strong> <a href="http://www.soshollywood.com.br/osc-roland-emmerich/">entrevistou o diretor</a> por conta do lançamento de <strong>2012</strong>, ele se esquivou do assunto, mas agora parece não haver mais volta. Durante a entrevista, Emmerich comentou sua visita ao set de filmagens de <strong>Avatar </strong>e deixou claro sua pretensão de filmar a obra em 3D. “É o jeito mais moderno de se fazer cinema”, disse.</p>
<p>Pelo jeito, o projeto envolve três filmes [possivelmente <strong>A Fundação</strong>, <strong>A Fundação e o Império</strong>, <strong>A Segunda Fundação</strong>] e o uso de computação gráfica será pesado. “Não saberia fazer de outra forma”, comentou Emmerich.  Todo esse assunto é muito delicado, afinal de contas, a Trilogia da Fundação cobre milênios de História da Humanidade e, embora tenha seus rompantes de ação e a presença de elementos ficcionais intensivos, essa trajetória é focada nos homens presentes em seus momentos cruciais. É uma obra humana, acima de tudo. </p>
<p>Emmerich já teve seus momentos nesse campo. Soube fazer bem a construção de Daniel Jackson de James Spader, em <strong>Stargate</strong>; e, por que não, tratou de maneira adequada o Benjamin Martin de Mel Gibson, em <strong>O Patriota</strong> [sem entrar no mérito das similaridades com <strong>Coração Valente</strong>]. Entretanto, sua produção recente tem se distanciado da profundidade e primado pelo efeito sobrepondo o homem, idéia totalmente contrária ao âmago da Fundação. Asimov criou um futuro, evoluiu sua tecnologia, exibiu sua derrocada e renascimento, mas sempre através das relações humanas; afinal, de que serviria a psicohistória de Hari Seldon sem as massas para dar-lhe volume e os homens chave para executá-la [ou meramente dar vazão a seus desígnios?].</p>
<p>Durante meu papo com Emmerich, ele reafirmou sua decisão de abandonar os filmes apocalípticos e se dedicar projetos mais intelectuais. Faz bem, pois, embora seja o melhor quando é necessário destruir o mundo ou inventar mundos abilolados, tempo demais num mesmo gênero se torna problemático. A pergunta é: quando resolver embarcar de vez na realização de <strong>A Fundação</strong>, terá passado tempo suficiente longe da diversão visual gratuita a ponto de encarar Asimov da maneira necessária?</p>
<p>Há uma razão primordial que impediu qualquer tentativa de adaptação de <strong>A Fundação </strong>até hoje: respeito. Não pode haver erros. Peter Jackson e James Cameron já provaram que o impossível não existe mais. Provavelmente, <strong>A Fundação</strong> é o último dos “infilmáveis” da Ficção Científica e sua realização acontece num momento prolífico e positivo na arte cinematográfica. Existem as condições técnicas, uma nova linguagem [o 3D], já que a FC é por definição vanguardista e rompe barreiras, nada melhor que surgir num momento de avanço indiscutível; o dinheiro; e, acima de tudo, um mercado pronto para receber produções do gênero e transformá-las em êxito financeiro [leia mais na matéria de capa da Sci-Fi News, 144, já nas bancas!].</p>
<p>Sugiro torcermos por duas decisões vitais nesse projeto: </p>
<p>1) Roland Emmerich e Harald Kloser ficarem longe do roteiro [Emmerich diz já ter contratado <strong>Robert Rodat</strong>, roteirista de <strong>O Resgate do Soldado Ryan </strong>e <strong>O Patriota</strong>. "Lodat é aficionado pela obra e sabe tudo de cor e salteado"; </p>
<p>2) Tanto estúdio [ainda não-definido/divulgado] quanto Emmerich compreenderem que o personagem principal da história é a Fundação, não Hari Seldon, os Prefeitos, os Comerciantes ou o Mulo e Golan Trevise [como os livros não foram definidos, vai saber].</p>
<p>O risco é tremendo e, embora goste e respeite o trabalho de Emmerich, considero a escolha errada. Por razões muito pessoais e pelo reconhecimento no tratamento cinematográfico, gostaria de ver <strong>Paul Thomas Anderson </strong>ou <strong>Darren Aronofsky</strong> no comando desse projeto; ou então um nerd e fã assumido como foi Peter Jackson para <strong>O Senhor dos Anéis</strong>. É da paixão ou domínio total da linguagem que surgem os melhores “livros do cinema”. Basta olhar para <strong>Avatar</strong>. Infelizmente, Emmerich não se encaixa em nenhum dos dois elementos.</p>
<p>Espero que o precursor de Hari Seldon já tenha computado isso na fórmula psicohistórica, ou que o primeiro dos Segundo-Fundacionistas esteja por perto. Essa adaptação simplesmente não pode falhar. O maior legado da literatura de Ficção Científica está em jogo. E Emmerich sabe disso.</p>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/asimov.jpg" alt="" title="isaac-asimov" width="433" height="500" class="aligncenter size-full wp-image-2260" /></p>
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		<title>Um Olhar do Paraíso</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 17:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Adaptação de livro homônimo coloca Peter Jackson em contato com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/UGV0ZXIrSmFja3NvbiUyQytUaGUrTG92ZWx5K0JvbmVzXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-84" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/soarsie_ronan.jpg" alt="" title="soarsie_ronan" width="650" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-2151" /></a></p>
<blockquote><p>Adaptação de livro homônimo coloca Peter Jackson em contato com seu lado espiritual, deslumbra com um visual surreal e pessoal e confronta o público com uma história horrível, mas necessária. </p></blockquote>
<p>Rotular <strong>Peter Jackson</strong> é um erro. Suas origens nérdicas estão presentes e sempre serviram como base, mas o diretor neozelandês aproveita cada oportunidade para mergulhar em filmes relevantes tanto para a sociedade, quanto para ele mesmo. Esse é o caso de <strong>Um Olhar do Paraíso</strong> (The Lovely Bones), adaptado do romance de Alice Sebold, no qual a vida da jovem Susie Salmon (Saoirse Ronan) é descrita após sua morte. O assassino: um vizinho sociopata (Stanley Tucci, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e vencedor Globo de Ouro pelo papel). </p>
<p>Distante das habituais obras repletas de mistério e reviravoltas, <strong>Um Olhar do Paraíso</strong> não se prende ao assassinato de Susie ao permitir que suas impressões do pós-vida – sejam elas sentimentais ou visuais – norteiem o filme enquanto ela vê sua família desmoronar e seu algoz continuar impune. Enquanto Tucci e a irlandesa Saoirse [pronúncia: Sârxia] chamam a atenção em cada uma de suas intervenções, a dinâmica entre Mark Wahlberg e Rachel Weisz, como os pais da garota, fica a desejar. Tudo é intenso demais para as limitações dramáticas de Wahlberg que, conseqüentemente, mina a sempre habilidosa Weisz. A falha é conjunta. Felizmente, Peter Jackson tirou o peso da auto-sabotagem provocada pelos pais e transferiu o foco da narrativa para Susie e, quando era hora de mostrar a família, optou por reforçar a presença de Susan Sarandon – num papel exageradamente divertido, como a avó tresloucada. </p>
<p>“Gosto desses filmes que arriscam visualmente sem ofender o espectador”, comenta <strong>Susan Sarandon</strong>, em entrevista a este repórter, em Los Angeles. “Coisas como <strong>O Curioso Caso de Benjamin Button</strong> me incomodam, pois tentam simular algo improvável; fiquei muito irritada com esse filme”. A visão de Sarandon é bastante definida sobre esse assunto e, mesmo depois de ter criticado duramente <strong>Speed Racer</strong>, cuja forte assinatura visual chama mais atenção que a história em si, a atriz contextualizou sua crítica ao filme de Brad Pitt: “Speed Racer deixa claro, logo de cara, que se trata de um desenho animado, então vale tudo de certo modo; não gosto quando tentam simular a realidade desse modo, por isso, ver esse paraíso de Susie é algo belíssimo, pois não se trata do nosso mundo; é outra coisa, outro lugar, outra sensibilidade”.</p>
<p>E é nesse tom que <strong>Um Olhar do Paraíso </strong>se desenvolve. Testando a sensibilidade do espectador por meio da visão de Susie, cujo lar agora é um lugar entre a Terra e o Paraíso, um limbo pessoal e paradisíaco. “Ela precisa confrontar seus medos e sua nova realidade para poder sair dali e, só então, seguir seu caminho para seu destino, seja lá qual for”, comenta Peter Jackson. Assim como o romance, o filme não toma partido de nenhuma religião. A jornada é o que importa. “E o visual é reflexo disso, a alma de Susie criar seu mundo baseado no que ela viu, viveu e sentiu”. Tudo é simbolismo, misturando leitura de sonhos com elementos new age e a delicadeza de uma garotinha.</p>
<p>Esse é um lado da história.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/stanley_tucci.jpg" alt="" title="stanley_tucci" width="650" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-2152" /><br />
O outro é visualmente neutro. Hermético. Premeditado e sem cor. É o mundo do Sr. Harvey (Stanley Tucci), um sujeito atormentado por desejos terríveis e uma habilidade assustadora na hora de aplacá-los. É tensão latente, tão agressiva que Stanley Tucci relutou – e muito – para aceitar o trabalho e só o fez depois que Peter Jackson garantiu que seu visual seria diferente o suficiente para que ele próprio não se reconhecesse. O resultado é uma versão maligna do personagem de Tom Cruise em <strong>Trovão Tropical</strong>. “Nunca vou deixar meus filhos chegarem perto desse filme, pode apostar”, avisou o ator, muito respeitoso em relação às possíveis indicações por seu trabalho. “Embora a honraria seja válida, esse é o tipo de cara pelo qual não gostaria de ser lembrado”. </p>
<p><strong>Um Olhar no Paraíso</strong> apontava como um filme extremamente dramático e deprimente, revelou-se espiritual e sonhador. Tudo por conta do ótimo trabalho de Saorsie Ronan (<strong>Desejo e Reparação</strong>), capaz de transmitir as emoções de Susie de maneira convincente, seja nos momentos apaixonados ou nos confrontos mais assustadores. É agradável travar contato com esse além no qual as almas não tem necessidade de “resolver algo pendente” no mundo dos vivos a la Melinda Gordon, tendo apenas responsabilidade com seus próprios desejos e problemas. Ela foge da hora de sua morte [momento detalhado no livro, mas propositalmente ignorado pelo roteiro], entretanto, permanecerá para sempre sozinha caso não faça sua escolha: superar o ódio nutrido contra o Sr. Harvey ou encontrar conforto no amor de sua família?</p>
<p>Soa óbvia, mas nem por isso fácil. Como cobrar algo assim de uma garota apaixonada cuja vida foi interrompida tão cedo e de forma tão violenta? Pelo argumento de Alice Sebold e roteiro de Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens o tempo é o melhor remédio. “Uma das coisas que mais me impressionou foi o fato de o amor da família voltar a existir com o passar dos anos, enquanto o desfecho do Sr. Harvey é solitário e inexpressivo. A memória dela sobrevive, a dele desaparece. É irônico, mas justo”, interpreta Saorsie. Peter Jackson é um diretor de muitos estilos, capaz de ser emocional e belo sem precisar salvar o mundo, ou a Terra-Média, no processo. É o seu olhar do paraíso que faz desse longa uma obra diferenciada e bem-vinda.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/soarsie_2.jpg" alt="" title="soarsie_2" width="650" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-2153" /></a></p>
<p>Por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<p>* Artigo originalmente publicado na <a href="http://www.scifinews.com.br"><strong>Sci-Fi News</strong></a>, nas bancas!<br />
**Para ler a entrevista com Peter Jackson, confira a revista <strong>MOVIE</strong>. Já nas Bancas.</p>
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		<title>A Maldição da Lua Cheia</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 22:55:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A noite cai sobre a Inglaterra e a família Talbot [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/TG9iaXNvbWVtJTJDK1dvbGZtYW4lMkMrRFZEXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-76" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/02/thewolfman.jpg" alt="" title="thewolfman" width="600" height="450" class="aligncenter size-full wp-image-2092" /></a></p>
<blockquote><p>A noite cai sobre a Inglaterra e a família Talbot é confrontada com a pior de todas as maldições. Uma vez mais, o cinema recria a lenda clássica de <strong>O Lobisomem</strong> (The Wolfman) e aposta na tecnologia moderna para dar mais vivacidade a uma das criaturas mais temidas do horror, entretanto é em emoção que o longa-metragem dirigido por Joe Johnston deixa a desejar. Um amor vazio, uma dúvida inexistente, uma família sem laços. Todos os problemas das inúmeras tentativas de edição ficam claros quando a Lua Cheia aparece. A monstruosidade é insuperável.</p></blockquote>
<p>A licantropia é formidável. Provoca total transformação em suas vítimas, assim como abastece o entretenimento com idéias há gerações. Michael Jackson já virou lobo, <strong>Roque Santeiro</strong> tinha seu lobisomem, os videogames estão cheios deles e, claro, o cinema nunca perde a chance de retornar ao tema clássico – um assunto que sempre atiça a curiosidade. Pelo aspecto mais sério, é assustadora; pelo descontraído, pode gerar boas piadas. Por exemplo, quem não se lembra de Michael J. Fox, em <strong>O Garoto do Futuro</strong> (cujo título original faz muito mais sentido – &#8220;Teen Wolf&#8221;), descobrindo sua nova realidade no ambiente colegial. É o poder da genética que, aliado à força da Lua, atiça os hormônios masculinos e liberta verdadeiros monstros ou aberrações em meio a uma sociedade domada e feliz com sua falta de espontaneidade. Aspectos de reflexo social não faltam quando o assunto são lobisomens.</p>
<p>Muito por conta do arquétipo clássico do personagem: um homem bom, mordido por um lobisomem e que, invariavelmente, vai se transformar em monstro na próxima Lua Cheia. Com maquiagem e roteiro bastante simples, <strong>The Wolf Man</strong> chegou aos cinemas em 1941 por conta da Universal Pictures, que resolveu levar várias histórias de terror clássicas para as telas – entre eles <strong>O Monstro da Lagoa Negra</strong>, <strong>A Múmia</strong> e <strong>Drácula</strong>. Marcou época. Mas o mesmo não pode se dizer de sua nova versão <strong>O Lobisomem</strong>, de 2010, cuja validade pode ser facilmente questionada.</p>
<p>Se a versão clássica buscava basicamente estarrecer o público e trazer medos ancestrais – o mito do lobisomem existe em diversas culturas, sendo até mesmo relatado na Grécia Antiga – para o dia a dia de uma geração, a nova pouco realiza pelo aspecto psicológico. Por mais que se tente gostar de Lawrence Talbot, ele é indeciso. Aparentemente corajoso e bem resolvido, sua vida se revela como uma sucessão de fatos traumáticos iniciados pela morte da mãe e culminando com seu irmão ser dilacerado por uma criatura sobrenatural. A interpretação de Brad Pi&#8230; Benício Del Toro entregas poucos momentos relevantes e, por vezes, lembra a expressão e trejeitos de Pitt. Tão invariável quanto é Emily Blunt, prejudicada por um roteiro mal escrito para uma personagem gratuita. </p>
<p>Ela é a noiva do falecido, mas que, de acordo com a profecia cigana, poderá libertar Lawrence de sua maldição. O poder do amor. Entretanto, trata-se de um amor inexistente, cuja função é meramente satisfazer à necessidade do roteiro. Sem cenas de envolvimento, sem grande histórico no passado, sem razões para existir além do papel onde foi escrito. </p>
<p>O Lobisomem propõe a discussão sobre a natureza da monstruosidade, aos moldes do que fez Ang Lee com seu Hulk. Usa a boa índole de seu personagem principal para testar limites, lealdades e, inevitavelmente, provar a dor causada pela dor da consciência trazida pelas grandes revelações – tanto da vida quanto da trama. Entretanto, diferente de Lee, Johnston não cria uma atmosfera favorável a Lawrence, cuja amplitude emocional se perde em meio a tantos cortes, teorias e personagens pouco desenvolvidos.</p>
<p>Em meio a isso surge <a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QW50aG9ueStIb3BraW5zXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNf-60" class="bbli">Anthony Hopkins<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a>, uma força descomunal dedicada a tarefas menores nessa produção. Há bons momentos entre Hopkins e Del Toro, mas ambos são incapazes de corrigir o irrecuperável. São os efeitos de uma redação insegura e uma direção incerta, cujas cenas parecem funcionar de forma independente, mas, reunidas, não justificam a obra. A campanha de marketing bem que tentou encobrir os problemas com uma das mais proativas e interessantes ações do ano – a imprensa recebeu jornais antigos, postais dos personagens e até mesmo uma bala de prata. Em tese, funcionou no primeiro fim de semana [prolongado, pelo President’s Day, na última segunda-feira], com faturamento de US$ 35 milhões, ficando em terceiro lugar nas bilheterias, abaixo de <strong>Percy Jackson e o Ladrão de Raios </strong> (segundo) e <strong>Idas e Vindas do Amor</strong> (líder).</p>
<p>Onde o homem termina e o monstro começa, prega o roteiro; indagação igualmente aplicável ao filme, pois onde a emoção termina e o exagero começa? Difícil responder, especialmente perante Anthony Hopkins ensandecido ou tão intensamente amargurado; Del Toro procurando apoio em meio a delírios e pesadelos; ou Emily Blunt procurando algo que ela mesma desconhece – amor, idolatria ou piedade? São elementos pouco complexos e inverossímeis para o público moderno, quem até mesmo para o público que se apavorou com a primeira aparição do homem lobo.</p>
<p>Os efeitos não comprometem. A trilha de Danny Elfman é ponto positivo. Diverte pelo exagero de suas mortes. Mas, não há como ignorar a sensação de que, quando notados os problemas na edição, tudo devesse ter sido reiniciado. De certas maldições, não há escapatória.</p>
<p>E a Lua Cheia brilha no céu. </p>
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		<title>Momento Nostalgia: A Fortaleza</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 19:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem aí se lembra desse Cláaaaaassico da Sessão da Tarde? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2008/02/a-fortaleza.jpg" alt="" title="a fortaleza" width="420" height="747" class="aligncenter size-full wp-image-1829" /></p>
<p>Quem aí se lembra desse Cláaaaaassico da Sessão da Tarde? <strong>A Fortaleza!</strong><br />
O filme no qual um bando de seqüestradores malucos com máscaras de papai notel, rato, pato e outros animais bizonhos resolve raptar todas as crianças de uma escolinha no meio do nada na Austrália.</p>
<p>Com a ajuda do YouTube (e mais uma colaboração singular do Nando!), já revi metade do filme! Divirtam-se velhacos!<br />
Molecada, é assim que se faz filme tosco com estilo, tá!? Aprendam! <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Agora, prestem atenção em como a dublagem era supiiiiiiiiiiiiiiiiiimpa que só. Especialmente no começo da parte 2, com os gritos de alegria dos malfeitores canalhas! É hilário, mas no final o caldo entorna e a coisa fica muito soturna!</p>
<p>Acho que está na ordem certa. <img src='http://www.soshollywood.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  Plim-Plim!<br />
<center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/26TkTWNsvdw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/26TkTWNsvdw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6cuqK0iONLo&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/6cuqK0iONLo&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aiYq00CFNuU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/aiYq00CFNuU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/J-YpQ_sGsKI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/J-YpQ_sGsKI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UiraBg3WWn8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/UiraBg3WWn8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p><Center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OIoGHxRVNYA&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/OIoGHxRVNYA&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p>E o final&#8230; pesado demais para a Sessão da Tarde, mas, enfim.<br />
<center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ga1ljZ8cbM8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ga1ljZ8cbM8&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
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		<title>A imprensa, por Jason Reitman</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 14:56:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muitas regras envolvendo a cobertura cinematográfica em Hollywood, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Jason-Reitman_jpg.jpg" alt="" title="Jason-Reitman_jpg" width="595" height="325" class="aligncenter size-full wp-image-1249" /></p>
<blockquote><p>
Há muitas regras envolvendo a cobertura cinematográfica em Hollywood, mas o que acontece quando apenas um dos lados pode agir como der na telha?</p></blockquote>
<p>Não fará perguntas pessoais. Não divulgarás no Twitter. E, acima de tudo, não tirará fotografias. Esses são alguns dos mandamentos da complexa estrutura de divulgação de cinema aqui em Los Angeles. Regrinhas claras e bem sacramentadas entre os correspondentes de cinema. Quebrar algumas delas pode resultar em bronca de assessor durante a entrevista ou, em último caso, no banimento do jornalista de eventos futuros. Essas são as normas e quem quiser brincar precisa aceitá-las. Vez por outra alguém se aventura, mas, recentemente, foi o outro lado que resolveu abrir um precedente. Nunca imaginei, mas o que acontece quando um entrevistado resolve tirar fotos dos entrevistadores? O caso inusitado aconteceu na entrevista com <strong>Jason Reitman</strong>, diretor de <strong>Juno </strong>e possível indicado ao Oscar pelo fantástico <strong>Amor Sem Escalas</strong>, com George Clooney, que estréia hoje no Brasil.</p>
<p>Reitman [filho de Ivan Reitman, diretor de <strong>Os Caça-Fantasmas</strong>] chegou bem descontraído, cumprimentou a todos e, sem muita cerimônia, puxou seu celular e começou a tirar fotos de cada um dos repórteres presentes. Ninguém entendeu nada até que uma colega australiana, pouco antes de ser vítima da lente atrevida do cineasta, se constrangeu e pediu para ficar de fora. Afinal, para que um diretor de sucesso como ele precisaria, ou faria, com fotos de um bando de correspondentes? Pergunta válida e o surpreendeu. </p>
<p>Ele começou a se justificar que ninguém precisava participar, enquanto continuava fotografando os demais. Até que foi novamente interrompido. Constrangido, resolveu explicar. “Estou fazendo um vídeo na qual vou inserir todos os rostos que conheci durante a divulgação desse filme, que é algo descomunal”, disse, enquanto fotografava nossos gravadores. O estrago já estava feito. E de modo justificado. Quando um jornalista arrisca pedir para algum entrevistado tirar uma foto, a assessoria trabalha rápido e barra a tentativa. Mas, nesse caso, a situação relativamente inusitada – se ele está fazendo isso com todos, devia ter fotografado um mundaréu de gente antes do incidente, começando em Toronto, onde <strong>Amor Sem Escalas</strong> foi exibido pela primeira vez – era de se esperar que ele repetisse a dose. </p>
<p>Curiosamente, Reitman notou a mesma tendência exagerada do circo da mídia que este correspondente [leia o artigo <strong>Panela de Pressão: Hollywood</strong>, na Sci-Fi News e aqui no <a href="http://www.soshollywood.com.br/panela-de-pressao-hollywood/">SOS Hollywood</a>] e partiu numa jornada para mostrar – se ao mundo ou a quem comprar o DVD de <strong>Amor Sem Escalas</strong>, não se sabe, já que ele não detalhou tanto seus planos? – um dos aspectos de sua profissão. A idéia é ótima e ser abraçada por um diretor tão relevante quanto Reitman só reforça sua validade, mas há sempre a questão do uso de imagem e, acima de tudo, a cortesia de pedir ou informar sobre suas intenções.</p>
<p>Quando Sacha Baron Cohen solicitou perguntas por escrito semanas antes das entrevistas para <strong>Brüno </strong>– pois coreografaria todas elas previamente e apareceria como o personagem para os jornalistas – alguns integrantes da imprensa televisiva exigiram da Sony o comprometimento de que suas imagens não fossem inseridas na campanha de marketing. Havia receio de que o comediante utilizasse as entrevistas para tirar sarro dos jornalistas. Desejo respeitado, todo mundo saiu feliz.</p>
<p>No caso de Reitman, a fronteira foi cruzada sem aviso prévio. Há uma noção velada de que lugar de jornalista impresso é longe das câmeras, “nosso papel é fazer perguntas, não opinar ou aparecer” e alguns países levam isso bastante a sério. Especialmente colegas alemães e, depois desse, australianos. Em alguns casos, como em visitas aos sets de filmagem, os estúdios se preocupam com isso e distribuem autorizações de uso aos presentes. Assinar, ou não, é opcional, mas todo mundo acaba concordando. </p>
<p>E o que mais incomoda é o fato de que, de alguma maneira, Reitman pode fazer dinheiro com isso, ou ganhar mais fama, ou ser novamente elogiado. E nenhum dos envolvidos terá lucro com a situação. Afinal de contas, o que importa é o retorno: financeiro ou para o ego.</p>
<p>Fui o último – estava sentado ao lado direito do diretor, que começou a fotografar no sentido anti-horário – e gostei da idéia. Não reclamei da foto e quero só ver onde meu rosto vai parar [veja o resultado abaixo]. Agora fica a pergunta: se nós não podemos tirar fotografias por sermos meros jornalistas, quem disse que um entrevistado pode sem pedir ou se justificar? A fama ou uma noção dúbia de total liberdade por conta da hierarquia do momento? </p>
<p>A panela de pressão continua a soltar vapor sem sinais de diminuir o ritmo. Uma hora explode.</p>
<p><object width="400" height="265"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8583483&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8583483&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="400" height="265"></embed></object>
<p><a href="http://vimeo.com/8583483">Lost In The Air: The Jason Reitman Press Tour Simulator</a> from <a href="http://vimeo.com/user2922741">Jason Reitman</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>*Apareci aproximadamente no 1m46.<br />
<img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2010/01/barreto_jasonreitmanvideo-300x187.jpg" alt="" title="barreto_jasonreitmanvideo" width="300" height="187" class="aligncenter size-medium wp-image-1252" /></p>
<p>por Fábio M. Barreto</p>
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		<title>Avatar</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 11:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[A saga do povo Na’vi, de AVATAR, entra imediatamente para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/QXZhdGFyJTJDK0RWRCtKYW1lcytDYW1lcm9uXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfMjA2MTcw-84" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/avatar04.jpg" alt="avatar04" title="avatar04" class="aligncenter size-full wp-image-1192" /></a></p>
<blockquote><p>A saga do povo Na’vi, de AVATAR, entra imediatamente para o rol de lições de moral brilhantemente aplicadas pela Ficção Científica, único gênero no qual um ateu convicto pode ser tão efetivo e preciso quanto o mais pio dos religiosos, quando se propõe a ver o mundo sem nossas limitações e pré-conceitos.
</p></blockquote>
<p>por Fábio M. Barreto,<br />
de Los Angeles</p>
<blockquote><p><strong>*IMPORTANTE: antes de assistir a AVATAR, vi apenas um trailer e não li nenhuma crítica ou entrevista, justamente para garantir a experiência total e ser, ou não, afetado pela proposta de James Cameron. O resultado segue&#8230;*</strong></p></blockquote>
<p>Ao longo dos últimos meses, tenho indagado meus entrevistados com duas perguntas interessantes e, embora soem tolas, se mostraram fundamentais na noite de quinta-feira, 17 de dezembro, na sala 6 do Mann’s Chinese, em Hollywood. Por conta dos efeitos da internet, do aumento das bilheterias de cinema e da, cada vez maior, penetração da linguagem visual no modo de se comunicar de nossa sociedade, fiz essas perguntas: “o cinema tomou o lugar da literatura quando se trata de espalhar conceitos e idéias? e “perdemos a capacidade de assistir a um filme pelo que ele é, já que marketing é tudo hoje em dia?” Em resposta à primeira pergunta, <strong>Denzel Washington</strong> contou, semana passada, que obstante ao sucesso do cinema, ele continua lendo e acredita que isso não vá mudar, mas são as adaptações que, realmente, espalham a mensagem dos livros. Mas foi um argumento à segunda questão que me intrigou. Conversei com <strong>Robert Rodriguez</strong> na última segunda-feira, dentro do Troublemaker Studios, e ele definiu a situação de forma curta e perfeita: “entro num cinema e faço de conta que sou uma criança de 12 anos e deixo o filme me surpreender”. Sem querer, havia aplicado o método Robert Rodriguez a <strong>AVATAR</strong>, projeto dos sonhos de <strong>James Cameron</strong>, que estréia hoje em todo o mundo. Porém, com um custo alto: isolamento.</p>
<p>Depois de encarar um 2008 sobrecarregado com gargalhadas coringuescas por conta de <a href="http://www.soshollywood.com.br/a-cartada-do-coringa/"><strong>O Cavaleiro das Trevas</strong></a>, e mesmo assim tendo me maravilhado pelo filme; e de ter sofrido com a frustração extrema de <a href="http://www.soshollywood.com.br/sem-salvacao-para-terminator/"><strong>O Exterminador do Futuro – A Salvação</strong></a>; era hora de deixar o marketing de lado e confiar nos diretores. Por (in)felicidade das circunstâncias, fiquei de fora da divulgação de <strong>AVATAR </strong>– por sorte, entrevistei Sigourney Weaver por conta de outro projeto – e optei por não me informar sobre o filme. Minha paixão pelo cinema começou por conta de um trailer – <strong>O Retorno de Jedi</strong> – e não precisei de nenhuma campanha de marketing para transformar a telona no meu paraíso particular. Os deuses da Sétima Arte estavam ao meu lado, mesmo sem eu saber. Aliás, confesso, nutria grande dúvida e insegurança quanto ao resultado do novo trabalho de James Cameron.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/avatar03.jpg" alt="avatar03" title="avatar03" class="alignleft size-full wp-image-1191" />Após um começo descontraído, com um dos presentes gritando “finalmente! 20 anos depois!”, travei meu primeiro, e ideal, contato com <strong>AVATAR</strong>. Belíssimo, levemente vertiginoso – culpa dos irreparáveis óculos 3D customizados produzidos pela Coca-Cola &#038; RealD – e com trilha sonora encantadora. Eis que o planeta Pandora irrompe na tela, com os primeiros elementos de uma história aparentemente básica. Um irmão genial morreu. Seu gêmeo, militar resoluto, toma seu lugar. Jake Sully surge. É o herói. É Sam Worthington. Nosso guia por um novo mundo – de visual arrebatador e de poder emocional ao mesmo tempo sublimar e irresistível.</p>
<p>E é em sua história que reside a grande surpresa de <strong>AVATAR</strong>. Claro que visualmente é marco tecnológico e, até certo ponto, revolucionário, mas essa discussão se torna redundante a partir do momento que você, caro leitor, se ver diante daquele deslumbre cinematográfico. Uma mescla das duas perguntas mencionadas no início surgiu por volta da segunda hora de projeção. O público se vê diante de uma grande história – e não de uma história grande, importante ressaltar – com irrefutável atualidade e efeitos comportamentais que transcendem sua natureza cinematográfica.</p>
<p>Fosse escrita em formato de romance, a trama de <strong>AVATAR </strong>seria imediatamente comparada a <strong>As Duas Torres</strong>, de J.R.R. Tolkien, e, pior, ganharia a conotação de livro para ambientalista ou pagão deslumbrado. É a dura realidade de uma cultura dependente da referência obrigatória, incapaz de se desligar como a criança escondida na mente de Robert Rodriguez, e do ciclo dinâmico de opiniões da internet que não afetam Denzel Washington, mas que, cada vez mais, divulgam seu trabalho. A saga do povo Na’vi entra imediatamente para o rol de lições de moral brilhantemente aplicadas pela ficção científica, único gênero no qual um ateu convicto pode ser tão efetivo e preciso quanto o mais pio dos religiosos, quando se propõe a ver o mundo sem nossas limitações e pré-conceitos. </p>
<p>James Cameron tomou o lugar uma vez ocupado por J.R.R. Tolkien, na era da literatura, e superou George Lucas de forma gloriosa na era do áudio-visual. Faz isso ao recuperar um argumento latente e urgente seja no trabalho de Tolkien, seja na complexa e longeva A Fundação, de Isaac Asimov: consciência. Por trás de toda a roupagem do militarismo – extremo, mas superficial – e do conflito entre duas raças, mentalidades se digladiam. Seja o pensamento corporativo, já trabalhado pelo próprio Cameron em <strong>Aliens – O Resgate </strong>[lembram do personagem de Paul Reiser?], ou a descarada paixão dos cientistas pelas belezas do planeta Pandora, nem mesmo os personagens percebem a verdadeira intenção por trás dessa história. </p>
<p>A floresta de Pandora é a mesma Galáxia Vida, de <strong>Asimov</strong>, assim como ambas são o mesmo espírito de Fangorn, de Tolkien. Um detalhe meramente visual ou alegórico para alguns, mas indispensável numa história relevante e inesquecível. O desenvolvimento desse conceito acontece de forma gradativa e secundária, mas seu ápice pode provocar emoções incontidas, especialmente quando ligado ao segundo tema principal: segunda chance. Unindo tudo isso, trata-se de uma segunda chance para a consciência. Tudo com grande valor dramático, explicando aí a indicação do filme ao Globo de Ouro de Melhor Drama. <strong>AVATAR </strong>falha ao empolgar em sua primeira hora de projeção, mas essa nunca foi sua premissa, em termos de roteiro, claro. Visualmente a audácia é imediata.</p>
<p>Comparar James Cameron aos mestres previamente citados é algo arriscado, mas tal mérito surge justamente do arrojo compartilhado por todos eles. Entretanto, diferentemente de Tolkien e Asimov, Cameron será julgado imediatamente pelas bilheterias. Na internet, se espera o “melhor filme de todos os tempos”, no mundo offline, de acordo com a Fox, ainda há insegurança e as indicações ao Globo de Ouro ajudaram a acalmar os ânimos. De tudo isso, uma certeza: é uma história memorável. Sem isso, toda a mistura de captura de performance, com CGI e as filmagens em 3D não passariam de exercício visual. Outro dia, Jason Reitman tentou dar uma de espertinho quando perguntei a ele sobre 3D &#8220;qual a graça de usar isso em drama? Alguém pagaria para ver uma lágrima caindo na tela&#8221;; bem, utilizado como linguagem, esse tipo de filmagem valoriza &#8211; e muito &#8211; drama. Cameron mostrou como isso deve ser feito, logo <strong>AVATAR </strong>é muito mais que um quitute apenas para os olhos. E o filme próprio ensina o espectador a compreender sua função. Os Naa’vi “se vêem” &#8211; muito além do sentido sensorial -, respeitam seus irmãos de consciência e aprendem que escutar e compartilhar o mundo a sua volta é tão primordial quanto ouvir a voz de seus ancestrais. O modo como eles mantém a conexão com os animais e sua deidade é poético e belo.</p>
<p>A vocação espiritual de <strong>AVATAR </strong>é grandiosa e não intrusiva. O pensamento está exposto na tela, aproveita quem quiser&#8230; e puder. É realmente uma cornucópia de conteúdos e mensagens, não necessariamente originais, mas apresentadas de forma revitalizada. Com a saturação de histórias e suas inúmeras aplicações no entretenimento moderno, fica cada vez mais clara a tarefa dos grandes contadores de histórias: reavivar temas relevantes e mantê-los atraentes à sociedade. </p>
<p>Estamos diante de um novo mundo, provido com leitores digitais de livros e a cultura do IPod, e resta à mais jovem das artes liderar o caminho em direção à percepção. Enquanto políticos discutem inconclusivamente o destino do planeta, James Cameron nos leva para o futuro – na metade do século 22 – e, sem uma bomba atômica ou ciborgue assassino sequer, alerta, assusta e conscientiza. Uma segunda chance é necessária. Principalmente para a mente do espectador, incapaz de “ver” e indisposta a reaprender. Mestre Yoda já dizia: “você deve desaprender o que já aprendeu”. James Cameron entendeu o recado, George Lucas se esqueceu, e o cinema se encontra com um de seus gênios. Pandora é o novo planeta dos sonhos.</p>
<p>Um lugar para sonhar&#8230; e recomeçar. </p>
<p>E me manter alheio a tudo que era dito e mostrado sobre <strong>AVATAR </strong>foi a melhor decisão do ano.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/avatar01.jpg" alt="avatar01" title="avatar01" class="aligncenter size-full wp-image-1190" /></p>
<p>Comente, deixe seu depoimento sobre o que sentiu assistindo ao filme, compartilhe suas emoções! Boas ou ruins! =D</p>
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		<title>A Princesa e o Sapo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 17:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Animação]]></category>
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		<description><![CDATA[Visitei os estúdios em Burbank com exclusividade; o resultado você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/tiana_1.jpg" alt="tiana_1" title="tiana_1" class="aligncenter size-full wp-image-1161" /></p>
<blockquote><p> Visitei os estúdios em Burbank com exclusividade; o resultado você lê a seguir: é uma das histórias mais lindas já desenhadas.</p></blockquote>
<p>Era uma vez, há 20 anos&#8230; uma princesa, seu nome era Ariel e seus cabelos vermelhos e corpo de sereia entraram rapidamente para o rol das Princesas Disney. Duas décadas mais tarde, a mesma equipe retorna à Walt Disney Animation e reencontra o caminho dos contos de fadas clássico e constrói sua nova integrante da realeza: Tiana, a primeira princesa negra do estúdio. Mais que isso, é o retorno à animação tradicional, inspirada diretamente no estilo de Walt e, agora, mais que nunca, incorporado por John Lasseter. Impossível não se apaixonar por tanto primor, ótima presença musical e toda a influência da música de Nova Orleans. </p>
<p>Assisti os primeiros 30 minutos apresentados pelo diretor John Musker e fiquei de queixo caído. Semanas depois, assisti ao filme, ao lado de minha esposa e filha, e foi um arraso. A dobradinha John Musker/Ron Clements foi responsável por <strong>A Pequena Sereia</strong> e <strong>Aladdin</strong>, dois dos maiores clássicos da Disney, mas deixaram a companhia durante o nefasto período de decadência. “Voltamos por causa de John [Lasseter]”, comenta Musker, sempre descontraído e sincero. “Naquele momento, a Pixar pensava mais como Disney do que a própria Disney. A empresa havia deixado de liderar e se limitava a seguir tendências, seja no estilo de histórias, seja no modo de produção”, critica.  “A porta estava fechada para nosso estilo naquele momento. John recuperou tudo isso.”</p>
<p>Retornaram para retomar os contos de fadas e também revitalizar o panteão das princesas. Tiana surge como a primeira princesa de classe operária, um conto totalmente norte-americano e, mesmo que de modo distante, socialmente engajado. “<strong>A Princesa e o Sapo</strong> é essencialmente um conto de fadas norte-americano, mas analisado por uma perspectiva diferente e, de certa forma, adaptando esses conceitos para os tempos modernos; basicamente, colocando o pé no chão, sem deixar de sonhar”, analisa Clements. Ela flerta com os temas de <strong>Cinderela</strong>, mas, mesmo depois de conhecer seu eventual príncipe, mantém seu objetivo fixado em sua carreira. De certo modo, ela representa a independência e garra feminina. Musker complementa: “nenhuma princesa anterior teve um pai como o de Tiana, ele incentiva sua filha a sonhar, mas deixa clara a necessidade da ação para realizar esses sonhos, não existe o príncipe encantado chegando num cavalo branco na vida dela, especialmente se ela ficar em casa sem fazer nada”. </p>
<p>Tiana é deslumbrante. Tem charme e simpatia em suas vestimentas habituais – avental de garçonete, para ser específico – e deixa o público de boca aberta quando se aventura com uma fantasia de princesa. Porém, o melhor figurino fica para o final. Um vestido de noiva mantido em sigilo total. Mas o simples fato da personagem ser negra causou rebuliço, especialmente na internet, pois os críticos exagerados e internautas questionaram a cor da pele de Tiana. “Debatemos muito a questão da tonalidade de cor dos personagens afro-americanos. Tiana sempre foi desenhada com a mesma coloração, mas algumas pessoas confundiram a cor original com variações provocadas por materiais impressos”, justifica Clements. Acompanhei o processo de produção nos últimos dois anos e nunca notei tal modificação. “Na verdade, o personagem de cor mais clara nesse filme é Dr. Facilier [o golpista vodu da história], que é mais facilmente identificado como mulato do que negro. Tomamos muito cuidado para não estereotipar Tiana. O mesmo vale para seus traços, totalmente desenhados com base no biotipo afro-americano, nada de aproximação com caucasianos ou elementos externos.”</p>
<p>O aval de Anika Noni Rose, de DreamGirls, responsável pela voz da personagem foi total. “Anika adorou, mas exigiu duas coisas: que Tiana tivesse bumbum saliente (risos), e fosse canhota, assim como a atriz”, brinca Musker, impressionado com a performance ao vivo de Anika durante a Expo D23, realizada em Anaheim, em setembro. Comentei esse espetáculo musical na cobertura do evento, quando a moça cantou mesmo sofrendo com um forte resfriado. “Sua experiência teatral foi fundamental ali; ela consegue projetar sua voz em grandes espaços, e, no caso do filme, acertou o tom com rapidez nas gravações”.</p>
<p>A princesa Tiana é multidimensional, enquanto sua melhor amiga, a mimada Charlotte, uma espécie de “Princezilla” [Princesa + Godzilla], pois levou a idéia de conto de fadas um pouco a sério demais. Seu pai é um magnata dublado por John Goodman, perfeito para o papel por seu físico, aspecto cultural e de experiência também. Morador de Nova Orleans, Goodman compreende perfeitamente as demandas de seu objeto e interpretou esse papel no teatro, em adaptações de Tennesee Williams. </p>
<p><strong>ORIGENS</strong><br />
A Princesa e o Sapo é um conto de fadas com a reviravolta inesperada. Confrontada por um sapo que se diz príncipe – enganado por um traiçoeiro feiticeiro vodu, Dr. Facilier –, a heroína segue as regras do livro e beija a criatura. Ou quase, pois, como ela não é princesa de verdade, logo, beijar o batráquio não o liberta do encanto e, ainda por cima, transforma a mocinha numa esguia sapinha. A partir daí, sai pulando em busca de algo para quebrar o feitiço. </p>
<p>Vão parar nos pântanos da Louisiana, encontram um crocodilo trompetista apaixonado por jazz e frustrado por não poder tocar com os grandes mestres da música.  As Jam sessions do príncipe Naveen com o jacaré embalam as viagens pelo brejo, onde eles precisam encontrar Mama Odi, uma famosa feiticeira. É num desses momentos que o trio conhece Ray, um vaga-lume caipira metido a engraçadinho e sua família luminosa.  A seqüência é estonteante e emocionante. Milhares de luzes invadem a tela e, como uma estrada de tijolos amarela, mas cheia de vida e movimento, guiam os personagens. </p>
<p>“Disney e Pixar estavam trabalhando em adaptações dessa história simultaneamente, a primeira mais infantilizada, já a outra mais moderna, acontecendo em Chicago. Ambos empacaram. John [Lasseter] nos chamou e pediu idéias. Seguimos uma terceira opção, misturando elementos dessas tentativas e mostramos um conceito em 2006, era praticamente um musical”, comenta Clements. “Lasseter é o ‘Pai’ da animação computadorizada na Pixar, mas é apaixonado por desenhos tradicionais, e ficou muito feliz quando sugerimos em 2D”, lembra Musker. </p>
<p>Além do estilo dos diretores, a responsabilidade de se criar uma nova princesa influenciou a escola de linguagem. “Animação tradicional soava melhor para criarmos uma nova princesa. Dá charme e elegância. E Tiana ter os mesmos atributos técnicos, qualitativos e identidade que <strong>Branca de Neve</strong>, <strong>Bela Adormecida</strong>, Ariel e as demais personagens clássicas. Utilizar o desenho 2D – seguindo exatamente os ensinamentos de Walt Disney – parecia o mais certo para ela, afinal, agora Tiana faz parte dessa família para sempre. Não parecia certo fazer, ao mesmo tempo, a primeira princesa negra e também a primeira princesa 3D”, contextualiza Clements. “Tiana é um modelo anti-conto de fadas, aliás. Há dois tipos: aquelas nascidas na realeza – Branca de Neve, Ariel e Bela Adormecida; e outras que se tornam princesas – Bela e Cinderela. Todas têm um sonho, mas o sonho de Tiana é continuar trabalhando, em sem próprio restaurante, claro. Ela não acredita no conceito de fada madrinha”. </p>
<p>Em <strong>A Princesa e o Sapo</strong>, reina a realidade do povo trabalhador e a verdadeira mágica está no balanço e aprendizado tanto de Naveen quanto de Tiana, dois extremos – trabalho e boêmia – aproximados pelo acaso e cujo destino está num encontro inevitável num meio termo profissional e pessoal, lugar mágico onde as grandes paixões terminam e o amor começa. Filme estréia hoje no Brasil.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/tiana_family.jpg" alt="tiana_family" title="tiana_family" class="aligncenter size-full wp-image-1162" /><br />
<em>Por Fábio M. Barreto<br />
De Los Angeles</em></p>
<p><em>*Texto originalmente publicado na Sci-Fi News, 141.</em></p>
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		<title>Crítica: Lunar (Moon)</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 19:38:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Lunar (Moon) é simplesmente brilhante. Parece que a Ficção Científica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://sledge.boo-box.com/list/page/Qmx1LVJheStNb29uJTJDK1NhbStSb2Nrd2VsbF8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzIwNjE3MA==-88" class="bbli"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/moon_image1.jpg" alt="moon_image" title="moon_image" class="aligncenter size-full wp-image-1180" /></a></p>
<blockquote><p>Lunar (Moon) é simplesmente brilhante. Parece que a Ficção Científica foi acordada do sono profundo e saiu de seu devaneio assombrado por blockbusters explosivos. É hora de pensar, questionar e evoluir, especialmente quando Sam Rockwell dá um show de interpretação como esse.
</p></blockquote>
<p>Ao longo da história do cinema, poucos atores foram capazes de entreter as platéias sozinhos. Tom Hanks e Will Smith são alguns exemplos recentes, mas Sam Rockwell entrou rapidamente para esse grupo ao dar um espetáculo em Moon, ficção científica comportamental do melhor calibre dirigida por Duncan Jones, filho de David Bowie. A ligação não poderia ser mais bem vinda e Moon surge como o “homem das estrelas/que gostaria de nos encontrar/mas acha que vai sobrecarregar nossas mentes”.</p>
<p>No ano dominado por Distrito 9, a ficção científica encontra em Moon seu melhor representante. A ausência de cenas de ação, armas mirabolantes ou mesmo demandas apocalípticas podem ter retirado as pretensões comerciais e com isso diminui as chances de um lançamento nos cinemas brasileiros, mas é justamente isso que transforma esse drama em algo memorável.</p>
<p>O roteiro, também assinado por Duncan Jones, presa pelo debate aberto e intenso da natureza humana. Para canalizar essa discussão, ele nos apresenta ao já icônico Sam Bell (Sam Rockwell, de O Guia do Mochileiro das Galáxias), único morador da estação de captação de energia na Lua, instalada após a descoberta de uma nova fonte, extraída do solo lunar. Sam é seu único tripulante. Tem por companheiro a voz serena de GERTY, uma inteligência artificial dublada por Kevin Spacey.</p>
<p>Eles têm uma relação curiosa. GERTY devota sua existência a salvaguardar a vida de Sam, cujo contrato de três anos está prestes a terminar. Ele poderá voltar para casa. E para sua esposa e filha. Mas um acidente muda tudo. É o nascimento do Homem da Lua, uma espécie de filho das estrelas, cuja consciência – por mero acaso ou obra do destino – se distancia de seus anos anteriores.</p>
<p>Mergulhar nesse modo de pensar e agir, assim como na nova natureza de seu relacionamento com GERTY se torna tarefa viciante durante a projeção, e, claro, um passeio de referências pelo gênero. Óbvias, porém não indispensáveis, citações a 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Alien – O Oitavo Passageiro, Blade Runner, Solaris (ambas as versões), Guerra nas Estrelas, ao recente Sunshine – Alerta Solar e, claro, às canções Space Oddity e Starman, de David Bowie. Mas nada disso o transforma numa cópia ou mera colcha de retalhos.</p>
<p>A identidade de Moon é latente especialmente por sua narrativa direta, auto-consciente e sem a necessidade de grandes reviravoltas. Segredos e surpresas existem, entretanto, é nas reações de Sam Bell que reside a força desse longa-metragem.</p>
<p>Homem de família; astronauta esgotado pelo isolamento; sujeito simples e sem super-habilidades. Isolado por conta de um problema no sinal do satélite, que só permite o envio e recebimento de mensagens gravadas, aos poucos, Sam descobre sua verdadeira natureza, confronta seus erros de modo inusitado e atinge um nível elevado de conhecimento. Nada de nirvana ou ascensão dimensional, mas sim o simples reconhecimento de sua função. Sua razão de ser. Ele não descobre o “Sentido da Vida” dos Python, mas encontra sua própria verdade. E não há conhecimento mais poderoso que a verdade.</p>
<p>Essa situação torna a vida de Moon muito mais fácil em termos narrativos, justamente por não precisar de grandes estratagemas para se resolver. Um indivíduo pode ter tantos conflitos quanto toda a Humanidade, mas, de forma isolada, suas chances de evolução/compreensão se ampliam.</p>
<p>Pura questão de foco. E isso não falta, seja na trajetória de Sam quanto no desenrolar de sua relação com GERTY – que não toma o lugar de Hal 9000, mas chega imediatamente ao topo das inteligências artificiais mais relevantes da história do gênero. Ele se comunica por meio dos “smiles” da internet. Genial!</p>
<p>Tudo isso para uma conclusão bombástica. De certo modo, trata-se do mesmo Sam, mas sua mente se distanciou das demais. É sua hora de se revelar e sobrecarregar nossas mentes. Chega de esperar entre as estrelas. É brilhantismo puro.</p>
<p><em><font size="-2">por Fábio M. Barreto, de Los Angeles</font></em></p>
<p><strong>Lunar </strong>será lançado direto para DVD no Brasil, em 6 de janeiro, pela Sony.</p>
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		<title>Lopez Tonight: Orgulho e Exageros</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/lopez-tonight/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/lopez-tonight/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 23:29:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Lopez Tonight é o primeiro talk show diário apresentado por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/george-lopez_a.jpg" alt="george-lopez_a" title="george-lopez_a" class="aligncenter size-full wp-image-1140" /></p>
<blockquote><p>Lopez Tonight é o primeiro talk show diário apresentado por um latino, George Lopez, mas é tão desinteressante e útil quanto seus concorrentes “caucasianos”.</p></blockquote>
<p><strong><br />
George Lopez</strong> é uma figura conhecida, respeitada e influente nos Estados Unidos, principalmente na comunidade latina. É o comediante latino mais bem-sucedido do país; odeia Eric Estrada, que estereotipou os latinos; estrelou uma sit com latina por alguns anos e, hoje, depois de ter gravado especial de stand up comedy para a HBO, e aparecer no especial Latino in America, da CNN, é o primeiro apresentador latino de um talk show, o <a href="http://www.lopeztonight.com"><strong>Lopez Tonight</strong></a>, exibido pela TBS. O termo latino foi repetido diversas vezes nesse parágrafo da mesma forma como Lopez o utiliza ‘como se fosse vírgula’ em seu linguajar. </p>
<p>Tudo é latino: o jeito de ser, de falar, as piadas e, claro, a platéia composta por mulheres maquiadas de forma exagerada e, por vezes, grosseira [as ‘chola girls’] e homens capazes de rir histericamente do ‘boa noite’ do apresentador. O orgulho perde as estribeiras e o exagero desregrado entra em cena. É o estilo George Lopez &#8211; sempre cheio de caretas e piadas escatológicas -, que tem certeza de sua fam e conceitos, mas não consegue se diferenciar positivamente de David Letterman, Jay Leno, Connan O’Brien e Cia. Ao longo das primeiras semanas de exibição, o programa Lopez Tonight entrou com força em termos de convidados. Lopez é bem relacionado, ajudou muita gente em sua carreira e merece elogios por sua comédia. Batalhou e venceu. Qualitativamente, parece ter jogado a cartada errada com seu talk show. Ou não, basta olhar com os olhos &#8216;latinos&#8217;.</p>
<p>Uma das características desses programas são as entrevistas fúteis [o elenco de Lua Nova ou mesmo a última visita de Bill Murray ao programa de David Letterman, por exemplo], às vezes surpreendentes [Joaquin Phoenix, também no David Letterman]; a abertura engraçadinha; e a banda ao vivo. Lopez Tonight tem tudo isso, mas com o sabor latino (impossível passar um parágrafo sem usar o termo, é quase mnemônico). Dançarinas latinas – há! – passam o programa todo sendo sensuais num mini-pódio, enquanto as câmeras fazem questão de prestigiar a “beleza latina” da platéia. Se a saída das high schools já é um festival de estilo exagerado, muita maquiagem, roupas esquisitas e mechas, imaginem quem as mães dessas meninas resolvem se produzir? É quase um baile de carnaval. Ratinho morreria de inveja.</p>
<p>Todos ali para prestigiar o espírito latino e, claro, para ouvir as piadas latinas de George Lopez.  E ver os famosos, claro. Seus entrevistados são de calibre invejável: Kobe Bryant (que dificilmente participa desse tipo de programa), Eva Langoria, Charlie Sheen, Jamie Foxx, Slash, Demie Lovato e Sandra Bullock são alguns dos exemplos. Até Carlos Santana participou com sua guitarra latina. Lopez não surpreende e pouco agrega com suas conversas, normalmente focadas na relação do apresentador com seu convidado ou, claro, algo envolvendo latinices.</p>
<p>Se você leu até aqui e não se irritou com tanta repetição do termo latino [incidência muito menor que no programa, aliás], entenda a principal razão disso: latino é considerado etnia nos Estados Unidos. Em muitos casos, os brasileiros são considerados latinos por conta da cor da pela, ou seja, se não é claramente causasiano de pele clara, as chances de você ser chamado de/considerado latino até mesmo em repartições públicas ou pela polícia são gigantescas. Há diversos relatos de brasileiros que são obrigados a preencher documentos oficiais como “latino” em vez de caucasiano pelo simples fato de termos nascido na América do Sul. É uma guerra interna, dos imigrantes latinos contra os brancos e negros. Todo mundo é envolvido, passiva ou ativamente. Sem exceções.</p>
<p>Isso explica a insistência de Lopez ao enfatizar sua postura sócio-política, mesmo quando faz piada sobre o fato dos burritos de verdade – aqueles feitos no México, logo, latinos – te fazerem peidar logo na primeira mordida e criticar os “wraps” norte-americanos. Ser latino é coisa de raiz para Lopes – mesmo ele não sendo imigrante direto – e levado muito a sério. Ele não faz muito segredo sobre seu desejo de ver sua raça comandando o país. E tem razões para pensar assim: os números populacionais impressionam; o espanhol é a segunda língua mais falada; a base da força de trabalho é latina; e, claro, seu programa está no ar. Como duvidar esse tsunami sócio-cultural? </p>
<p>Os talk shows noturnos costumavam variar de acordo com faixa financeira, afinal, cada um dos apresentadores mirava num tipo específico de público. Agora, não existe mais a diferenciação entre as piadas de Jimmy Kimmell e as piadas de Jay Leno; Lopez trouxe a raça para a mesa de negociações e aposta na população latina para se manter no ar. As chances são grandes de que dê certo, afinal, só mesmo os latinos para atirarem tantas piadas internas e a repetição do bendito nome.</p>
<p>Enquanto brasileiros do Twitter reclamam da “maldita inclusão digital”, Lopez abraça o fenômeno e o utiliza abertamente. Na semana passada, ele recebeu Sandra Bullock e a atriz foi ridicularizada numa “brincadeira” com a mulher do vídoe abaixo (a tal de Chola Girl, gíria para &#8220;maloqueira latina&#8221;), uma desbocada mal-educada – basicamente uma pessoa chula e sem noção – que ofendeu o estilo visual da atriz e a “transformou” numa latina. Claro que Sandra concordou, mas não precisava bancar a ridícula na semana de estréia do melhor filme de sua carreira &#8211; <strong>The Blind Side</strong>.</p>
<p>Veja o vídeo:</p>
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<p>É o Unnecessary Extreme Makeover, a princesa se transformando em sapo pelas mãos da empregada do castelo. Não é preconceito, não de acordo com Lopez, para quem a cultura latina é o auge da civilização. É o Ratinho milionário e influente. Sorte dele. Azar o que de quem não é latino.</p>
<p>Lopez brinca: “os negros já colocaram um presidente na Casa Branca; já sabem o próximo passo, não?”. É inevitável, mas, pelo menos, que seja alguém eleito por qualidade e não pela cor da pele, afinal, essa América ainda é do Norte. </p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/12/GeorgeLopez11.jpg" alt="GeorgeLopez11" title="GeorgeLopez11" class="aligncenter size-full wp-image-1141" /></p>
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		<title>CNN US: Idiotização e Repetição Garantida</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 22:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[CNN Domestic tenta ajudar, mas só incentiva a idiotização norte-americana, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/11/cnn.png" alt="cnn" title="cnn" class="aligncenter size-full wp-image-1120" /></p>
<blockquote><p>CNN Domestic tenta ajudar, mas só incentiva a idiotização norte-americana, com  problemas que vão de âncoras tendenciosos até exagero negativo nas coberturas. Sobra até para o Brasil. É o duro retrato do trabalho da maior rede internacional de notícias.</p></blockquote>
<p>Tive a honra de trabalhar para a CNN por alguns anos, no Brasil, como gerente de assessoria de imprensa. Já gostava o estilo do canal antes disso e a oportunidade de conhecer, nos bastidores, alguns dos âncoras e visitar o coração da emissora, lá em Atlanta, sacramentaram meu partidarismo e, óbvio, me afastaram das tolices da Fox News. Nos últimos dois anos, porém, me vi distante da <strong>CNN International</strong> – braço mundial exibido no Brasil e resto do mundo – e exposto diariamente ao estilo da <strong>CNN Domestic</strong>, o canal feito para americanos. Quando voltei do hospital no dia da morte de Michael Jackson foi a CNN que me manteve informado e também foi nesse mesmo canal que assisti à vitória de Barack Obama, o primeiro negro presidente dos Estados Unidos. Agora, exceto por momentos pontuais como os citados, a rede tem perdido relevância, foi enganada pelo caso do balão e beira o sensacionalismo. </p>
<p>Digo isso pelo simples fato de assistir ao canal durante o horário comercial. Na íntegra. Admiro o trabalho de gente como Jim Clancy e Michael Holmes, da CNN International, que faz jus ao trabalho de seus editores e informam, ensinam, esclarecem. Um verdadeiro trabalho jornalístico. Existe opinião, claro, mas ela surge, normalmente, com o intuito de guiar o espectador possivelmente pouco informado sobre pelejas no Oriente Médio ou, especialmente, na África. O canal promove um baile de informações. Fora dos Estados Unidos. Aqui dentro são formados monstros microinformados. A CNN Domestic foge da amplitude horizontal da International e mergulha numa verticalização vertiginosa em assuntos locais. Melhor explicar. Vejam os seguintes assuntos: Tiger Woods bateu o carro na sexta-feira; um ex-condenado é acusado de matar quatro policiais no domingo pela manhã; Barack Obama vai anunciar, amanhã, o envio de mais tropas para o Afeganistão.</p>
<p>É só nisso que se fala nessa segunda-feira. Nada errado em cobrir “celebridade, violência e política”, porém, é só nisso MESMO que se fala. Cada bloco do habitualmente ótimo Situation Room com Wolf Blitzer [um dos pilares da emissora, aliás] traz “breaking news” sobre Woods. Mas, na verdade, nada adiciona com algum especialista falando sobre o que pode, ou não, ter levado o golfista a não querer falar com a polícia sobre as circunstancias de seu acidente. Não feriu ninguém. Não causou danos. Não quebrou leis. Apenas seu carro. </p>
<p>No site da CNN, <a href="http://worldsport.blogs.cnn.com/2009/11/30/woods-is-only-human/">a manchete</a>: Os Problemas de Tiger – nem tão perfeito, afinal de contas [Tiger’s Troubles: not so perfect after all]. Moral questionada por um pequeno acidente e fofocas sobre possível envolvimento com uma garota de programa. Tudo circunstancial. Poucas evidências. Do mesmo jeito que o caso do “Ballom Boy” foi tratado semanas antes.</p>
<p>No mesmo ritmo, o programa fala sem parar do tal criminoso que pode ter matado quatro policiais. O ângulo é mais político que policial, afinal, um presidenciável, Michael Huckabee, concedeu perdão e permitiu a liberdade condicional do sujeito. Sobre o caso, só se sabe que o suspeito fugiu da polícia e todos estão “indignados” pelo fato de ele estar nas ruas. E o circo gira em torno dessas informações. Repetidas por repórteres, memorizadas por Blitzer, transformadas em infográficos nas telas. É um festival de falação sobre o nada até que a próxima informação seja anunciada, aí ela passará pelo mesmo ciclo. </p>
<p>Aí vem Obama. Especulações, possíveis reflexos sociais e políticos, opiniões de especialistas, opiniões dos âncoras, análises de cenários hipotéticos, debates infinitos sobre o que o presidente deve ou não falar, deve ou não fazer, deve ou não explicar. É o jornalismo dos experts, não dos informadores. Mesmo por que, informação não existe nesse momento. E as que existem são curtas e definitivas: Obama fará um discurso/Woods bateu o carro e não quer falar a respeito/Policiais foram emboscados. Mas são suficientes para manter as pessoas falando e analisando por um, dois, três dias. </p>
<p>Impossível não lembrar do balão. Dos especialistas em balonismo, dos militares pensando em como, talvez, quem sabe, na situação hipotética, e com muita sorte tentar “resgatar” o garoto do balão. O balão caiu. Nada de garoto. E as pessoas continuaram falando. Um dia inteiro de explicação. Sobre o nada. Um engodo.</p>
<p>No coração de tudo isso, a CNN tenta se segurar para cair no mesmo truque duas vezes: um casal disposto a ficar famoso para ter um reality show aprontou o impensável ao se infiltrar no primeiro jantar de gala da administração de Barack Obama. Os furões são manchetes no país inteiro e, novamente, lá vem os especialistas comentarem as repercussões políticas e os efeitos na imagem de Obama; gráficos mostrando onde eles entraram; como podem, ou não, ter burlado a segurança. O que aconteceu com o trabalho jornalístico de confrontar a fonte e PERGUNTAR? É o reinado da opinião e da suposição. Tem até gente tentando imaginar o que Obama está pensando e como isso o &#8220;chocou&#8221;. Realmente, amanhã o sujeito vai anunciar o envio de mais de 30 mil soldados para a Guerra e será que está preocupado com os furões?! É o jornalismo prestando um desserviço a seu próprio país. Todos precisam de bons índices, a briga com a Fox News – cuja qualidade é constantemente péssima, por fazer todo o mencionado nesse texto, mas de forma grosseira, agressiva e útil apenas para republicanos extremistas – tem pegado fogo, mas a CNN demonstra sinais de que deixou de ditar o caminho para tentar seguir seus competidores no quesito sensacionalismo. </p>
<p>Como se não bastasse isso, semana passada, Rick Sanchez (<a href="http://twitter.com/ricksanchezcnn">@ricksanchezcnn</a>) [âncora do programa da hora do almoço, que se baseia em reações de Twitter e Facebook para fazer suas matérias – basicamente as mesmas dos outros programas, mas com comentários, aí sim, opinativos e tendenciosos] resolveu comentar o encontro do presidente Lula “da Silva” (como é chamado por aqui) e o presidente do Irã. Sanchez se indignou com as pretensões internacionais do governo Lula, especialmente quando um repórter da CNN en Español explicou o fato de Brasil tentar se posicionar como uma potência em termos de negociações e ser uma “alternativa” ao estilo norte-americano. Não é a primeira vez que Sanchez alfineta o Brasil. Na cabeça do âncora, que é descendente de imigrantes cubanos, todos os governos sul-americanos integram um gigantesco bloco “comunista e de esquerda” seguindo o modelo de Hugo Chavez. </p>
<p>Um comentário me marcou: “mas o Brasil não é nosso aliado? Não temos relações com eles? Por que estão vendendo urânio para o Irão no ‘nosso quintal’ e tentando ser uma ‘opção ao nosso estilo de negociação’”? O comando da CNN se importa com o Brasil e está virando tradição enviarem seus âncoras do canal internacional para visitar nosso país, entretanto, esse episódio demonstra não agressividade, mas sim total despreparo da equipe da CNN Domestic em relação ao Cone Sul.</p>
<p>E, curiosamente, voltamos ao início desse artigo. Se nem mesmo os âncoras conseguem sair da mesmice que lhes é imposta, ou não se informam adequadamente sobre países importantes das Américas, o que esperar do conteúdo transmitido a seus espectadores que não um mero reflexo desse quadro? No meio dessa bagunça toda, salvam-se Anderson Cooper e John King, normalmente focados em seus assuntos. Esses dois garantem a verticalização da informação com utilidade e novidade. Duas ilhas perdidas no rodamoinho televisivo e sem propósito que se chama CNN Domestic. Uma situação triste especialmente sabendo que há tanto material utilizável e relevante no canal internacional.</p>
<p>Que saudade da CNN International. </p>
<p>por Fábio M. Barreto</p>
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		<title>Deixe Ela Entrar</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 20:23:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Filme sueco é boa surpresa ao tratar vampiros com profundidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/11/deixe_ela_entrar.jpg" alt="deixe_ela_entrar" title="deixe_ela_entrar" class="aligncenter size-full wp-image-1114" /></p>
<blockquote><p>Filme sueco é boa surpresa ao tratar vampiros com profundidade e simplicidade; além de passar longe de dilemas existenciais vazios e descartáveis da geração Crepúsculo. Boa pedida, mesmo com circuito reduzido.</p></blockquote>
<p>Em tempos de <strong>Crepúsculo</strong>, a chegada tardia de Deixe Ela Entrar nos cinemas brasileiros mostra como vampiros ainda podem tratar a puberdade de forma séria, relevante e com boa cinematografia.</p>
<p>Assisti sem querer a esse filme sueco sobre vampiros. Ele integrou a seleção do Los Angeles Film Festival em 2008 e teve sala cheia em suas duas exibições. Diferente do grande interesse da comunidade de imigrantes locais – como observado em sessões com filmes coreanos e japoneses durante o evento – <strong>Deixe Ela Entrar</strong> atraiu diversos públicos.</p>
<p>Também pudera, a crítica oficial do Los Angeles Times (patrocinador oficial do evento) elegeu o longa-metragem sobrenatural de Tomas Alfredson como um dos melhores filmes europeus da atualidade e, sem dúvida, o melhor produto exportação da Suécia na década. Sorte minha, pois não li a crítica e fui conferir por causa da sala cheia para <strong>Tropa de Elite</strong> e gostei da sinopse. Sorte mesmo, pois as surpresas continuam vivas mais de um ano depois.</p>
<p><strong>Deixe Ela Entrar</strong> (Låt den rätte komma in, 2008, Suécia) merece todos os elogios descarados e, por vezes, exagerados. É um filme simples e assumidamente dramático. Relembra o espectador da função primordial do cinema: contar histórias. E faz isso com recursos dramáticos equilibrados, roteiro consciente e certeiro, e sem o auxílio da indústria milionária dos efeitos especiais.</p>
<blockquote><p>    Simplicidade é a palavra de ordem.</p></blockquote>
<p>Muito mais próximo da realidade adolescente que pérolas comerciais como Lua Nova, cuja incapacidade emocional e irrelevância cinematográfica foge à compreensão, <strong>Deixe Ela Entrar</strong> aposta na insegurança e autenticidade da timidez de Oskar. Garotos falam pouco, ficam envergonhados facilmente e, especialmente na pré-adolescência, são mais propensos a ficar sem reação do que irromper com diálogos redundantes e deslocados típicos das produções do gênero.</p>
<p>Não importa se à sua frente está a garota de seus sonhos ou, no caso desse longa, uma vampiresa em forma de menina. O resultado é uma inusitada mistura de silêncio significativo, onde cada movimento tem relevância e a voz torna-se, em parte, desnecessária. É a arte do não dizer.</p>
<p>Quando Kristen Dunst irrompeu com seus surtos infantilizados em <strong>Entrevista com o Vampiro</strong>, criou-se a imagem da garota transformada em sugadora de sangue muito cedo e eternamente atormentada por seus desejos fúteis, mas nada disso foi transportado para o roteiro de John Ajvide Lindqvist (que escreveu o romance original).</p>
<p>Eli tem aparência infantil, mas pouco resta da distante juventude. Os anos pesam em seus ombros, assim como sua necessidade de continuar viva no mundo moderno, cada vez mais inóspito para seus hábitos alimentares. É um mundo de humanos desinformados sobre a existência dos vampiros, logo, há violência impactante. Ela precisa de sangue. Alguém tem que morrer.</p>
<p>Mas nada de névoas misteriosas, morcegos ou estratagemas para conquistar o mundo ou comandar a raça humana. Sobrevivência é o objetivo de Eli. <strong>Deixe Ela Entrar</strong> respeita as regras do gênero à risca. Não cede à tentação de reverter os conceitos e tentar ser original em termos de universo como True Blood ou mesmo <strong>Crepúsculo</strong>. O imaginário popular satisfaz as necessidades de Alfredson e Lindqvist. E também livra o filme de problemas por conta de suas invenções.</p>
<p>Afinal, o que importa são as relações entre Eli e Oskar, e as conseqüências desse encontro na vida do garoto, constantemente hostilizado por valentões na escola.</p>
<p>É uma pequena jornada de auto-descobrimento num microcosmo social. O elemento fantástico entra na dança como tempero adicional, quase um romance mainstream de Stephen King. Retire o vampiro e o drama permanece válido e bem executado. Deixe Ela Entrar é belíssimo e optou por muitas cenas noturnas, mas claras e cheias de luz. Ou cores, especialmente pelo contraste do céu escuro com a neve sempre presente.</p>
<p>São dois mundos diferentes, um possível paralelo com os personagens. E, de mesmo modo, se cruzam e completam para formar o cenário/relação. Uma parceria quase simbiótica e inevitável a partir do momento em que se encontram.</p>
<p>Mais uma vez o ditado se faz presente: as coisas mais simples são as mais efetivas. Esse é o caso desse longa-metragem pouco pretensioso que ganhou as manchetes de cinema mundo afora, levou seu diretor para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e conquistou imediatamente os aficionados por um gênero sempre presente, mas distante de seus grandes momentos no cinema desde que Willem Dafoe encarnou Nosferatu em <strong>A Sombra do Vampiro</strong>. Inesquecível e imperdível.</p>
<p>Você acha que os novos filmes e séries de vampiros ajudaram ou prejudicaram o gênero? Comente e participe! </p>
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		<title>[RapaduraCast] 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Equipe alucinada do RapaduraCast debate o fim do mundo, filmes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast/?p=4509"><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/11/abc_rapaduracast156.jpg" alt="abc_rapaduracast156" title="abc_rapaduracast156" class="aligncenter size-full wp-image-1100" /></a></p>
<blockquote><p>Equipe alucinada do RapaduraCast debate o fim do mundo, filmes catástrofe, Roland Emmerich, maias, profetas do apocalipse, Nostradamus com muita informação. E sem spoilers!</p></blockquote>
<p>Completando com grande estilo a cobertura de <a href="http://www.soshollywood.com.br/tag/2012/"><strong>2012</strong></a>, entra no ar o RapaduraCast temático sobre o fim do mudo e o filme de Roland Emmerich. Essa foi mais uma das poucas vezes [até agora] em que pude cobrir um filme de forma multimídia e bastante intensidade. Desde a saída do Judão que não rolava um especial desse tipo, o que foi muito bom. Mas a presença do podcast como ferramenta fixa no portfólio de trabalho permitiu um novo jeito de fazer a cobertura, afinal, muita coisa está nas críticas e entrevistas, mas poder debater com gente entendida em cinema e ouvir argumentos, para, então, moldar uma opinião mais criteriosa é uma otima experiência.</p>
<p>O assunto não conflita &#8211; de modo algum &#8211; com o NerdCast da semana. O que é algo bastante positivo, pois as duas equipes fizeram programas seguindo seus estilos, embora o tema seja próximo. Acabei defendendo muito o Emmerich, pois respeito o cara e os filmes dele influenciaram bastante minha vida. Claro, as bobagens também existem e dá vontade de socar, às vezes, mas o mundo necessita tanto de diversão como de respeito. Ele me diverte, então devolvo com respeito. =D</p>
<p>Bom, é isso aí. Clique aqui para ouvir o <a href="http://www.cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast/?p=4509"><strong>RapaduraCast 156 &#8211;  2012</strong><strong></a>!</p>
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		<title>Panela de Pressão: Hollywood!</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 18:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Seth Rogen]]></category>
		<category><![CDATA[Shia LaBeouf]]></category>
		<category><![CDATA[Stress]]></category>

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		<description><![CDATA[Super-exposição provoca estresse inevitável em Hollywood, que vê suas jovens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/11/jack_sandler1.jpg" alt="jack_sandler1" title="jack_sandler1" class="aligncenter size-full wp-image-1059" /></p>
<blockquote><p>Super-exposição provoca estresse inevitável em Hollywood, que vê suas jovens estrelas reagindo violentamente ao rolo compressor do marketing e da imprensa. Cada vez mais, o cinema perde o foco e a superficialidade impera.</p></blockquote>
<p>Por Fábio M. Barreto<br />
De Los Angeles</p>
<p>Dulce Damasceno de Brito viveu tempos belíssimos em Hollywood. Nossa maior correspondente se tornou amiga dos astros, conviveu com atrizes e mostrou mundo maravilhoso, deixando a cena [faleceu em 9 de novembro de 2008] como presságio de vacas magras se aproximando do mundo do cinema. Enquanto os filmes faturam bilhões, seus protagonistas mergulham num mar de desinteresse, tédio e estresse por conta de super-exposição de mídia. No mundo em que ser celebridade é objetivo de vida de muitos jovens, quem alcança o estrelato se vê preso a obrigações e contratos, mas a paciência está prestes a passar dos limites. A Hollywood de Dulce não mais existe. </p>
<p>Os sinais são claros. Shia LaBeouf se levanta de uma mesa-redonda; Seth Rogen peita um jornalista descontente com seu estilo de humor; gente como Eddie Murphy e Adam Sandler se recusa a falar com repórteres impressos [jornais e revistas]; beldades como Megan Fox escolhem as perguntas que desejam responder. O diagnóstico, mais óbvio ainda: esgotamento. A justificativa de Shia explica bem um dos aspectos da situação, “as perguntas não estão interessantes, prefiro me retirar”. Ele explicou à reportagem da <strong><a href="http://www.scifinews.com.br">Sci-Fi News</a>/SOS Hollywood</strong> que “posso escolher falar, ou não, basta perguntar as coisas certas. Para saber generalidades, basta ler o material de imprensa; e minha vida pessoal interessa a mim e a minha família”. Um número gigantesco de jornalistas pouco criativos invade Los Angeles quinzenalmente para cobrir esse tipo de evento, enquanto profissionais baseados na cidade pouco fazem para se reciclar e inovar na arte da entrevista. Porém, essa resposta também abre o outro flanco do problema: a super-exposição dos atores.</p>
<p>Como ser criativo e inovador depois de entrevistar um sujeito por cinco vezes, em menos de três meses? O ciclo está formado. Jornalistas incapazes de furar a obviedade dos assuntos e estúdios decididos a conquistar divulgação gratuita a todo custo. O conflito é inevitável. Durante entrevistas para o filme <strong>Funny People</strong>, de Judd Apatow, o comediante Seth Rogen demonstrou claros sinais de irritação e cansaço [assuto do <a href="http://www.soshollywood.com.br/sos-cast-7/">SOS Cast 7</a>]. Presente de corpo, mas não de espírito, viu seu estilo ser questionado e criticado, encontrou um profissional igualmente desinteressado do outro lado da mesa -redonda, e o embate ganhou tons pessoais. “Sua comédia é baseada em piadas de baixo calão”, disse um. “O que você acha engraçado, então?”, devolveu o outro. “O entrevistado é você, não eu”. E a confusão se armou. É o sexto filme que Rogen divulgava em menos de cinco meses; intermináveis perguntas sobre sua perda de peso, Besouro Verde e ser engraçado marcaram esse período. A irritação é clara.</p>
<p>Gerard Butler teve peito para abrir o jogo: “contratos nos obrigam a fazer toda essa divulgação; e a necessidade de trabalhar nos impede de criticar ou, em alguns casos, dizer a verdade sobre um determinado assunto, pessoa ou estúdio”. É a dura realidade de mercado. “Se criticar alguém, pode apostar que não consigo mais trabalho por um tempo”. Cada ator precisa fazer, em média, 90 entrevistas por filme [levando-se em conta veículos internacionais e norte-americanos – impressos e TV - rádios, telefonemas, coletivas de imprensa, matérias especiais e participação em talk shows]. E tudo isso acontece em períodos concentrados, ocupando praticamente uma semana inteira.</p>
<p>Grandes astros discordam desse modelo e falam pouco. Escolhem muito bem os veículos e, na maioria dos casos, falam apenas com TV – cerca de 5 minutos de conversa e número reduzido de entrevistas. O principal objetivo é garantir que suas declarações não sejam distorcidas e, claro, controlar pessoalmente seu nível de exposição. Os casos mais célebres são Eddie Murphy e Adam Sandler. Sandler prova por A mais B que sucesso nas bilheterias não tem nada a ver com exposição de mídia. Fala pouco há anos e seus filmes faturam milhões. Como disse na entrega do último People&#8217;s Choice Awards, &#8220;se escutasse so críticos, teria parado de fazer filme há uns 10 anos. Faço tudo isso para meu público e eles gostam&#8221;.</p>
<p>Porém, são exceções. Um mundaréu de jovens atores e atrizes é exposto ao rolo compressor da imprensa. Muitos deles sem condição pessoal e currículo profissional suficiente para sustentar uma conversa produtiva. Sabem que não tem o que dizer, apostam em sorrisos exuberantes, mas não escapam dos momentos de silêncio incômodos. Se de um lado todos querem saber do tipo de xampu de Megan Fox ou Cameron Diaz, quase ninguém se importa com as motivações da beldade assassinada no último filme de Jason Vorhees. </p>
<p>É uma equação cheia de variáveis esgotadas e à beira da falência. Perdeu-se a proximidade com o astro. Ser celebridade se tornou objetivo de vida no mundo moderno, mas ser celebridade não envolve merecimento, capacidade intelectual ou alguma grande realização. Aparecer na tela, ou no reality show mais recente, basta. A pesquisa é feita na internet, na Wikipedia. Muita gente usa entrevistas apenas para “checar boatos” ou tentar provocar uma frase polêmica para ocupar um pequeno espaço na grande revista semanal.  Os atores, por sua vez, sabem do jogo e se protegem com respostas ensaiadas e vazias. Afinal, como disse o ex-jogador Sócrates, “respondemos a mesma coisa, pois vocês sempre fazem as mesmas perguntas”. É uma guerra sem vencedores, mas com um grande perdedor: o cinéfilo; cada vez mais carente do verdadeiro entendimento da arte de se fazer filmes.</p>
<p>Os estúdios empurram sua máquina de marketing para cima da imprensa, que, por sua vez, procura pelo “furo do momento”; atores se defendem e tentam manter a privacidade; entender as razões cinematográficas por trás de todo esse circo se torna, cada vez mais, uma idéia romântica e arcaica. Coisa de um mundo há muito esquecido. De um mundo onde Dulce Damasceno relatava sua bela vida e seus amigos ilustres, sabia as perguntas certas e expunha as maravilhas do cinema. Salvo raras exceções, hoje se vive a ditadura do superficial, com o marketing superando o jornalismo; e o cinema&#8230; bem, parece não passar de mero canal para tudo isso.</p>
<p>*Artigo publicado originalmente na Sci-Fi News.</p>
<p>Participe da discussão! O que você acha sobre esse sistema? Concorda com o foco na cobertura de fofocas? Quem é seu astro favorito na hora das entrevistas? =D</p>
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		<title>Distrito 9: Um Bairro de Velhas Novidades</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 15:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
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		<description><![CDATA[Estréia de Neill Blomkamp na direção surpreende o mundo, faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/10/d9_sharlto_sm.jpg" alt="d9_sharlto_sm" title="d9_sharlto_sm" class="aligncenter size-full wp-image-990" /></p>
<blockquote><p>Estréia de Neill Blomkamp na direção surpreende o mundo, faz fortuna nas bilheterias norte-americanas e recupera o estilo e conteúdo impactante do bom cinema de ficção científica. Imperdível. Inesquecível. Brilhante.</p></blockquote>
<p>Olhar para as estrelas e vislumbrar mundos e raças além do firmamento é função da ficção científica desde sua gênese. Entretanto, os dilemas e preceitos dessas galáxias distantes, invariavelmente, refletiam nossas próprias tragédias sociais e emocionais. Com a popularização recente do gênero, as páginas dos grandes clássicos ou mesmo o arrojo dos novos críticos ficcionais deu lugar ao cinema comercial, no qual o alienígena é sempre o mal, o norte-americano é sempre o bom, e o resto do mundo não passa de pano de fundo para explosões e violência. É o jeito Roland Emmerich de pensar, é a lei da bilheteria milionária é tudo que a ficção científica não queria ser: estereotipada, acéfala e desproposital. <strong>Distrito 9</strong> colocou a casa em ordem e devolveu ao cinema de ficção a perspectiva de mesclar sucesso com identidade intelectual. E ainda encontra espaço para mostrar alienígenas e armas extremamente divertidas!</p>
<p><strong>Distrito 9</strong> usou duas armas para alcançar seu sucesso: <strong>elemento surpresa e Peter Jackson</strong>. Pouco se sabia do filme antes do início da campanha viral nos Estados Unidos, com pontos de ônibus tomados por pôsteres e mensagens solicitando à população que denunciasse alienígenas. O verdadeiro ponto de partida, porém, aconteceu em 2005, quando Neil Blomkamp dirigiu o curta-metragem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=iNReejO7Zu8"><em>Alive in Joburg </em></a>. Pouco tempo depois, ele se envolveu com Peter Jackson num projeto que levaria o jogo <strong>Halo </strong>para as telas. Jackson estava envolvido e quando recebeu a notícia da suspensão do projeto, decidiu fazer algo com Blomkamp. “Seus desenhos no desenvolvimento das criaturas para Halo estavam primorosos e, desde o começo, sabia que Neill era um daqueles caras destinados a fazer cinema pelo resto da vida”, comenta o produtor executivo, Peter Jackson, a este repórter correspondente durante a Comic-Con 2009. “Como ele havia começado com <strong>Alive</strong>, resolvemos ampliar a idéia; algo totalmente dele”.</p>
<p>Blomkamp cresceu nas ruas de Johanesburgo, durante o apartheid e viu seu pais, aos poucos, lutar contra a segregação, mas também conviveu com os problemas seguintes à queda do regime. “Ele é um sujeito preocupado com a sociedade, mas é nerd assumido e vive mergulhado em livros, filmes, videogames e etc”, comenta Jackson, que garante ter dado liberdade total ao novato. O diretor de <strong>O Senhor dos Anéis</strong> acredita no papel do produtor facilitador, que permite ao cinema encontrar novos rostos e só se envolve diretamente em momentos inevitáveis. “Sabendo que Neil tem esse estilo, nunca duvidei que ele pudesse fazer um filme com roteiro atraente e, ao mesmo tempo, cheio de armas, alienígenas e coisas explodindo – coisas ótimas para se ver na tela!”. </p>
<p>Essa classificação faz grande jus ao resultado de <strong>Distrito 9</strong>. Uma favela real de Soweto serviu como cenário para o campo de refugiados ocupado pelos tripulantes de uma nave espacial que surgiu flutuando sobre Johanesburgo. Nada de Nova Iorque, Washington ou Londres. A capital sul-africana foi a felizarda da vez. Sem fazer com esses seres insetóides, o governo local criou o local conhecido como<strong> Distrito 9</strong>.</p>
<p>A idéia é simples e, sem grande esforço, abriria espaço para discussões existenciais como vida fora da Terra, teorias da conspiração ou algum complô armamentista, porém, Blomkamp fez valer sua bagagem literária e, inconscientemente, produziu uma crítica sócio-política capaz de surpreender pela simplicidade e, de forma surpreendente, se transformar num dos maiores sucessos do ano, com direito a rendição incondicional dos críticos mais ranzinzas. “É tudo um liquidificador de idéias, coisas que vi enquanto cresci e nenhuma idéia direta de ser um filme político, mas olhando agora, é difícil não encontrar várias referências”, explica o diretor.  A escolha de manter o tom “documental” trouxe muitos benefícios e também provocou a mais arriscada de todas: escalar um ator principal, presente em praticamente todas as tomadas, nativo da África do Sul e falando em inglês com sotaque local. </p>
<p>Sem dúvida, um alívio em meio a tantos heróis nascidos em Los Angeles ou Nova Iorque. Havia preocupação da Sony por conta disso. Alguns jornalistas americanos reclamaram. Não entenderam a pronúncia de Sharlto Copley (entrevista completa <a href="http://www.cinema.com.br/index.php/component/content/article/2/167">aqui</a>). Os internacionais não deram bola e esse detalhe se transformou em charme especial. Copley atua de forma espetacular como Wikus Van De Merwe (pronúncia: Vícus), um sujeito nada heróico, simpático, mas vislumbrado com sua carreira burocrática. Insensível e inocente no início; surpreso e assustado depois do evento que mudará sua vida; obstinado e dedicado quando tem a chance de se salvar. E a burocracia é justamente a razão de sua jornada. Ele é imbuído de citar os alienígenas de seu iminente despejo e relocação. </p>
<p>Até mesmo a Sony Brasil foi afetada com a colossal resposta ao filme. Meses antes da estréia, Distrito 9 teria apenas 100 cópias em território nacional, depois embalou, chamou atenção do departamento de marketing – provavelmente por identificar o potencial além do habitual consumidor de ficção científica – que aumentou o número de cópias. É a força do sucesso.</p>
<p>Wikus vive praticamente uma transição kafkafiana. O sujeito comum se transformando mental e fisicamente e, nesse meio tempo, conhecendo as mazelas que, pouco antes, ele mesmo impunha aos alienígenas. Situação essa mais gritante ainda num país de extremos como a África do Sul, que, após superar o Apartheid, reage com mais agressividade e ódio ao imenso fluxo de imigrantes ilegais em suas grandes cidades. Se uma lição deveria ter sido aprendida pelos sul-africanos seria a de respeito ao próximo. Não aprenderam. </p>
<p>Como se o próprio destino quisesse reforçar essa realidade, no dia em que <strong>Distrito 9</strong> começou a ser filmado, protestos violentos chacoalharam Johanesburgo em áreas bem próximas às locações numa favela de verdade, em Soweto. </p>
<p><a href="http://www.premiopodcast.com.br/index.php?podcast=105">
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<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px;">
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</dl>
</div>
<p></a></p>
<p><strong>Distrito 9</strong> abre a ferida sem dó nem piedade e chama a atenção para a natureza cíclica da estupidez humana. Assim como nos belíssimos e assustadores curtas-metragens <strong>Segunda Renascença I</strong> e <strong>II</strong>, integrantes do disco <strong>Animatrix</strong>, a Humanidade demonstra grande capacidade para auto-destruição e, acima de tudo, não aprender com erros do passado. O homem é o mesmo, apenas períodos históricos e estilos de roteiro diferenciam as narrativas. De modo algum se trata de cópia, mas de um novo reflexo das grandes pensatas promovidas por Clarke, Asimov ou Heinlein e tantos outros. Peter Jackson gosta dos alienígenas, mas o público prestou atenção na história e seus desdobramentos. </p>
<p>Essa é a grande diferença de <strong>Distrito 9</strong>: promover discussão, provocar e entreter ao mesmo tempo. Longe de ser o filme extraordinário e revolucionário defendido por muita gente que ficou altamente impressionada, é sim obrigatório tanto para fãs do gênero quanto para interessados nas relações humanas. O exagero na recepção pública se dá por um simples fato: há muito não se via um filme de ficção científica inteligente. Danny Boyle dirigiu o último deles, <strong>Sunshine</strong>, em 2007; entretanto, não tinha o aspecto divertido do filme de Blomkanp e foi relegado à categoria dos “filmes cabeça”. O maior mérito desse longa-metragem é surpreender nesse momento em que efeitos ditam os roteiros, e não o inverso.</p>
<p>“Acredita que a WETA recusou o projeto?”, brinca Peter Jackson. “É estranho, afinal de contas, sou um dos donos e eles não podem me deixar irritado (risos)”. A causa foi boa. WETA estava 100% ocupada com os efeitos especiais de Avatar, de James Cameron. Sorte da Image Engine, companhia sul-africana que deu conta do recado. “Mesmo assim precisamos usar a WETA na reta final, pois o orçamento acabou e ainda precisávamos de mais algumas tomadas da nave mãe dos alienígenas e fizemos a custo zero”. </p>
<p>O resultado visual é primoroso. Ao optar por uma tonalidade bastante realista e não inventar tanto nos alienígenas, a composição entre real e computador cumpriu sua função. O visual de barata gigante causa asco e acentua a natureza alienígena de tudo envolvendo os visitantes. Mas o maior impacto é causado pelas descobertas que Wikus faz ao longo da exibição. É agonizante e desesperador, quase claustrofóbico, tomar contato com a violência despendida contra os ETs, seja ela física ou psicológica, e também as verdadeiras intenções para resolver o “problema” do <strong>Distrito 9</strong>. </p>
<p>A própria <a href="http://www.soshollywood.com.br/fora-alienigenas/">campanha de marketing</a> do filme dava um gostinho disso. O objetivo era denunciar alienígenas fora da área restrita – protegida por uma força de segurança privada, a MNU. Especialmente se levarmos em conta os milhares de humanos obcecados com a descoberta de vida alienígena e as teorias governamentais que os “ocultam” da opinião pública, é estranho notar a ausência de qualquer maravilhamento popular perante a inegável presença extra-terrestre em nosso planeta. Efeito das baratas gigantes em vez de hominídeos verdes? Ou dos hábitos “nojentos” dos seres? A realidade assusta, pode entorpecer e modifica conceitos instantaneamente. </p>
<p>Há muita urgência na mensagem de <strong>Distrito 9</strong>. A intolerância em prática na África do Sul extrapola suas fronteiras e, cada vez mais, se enraíza no modo de vida do homem moderno. Ataque o que desconhece, expulse o indesejável, proteja seus interesses são alguns dos conceitos em voga por aí, e os resultados negativos podem ser vistos a olho nu, em qualquer país, qualquer classe social. Os grandes clássicos da ficção científica postulavam os problemas da superpopulação, das viagens espaciais e dos encontros com seres de outros mundos, cada um a seu modo, levantando problemas e possíveis soluções. Outros tempos, quando a imaginação valia mais que a projeção. Nosso tempo é regido pelo pessimismo, repleto de olhares catastróficos para futuros não tão distantes, ou mera ausência de reação social positiva. Os Wachowski alertaram com sua visita perturbadora a um futuro plausível e agora Neill Blomkamp nos lembra de outra parte essencial: medo. Do desconhecido. De nós mesmos. E o medo, como diz Mestre Yoda, é o caminho para o lado negro.</p>
<p>Tudo indica que voltaremos a encontrar Wikus daqui três anos. E muita coisa pode acontecer até lá.</p>
<p>==</p>
<p>Assista ao curta-metragem Alive in Joburg:<br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/iNReejO7Zu8&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/iNReejO7Zu8&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>==</p>
<p>Por Fábio M. Barreto, de Los Angeles/San Diego<br />
Originalmente publicado na <a href="http://www.scifinews.com.br"><strong>Sci-Fi News 140</strong></a>, nas bancas!</p>
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		<title>Tarantino encontra Philip K. Dick</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 23:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bastardos Inglórios mostra a Segunda Guerra Mundial como deveria ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-960" title="dianekrueger_bastardos_sm" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/10/dianekrueger_bastardos_sm.jpg" alt="dianekrueger_bastardos_sm" /></p>
<blockquote><p>Bastardos Inglórios mostra a Segunda Guerra Mundial como deveria ter sido lutada, sem deixar de lado seu estilo violento, contundente e, de certa forma, romântico. Entretanto, não é um filme de guerra e sim uma História Alternativa.</p></blockquote>
<p>Quentin Tarantino pegou os Estados Unidos com as calças na mão. Despreparados para o verdadeiro conteúdo de <strong>Bastardos Inglórios</strong>, o público americano não soube bem como reagir a uma História Alternativa com requintes de crueldade, inteligência maligna e seus rumos inquietantes, mesmo que positivos. Assim como o grupo positivista que distribuiu uma edição do New York Times [em novembro de 2008] cheia de “notícias boas”, Tarantino conta a história do um jeito tão sonhador, que chega a ser difícil acreditar. É como se o diretor de <em>Pulp Fiction</em> mergulhasse em <strong>O Homem do Castelo Alto</strong>, de <strong>Philip K. Dick</strong>, e saísse de lá cheio de idéias para um mundo melhor e, claro, sem nazistas.</p>
<p>Bastardos Inglórios existe à margem dos filmes de guerra tradicionais. Não respeita as premissas desse gênero, foge da premissa de sua campanha de marketing [um comando de judeus americanos exterminando nazistas] e beira a poesia visual quando Tarantino dedica preciosos minutos a explorar a beleza de suas atrizes, especialmente Mélanie Laurent. Sua câmera se apaixona a cada movimento, olhar ou reação, da mesma forma como idolatra mortes brutais – menos sanguinolentas, mas visual e conceitualmente agressivas – de forma marcante o suficiente para não gastar todo seu filme envolvo em sangue. Diane Krueger está simplesmente apaixonante e clássica.</p>
<p>Um alívio bem-vindo depois do banho de sangue mais visual que significative de <strong>Grindhouse</strong>. Tarantino gosta de violência e ela está em todo lugar, mas opera de formas inusitadas. Por vezes, no brilhante oficial da SS vivido por Christoph Waltz [sua inteligência extrema ofende mais que o fato de ser o "caçador de judeus"], ou então no terror psicológico provocado pelos Bastardos entre tropas alemãs, chegando até mesmo aos ouvidos do próprio Adolph Hitler. É justamente aí que a promessa de uma guerra diferente se distancia da propaganda e segue outros rumos. As ações de campo dos <strong>Bastardos Inglórios</strong>, comandados por um Brad Pitt quase cômico, em momentos dignos de <em>Queime Depois de Ler</em>, são apenas um elemento de uma trama maior. Pitt, aliás, irreparável e perfeito. Como numa história de H.P. Lovecraft, é necessário imaginar as barbaridades cometidas por eles. Tarantino dá uma idéia, a mente continua sozinha por conceitos sombrios e assustadores.</p>
<p>Decisão interessante e sadia, uma vez que o filme declina seu potencial para um banho de sangue sem sentido. Como sempre apaixonado por cinema, Tarantino brinca com sua própria decisão, ao inserir um filme de propaganda alemão [‘inspirado’ na façanha solitária de um franco-atirador que repeliu 300 soldados norte-americanos] repleto de tiros, mortes seqüenciais, basicamente uma chacina editada para deleite dos nazistas. <strong>Bastardos Inglórios</strong> abomina nazistas, por isso não só os mata, como também hostiliza, denigre e humilha abertamente.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quero 100 escalpos de nazistas de cada um de vocês e vocês vão me trazer esses escalpos&#8221;</p></blockquote>
<p>Tudo é ficcional, mas muito emocional. Menos pela expectativa em torno da válvula de escape de assassinatos sadistas de nazistas, mais pela criação de uma realidade muito sonhada, porém não alcançada pouco depois do desembarque aliado na Normandia. Soldados brincavam sobre invadir Berlim meses depois, coisa que não aconteceu, mas a literatura adora estudar as possibilidades [seja da rápida vitória aliada, ou de revés alemão e eventual domínio do nazismo sobre o mundo]. É a chamada História Alternativa, gênero dominado por <strong>Harry Turtledove</strong> e, no Brasil, brilhantemente representado por <strong>Gerson Lodi-Ribeiro</strong>; entretanto, o título mais famoso seja <strong>O Homem do Castelo Alto</strong>, de Philip K. Dick [relançado recentemente], que devaneia sobre uma América do Norte dominada pelo Império Japonês. Tarantino escolheu o viés positivo, mas igualmente surpreendente. Parece tarefa simples, mas confrontar norte-americanos que viveram o pós-guerra, ou até mesmo remanescentes do conflito, que tudo poderia ter acontecido de outra forma é mais impactante do que se imagina.</p>
<p>E, como de costume, Tarantino aproveita toda chance de discutir cinema, mergulhar em sua linha de raciocínio acelerada, mas sempre embasada, que vai do cinema francês, passando pela propaganda de guerra alemã [real e fictícia] e sua relação com o espaço físico da sala de cinema. <strong>Bastardos Inglórios</strong> é menos tarantinesco do que se imagina, mas quando o diretor parece ter se ausentado, sua assinatura irrompe na tela como singelo lembrete de que ele nunca saiu dali, como se parasse para contemplar o desenrolar de sua própria criação. Cru, provocador e agressivo. Assim é <strong>Bastardos Inglórios</strong>, um clássico de época, sem uma linha de verdade.</p>
<p><em>Fábio M. Barreto</em></p>
<p><a href="http://www.premiopodcast.com.br/index.php?podcast=105"><br />
</a></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.premiopodcast.com.br/index.php?podcast=105"><img title="Prêmio Podcast 2009" src="http://premiopodcast.com.br/images/banner1.gif" alt="Vote no SOS Cast!" width="460" height="60" /> </a>Vote no SOS Cast, na categoria Cinema e TV. É só clicar! Conto com você!</dt>
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		<title>Rio 2016: além da festa&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 18:17:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
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		<category><![CDATA[Rio 2016]]></category>

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		<description><![CDATA[Rio fatura Olimpíada, Obama falha, Republicanos partem para o ataque, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/10/blanka_rio.jpg" alt="blanka_rio" title="blanka_rio" class="aligncenter size-full wp-image-924" /></p>
<blockquote><p>Rio fatura Olimpíada, Obama falha, Republicanos partem para o ataque, mas que benefício tudo isso traz para o Brasil?</p></blockquote>
<p>Festa no Brasil! Alegria geral! Os Jogos Olímpicos de 2016 serão disputados no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, a mais antiga das competições visita a América Latina, mas quem realmente está comemorando são os cidadãos de Chicago. Maioria não queria sediar o evento e chegaram a fazer campanha em favor da capital carioca. Rio feliz, boa parte de Chicago feliz, democratas tristes: Barack Obama bate na trave internacionalmente pela primeira vez.</p>
<p>Enquanto o COB fazia das tripas coração para emplacar o Rio de Janeiro, confirmar o interessante momento esportivo brasileiro – que vai receber os dois maiores eventos mundiais num intervalo de dois anos, Copa do Mundo em 2014 e, agora, a Olimpíada em 2016 – o senado norte-americano vetava a primeira tentativa da reforma do sistema de saúde nacional. Contanto até mesmo com votos negativos de democratas conservadores, a proposta para o plano de saúde opcional controlado pelo governo caiu. Nova tentativa, com novo texto e nova proposta, será votada na semana que vem. Face à derrota, Barack Obama cumpriu sua promessa de apoiar Chicago como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e, ao lado da esposa Michelle, viajou para Copenhagen. </p>
<p>Mesmo antes do anúncio, republicados e alguns democratas criticavam a decisão do presidente de dedicar alguns dias ao lobby esportivo em vez de decidir rapidamente questões como saúde e a iminente decisão sobre o envio de 40 mil novas tropas ao Afeganistão, sob pena de perder a guerra e se retirar do país depois de oito anos. Até então, a administração de Barack Obama registrada bons resultados internacionais, como a liberação pacífica das duas jornalistas presas na Coréia do Norte – graças a ajuda de Bill Clinton – e primeiros contatos diplomáticos com nações tidas como inimigas, entre elas o controverso Irã. Todos assuntos de relevância nacional, mas foi justamente o projeto pessoal, que provocou o deslize de Obama. </p>
<p>O histórico dos Estados Unidos mostra que apoio popular é fundamental para todas as suas guerras. De certa forma, a campanha olímpica foi uma disputa estratégica e afetaria diretamente a vida de parte da população local. Eles não queriam. Em pesquisa divulgada ontem pelo Chicago Tribune, 60% da população era contrária. Muitos deles fizeram campanha favorável ao Rio, incluindo um site temático <a href="http://ChicagoansforRio.com">ChicagoansforRio.com</a> (que saiu do ar logo após o anúncio da decisão). Por outro lado, o Huffington Post divulgou pesquisa contrária atribuindo 72% de apoio ao evento.</p>
<p>A preocupação dos moradores de Chicago – refletiva por brasileiros na rede social Twitter – tem bases nos anos seguintes aos jogos em cidades como Atenas, claramente sucateada e cheia de dívidas provocadas pelo alto investimento estrutural. Obama acredita nesse tipo de investimento como positivo pelo aspecto da geração de empregos, especialmente por conta do constante aumento do índice de desemprego norte-americano (9,3%, maior desde 1983, com 263 mil empregos reduzidos só em Setembro); o senado e o congresso querem saber de saúde.</p>
<p>Chicago continua funcionando como para-raio de problemas políticos e sociais desde a eleição de Barack Obama. Depois do escândalo envolvendo o ex-governador Rob Blagojevich, a cidade ficou chocada com a morte de um estudante a pauladas e pontapés – que foi parar no YouTube – e agora coloca a estratégica da Casa Branca em xeque, afinal, todo o investimento envolvendo a viagem da comitiva internacional não trouxe nenhum benefício para o país. Talvez para os republicanos, opositores ferozes e dispostos a derrubar todas as propostas de mudança de Obama. Enquanto a derrota de Chicago foi um presente para John McCain e seus colegas, a vitória do Rio de Janeiro tem grandes chances de ser o maior presente de grego da Era Moderna&#8230; tanto para a cidade quanto para seus moradores. As lembranças do Pan-Americano ainda estão frescas e os US$ 14,4 bilhões de investimento anunciado pelo COI – maior orçamento entre as candidatas – vão, inevitavelmente, gerar denuncias de corrupção, desvio de verba e danificar nossa imagem internacionalmente.  </p>
<p>Se o mundo não acabar em 2012, o Brasil vai ter a chance de ouro de fazer bom uso de tanto investimento. A esperança existe, mas que atire a primeira pedra quem pode afirmar fielmente que toda essa verba será utilizada em prol da população carioca e das cidades sede da Copa do Mundo. Em Los Angeles, boa parte das instalações construídas para os Jogos Olímpicos de 1984 ainda está em uso e mantida em ótimas condições, incluindo esportes menos populares como Arco e Flecha. Bons exemplos existem, mas se nem mesmo Atenas, berço da competição, conseguiu se manter, o Brasil precisa tomar cuidado. Se o presidente Lula foi instrumental na conquista da cidade sede, que se lembre da continuidade de seu trabalho e tome medidas para que isso não acabe com a cerimônia de encerramento. As delegações vão embora, os prédios e as dívidas ficam. </p>
<p>O legado para o Rio de Janeiro será decidido pelas escolhas do COB, do Planalto e do presidente. Que seja dos melhores, mas não há base histórica suficiente para ter boas esperanças.</p>
<p>- Fábio M. Barreto, que está orgulhoso, mas sabe da iminente roubalheira, superfaturamento e presepada durante a construção.</p>
<p>Imagem by @eviljovemnerd, o twitter fake do Jovem Nerd.</p>
<p>==</p>
<p>Quem tem que ficar triste é a CNN, por ter protagonizado essa cena:</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EuE60mq0r1Q&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/EuE60mq0r1Q&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>UP é lição de vida</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 16:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Colocar o pé fora de casa pode ser a maior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/up_1.jpg" alt="up_1" title="up_1" class="aligncenter size-full wp-image-591" /></p>
<blockquote><p>Colocar o pé fora de casa pode ser a maior das aventuras, especialmente se você é um personagem de filmes da Disney/Pixar. Up – Altas Aventuras mostra que não há limites quando se ama e que nunca é tarde demais para viver, nunca.</p></blockquote>
<p>Acompanhar o desenvolvimento das animações computadorizadas deixa uma coisa clara: essa é uma linguagem moderna, séria e cada vez mais distante da idéia se ser canal ideal para filmes infantis. Pelo contrário, novos tipos de cineastas encontraram nesse formato o estilo perfeito para contarem histórias extremamente dramáticas, por vezes assustadoras e de olho nos cinéfilos marmanjos. É aí que <strong>Up – Altas Aventuras</strong> entra em cena, ultrapassando os limites de uma história de amor com uma história surreal e repleta de auto-descobertas. </p>
<p>Se <a href="http://www.soshollywood.com.br/wall-e-o-filme-perfeito/"><strong>Wall-E</strong></a> encontrou a perfeição com um romance mudo, <strong>Up </strong>aposta num recomeço intimista. Faz chorar logo de cara, repleto de humanidade e companheirismo; retrato da vida ideal para muita gente. Porém, mesmo os sonhos terminam e, seguindo o estilo clássico dos dramas pessoais e familiares da Disney, <em>Up </em>reverte a estrutura, reiniciando sua narrativa, como se desse passos inseguros, no escuro, num novo ambiente. Assim se sente o personagem principal Carl Fredricksen (dublado por <strong>Chico Anysio</strong>, na versão brasileira), um vendedor de balões carrancudo e desamparado. </p>
<p>A projeção em 3D reforça essa dinâmica. Dá vida e profundidade a cada item ao redor de Carl, ou, em alguns casos, garante melancolia. Longe de tentar imitar a realidade, Up acontece dentro de suas próprias regras, que permite arranha-céus espremam uma pequena casinha que, por sua vez, voa para longe, repleta de balões, como se respondesse ao desespero claustrofóbico do mundo a sua volta. Versão moderna e romântica para o surto de Jonathan Price no final de <strong>Brazil</strong>. </p>
<p>Mas a ação desesperada, ou suicida – afinal, levantar vôo numa casa movida a balões de hélio não é o modo mais seguro de voar – é rapidamente ligada com a realidade daquele mundo. Um jovem escoteiro estava na varanda, no momento da decolagem. Começa aí a relação entre Carl e Russell. Versões temporalmente separadas da mesma pessoa. Carl queria ser explorador na infância; Russell se gaba por suas medalhas. Nenhum dos dois encararam a natureza. E é pra lá que eles vão.</p>
<p>Daí para a frente, tudo pode acontecer. Se o elemento fantástico já era forte em <em>Up</em>, a chegada da dupla a seu destino reforça o conceito. Cães capazes de se comunicar com humanos, um velho explorador paranóico e uma missão em comum. É um rito de passagem de duplo sentido. Nenhum dos dois terminará essa jornada do mesmo jeito, assim como o público, apresentado a um filme intenso e revelador. <strong>Up </strong>carreg mais que altas aventuras, ele promove grandes descobertas.</p>
<p>Vá ao cinema e inicie sua própria aventura!</p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Bill Maher dá Aula de Jornalismo!</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/bill-maher-healthcare/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 00:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Real Time with Bill Maher]]></category>

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		<description><![CDATA[O povo norte-americano vive uma guerra ferrenha há cerca de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/maher5171.jpg" alt="maher517" title="maher517" class="aligncenter size-full wp-image-752" /></p>
<p>O povo norte-americano vive uma guerra ferrenha há cerca de um mês. Não há envolvimento militar, muito menos ameaça estrangeira. O problema é interno, um dos maiores dilemas dessa nação colossal há anos: saúde pública. Enquanto Barack Obama tenta fazer jus à bandeira que o elegeu e trazer mudança, republicanos radicais pregam a desinformação para evitar a aprovação da maior reforma da História. É o roteiro de uma história catastrófica que nem mesmo as mentes mais malucas de Hollywood ousaram inventar: “se o plano passar, vão matar a vovó!”. E no meio do tiroteio, Bill Maher e Dana Gould, da HBO, deram um dos tiros mais certeiro e mostraram as pessoas realmente interessadas nessa reforma: a população carente.</p>
<blockquote><p>Uma explicação rápida do funcionamento do sistema de saúde aqui: cidadão contrata o convênio, precisa pagar a mensalidade, mais uma taxa fixa por consulta, e uma porcentagem de eventuais internações e exames. Basicamente, você paga por mês e tem acesso a uma série de serviços que vão te cobrar do mesmo jeito, embora com preço reduzido. Para o cidadão comum, esse preço fixo é salgado [no mínimo, US$ 400.00 para uma família pequena] e, na maioria dos casos, as empresas pagam o convênio dos funcionários.</p></blockquote>
<p>É exatamente esse povo, capaz de pagar a conta ou que tem empregador bancando o convênio, que tem lotado os Town Hall Meetings e feito discursos inflamados contra o “plano de saúde governamental”, que, de acordo com a oposição, pode tirar o poder de escolha do cidadão e definir quem será, ou não, coberto em casos de doença e diversos outros tratamentos, incluindo máquinas de suporte à vida. É o levante da classe média. </p>
<p>Agora, por que estou falando disso no <strong>SOS</strong>? Por que um programa de entretenimento fez algo que muito jornal diário ou televisivo se esqueceu. Às vezes me pergunto sobre a utilidade de cobrir entretenimento e momentos como esse me mostram que ainda podemos fazer a diferença.</p>
<p><strong>Bill Maher</strong> tem um talk show semanal na HBO – <strong>Real Time with Bill Maher</strong> – no qual entrevista celebridades e convida formadores de opinião para debates sempre revigorantes e engajados sobre política, cinema, economia, sociedade e o que der na telha. Ele sempre conta com a participação do comediante <strong>Dana Gould</strong>, que faz matérias especiais e não necessariamente engraçadas. Na semana passada, ele resolveu abordar o problema da saúde.</p>
<p>Veja a reportagem antes de continuar. Pessoas comparando Obama a Hitler, entre outras coisas. Infelizmente, não encontrei versão com legendas:<br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ht_W5_Ogh0U&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ht_W5_Ogh0U&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
<p>Gould foi até Inglewood, na região central de Los Angeles, área que ainda reúne grande número de pessoas pobres e miseráveis, visitar um chamado “Centro Médico de Emergência”. Imagine um estádio de futebol, mas em vez do gravado, centenas de leitos e médicos prontos para atender a população carente. Essa é uma estrutura levada a países carentes ou área de desastres e catástrofes. Em vez disso, estava em Downtown LA, cuidando dos necessitados. </p>
<p>Esse pessoal chegou na fila entre 3 e 4 da madrugada, para ser atendido lá pelo meio-dia e aproveitar a oferta de dentistas, fisioterapeutas, clínicos gerais, ginecologistas e tudo mais, simplesmente por não terem condições de pagar pelas consultas ou de aguardar atendimento precoce nos hospitais públicos. O que mais chamou a atenção foi o contraste: enquanto esse pessoal [maioria negra, aliás] aguardava em silêncio e, em muitos casos, com dor; o outro pessoal [maioria branca] ficava sentadinho na reunião com o Senador para fazer discurso enfezado, religioso ou apocalíptico &#8211; e aparecer na Fox News e na CNN, claro!</p>
<p>Se a proposta de Barack Obama passar, a fila de Los Angeles seria drasticamente diminuída, pois a oferta de saúde abraçará também a população carente, com planos subsidiados e adequados a suas necessidades. Sem dúvida, uma evolução necessária e justa. Não quero desmerecer as questões dos críticos, que estão inseguros em relação ao novo sistema, não sabem como funcionará sua cobertura futura, se continuarão recebendo certos tratamentos e se, de acordo com Sarah Palin, o governo vai poder “desligar o aparelho da vovó”. A maioria dos opositores é de aposentados, cujos planos de saúde já são mais caros e que requerem mais cuidados com freqüência. Mas, olhando friamente, essa parcela tem condições – fundos de pensão, aposentadorias ou filhos – capazes de cobrir com suas despesas, enquanto a outra, silenciosa e grata pelo favor prestado pelo governo, mal consegue comprar comida.</p>
<p>No meio disso tudo, ontem, um senador republicano &#8211; não anotei o nome &#8211; disse algo espetacular, depois que uma mulher, aos prantos, perguntou se ele vai ajudar o filme dela, que não vai mais ser coberto pelo plano e vai morrer. &#8220;Meu escritório se compromete a ajudar no que for possível, agora estamos achando que o governo tem que fazer tudo por nós? Temos que ajudar uns aos outros, somos americanos&#8221;. Muito certeiro. Mas, nessas horas, o resto do partido não escuta e os gritos de &#8220;socialismo, marxista e Hitler&#8221; continuam ecoando.</p>
<p>Algumas pessoas falam que isso vai “socializar o sistema de saúde”. Aí, nesse mesmo programa de Bill Maher, <strong>Brad Pitt</strong> diz: “olha, esse pessoal fala que vamos virar um país socialista e nunca tirou a bunda da cadeira; eu já visitei um país socialista e te digo, estamos muuuuito bem!”. Parece que todo aquele medo da guerra fria voltou, pela razão mais bizarra. Reduzidos, depois da derrota presidencial, os republicanos se ofendem e atacam facilmente [alguns acreditam que Obama nem é cidadão norte-americano, aliás] para garantir seu espaço.</p>
<p>Enquanto <strong>CNN</strong>, <strong>New York Times</strong> e outros grandes nomes da imprensa dedicam tempo e espaço à cobertura dessas Town Hall Meetings, foi preciso um programa de entrevistas ir olhar o outro lado e mostrar quem, realmente, vai ganhar a “simples” vantagem de, pela primeira vez, ser incluído num sistema de saúde governamental. Tem gente se preocupando com “desligar os aparelhos da vovó”, enquanto muitos têm seus aparelhos desligados antes mesmo de perderem suas vovós. </p>
<p>E a gente ainda reclama do Brasil, onde se paga um valor fixo por um plano de saúde e, sem entrar no mérito da qualidade, pode ser atendido num hospital, fazer quantas consultas e exames for necessário e não ser cobrado a mais por isso. Tem suas falhas, sim, mas vendo essa dura realidade americana sinto saudade do meu cartão de convênio brasileiro. Viver com medo de ir para o hospital [e receber uma conta de mais de US$ 10 mil] mesmo pagando convênio é assustador.</p>
<p>A situação é crítica e um bando de gente maluca resolve acreditar até mesmo em Obama utilizar programas nazistas, ou na decisão do governo sobre a vida e morte dos idosos. Como Dana Gould disse no programa: MAS QUE P$#%#?</p>
<p>Vejam Brad Pitt no programa:<br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fIDeveRVTEI&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/fIDeveRVTEI&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lSmox4zFo3M&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/lSmox4zFo3M&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
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		<title>Se correr, a véia pega&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 20:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8230; se ficar, o véia amaldiçoa! Sam Raimi retorna ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/dragme1.jpg" alt="dragme1" title="dragme1" class="aligncenter size-full wp-image-704" /></p>
<blockquote><p>&#8230; se ficar, o véia amaldiçoa! Sam Raimi retorna ao terror, apavora na abertura e arranca boas risadas ao longo de <em>Arrasta-me para o Inferno</em>.</p></blockquote>
<p><strong>Arrasta-me para o Inferno</strong> é o que acontece quando alguém deixa os irmãos Raimi inventarem histórias. Sam e Ivan bolaram esse terror, com boas doses de humor, no meio de uma crise de criatividade. Anos mais tarde, Sam aproveitou a história para retornar a seu gênero predileto e apavorar o público. Apavorar mesmo, com direito a criatura mulambenta saída do Inferno, maldições ciganas e um singela história de amor entre Alison Lohman e Justin Long. </p>
<p>Se há uma mensagem de conduta presente em<strong> Arrasta-me para o Inferno</strong> é essa: nunca maltrate velhinhas ciganas. É uruca da brava, na certa! A partir daí, o filme aposta em tudo de bom do terror. Sustos estão por todos os lados, começando por uma das aberturas mais aterrorizantes e desesperadoras que o cinema “mainstream” já produziu até hoje. Embora não seja blockbuster, teve orçamento respeitável [US$ 30 milhões] e conta com a expectativa pelo “retorno” de Sam Raimi ao terror de raiz, depois de anos trabalhando com TV [<strong>Xena – A Princesa Guerreira</strong> e <strong>Hércules</strong>] e no cinemão, dirigindo a série do Homem-Aranha. É uma espécie de <strong>The Evil Dead</strong> com mais verba, embora Bruce Campbell faça falta.</p>
<p>No roteiro, a Lamia, uma criatura ancestral sai dos quintos dos infernos, vem até a Terra e leva almas amaldiçoadas. O nome foi escolhido ao acaso, sem nenhuma pesquisa, assim como sua história. Tudo criada pelos irmãos Raimi. “Estávamos escrevendo um roteiro complicado, não vinha mais nenhuma idéia nova, aí pensamos: por que não escrever um conto de terror?, comenta Sam Raimi em entrevista exclusiva à <strong>Sci-Fi News</strong>/<strong>SOS Hollywood</strong>, em Los Angeles. “Foi tudo muito espontâneo e rimos muito enquanto escrevíamos, mas ainda demorou um pouco para o bloqueio criativo ir embora (risos)”. Sam Raimi é um sujeito curioso. Vestindo terno completo, cortes e atencioso, o diretor não aparenta sua fama ou carreira de sucesso. Comportamente cada vez mais raro na indústria da aparência.</p>
<p>Claro que a comédia está presente, não tão descarada e escraxada, mas é um elemento que aproxima esse longa do gênero do <strong>Terrir </strong>de Ivan Cardoso. A onda dos remakes aposta no bom-humor para aliviar seu conteúdo e mostrar que não se leva a sério, mas essa modalidade é dominada com perfeição pelos Raimi. “Algumas pessoas apostam em fórmulas, ou tendências, para os filmes de terror, mas se esquecem do principal: acima de tudo, a história faz você [diretor] rir? Se a resposta for sim, o público vai embarcar”, argumenta Sam. “Mas tenho noção de que meus seguidores não são centenas de milhares, então delírios de grandeza não fazem parte do meu repertório (risos).”</p>
<p><strong>Arrasta-me</strong> é um filme honesto. Assusta, tem momentos memoráveis – tanto no aspecto do terror, quanto da comédia – e traz um Sam Raimi tranqüilo na direção. A maior surpresa fica por conta de Lorna Raver, uma atriz, locutora experiente e de simpatia ímpar, que se transforma num ícone imediato do terror. Ô velha maldita! Ela acaba com a vida do jovem casal formado por <strong>Alison Lohman</strong> e <strong>Justin Long</strong>. “Fazer uma personagem como ela é ótimo, pois posso exagerar o tempo todo e, o melhor de tudo, ninguém me reconhece sem a maquiagem! (gargalhadas)”, descontraí Raver, veterana em narração de audiobooks e do teatro.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/dragme2.jpg" alt="dragme2" title="dragme2" class="aligncenter size-full wp-image-705" /></p>
<p>Quem mais sofre na história toda é Alison. Ela sai no tapa com a cigana maluca, leva todo tipo de susto, é assombrada, enfrenta uma mosca demoníaca e disputa uma luta homérica com um corpo, dentro de uma cova! Desgraça pouca é bobagem, mas sempre há esperança. Pelo menos na visão de Sam. “Ele sempre me disse para acreditar na salvação da personagem&#8230; quem persiste sempre alcança, não é? (risos)”, profetizou Alison. Mas ela quebrou a cara, pois o poço sempre pode ficar mais fundo para sua personagem. Dá dó, mas alguém tem que sofrer para o público dar risadas, certo? E dá-lhe cena nojenta e nauseante para cima da mocinha. </p>
<p>Sam Raimi não tem dó de seus personagens. E também não liga para comentários da indústria. “Ter dirigido tanta coisa ‘maior’ me deu a chance para bancar esse filme e escalar Justin Long, por exemplo. Muita gente insiste em nomes de bilheteria garantida, preferi escolher um ator bom. É bom ter independência, às vezes”, diz Raimi. Por conta disso, <strong>Arraste-me para o Inferno</strong> é um filme sólido, reflexo de uma mente criativa e sossegada, que irrombe na telona com obrigatório.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/samraimi.jpg" alt="samraimi" title="samraimi" class="aligncenter size-full wp-image-706" /></p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Outras Tropas, Outros Tempos</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/padilha-griffith/</link>
		<comments>http://www.soshollywood.com.br/padilha-griffith/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 18:02:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[A Elite da Tropa]]></category>
		<category><![CDATA[André Batista]]></category>
		<category><![CDATA[BOPE]]></category>
		<category><![CDATA[Capitão Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[David Griffith]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Soares]]></category>
		<category><![CDATA[José Padilha]]></category>
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		<category><![CDATA[Luís Fernando Soares]]></category>
		<category><![CDATA[O Nascimento de uma Nação]]></category>
		<category><![CDATA[Octavio Aragão]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Pimentel]]></category>
		<category><![CDATA[The Birth of a Nation]]></category>
		<category><![CDATA[Tropa de Elite]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Tropa de Elite, José Padilha estabelece um diálogo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/tropa-de-elite.jpg" alt="tropa de elite" title="tropa de elite" class="aligncenter size-full wp-image-687" /></p>
<blockquote><p>Em <em>Tropa de Elite</em>, José Padilha estabelece um diálogo de 91 anos de distância com aquele que é considerado por alguns como o primeiro blockbuster do cinema norte-americano, <em>The Birth of a Nation</em>, de 1915, dirigido por David Wark Griffith</p></blockquote>
<p><a href="http://twitter.com/octavio_aragao"><strong>por Octavio Aragão*</strong></a></p>
<p>A bandeira negra é desfraldada com orgulho sobre o esquife. A estampa da caveira trespassada por facas e pistolas sobrepõe-se à bandeira do Brasil. Com essa cena, o filme de <strong>José Padilha</strong> estabelece um diálogo de 91 anos de distância com aquele que é considerado por alguns como o primeiro blockbuster do cinema norte-americano, <strong>The Birth of a Nation</strong>, de <strong>David Wark Griffith</strong>, responsável por alguns dos mais influentes e seminais filmes da história do cinema, como <strong>America </strong>(1924), <strong>Intolerance </strong>(1916) e <strong>The Battle of The Sexes</strong> (1914), entre mais de sessenta produções.</p>
<p>As semelhanças, porém, podem apontar para aspectos menos nobres nos dois filmes. Baseado no romance <strong>The Leopard’s Spots</strong> e na peça teatral <strong>The Clansman</strong>, de Thomas Dixon Jr., que também era diretor de cinema, o filme de Griffith conta a história de duas famílias – Stoneman e Cameron – separadas pela Guerra Civil Americana. Como pano de fundo, vemos a ascensão de políticos abolicionistas e, principalmente, da milícia conhecida por Ku Klux Klan. Com uma das famílias radicada no norte confederado e outra a simpatizante da União sulista, os dramas individuais e desencontros seguem a tradição melodramática (1) que remonta aos Montecchio e os Capuleto, de Shakespeare, mesclada à recriação minuciosa de eventos reais, como o assassinato de Lincoln. Cenas de batalhas e perseguições a cavalo, dirigidas com maestria, fizeram desse filme uma referência, principalmente no quesito montagem. A Griffith costuma-se atribuir inovações narrativas, “mostrando-nos afinidades insuspeitas entre duas imagens” (2). E são exatamente essas afinidades que saltam aos olhos, não mais de forma insuspeita, quando sobrepomos seqüências de <strong>The Birth of a Nation</strong> a outras do filme de José Padilha.</p>
<p>Em <strong>Tropa de Elite</strong>, somos apresentados ao Capitão Roberto Nascimento (aqui agradecemos a Max Mallmann por nos chamar a atenção para a coincidência entre o nome do protagonista e o título em português do filme de Griffith, <strong>O Nascimento de Uma Nação</strong>, que sem dúvida empresta outras cores &#8211; além do preto do BOPE e do branco da KKK &#8211; a esta interpretação), um oficial da Brigada de Operações Policiais Especiais torturado por instabilidades de cunho emocional e um vago sentimento de culpa em relação à população que sofre no fogo cruzado das favelas do Rio de Janeiro. Assim como no filme de Griffith, <strong>Tropa de Elite </strong>é baseado em uma obra literária. &#8220;A Elite da Tropa&#8221;, de Luís Eduardo Soares, Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, destacou-se por mostrar o lado da polícia na luta diária contra o narcotráfico, em lugar de seguir o ponto de vista dos criminosos.</p>
<blockquote><p>Sweet mercy is nobility&#8217;s true badge.<br />
Shakespeare</p></blockquote>
<p>Também como em <strong>The Birth of a Nation,</strong> o público de <strong>Tropa de Elite</strong> acompanha a trajetória de um homem íntegro e incorruptível, um “homem de bem”, dentro de uma facção uniformizada com ares de “seita”, com cerimônias de iniciação, símbolos de poder e gritos de guerra, que clama por justiça. Não nos referimos aqui ao Capitão Nascimento, mas ao “aspira” André Mathias, estudante de direito e policial militar, que é levado pelo amigo e colega Neto ao BOPE depois de testemunhar uma ação fulminante de Nascimento e sua tropa.</p>
<p>Se <strong>Tropa de Elite</strong> fosse narrado do ponto de vista de André Mathias, faria muito mais sentido, pois, de acordo com o crítico e roteirista Robert McKee, “papéis menores podem ou não precisar de dimensões escondidas, mas os principais têm que ser escritos com profundidade – eles não podem ser (&#8230;) o que aparentam ser por fora” (3) e, no contexto do filme, o único a possuir diversas camadas e dimensões passíveis de sobreposição é Mathias. Mas não é caso. O narrador, a figura predominante em cena, é Nascimento e ele não se transforma, não muda. Apenas reafirma o que desde o início é sua verdade: “missão dada é missão cumprida”. E poderíamos acrescentar sem receio de contradizer o personagem, com todo e qualquer meio disponível.</p>
<p>Ao avaliar um roteiro, algumas vezes é difícil saber qual é o personagem principal – ou quem ele deveria ser. Muitas vezes a melhor resposta é:aquele que aprende ou cresce mais no decorrer da história.(4)</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/tropa_octa.jpg" alt="tropa_octa" title="tropa_octa" class="alignleft size-full wp-image-688" /><br />
Assim, a trajetória de André Mathias torna-se paralela à de Bennie Cameron, que de coronel do exército da União Sulista, torna-se um dos criadores da KKK. A organização de homens encapuzados é mostrada no filme de Griffith como a única saída para deter a selvageria e a voracidade dos “blacks” (sic) que, auxiliados por abolicionistas que podem ser divididos entre hipócritas e ingênuos, ameaçam não apenas o status quo dos brancos, mas também suas vidas.</p>
<p>Em <strong>Tropa de Elite</strong>, os hipócritas são os estudantes da Pontifícia Universidade Católica, que levantam Foucault como bandeira para acusar a polícia enquanto confraternizam com traficantes, cheirando cocaína e fumando maconha como quem bebe água. Os ingênuos são os pacifistas que desfilam vestidos de branco, chorando a morte de uma jovem de classe média pelas mãos dos bandidos e acabam agredidos por um André Mathias transtornado e decidido a fazer justiça. Foucault e filosofia, neste ponto da vida do personagem, são inúteis para ele, instrumentos que embotam a Verdade dos Fatos, a Verdade do Capitão Nascimento.</p>
<p>Nascimento é claro como a batina de um clansman: ele odeia estudantes. Para ele, são os responsáveis diretos por todas as mortes &#8211; tanto de policiais, quanto de delinqüentes. Toda vez que ouve um personagem se auto-proclamando estudante, tem a reação de Goebbels quando escutava alguém falar em cultura, sacando o revólver (5) . A cultura acadêmica, afinal, é mero embuste no mundo de Tropa de Elite, assim como igualdade e democracia são ficções em <strong>The Birth of a Nation</strong>. O que existe mesmo, a única verdade, é a guerra, a lei da bala, que se apóia em códigos de honra, de resistência física e de irmandade sob signos inconfundíveis e aterrorizantes, sejam a caveira ou a cruz flamejante.</p>
<blockquote><p>Missão dada é missão cumprida<br />
Lema do BOPE no filme <em>Tropa de Elite</em></p></blockquote>
<p>O batismo de fogo de Bennie Cameron, o que o torna realmente um ativista da KKK, é a captura e a execução do negro que, apaixonado, persegue e leva a irmã caçula dos Cameron, Flora, ao suicídio, jogando-se de um penhasco, numa cena que remete ao romance <strong>O Último dos Moicanos</strong>, de James Fenimore Cooper. André Mathias, diante do chefe do tráfico que executou seu amigo Neto, é instado por Nascimento a “fazer o serviço”. “Ele é seu”, diz o Capitão, entregando-lhe a escopeta. O policial e o público sabem que aquele é o passo decisivo para Mathias abraçar sua nova existência, deixando de lado os sonhos de se tornar advogado. Para Bennie Cameron e André Mathias, a paz não é opção. Jamais será.</p>
<p>Dois outros pontos que unem os dois filmes são as construções dos mártires Jeff, o ferreiro, em <strong>The Birth of a Nation</strong>, e Neto, em <strong>Tropa de Elite</strong>, e dos vilões Gus e Baiano. As duplas cumprem funções específicas e fundamentais que direcionam o olhar e as opiniões do público. Jeff, o ferreiro, é um camarada de Bennie, branco e muito forte, que luta sozinho contra seis negros em uma taverna. O rapaz, depois de combate feroz onde enfrenta diversos inimigos e quase os subjuga, é atingido pelas costas e cai no momento em que confronta o terrível vilão Gus, um dos diversos personagens negros interpretados por atores brancos. O aspirante Neto, com um visual que remete ao Travis Bickle, imortalizado por Robert de Niro em <strong>Taxi Driver</strong> (1976), de Martin Scorsese, é ferido ao salvar um menino inocente de uma emboscada, também com um tiro pelas costas disparado por Baiano, chefe do tráfico. As mortes de Jeff e Neto, que é descrito mais de uma vez como sendo um homem “de coração”, são os eventos catalizadores para que a audiência compreenda a necessidade do extermínio dos vilões. O sacrifício desses dois “homens bons” cristaliza o fato de que nada mais é possível para Gus e Baiano a não ser o extermínio, mesmo que o amor e a inteligência apareçam &#8211; sutilmente &#8211; como elementos que poderiam, caso tivessem tempo, redimi-los de sua natureza bestial.</p>
<p>O capitão Gus está realmente apaixonado por Flora a ponto de propor casamento, e não deseja feri-la, Baiano ama a mulher e o filho, tentando protegê-los a qualquer custo. Se os filmes dessem um pouco mais de profundidade a seus vilões, talvez deixassem de lado o maniqueismo. Mas logo estamos diante da confirmação da irrecuperabilidade dos malfeitores, apesar do elogio de Nascimento à inteligência de Baiano e da capacidade de liderança e carisma de Gus. O destino de ambos é o abate ritual, é fornecer o sangue com o qual Stoneman e Mathias serão batizados nas hostes das organizações que escolheram, sob as bênçãos do público.</p>
<p><strong>PEDINDO PARA ENTRAR</strong></p>
<p>É interessante ler as reações extremadas pró e conta o filme de José Padilha na imprensa. Destacamos aqui dois trechos que reputamos bastante representativos, o primeiro de um colunista de <strong>O Globo</strong>:</p>
<p>A preocupação obsessiva de Padilha é com o baseado que a galera queima, reforçando a tese surrada de que os maiores culpados pela violência do tráfico são os usuários (todos, naturalmente, burgueses). A cada menção desta abobalhada burguesia com &#8220;consciência social&#8221; (as aspas são do cineasta), gritinhos histéricos eram ouvidos em redutos da platéia, reforçados por palmas tímidas que logo se ocultavam ante a não-aderência (felizmente!) da massa presente. E ao final, quando o aspirante Matias se transformou num &#8220;policial de verdade&#8221; (leia-se: quando abandona seus princípios e aceita a tortura a crianças como método válido para seus nobres fins de vingança contra el capo) uma ovação aliviada consagrou Tropa de elite como porta-voz de nossas inquietações. (6)</p>
<p>O segundo, publicado pela revista <strong>Veja</strong>:</p>
<p>No Brasil, os traficantes de idéias mortas são quase tão perigosos quanto os donos dos morros, como evidenciam nossos livros didáticos. Foucault sempre foi um incompreendido. Por que digo isso? Porque ele era ainda mais picareta do que seus críticos apontaram. No filme, aluna e professor fazem um pastiche de seu pensamento, e isso serve de pretexto para um severo ataque à polícia, abominada pelos bacanas como força de repressão a serviço do estado e suas injustiças. Sim, isso pode ser Foucault, mas Foucault era pior do que isso. Em Vigiar e Punir, ele fica a um passo de sugerir que o castigo físico é preferível às formas que entende veladas de repressão postas em prática pelo estado moderno. Lixo. (7)</p>
<p>Percebe-se em ambos os textos um alto grau de envolvimento emocional. Se o filme de Padilha é parcial em seu retrato da chamada “burguesia alienada”, há de se admitir a eficiência narrativa da obra, sua identificação imediata com determinados anseios da platéia &#8211; de diversas platéias &#8211; que transformaram em bordões populares diversas falas do roteiro. <strong>Cidade de Deus</strong> (2002), de Fernando Meirelles, conseguiu feito semelhante, mas antes desses dois, qual foi o último filme brasileiro a ficar gravado no dia-a-dia dos brasileiros a ponto de criar bordões? Teria sido <strong>Os Sete Gatinhos</strong> (1980), de Neville de Almeida, baseado em peça de Nélson Rodrigues? Ou <strong>Dona Flor e Seus Dois Maridos</strong> (1976), de Bruno Barreto, versão do romance de Jorge Amado? Convenhamos, <strong>Tropa de Elite</strong> ressoa no que o público acredita necessitar. Há algo ali que vai além da violência fácil e as cenas de gosto duvidoso. Por outro lado, vociferar contra Michel Foucault parece mais um truque apelativo que uma verdadeira análise dos fatos, optando por deixar de lado a complexidade de uma eventual avaliação dos argumentos do filósofo em prol de uma caricatura de crítica baseada em leituras diagonais da obra. Ambos os textos deixam de analisar a necessidade catártica do público, provável motivo principal para o fascínio exercido pelo filme.</p>
<p>Assim como ocorreu com <strong>The Birth of a Nation</strong>, um sucesso de público anos depois de seu lançamento em 1915, o público fica hipnotizado por Tropa de Elite. As cenas de ação, às vezes até por causa de certo desapego ao padrão hollywoodiano, obedecem a uma coreografia única, meio telejornalismo, meio faroeste italiano, com planos que remetem à urgência dos seriados contemporâneos, mas com sabor de cinema novo, câmera na mão, correria e tremedeira. Em termos estéticos, a mistura seduz a audiência, que se julga assistindo a uma película com status de documentário, mas com a força de um bom filme policial. A conexão é imediata e catapulta o Capitão Nascimento – e seu intérprete, o ator Wagner Moura – a um tipo de Monte Olimpo contemporâneo, aquele local rarefeito que Edgar Morin aponta como residência das estrelas, das vedetes e das celebridades dignas de culto e devoção. Essas novas entidades mitológicas seriam um amálgama do ator e do personagem, resultado de uma identificação do público com a ficção: “(&#8230;) a estrela se instala no espírito de seus admiradores, continuando a viver na tela sonhos do sono ou da vigília. A estrela conserva e modela ilusões, ou seja, identificações imaginárias”. (8)</p>
<p>Mas a relevância de ambos os filmes vai além de suas qualidades catárticas. O momento social brasileiro é propício para o surgimento de um filme como <strong>Tropa de Elite</strong>, com o narcotráfico e a violência decorrente saindo da periferia, atingindo os jovens e as crianças da classe média. Por sua vez, <strong>The Birth of a Nation </strong>levantou questões particularmente incômodas para Griffith, um sulista filho de militar, para quem a igualdade racial era difícil. O filme levou a National Association for the Advancement of Colored People e outras organizações a denunciar o conteúdo racista, ao mesmo tempo em que o então presidente Woodrow Wilson defendia-o publicamente, afirmando que era “a História escrita com luz”(9). The Birth of a Nation também levou diversos membros novos à Ku Klux Klan, que vivenciou uma época de renascimento. Quase uma peça publicitária para alistamento racista, como aconteceu mais tarde com <strong>Top Gun &#8211; Ases Indomáveis </strong>(1986), de Tony Scott, que aumentou a quota de recrutas para a USAF nos anos 80 (10). Cabe perguntar se existe alguma pesquisa comparativa a respeito dos índices de inscrições para o BOPE antes e depois do sucesso de <strong>Tropa de Elite</strong>&#8230;</p>
<p><strong>MOCINHAS INSALUBRES</strong></p>
<p>Culminando com as semelhanças entre as produções de Padilha e Griffith, há a questão das personagens femininas. Ambos são filmes “de e para meninos”, com suas brigas, brinquedos e a lógica binária de certo e errado, bem e mal, mocinho e bandido. O papel das mulheres é de elemento decorativo, mero objeto de desejo ou, na melhor das hipóteses, virgem orgulhosa. De acordo com Rosenfeld, todas as heroínas de Griffith, vividas por Lilian Gish, Mary Pickford ou Blanche Sweet eram criaturas românticas, fracas, logo empobrecidas, pálidas heroínas da poesia inglesa do século XIX. Produtos do idealismo e da decadência da era vitoriana (11).</p>
<p>No caso de Griffith, acreditamos ser compreensível tal postura, levando-se em consideração suas origens. O curioso é ver as mesmas descrições relaconadas às personagens femininas de um filme produzido em 2006, como o de José Padilha. Existem três mulheres de destaque em <strong>Tropa de Elite</strong> e cada uma delas se encaixa nos estereótipos femininos identificados por Rosenfeld: a namorada de André Mathias, a esposa de Nascimento e a colega de turma de André. A primeira é o objeto de desejo, ingênua; a segunda, uma coadjuvante cuja importância é dar à luz o filho do personagem e testemunhar seus momentos de insegurança, mas que quando pode tomar uma atitude, limita-se a fugir, saindo de cena para não mais voltar. A última, um eco distorcido de Flora Cameron, é sacrificada pelos bandidos. Nenhuma delas é um personagem multidimensional, crível. São estereótipos que funcionam não como elementos de mudança, mas de reafirmação das certezas dos homens que as cercam. Antagonizando as mulheres, suas imagens, no caso da fotografia da estudante morta exibida em meio a uma passeata pela paz, ou mesmo aquelas que representam algum tipo de autoridade, como a psiquiatra da polícia militar, Nascimento e Mathias fortalecem seus egos, suas decisões, suas personalidades.</p>
<p>Apenas “apagando” as mulheres, esses homens se encontram numa arena idealizada, que curiosamente se afasta do “final feliz” do filme de Griffith, no qual os casais sobreviventes se reencontram após o salvamento das jovens donzelas. Em <strong>Tropa de Elite</strong> não há lugar para o amor entre homem e mulher ou mesmo para a família, apenas para o ódio e a vingança entre protagonistas e antagonistas masculinos de indivíduo para indivíduo.</p>
<p>Individualizar significa, antes de tudo, desvincular-se dos segmentos tradicionais como a casa, a família, o eixo das relações pessoais, como meios de ligação co a totalidade. Trata-se de buscar uma ligação direta com o Estado, por meio de associações voluntárias como o sindicato, o partido político e os órgãos de representação de classe. Mas para tanto é preciso abrir mão dos direitos substantivamente dados pelo sangue, pela filiação, pelo casamento, pela amizade e pelo compadrio (12).</p>
<p><strong>O FUTURO E OS FANFARRÕES</strong></p>
<p>Raramente o ponto de vista da polícia foi enfocado de maneira tão contundente no cinema brasileiro. Apesar de todos os possíveis pontos questionáveis, trata-se de uma clara mudança de enfoque e parece apontar para uma nova safra de filmes onde a agilidade narrativa e o deleite em se contar uma história ganha destaque sobre as sutilezas de roteiro, as dualidades de imagem. A resposta do público parece assinar embaixo dessa opção (no momento da composição deste artigo, as fantasias infantis baseadas no uniforme do BOPE são os destaques de vendas para o carnaval [13]) e, obedecendo à demanda, é possível que outros filmes sejam produzidos buscando um tom semelhante. Talvez isso represente – somado aos êxitos recentes de produções como <strong>Cidade de Deus</strong> e <strong>Central do Brasil </strong>(1998), de Walter Salles, filmes centrados no mesmo cenário urbano e social – uma sedimentação do cinema brasileiro como produto comercialmente viável. Se isso acontecer, restará a expectativa que nos próximos filmes os enfoques socio-políticos possam ser mais amplos, diversificados, evitando a repetição da mensagem. Afinal, ao contrário das esperanças do personagem vivido por Wagner Moura, é de se questionar se esta Nação precisa de um substituto para o Capitão Nascimento.</p>
<p>*<a href="http://octavioaragao.blogspot.com/"><strong>Octavio Aragão</strong></a> é doutor e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007 e 2002). Professor Adjunto nível 1 da Universidade Federal do Espírito Santo desde 2006. Editor de arte das revistas de informática da Ediouro Publicações (2000/2001), sub-editor de arte do jornal O Dia (1997) e coordenador de arte do jornal O Globo (1992/1997). Recentemente escreveu o romance de ficção alternativa A Mão Que Cria (Ed. Mercuryo).</p>
<p>***</p>
<p><strong>Notas:</strong><br />
1. “O melodrama, tendo obtido no solo norte-americano, no final do século XIX, sua maturidade mais complexa e exuberante, em seu auge certamente deve ter exercido uma grande influência sobre Griffith, cuja arte primeira foi o teatro, e seus métodos devem ter sido armazenados no fundo de reserva de Griffith com grande quantidade de características maravilhosas e típicas.” (Eiseinstein, 1990, p. 199)<br />
2. Carrière, 2006, p. 33<br />
3. McKee, 2006, p.107<br />
4. Vogler, 2006, p. 78<br />
5. “Quando ouço falar em cultura, sinto vontade de sacar o meu revólver”. (Goebbels, 2008).<br />
6. Bloch, 2008<br />
7. Azevedo, 2008<br />
8. Morin, 1972, p. 96<br />
9. Lavender, 2001.<br />
10. http://www.fast-rewind.com/. 2008<br />
11. Rosenfeld, 2002, p. 184<br />
12. DaMatta, 1990, p. 190<br />
13. http://carnaval2008.terra.com.br/interna/0,,OI2240723-EI10735,00.html . 2008</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
Azevedo, R. (2008). Capitão Nascimento bate no Bonde de Foucault. In http://veja.abril.com.br/171007/p_090.shtml<br />
Bloch, A. (2008). Tropa de Elite é fascista? In http://oglobo.globo.com/blogs/arnaldo/post.asp?cod_post=74806<br />
Carriérre, J-C. (2006). A Linguagem Secreta do Cinema. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira<br />
Costa, F. C. (2005). O Primeiro Cinema. Espetáculo, narração, domesticação. Rio de Janeiro: Azougue Editorial.<br />
DaMatta, R. (1990). Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Guanabara<br />
Eiseinstein, S. (1999). A Forma do Filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora<br />
Goebbels, J. (2008) In Fascismo. http://www.jovemcomunista.hpg.com.br/menu/menu1/fascismo.html. (2008)<br />
Lavender, C. (2001). D.W. Griffith, The Birth of a Nation (1915). In http://www.library.csi.cuny.edu/dept/history/lavender/birth.html,<br />
McKee, R. (2006). Story. Substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro. Curitiba: Editora Curitiba<br />
Morin, E. (1972). As Estrelas &#8211; Mito e sedução no cinema. São Paulo: José Olympio Editora<br />
Rosenfeld, A. (2002). Cinema: arte e indústria. São Paulo: Editora Perspectiva<br />
terra.com. (2008) Fantasia inspirada em &#8216;Tropa de Elite&#8217; é sucesso na Saara. In http://carnaval2008.terra.com.br/interna/0,,OI2240723-EI10735,00.html<br />
The 80’s Movie Rewind &#8211; Home of the 80’s retro movies. (2008). Top gun (1986). http://www.fast-rewind.com/<br />
Vogler, C. (2006). A Jornada do Escritor. Estruturas míticas para escritores. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira <a href="http://twitter.com/Octavio_Aragao"></p>
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		<title>Trilogias ou Cinesséries?</title>
		<link>http://www.soshollywood.com.br/cinesseries/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 11:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se pararmos para pensar, as trilogias acabaram. Agora o legal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-673" title="falcon_cockpit" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/falcon_cockpit.jpg" alt="falcon_cockpit" /></p>
<blockquote><p>Se pararmos para pensar, as trilogias acabaram. Agora o legal é fazer novas cinesséries explorar o assunto até o público cansar.</p></blockquote>
<p>Começo, meio e fim. Introdução, desenvolvimento e conclusão. Nascimento, vida e morte. A idéia de contar uma só história em três partes obviamente não saiu da cabeça de Hollywood, mas o conceito teve início no cinema graças à ambição de Francis Ford Coppola em fazer de <strong>O Poderoso Chefão I </strong>e <strong>II </strong>praticamente um filme só num intervalo de apenas dois anos de produção durante a década de 70. Naquela época, a <strong>Parte III</strong> da saga dos Corleones nem estava nos planos do diretor, porém, um de seus amigos, George Lucas, aproveitou o amadurecimento dos estúdios em relação à idéia para fazer uma aposta ousada.</p>
<p>Antes de continuar a análise, é bom explicar: As cinesséries já existiam, claro, como <strong>007 </strong>e <strong>Dirty Harr</strong>y, assim como as seqüências (<strong>Operação França II</strong>). Mas não estamos falando de continuações. Falamos de trilogias &#8211; três filmes para contar apenas uma história. Na verdade, uma saga em três partes, que só se completa no terceiro e último ato. Estamos entendidos? Então vamos lá.</p>
<p>Lógico que a grana faturada pelo primeiro <strong>Guerra nas Estrelas</strong>, de 1977, ajudou George Lucas em seu caminho. Steven Spielberg, que dirigiu <strong>Os Caçadores da Arca Perdida</strong> logo depois, com produção de Lucas, começou a moldar as três aventuras clássicas de Indiana Jones nos anos 80. Mas cada filme de Indy tem sua própria história. Um não depende necessariamente do outro, mas os marketeiros dentro e fora de Hollywood, fãs e não-fãs, chamaram Indiana Jones de &#8220;trilogia&#8221; assim mesmo. Era um termo cool para ganhar uma boa grana em cima do produto. Mas trilogia mesmo, depois de <strong>Guerra nas Estrelas</strong>, foi <strong>De Volta Para o Futuro</strong>, com direção de Robert Zemeckis e produção de Spielberg (olha ele de novo). As aventuras no tempo de Marty McFly (Michael J. Fox) foram pensadas por Spielberg, Zemeckis e o roteirista Bob Gale em dois filmes, mas ganhando um terceiro (começo, meio e fim). Mas como a idéia ainda era ousada demais, todo e qualquer estúdio precisava avaliar o retorno financeiro nas bilheterias para pensar no desenvolvimento de uma cinessérie. Ou uma trilogia. Hoje, nem isso importa mais. Todo mundo já assina contrato para possíveis três (ou mil) filmes.</p>
<p>Como o mercado mudou, assim como as exigências do público (e a falta de criatividade de Hollywood), as últimas trilogias do cinema que honraram o conceito original foram<strong> O Poderoso Chefão</strong>, <strong>Matrix </strong>e <strong>O Senhor dos Anéis</strong>. Err&#8230; Será que <strong>Austin Powers</strong> entra nessa? E <strong><em>Mad Max</em></strong>? Ah, deixa pra lá. Mas até a <strong>Trilogia Bourne</strong>, que foi concluída brilhantemente por Paul Greengrass deve ganhar um quarto filme em breve. Hollywood nem quer saber mais se Bourne foi baseado em &#8220;somente&#8221; três livros de Robert Ludlum. Até <strong>Piratas do Caribe</strong>, que fechou a saga iniciada em <strong>A Maldição do Pérola Negra</strong>, já tem um quarto episódio engatilhado.</p>
<p>Agora, veja outros exemplos de cinesséries em três partes e não exatamente trilogias fechadas que continuaram: O diretor Sam Raimi já confirmou <strong>Homem-Aranha 4</strong> e <strong>5</strong>, <strong>Duro de Mata</strong><em>r</em> já está na quarta parte, Indiana Jones encontrou a caveira de cristal, <strong>Rambo </strong>voltou a matar, e <strong>O Exterminador do Futuro</strong>, que nem era pra ter chegado ao 3, já ganhou um 4. Tudo isso, sem citar as &#8220;reinvenções&#8221;. James Bond recomeçou suas aventuras como uma espécie de Jason Bourne loiro na pele de Daniel Craig, em <strong>Cassino Royale</strong> e <strong>Quantum of Solace</strong>, enquanto o Homem-Morcego arrebentou nas mãos do diretor Christopher Nolan, em <strong>Batman Begins</strong> e <strong>O Cavaleiro das Trevas</strong> (cuja terceira parte começa a ser filmada em 2010).</p>
<p>Ironicamente, a culpa (ou não) do fim das trilogias, mas ao mesmo tempo do renascimento das cinesséries (reinventadas ou não), cai nas costas do Sr. George Lucas &#8211; como nas trilogias, mitologias, enfim, Hollywood também é um ciclo. O cineasta voltou no tempo para contar a saga de Darth Vader e a indústria cinematográfica entendeu que prequels de grandes sucessos também significavam dinheiro no bolso.</p>
<p>E um dos gêneros que entrou na dança foi o terror, ao contar o que aconteceu cronologicamente antes de clássicos como<strong> O Exorcista</strong> e <strong>O Massacre da Serra Elétrica</strong>. Com o sucesso de<strong> Jogos Mortais</strong>, que já alcança seu quinto episódio e só deve parar lá pelo número 33, o importante agora não é mais a condução narrativa, mas sim as novidades em termos de mortes e sadismo.</p>
<p>Mas a verdade é que a opção pelas prequels é normalmente ruim para a nova geração de cinéfilos, uma vez que muito da força de personagens impactantes como Darth Vader ou o Padre Merrin se perde durante a “reconstrução”. Convenhamos, ninguém precisa saber como foi o primeiro dia de trabalho de Norman Bates em seu motel. Mas conhecendo Hollywood, nada é impossível.</p>
<p>Voltando ao culpado por tudo isso, levando em conta a batida influência de Joseph Campbell (escritor-referência em mitologia) na criação de George Lucas, não foi dali que saiu a idéia para os três filmes originais de <strong>Star Wars</strong><em> </em>- o fã mais radical vai defender o roteiro gigantesco que renderia nove filmes, mas que foi reduzido para seis (o resultado final depois de 30 anos) e que começou pelo meio, no <strong>Episódio IV</strong>. Entendeu?</p>
<p>Bom, tudo isso está certo, mas a estrutura dessa primeira trilogia tem um pezinho nos livros de J.R.R. Tolkien e seu <strong>O Senhor dos Anéis</strong>, que fornece um dos melhores guias para se contar uma história em três atos, incluindo dilemas de personagens, virada de mesa a favor dos caras maus no segundo episódio e um renascimento milagroso para salvar o dia na parte final. Isso só mostra que o pensamento em três episódios estava por ali quando Lucas criou seu filho predileto.</p>
<p>O investimento maciço nas cinesséries acaba sendo a evolução natural para o sucesso das trilogias nos anos 80, uma vez que a nova realidade das bilheterias (que faz Hollywood ser a única indústria do mundo não afetada pela crise econômica) e a experiência com o mercado de home entertainment, fazem com que uma série de filmes com investimentos normalmente menores a cada novo episódio, garanta bom retorno financeiro primeiro nos cinemas e depois no lançamento direto para DVD. Voltemos, então, a citar exemplos como <em>A Profecia</em>, que já tem cinco filmes em seu acervo, isso sem contar os intermináveis <strong>Sexta-Feira 13</strong> e <strong>A Hora do Pesadelo</strong>. E será que o <strong>Harry Potter </strong>do cinema termina mesmo no sétimo filme? Ops, a Warner já decidiu dividir o episódio final em dois filmes. Ou seja, não interessa se a fonte original, a autora J.K. Rowling, escreveu &#8220;apenas&#8221; sete livros.</p>
<p>Tudo isso expõe dois sintomas claros: Hollywood está mesmo passando por uma crise criativa, que se arrasta há dez anos, e há muito medo entre os executivos na hora de ousar. Ninguém é imbatível ali &#8211; vide os irmãos Wachowski que emplacaram <strong>Matrix</strong>, a última grande trilogia original, ousaram em <strong><em>Speed Racer </em></strong>e o filme ficou aquém do esperado. Esse temor existe quando é necessário criar algo, mas quando se tratam de continuações, com públicos definidos (como no caso de Jason Bourne, um personagem que deu certo) e sucesso garantido, tudo pode acontecer. E quando alguma coisa funciona, a overdose é inevitável.</p>
<p>Essa overdose pode vir com efeitos negativos em alguns casos. Vejamos o terceiro filme da “trilogia” d&#8217;<strong>A Múmia</strong>, com Brendan Fraser. As aspas tem função aqui, pois embora três filmes principais componham a série, há o spinoff do Escorpião Rei, além de um desenho animado envolvido na brincadeira. Dez anos separam o primeiro filme de sua conclusão em <strong>A Múmia &#8211; Tumba do Imperador Dragão</strong>, que perdeu uma das principais chaves da série: Rachel Weisz, substituída após dispensar o papel. Mas o diretor picareta Rob Cohen alega que precisava de alguém mais sexy. Ok. De qualquer forma, Rick O’Connell (Fraser) é um bom herói de ação, mas cinematograficamente não oferece novidade. Como as bilheterias são boas, algum engravatado de Hollywood grita: “Oba, vamos aproveitar ao máximo!”</p>
<p>Mas o sinal de cansaço afeta até mesmo o herói. Em entrevista ao <strong>SOS Hollywood</strong>, em Londres, Brendan Fraser confessou um certo cansaço e demostrou incerteza a respeito de um quarto filme. “John Hannah poderia ir para a América do Sul sozinho, talvez”, disse por conta da sugestão feita pelo comediante inglês ao final do último filme de <strong>A Múmia</strong>.</p>
<p>No meio de tudo isso, temos crossovers (<strong>Alien Vs. Predador</strong>, <strong>Freddy Vs. Jason</strong>), remakes, além de um excesso de adaptações de livros, quadrinhos, games, e os já citados spinoffs (<strong>Wolverine</strong>, <strong>Elektra</strong>, <strong>Escorpião Rei</strong>) e reinvenções. Vale tudo para criar uma cinessérie lucrativa. Reinventaram Bond, Batman, recuperaram a imagem do Hulk com o último filme da Universal e agora é a hora de recomeçar <strong>Jornada nas Estrelas</strong>, agora, devidamente renomeada como<strong> <a href="http://www.soshollywood.com.br/star-trek/">Star Trek</a></strong>. Na 11ª aventura da cinessérie, J.J. Abrams entra na dança e reinventa a origem de James T. Kirk, Spock e Cia. (embora essa história nunca tenha ido parar no cinema, a origem da lendária Enterprise já foi tema da série de TV, que não foi muito bem, aliás). Muito mistério cerca o lançamento do filme, que já foi adiado uma vez, mas se Abrams conseguir recuperar o respeito de <strong>Jornada nas Estrelas</strong>, há muito marcada por filmes similares a longos episódios, podemos ter certeza de que a franquia renascerá e, pelo menos, mais dois filmes com essa mesma “tripulação” serão encomendados [atualização: e ele conseguiu!].</p>
<p>Como você já sabe, Hollywood é um ciclo. Para conquistar diferentes gerações, a indústria tenta se manter e prosperar ao longo dos anos se reinventando algumas vezes e se repetindo de tempos em tempos. Depende de cada época e da necessidade de cada geração. Assim caminha a Humanidade.</p>
<p><em><span>Fábio M. Barreto e Otavio Almeida*</span></em></p>
<p>* Otavio Almeida faz sua primeira participação no SOS Hollywood. Além de grande amigo e companheiro de batalhas nos tempos de assessoria de imprensa, Otavio manja muito de cinema, tem um dos melhores textos da internet brasileira e consegue pensar fora do habitual quando cuida de seu blog, o <a href="http://www.hollywoodiano.com/">Hollywoodiano</a>. Informação importante e indispensável: flamenguista até a última célula!</p>
<p>Texto originalmente publicado em outubro de 2008.</p>
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		<title>G.I. Joe: Blockbuster Honesto</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 10:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ação desenfreada de Stephen Sommers diverte e não compromete. Alguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/rachel_gijoe.jpg" alt="rachel_gijoe" title="rachel_gijoe" class="aligncenter size-full wp-image-635" /></p>
<blockquote><p>Ação desenfreada de Stephen Sommers diverte e não compromete. Alguém quer um pouco de pipoca?</p></blockquote>
<p>Brincar com os Comandos em Ação ficava frustrante conforme os anos passavam, até que não passava de uma brincadeira boba, de criança. Também pudera, os veículos e bonequinhos cheios de habilidades, armas especiais e histórias cheias de traumas e drama [para quem lia os quadrinhos ou assistia ao desenho animado] não passavam de brinquedos inanimados. Nada de explosões, nada de tiros, nada de jatos lutando no ar. Entretanto, as novas gerações não precisam se preocupar com isso e a brincadeira ganha novo fôlego com os Comandos em Ação, ou melhor, G.I. Joes apontando como sucesso de bilheterias no mundo todo. É a consolidação do império da Hasbro nas telonas. Em <strong>G.I. Joe &#8211; A Origem de Cobra</strong>, nada de complexidade ou cinema artístico. É a pipoca honesta, cheia de coisas impossíveis, mulheres bonitas e brinquedinhos maravilhosos!</p>
<p>Ao longo de quase dois anos como correspondente em Los Angeles,<em> G.I. Joe – A Origem de Cobra</em> foi o primeiro filme cujos envolvidos não tentaram vender como a última bolacha do pacote. Diretor, produtor e atores tinham uma certeza: é um filme divertido. E pronto. Estavam certos. Oras, o que esperar de um filme previsível do início ao fim? Alguém duvida que os Joes vão dar um jeito de impedir os planos destruidores dos Cobra? Ou que o mocinho vai salvar o dia e ficar com seu amor? Mas é a previsibilidade que não incomoda, justamente por não existir a tentativa de potencializar cenas dramáticas [como personagens morrendo por alguns segundos ou alguém ser dado por morto e retornar depois]. </p>
<p><a href="http://www.soshollywood.com.br/stephen-sommers/">Stephen Sommers</a> entende desse tipo de ação maluca, embora saiba dar toques dramáticos e românticos em seus outros filmes. <em>A Múmia</em>, por exemplo, é tão agradável visual quanto estruturalmente. <em>G.I. Joe</em> não servirá como cartão de visita para o diretor, não nesse sentido, e ele também não faz questão. &#8220;Recusei a direção quando o ofereceram, depois me mostraram que seria algo mais moderno do que soldadinhos ganhando vida&#8221;. Do ponto de vista da coordenação de efeitos especiais a coisa muda de figura. O melhor ator desse filme é o belíssimo pacote de criações miraculosas, de encher os olhos. Nada exagerado, aliás. Na medida certa para não incomodar o espectador mais exigente.</p>
<p>Diferente de Transformers, carregado com uma certa prepotência de Michael Bay, G.I. Joe sabe seu lugar. Sommers escolheu bem seu elenco. Ninguém muito famoso, mas um belo grupo, especialmente para o público masculino que vê seu ingresso valer a pena no momento em que Sienna Miller (Baronesa) e Rachel Nichols (Shana O’Hara) – ela é a <strong>alienígena verde de Star Trek</strong> – entram em cena. Tão belas na tela quanto pessoalmente, as duas beldades entraram no espírito da “brincadeira de menino” e se divertiram de forma pouco convencional: se espancando até cansarem. “Percebemos que não era brincadeira quando errei um chute e quase acertei a cara da Rachel”, comenta Sienna ao <strong>SOS Hollywood</strong>. “Até aquela hora era tudo 100% divertido, depois nos concentramos mais. Ninguém queria abrir mão daqui e deixar a briga para as dublês”. As duas levam larga vantagem sobre Megan Fox: sabem atuar.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/sienna_gijoe.jpg" alt="sienna_gijoe" title="sienna_gijoe" class="aligncenter size-full wp-image-636" /></p>
<p>A dupla masculina devolve na forma de piadas. Marlon Wayans (RipCord) é improvisador nato e engraçado por natureza, embora tenha aparecido para as entrevistas vestindo terno e gravata, além de iniciar o papo com voz calma e pouco condizente com sua imagem pública de brincalhão. Sua comédia vem a calhar, sem forçar a barra, no mundo fictício de <em>G.I. Joe</em>. Ele provoca risadas espontâneas em Channing Tatum (Duke), à vontade em papéis militarizados. “Venho de família militar, então conheço bem o tipo. Não servi no Exército, mas se houvesse alguma convocação, me apresentaria imediatamente”, comenta Tatum, que faz interessante ponta em <em><a href="http://www.soshollywood.com.br/inimigos-publicos/">Inimigos Públicos</a></em> e, em breve, estréia o curioso <strong>The Eagle of the Ninth</strong>, ambientado imediatamente após a queda do Império Romano. “Esse filme vai ser diferente, poderei atuar de forma mais intimista e no meio da natureza, estou doido para mudar de ares um pouco. Ficar correndo atrás de nanorobôs pelas ruas de Paris é doido demais para mim” (risos).</p>
<p>As comparações com <em>Transformers </em>parecem inevitáveis pelo grande número de semelhanças entre as duas propriedades: Hasbro é dona das duas marcas; <a href="http://www.soshollywood.com.br/di-bonaventura/">Lorenzo di Bonaventura</a> produziu ambos; Paramount Pictures distribuiu; a preocupação com histórias globalizadas é compartilhada; e, acima de tudo, a tecnologia exerce papel mais relevante que seus respectivos elencos. Entretanto, G.I. Joe leva melhor sobre os robozões. É mais simples, logo, erra menos.</p>
<p>Ou melhor, ousa com mais tranqüilidade. E diverte no meio desse processo. Custou quase US$ 140 milhões [maior parte gasta com efeitos especiais] e deve se pagar com facilidade, especialmente por apostar na boa performance internacional apoiados não apenas em seu elenco principal, mas num grupo de apoio de respeito. Orgulhoso por trabalhar com a mesma equipe há anos, Sommers chamou alguns amigos para pontas e papéis menores. Dennis Quaid lidera os G.I. Joes como General Hawk, mas a surpresa fica por conta do elenco de <em>A Múmia</em>: Brendan Fraser, Arnold Vosloo (Imhotep), Kevin J. O’Connor (Beni) dão as caras. Além disso, Jonathan Price e Christopher Eccleston completam a célebre lista. Irreconhecível sob a máscara de Snake Eyes está Ray Park, o Darth Maul de <em>Episódio I</em>. </p>
<p>Aliás se você precisar de uma razão para ver o filme [claro, se Sienna Miller e Rachel Nichols não forem o suficiente], assista para ver os pegas entre Snake Eyes e Storm Shadow, os ninjas! Que ninjas! Última vez que vi um ninja em Hollywood foi em Speed Racer, ou melhor, aquela versão tosca de ninjas. Esses não, são sujeitos sérios, não levam desaforo para casa e roubam a cena. Coisa linda de se ver!</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/gijoe.jpg" alt="gijoe" title="gijoe" class="aligncenter size-full wp-image-637" /></p>
<p>Sommers jogou todo esse pessoal, uma trama cheia de mistérios e ganância, milhões em efeitos especiais e uma propriedade de renome num caldeirão e mexeu bem. O resultado é um filme despretensioso, que cumpre o pensamento de seu produtor [“traduzir o que as pessoas pensam ou não querem imaginar”], tem noção de sua natureza meramente comercial e deixa tudo pronto para a inevitável continuação.</p>
<p>Não há nenhuma grande atuação; algumas cenas de ação são memoráveis, como o combate submarino, que remete a <em>007 Contra a Chantagem Atômica</em>, e a perseguição nas ruas de Paris; e o único presente para o público é uma coleção de exclamações e surpresas pelas realizações visuais. Nada mais. Do jeito que um blockbuster deve ser e como todos os brinquedos deveriam funcionar, claro, sem as armas letais e nanomáquinas controladoras de corpos e destruidoras de metal! Apertem os cintos e aproveitem o passeio. </p>
<p>A montanha-russa só acaba na última cena.</p>
<p>E se você, como eu, também tiver vontade de comprar dois helicópteros, metade das armas e arrumar uma daquelas armaduras aceleradoras, não se preocupe, Stephen Sommers acha que daqui uns 15 anos tudo isso estará disponível! Só espero estar milionário até lá! =D</p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Gangster desalmado</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 16:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depp deixa de lado as caricaturas e mergulha no mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/depp_dillinger.jpg" alt="depp_dillinger" title="depp_dillinger" class="aligncenter size-full wp-image-532" /></p>
<blockquote><p>
Depp deixa de lado as caricaturas e mergulha no mundo pós-Depressão, mas roteiro de Michael Mann é confuso e pouco carismático.</p></blockquote>
<p>Não é de hoje que Hollywood adora idolatrar os grandes “heróis” da cultura norte-americana. Os pistoleiros do Velho Oeste estão entre os assuntos prediletos, mas ninguém tira o charme e glamour dos gangsters das décadas de 20 e 30. Um desses ídolos improváveis é <strong>John Dillinger</strong>, um dos maiores assaltantes a banco da história, classificado como Inimigo Público, nome que acompanha o mais recente filme de Michael Mann. Para realizar essa cinebiografia, <strong>Mann escalou Johnny Depp</strong>, fora de seu elemento caricato, mas nem a presença de um dos rostos mais conhecidos da atualidade deu personalidade a um filme desalmado. Claro, todo filmado em HD.</p>
<p>Os personagens são emblemáticos. Dillinger inspirou Hollywood mesmo em vida, sendo retratado em tela em diversos filmes. Assistiu a um desses filmes pouco antes de ser morto pela força tarefa comandada por Melvin Purvis (Christian Bale), um policial modelo, mas muito menos famoso que seu alvo. Assim como Edgar Hoover (Billy Crudup), figura egoísta e fundamental na história do FBI – ele foi pai da instituição. Mas suas histórias são apenas peças na trama de Michael Mann e baseada no livro Brian Burrough. </p>
<p>É praticamente impossível captar todos os motivos que fizeram de Dillinger uma figura carismática e adorada pelo público – para quem fazia as vezes de Robin Hood contemporâneo. Tão dedicado a sua ocupação, quanto a sua paixão por Billie (vivida pela vendedora do Oscar Marion Cotillard), Dillinger enfrenta um futuro incerto, ou melhor, um presente duvidoso. O mesmo vale para Michael Mann. Preocupado em inserir o maior número de informações verídicas nessa cinebiografia, não escolheu um lado no duelo. Torcer para Dillinger e sua paixão ou ser cativado por Purvis, um paladino idealista em meio a uma polícia que procura redenção, profissionalização e ética? </p>
<p>Os dilemas dos personagens não convencem. Conhecer a história de Dillinger ajuda a ter empatia pelo sujeito, mas nem Johnny Depp foi capaz de superar a edição. Demorada e artística em alguns momentos, caótica e desinteressante em outros, a seqüência de idéias fica devendo. Por não escolher lados, o encadeamento não só fica em cima do muro, mas também cai, como Humpty Dumpty. E uma queda dessas em HD é mais complicada.</p>
<p>Mann credita essa situação à quantidade gigantesca de informação disponível sobre Dillinger. “São tantas facetas, situações e níveis de entendimento sobre ele que juntar tudo seria impossível”, explicou ao <strong>SOS Hollywood</strong>. “Precisava mostrar os motivos por trás das decisões dele, seu modo de encarar a vida e acreditar que sempre escaparia”. Entretanto, essa responsabilidade caiu única e exclusivamente sobre as costas de Depp. Tem momentos sublimes, como seu passeio dentro do escritório da unidade que o caçava; e seu embate com sua versão cinematográfica, na pele de Clark Gable, em <em>Vencido Pela Lei</em>.</p>
<p><strong>Inimigos Públicos é indeciso.</strong> Faltou a Mann optar por romancear ou partir para o documentário assumido. Não ofende o espectador, mas fica muito aquém do esperado. Exceto por Depp, pouco se lembra da extensa projeção. “Filmes são apenas filmes, às vezes se espera muito deles e isso está errado”, finaliza Mann. Não é assim que os departamentos de marketing pensam. No modelo atual, todo filme é o “melhor filme do ano” e coitado do espectador, que nunca sabe em quem confiar. Cada vez mais, o espírito deve ser: vá ao cinema por sua conta e risco. Não há crítica ou marketing melhor.</p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Dissecando uma Nação</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 21:05:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[There Will Be Blood]]></category>

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		<description><![CDATA[Sangue Negro mostra um viés cru e agressivo, sem dó [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/08/sangue-negro_sm.jpg" alt="sangue negro_sm" title="sangue negro_sm" class="aligncenter size-full wp-image-602" /></p>
<blockquote><p><strong>Sangue Negro</strong> mostra um viés cru e agressivo, sem dó nem piedade, do empreendedor norte-americano da virada do século passado.
</p></blockquote>
<p>Não se assuste com a incômoda e aguda trilha sonora que marca o início de <strong>Sangue Negro</strong> (<em>There Will Be Blood</em>). Esse elemento é apenas a ponta do “iceberg” de frieza e brutalidade moldado com maestria pelo diretor e roteirista <strong>Paul Thomas Anderson</strong> (<em>Magnólia</em>), que, seguramente, assina sua primeira obra-prima. Tudo isso, porém, só é possível com a intensa interpretação de <strong>Daniel Day-Lewis</strong> (<em>Gangues de Nova York</em>), no papel de um dos pioneiros na exploração de petróleo, Daniel Plainview. Concorreu a oito estatuetas no Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado. Faturou Melhor Ator e Fotografia.</p>
<p>Nascido nas páginas do romance <strong>Oil!</strong>, de Upton Sinclair, Sangue Negro esmiúça o tipo de homem que foi responsável pela construção da América moderna. O que hoje são arranha-céus cheios de indústrias, na virada do século 19, eram vastos terrenos ocupados por fazendeiros, mineradores e, especialmente, homens sedentos por petróleo, destacadamente na prodigiosa Califórnia, onde o “ouro negro” brotava do chão. </p>
<p>Daniel Plainview é o centro das atenções desde o princípio, entretanto, muito mais importante de quem ele é, é o que ele faz. Forjada na dura realidade do confie apenas em si mesmo, nem que isso custe sua vida, a natureza de Plainview é a verdadeira epígrafe do conteúdo de Sangue Negro, pois, como a tradução direta do título em inglês diz: <strong>Haverá Sangue! </strong>Seja ele do próprio personagem, de seus empregados que trabalhavam sob condições extremas ou, mais provável, daqueles que ousarem ficar em seu caminho.</p>
<p>Em vez de outro velhaco à altura, porém, quem surge como adversário velado de Plainview é o jovem pastor Eli Sunday (<strong>Paul Dano</strong>, de <em>Pequena Miss Sunshine</em>, ele impressionou Day-Lewis, que o indicou para o papel). Assim como o empreendedor petroleiro, Sunday vê na exploração do petróleo a chance de fundar sua própria congregação religiosa e, no processo, ficar milionário. Os dois perfis são muito bem traçados e o filme respeita seu próprio ritmo, sem pressa ou recursos exagerados, deixando as vidas desses dois homens se envolverem até o extremo. E, como tudo levado ao limite, teoricamente, um dos dois precisaria vencer.</p>
<p>Todavia o vitorioso nessa história é o desejo pela fortuna, a boa e velha ganância. Plainview a toma como seu meio de vida, Sunday é seu escravo, embora a condene em todos os seus intensos sermões aos fiéis. Sangue Negro nos leva aos meandros desse mundo sujo e árduo com uma belíssima fotografia e a trilha sonora mais presente dos últimos anos em Hollywood. Ora irritante, ora angustiante – de acordo com as necessidades dramáticas de cada cena – a composição assinada por Johnny Greenwood, guitarrista da banda Radiohead, cumpre a difícil função de transmitir peso e importância ao cenário e às longas tomadas sem diálogos protagonizadas por Day-Lewis.</p>
<p>A poesia das telas nunca foi tão agressiva e natural como a jornada de Plainview e seu filho adotivo HW, que canaliza muitos de seus dilemas, mas é incapaz de superar a força motriz do pai e de seus negócios, que o transformaram num dos primeiros milionários da Califórnia. É interessante notar que Plainview é um sujeito fiel as suas crenças do começo ao fim, mesmo quando tem aparentes recaídas de humanidade, existe um fundo de necessidade naquilo que faz. Ficar rico justifica qualquer sacrifício, seja matar, seja se converter a uma religião em que não acredita, mas com a maior demonstração de fé e arrependimento que os fiéis já viram. Como o bispo de <em>Cruzada </em>diz, “Converta-se primeiro, arrependa-se depois”. A conversão pode parecer real, mas o arrependimento não existe. Tudo vale a pena.</p>
<p>A imprensa norte-americana tratou o <strong>Sangue Negro</strong> como a <strong>Obra-Prima de Paul Thomas Anderson</strong>, e o longa faz por merecer essa honraria. Prende a atenção do início ao fim, sem fórmulas prontas e situações óbvias. O final surpreende e faz pensar que não haveria outro jeito de encerrar um épico do homem comum, do “self made man”, que conquistou tudo até se dar por satisfeito. Lewis está magnífico &#8211; tanto que venceu o Oscar de Melhor Ator &#8211; e a direção permite uma viagem no tempo e para dentro da índole humana. </p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em><br />
<em><font size="-2">Texto originalmente publicado na semana de estréia no Brasil, atualizado por conta das premiações no Oscar</font></em></p>
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		<title>A Queda do Jornalismo</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 18:02:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Intrigas de Estado enfia o dedo na ferida da crise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-439" title="stateofplay" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/stateofplay.jpg" alt="stateofplay" /></p>
<blockquote><p>Intrigas de Estado enfia o dedo na ferida da crise da imprensa e amplia ainda mais a discussão levantada pela série homônima da BBC: para onde caminha a imprensa mundial?</p></blockquote>
<p>Há muito tem se falado sobre problemas no jornalismo. Redações cortando pessoal, anunciantes preferindo apostar em campanhas “virais” na internet e, claro, leitores deixando de pagar por exemplares e ler tudo de graça na internet. Enquanto a imprensa [maior interessada no problema] se recusa a discutir seus erros e pontos fracos, o cinema faz sua parte e expõe alguns aspectos desse problema. Por isso, <strong>Intrigas de Estado</strong> (<em>State of Play</em>) merece atenção redobrada num momento de tão intensa crise.</p>
<p>Inspirado numa fabulosa série de TV da BBC, <em>Intrigas de Estado</em> usa uma investigação envolvendo assassinato e jogatina política no Senado norte-americano como pano de fundo para discutir os papéis da imprensa no mundo atual. Qual aspecto mais relevante: manchetes bombásticas capazes de vender mais exemplares, mas embasadas em meias verdades? Ou investigação a fundo, com todos os lados da história e bases factuais? Ou seja, hoje em dia, vale mais ser comercialmente viável ou ético e confiável? A pergunta não tem resposta fácil e nem é o objetivo do longa-metragem de Kevin Macdonald [<em>O Último Rei da Escócia</em> e escalado para dirigir <em>O Fim da Eternidade</em>, de Isaac Asimov], estrelado por Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams e ainda tem Helen Mirren dando um show no elenco.</p>
<p>Crowe [veterano do jornalismo impresso] e Rachel [novata editora de um blog oficial do jornal] se vêem trabalhando lado a lado para descobrir quem matou uma pesquisadora do Senado. A vítima tinha um caso amoroso com o personagem de Ben Affleck, amigo de faculdade do repórter de Crowe. Amizade, investigação e uma grande cortina de fumaça se misturam nessa trama, um relato próximo do dia a dia de milhares de jornalistas ao redor do mundo. São dois lados e, no meio das versões conflitantes, a verdade, que raramente vai a público. Quantas versões diferentes foram relatadas, por exemplo, do caso da família Nardoni, recentemente no Brasil? Óbvio, nenhuma concluiu absolutamente nada, afinal, quem decide é o júri popular. A imprensa está cheia de histórias assim, mas sua incidência cresce assustadoramente conforme as vendas e anunciantes caem.</p>
<p>Intrigas de Estado propõe um casamento entre dinamismo e responsabilidade. A mídia se recusa a aceitar essa revisão inevitável. Russell Crowe é uma versão mais nova de Woodward e Bernstein [os jornalistas do Caso Watergate] e vê apenas o lado negativo da reportagem online, sempre desesperada por fatos momentâneos e em busca de mais e mais hits. Rachel McAdams idolatra Crowe, mas enxerga suas limitações e descobre sua dependência vital por fatos confirmados. Um aprende com o outro e o leitor ganha. Mas essa é a versão romantizada. No mundo real, é cada um por si. E o jornalismo impresso tem perdido a guerra. “O mundo nunca pode deixar o formato impresso de lado, seria um erro”, comenta Ben Affleck em entrevista exclusiva ao <strong>SOS Hollywood</strong>. “Essa busca pela notícia quase simultânea é perigosa; é necessário ter certeza antes de se relatar ou discutir algum assunto. Da mesma forma, não imagino um diretor realizando um filme em uma semana ou filmando um roteiro escrito em cinco minutos. Tudo tem o tempo certo e apressar tem seus riscos”.</p>
<p>Essa derrota temporária é numericamente contrastante. Em termos de leitores e seriedade, o jornalismo impresso ainda ganha com larga vantagem. A Internet cria a ilusão de relevância e abrangência com seus milhões de cliques, mas atinge uma pequena camada da população que, basicamente, repercute o conteúdo dentro da própria internet. Apesar de defender um novo formato mesclando as duas mídias, <em>Intrigas de Estado</em> chega a uma conclusão: seja jornalista ou blogueiro, informação é uma só e tratá-la com cuidado é fundamental. E essa lição, os “jornalistas virtuais” ainda precisam aprender a averiguar, revisar e reportar, em vez de “postar”.</p>
<p>A crise ainda está distante de acabar, seu desfecho está nas mãos dos leitores – afinal, é deles a escolha pelo formato e tipo de produto – e resta ao cinema, e outras mídias, levantar essa discussão, especialmente enquanto parte da imprensa continuar fazendo vista grossa. “Acredito num futuro no qual a tecnologia seja aliada 100%, não arauto de problemas como os downloads ilegais ou essa crise do jornalismo. Quem cria e usa a tecnologia somos nós, logo, ela deve ser uma ferramenta, não um pacote de regras a ser seguido”, finaliza Affleck.</p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Fanboys: Emoção Total</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 07:11:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Fanboys é homenageia a paixão de várias gerações, com sinceridade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/fanboys2.jpg" alt="fanboys2" title="fanboys2" class="aligncenter size-full wp-image-410" /></p>
<blockquote><p>Fanboys é homenageia a paixão de várias gerações, com sinceridade, bom-humor e muito carinho. Faz rir e chorar. É o verdadeiro orgulho nerd, especialmente se você gosta de <em>Guerra nas Estrelas</em>.</p></blockquote>
<p>Trabalhar com cinema em Hollywood sempre me coloca em contato com filmes inesquecíveis, históricos e com aquela capacidade de ditar os rumos da indústria, mas há momentos pessoalmente modificadores. E isso nunca acontece por causa de blockbusters milionários ou filmes cheios de hype. Num ano com direito a Star Trek, Harry Potter, Exterminador do Futuro, foi um filme pequenino e irrelevante comercialmente que entrou para meu Top 5 de todos os tempos. Por questões mais que pessoais e óbvias, claro que estou falando de Fanboys, dirigido por Kyle Newman.</p>
<p>Coisas do destino, mas fui assistir <strong>Fanboys </strong>no Chinese Theatre, local da icônica foto das filas de Guerra nas Estrelas, em 1977. Tinha algumas horas vagas entre entrevistas com o Evangelini Lilly e o elenco de <em>Brothers &amp; Sisters</em>, que incluía Sally Field, no complexo Highland &amp; Hollywood, que engloba o cinema. Resolvi descer as escadas para ver alguma coisa e eis que Fanboys estava em cartaz.<br />
Cheguei 5 minutos atrasado e com medo de não encontrar ingresso. Alguns lugares não permitem entrada depois do início da sessão, então nunca se sabe. Consegui e entrei correndo.  Notei que estava praticamente vazio. Mas corri pro meio da sala e assisti ao filme. Só mais tarde perceberia que não havia mais ninguém lá. Foi uma sessão só minha.</p>
<p>Logo, ninguém me viu chorar. Ninguém me viu rir. Ninguém me viu entrar num mundinho especial, como se boa parte da minha vida estivesse sendo exibida na tela. A premissa de quatro amigos dispostos a tudo para invadir o Rancho Skywalker e roubar uma cópia de <em>Episódio I</em>, ou, pelo menos, assistir antes do resto do mundo. Mas a causa é justa: Linus, um dos amigos, está com os dias contados e sabe que não vai resistir até 19 de maio, data de estréia do filme.</p>
<p>Compreendo perfeitamente os motivos que levaram <strong>Fanboys </strong>a ser considerado dúvida por tanto tempo. Não é um filme comercial, fez apenas US$ 700 milhões e tem difícil entendimento para um não fã. <strong>Fanboys </strong>é muito mais que um filme, é um manifesto sobre a alma de cada fã de <em>Guerra nas Estrelas</em>, seja ele velhaco da primeira geração, seja um garoto recém-cativado por conta de Guerras Clônicas.</p>
<p>Isso acontece por conta dos pequenos detalhes do roteiro. Conhecer um personagem que tatuou Jar Jar Binks e a versão mirim de Anakin Skywalker nas costas, apostando no “inevitável” sucesso da dupla é algo, ao mesmo tempo, hilário e digno de pena. Afinal, aja cirurgia à laser para remover aquilo depois da estréia do filme. Ou então ficar emocionado pelo simples fato de os personagens entrarem no escritório de George Lucas. O que pode é mera cena para uns, pode significar muito para outros.</p>
<p>E justamente por isso, não há remorso por <strong>Fanboys </strong>não ter estourado nas bilheterias ou ser o “novo Homem de Ferro”. O fã verdadeiro cria um sentimento de posse desses momentos, como se cada cena com ligação mais afetiva – ou reflexo de momentos de nossas vidas – deva ser nossa, sabe? Nada de garotada simulando diálogos ou vestindo camisetas toscas em convenções de animes. Ali a coisa é séria, pois, as gerações que cresceram com <em>Guerra nas Estrelas</em> na veia sabem da relevância e do respeito requerido pela Saga.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/fanboys3.jpg" alt="fanboys3" title="fanboys3" class="aligncenter size-full wp-image-411" /></p>
<p>Dediquei pelo menos 12 anos da minha vida a <em>Guerra nas Estrelas</em>; editei um fanzine impresso, o Intrepid; fundei o Conselho Jedi São Paulo; fui um dos idealizadores da JediCon; comandei a realização da primeira delas e fui o alucinado que topou fazer a versão de 2001 em três meses; perdi dois empregos pelo simples fato de “ser nerd e não me conter”. Mas, em contra partida, conheci minha esposa numa das convenções, e devo minha carreira e minha segunda língua à Santa Trilogia. Uma trajetória como essa, inevitavelmente, se vê refletida em <strong>Fanboys</strong>.</p>
<p>É aquela paixão pura, sem interesses. É a vontade de discutir até o último momento sobre as coisas mais “improváveis” para um não-nerd como, por exemplo, as primeiras versões da história de Boba Fett, que um dia já foi um Jaster Mareel [ultimamente, com a modinha de ser mandaloriano, que inclui até gente estudando a “língua”, o personagem ganhou vida própria e sem relação com Fett], antes mesmo de qualquer um imaginar o nome Jango Fett ou qualquer surto da nova trilogia.</p>
<p>Chorei quando <strong>Carrie Fisher</strong> entrou em cena. Ri feito criança na participação especial dos Ewoks. Mergulhei em minhas memórias quando Sam Huntington precisou decidir se trabalharia para o pai ou seguiria naquela missão maluca. Fiquei maravilhado com o bom-humor saudável. E preciso ter uma placa “Flash If You Like Wookiees!” no meu carro! =D</p>
<p>Existe muito mais em Fanboys do que uma infinidade de referências e piadas de gênero. Há algo mais ali, algo que só um fã poderia compreender: os laços que unem aqueles amigos, claro que <em>Guerra nas Estrelas</em> é o denominador comum, mas serve apenas como plataforma para uma história cheia de lealdade e sacrifício. Ser um “fanboy” já não soa bem em muitos lugares, fica um pouco pior com matéria oportunista no Fantástico e nos transforma em pessoas que vivem em função de um assunto ou paixão. O que, na verdade, é o inverso.</p>
<p>Assim como os personagens de <strong>Fanboys</strong>, ser nerd é parte de um estilo de vida que sempre foi motivo de orgulho – com ou sem dia, com ou sem aceitação pública – e de competência. Afinal de contas, excetuando-se torcedores fanáticos de futebol, que outro nicho é capaz de assimilar tanta informação sobre o foco de sua paixão como os nerds? Groupies de bandinhas teen fazem isso, mas só até perceberem que o mundo é maior e a febre passa. Ser nerd não tem prazo de validade, não tem limite de HD, não termina quando outra moda começa.</p>
<p>E, no caso de <strong>Fanboys</strong>, vai até o último minuto da vida. Pena que todo o esforço tenha sido para Episódio I – A Ameaça Fantasma. O filme do Jar Jar e do “oops” do Anakin. O filme que colocou tudo a perder. De qualquer forma, nada disso impediu o sonho daqueles quatro amigos, que peitaram trekkies – aliás, William Shatner participa de forma sublime – em território inimigo, em Iowa, e, depois, numa convenção de Jornada nas Estrelas; desafiaram a segurança do Rancho Skywalker, com direito a show particular de Ray Park [Darth Maul] e, acima de tudo, ainda leva Kristen Bell a tira colo.</p>
<p>Lembro que quando entrevistei Steve Sansweet, o fan relations da LucasFilme, durante a Comic-Con, durante o Star Wars Fan Film Fest e, no dia seguinte, durante as entrevistas para <strong>Star Wars: The Clone Wars</strong>, ele fazia questão de dizer que George Lucas havia apenas concordado com o filme, se negando a qualquer apoio oficial ou investimento. Aliás, não fosse por Kevin Spacey, Fanboys ainda estaria esperando por distribuição. LucasFilm errou nessa, pois, não importa quantos fã-filmes com efeitos de sabre de luz ou cenários em CGI passem pela mostra oficial e sejam reconhecidos e elogiados pelos canais oficiais, nenhum deles jamais vai retratar a essência de um fã de <em>Guerra nas Estrelas</em> como Fanboys fez.<br />
É o legado de várias gerações. Pessoalmente, uma autobiografia nérdica. Sem estardalhaço. Sem hype. Honesto e sincero como deveria ser. E que continue assim ao longo dos anos, como nosso momento de catarse, nosso cantinho secreto para curtir sozinhos , ou com os amigos mais próximos, algo que só nós, fãs, nerds, aficionados, somos capazes de compreender. Um verdadeiro desígnio da Força, e sem George Lucas para atrapalhar.</p>
<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/fanboys1.jpg" alt="fanboys1" title="fanboys1" class="aligncenter size-full wp-image-409" /></p>
<p><em><font size="-2">Reportagem: Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>A Cartada do Coringa</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 08:30:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Introduce a little anarchy&#8230; Upset the established order&#8230; Well, then [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-67 alignnone" title="batman3" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/batman3.jpg" alt="batman3" /></p>
<blockquote><p>Introduce a little anarchy&#8230; Upset the established order&#8230; Well, then everyone loses their minds!</p></blockquote>
<p>Um dia ou um ano. Tanto faz o tempo disponível para escrever essa análise de <strong>Batman – O Cavaleiro das Trevas</strong>. A tarefa não se torna mais fácil ou menos complexa, não por ser um filme de difícil compreensão ou repleto de mensagens subliminares, muito pelo contrário, justamente por se tratar de um longa-metragem extremamente direto e agressivo. Que deixa o público sem saber como agir depois que o filme acaba. E isso assusta, transtorna e marca o espectador. O personagem pode ter nascido nos quadrinhos, mas pouco resta do herói arquétipo e da estrutura do formato impresso. Tim Burton que me perdoe, continuo adorando seus filmes, mas a história de Batman nos cinemas começa agora!</p>
<p>Mas&#8230;e <strong>Batman Begins</strong>? Christopher Nolan e Christian Bale definiram os novos parâmetros no primeiro filme, sem dúvida, mas ainda restavam traços das HQs. Vilões que precisam ser derrotados em prol do bem maior, um herói definia seus caminhos, tudo ainda era preto e branco. O que não tira os méritos do filme, mas deixa claro que foi uma preparação para a realização de <strong>O Cavaleiro das Trevas</strong>. É fato. E um filme que precise de um preâmbulo grandioso como <em>Batman Begins</em> não pode ser um produto qualquer. E não é.</p>
<p>Desde <strong>Sangue Negro</strong> não me deparava com uma trilha sonora tão presente e ameaçadora. Praticamente um personagem independente que apóia o elenco e tem seus momentos de grandeza, mas, como todo grande “astro”, sabe quando se retrair e desaparecer completamente. James Newton Howard e Hans Zimmer realizaram algo memorável com suas composições.</p>
<p>Se o aspecto sonoro ameaça, o que dizer sobre o vilão mais antecipado do ano? O Coringa chamou a atenção desde a escalação de Heath Ledger e dividiu a opinião pública (por pouco tempo, diga-se de passagem) quando suas primeiras imagens foram divulgadas. O estúdio já começava a notar que tinha algo único nas mãos, mas, de repente, Ledger morreu em janeiro, e vários “especialistas” culparam a intensidade do Coringa no incidente. O mito estava criado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-68 aligncenter" title="batman1" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/batman1.jpg" alt="batman1" /></p>
<p>Sem dúvida, esse vai ser o principal chamariz para a maioria das críticas, pois a morte de Heath Ledger ofusca. Entretanto é inegável o fato de que, vivo ou morto, ele entraria para a história com a interpretação desse Coringa. Ele foi capaz de realizar em apenas um filme o que 90% dos atores de Hollywood gastam a vida inteira tentando: originalidade e transformação total. O ator desapareceu e, em seu lugar, surgiu uma figura que inspira medo e pavor, não apenas por suas próprias ações, mas por conta de uma sociedade que o criou e o tolera.</p>
<p>Diferente de todos os demais filmes sobre o Batman, <strong>O Cavaleiro das Trevas </strong>não foca no personagem de Bob Kane. Toda a campanha de marketing e o início do filme levam a crer que o elemento principal dessa trama é o Coringa, um assassino maníaco que desconhece limites para suas maquinações. No entanto há Harvey Dent, o novo promotor público de Gotham City. Num trabalho primoroso de Aaron Eckhart (<em>Obrigado por Fumar!</em>), ele destoa como verdadeira esperança para uma cidade aterrorizada pelo crime e, mesmo durante o rompante de violência promovido pelo Coringa, se mantém firme e desafiador.</p>
<p>É nele que os olhos do espectador devem ficar atentos. Um bastião mais importante que o próprio Batman e ideal o suficiente para inspirar gerações. Algo próximo do verdadeiro modelo do herói, sem capa ou superpoderes, apenas um homem comum aceitando a responsabilidade de agir no momento de necessidade. A campanha de marketing sabiamente focou no Coringa para despistar quem resolveu seguir os passos da “incansável caçada do Tenente Gordon ao criminoso” e utilizou Dent como elemento secundário. Ele, ou melhor, a cidade que representa é a verdadeira chave de <strong>O Cavaleiro das Trevas</strong>.</p>
<p>Os elementos dos quadrinhos estão lá. Batman, Coringa, Gordon, batsinal e por aí vai. Porém Christopher Nolan fez algo que seus competidores da Marvel não ousaram (<em>Homem de Ferro</em> construiu um herói para a nova geração, cheio de tecnologia, bom-humor e adrenalina; <em>Hulk </em>esmagou, falou, esmagou mais um pouco e ponto). Ele criou um tratado social com seu novo filme, fazendo uma incisão sem anestesia num paciente apático que se vê acuado pela violência retratada no longa-metragem e pouco faz para combatê-la. Ou seja, o filme fala sobre nós. Pessoas. Até mesmo Gordon (em mais um grande trabalho de Gary Oldman) recebe seu quinhão da mazela ao se ver cercado por pessoas corrompidas e paga caro por isso. Não há escapatória se não esboçarmos uma reação.</p>
<p>O Coringa inspira medo e o trabalho de Ledger assusta. É algo visceral e cruel. Diferente da versão memorável de Jack Nicholson, que exibia certo charme e sutileza. Ledger é cru, mais próximo da realidade. Mas nada disso supera suas conquistas perante a população, que comprova sua tese: mesmo os mais nobres podem ser corrompidos. E vai além. Ele corrompe, manobra e entrega o “novo tipo de criminoso” que prometeu nos trailers. O que é mais sintomático: o psicopata assassino ou uma massa gigantesca de pessoas que teme um único homem?</p>
<p>Essa é a tônica de <strong>O Cavaleiro das Trevas</strong>. Um mergulho em direção aos medos de cada espectador, que é obrigado a imaginar como reagiria às situações extremas provocadas pelo Coringa. Essencialmente, é a jornada do próprio Batman, desde a traumática morte dos pais até a seqüência de relacionamentos infrutíferos. Agora, o Homem-Morcego coloca sua moral e seus conceitos em xeque por conta de seu novo inimigo. Como enfrentar alguém sem limites e manter sua própria sanidade? Christopher Nolan disse ter ficado receoso ao conceber o filme. Agora é possível entender. Fazer algo desse tipo requer muita coragem e causa calafrios em qualquer um.</p>
<p>E o pior de tudo: como tentar dormir em paz depois de ser confrontado com tamanha perturbação e veracidade? Esse é o legado de Heath Ledger, o legado do Coringa, o legado do medo e da genialidade.</p>
<p><img class="size-full wp-image-69 alignnone" title="batman5" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/batman5.jpg" alt="batman5" /></p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Turturro salva Transformers</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 09:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Megan Fox é atrativo meramente estético e Shia LaBeouf é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/optimus.jpg" alt="optimus" title="optimus" class="aligncenter size-full wp-image-362" /></p>
<blockquote><p>Megan Fox é atrativo meramente estético e Shia LaBeouf é o talentoso da equação, mas sem John Turturro, a nova aventura mecatrônica de Michael Bay teria um destino extremamente desagradável. No fim das contas, o humor de um homem só fez valer horas de pancadaria entre os robozões.</p></blockquote>
<p>Mais de 1.000 pessoas aglomeravam-se nos jardins da Paramount Pictures, na Melrose Avenue, em Los Angeles. Filas gigantescas, uma equipe de relações públicas exausta – praticamente um mês rodando o mundo – e heróica. Era a pré-estréia de <strong>Transformers 2: A Vingança dos Derrotados.</strong> O evento dos VIPs aconteceu um pouco mais cedo, no Arclight. Alta expectativa só se assemelhava à falta de informação gerada pelo “buzz” em torno do filme: “é a primeira vez que vão mostrar o filme, vamos fazer parte da história”, diziam alguns jovens ansiosos. Falta de noção. Além das exibições no resto do mundo, a imprensa brasileira já havia visto, por exemplo, e outras projeções tinham acontecido aqui mesmo em Los Angeles na semana anterior, incluindo duas em IMAX. É aquele desejo de “ser importante”. Michael Bay sofre da mesma necessidade e, em sua aventura maior e mais divertida, passou muito perto de colocar tudo a perder. Foi salvo por John Turturro, inquestionável como melhor ator do elenco, dos dois filmes.</p>
<p><em><strong>SPOILERS!</strong></em></p>
<p>Em termos de ação, realmente, esse segundo capítulo humilha o anterior. Líder Optimus encarando vários inimigos simultaneamente, num balé metálico e envolvido naquela aura digna de um paladino, é de encher os olhos. Praticamente Boromir encarando os uruk-hai para salvar Merry e Pippin. Com a tecnologia pronta, ficou fácil aprimorar tudo e, claro, expandir horizontes. Entretanto, pura obrigação. Ninguém pagaria para ver os mesmos personagens, as mesmas lutas “simples”. Esse é o lado bom de Michael Bay. Quando as coisas começam a explodir, não há ninguém melhor para comandar as câmeras.</p>
<p>Por outro lado, criou um filme desalmado. Exceto por esse momento de poesia pura envolvendo Optimus, não há mais vida emocional em<strong> Transformers 2: A Vingança dos Derrotados</strong> – título que, agora, além de esquisito, se torna errado; Fallen, que gerou a tradução Derrotados, é um personagem único e não um coletivo; Paramount deve dizer que pensou em todos “os derrotados” do primeiro filme; bem, forçada de barra.</p>
<p>Há alguns meses, vi toda a seqüência na casa dos Witwicky. Era desnecessária e sem graça de forma isolada. Ficou mais isolada, desnecessária e imbecil no meio do filme. Isso sem falar nos cachorros. Elle Woods teve a decência de brincar com a idéia de cãezinhos gays.</p>
<p>Não é típico de Bay ser tão superficial e bobo. Tampouco vindo de roteiristas como Alex Kurtzman e Bob Orci. Até por isso perguntei a ele sobre o teor comercial descarado dessa franquia. “O filme é meu; sem pressão do estúdio, aliás, a única vez que mexeram comigo foi em Pearl Harbor, colocando muito mais romance”, disse Bay. Um discurso, outro resultado. Não é possível torcer pelos personagens principais. Shia Labeouf conseguiu criar empatia no primeiro filme; dessa vez não. Fácil explicação: a dinâmica familiar ficou repetitiva, desinteressante e dispensável.</p>
<p>Entretanto, enquanto a família Witwicky parece ter vínculos genéticos com o Zacarias, o bobo da corte do primeiro filme retorna em grande estilo para salvar o dia. John Turturro empresta dignidade ao filme com seu agente Simmons, agora renomado internauta especializado em teorias conspiratórias e, claro, robôs alienígenas. Se há algo de crítica social em <em>Transformers 2</em>, ele é a ferramenta ideal. Foi demitido do governo, vive com a mãe, não tem atenção do mundo externo e, quando pode salvar a todos, faz questão de colocar a vida em jogo para “morrer defendendo seu país”. O típico americano looser sonhando pelo momento de ser herói. No meio disso surgem as melhores piadas do filme. Não podemos esquecer de que, por trás desse pateta, existe um dos melhores atores do mundo.</p>
<p>Sozinho, Simmons consegue ser imensamente mais interessante, engraçado e dedicado que os demais personagens. Humanos ou mecânicos. O novo burocrata babaca é tão insosso quanto os soldados da equipe NEST, para onde Josh Duhanel e Tyrese Gibson foram designados. “Dá orgulho ouvir amigos que estão nas Forças Armadas dizerem que, por causa do filme, suas famílias entendem como é o dia a dia deles e suas funções”, explicou Tyrese ao <strong>SOS Hollywood</strong>. A propaganda militar agradece, embora não devesse. Os soldados são descartáveis, sem vínculo com o público e não convencem ao demonstrar emoção em relação a seus companheiros mecânicos.  Não comprometem, mas ficaram menos expressivos que os Army Men do <em>Toy Story</em>. E eles não são verdes e feitos de plástico! Aliás, todos os pilotos, operadores de avião sentinela e pessoal de comunicações SÃO militares de verdade.</p>
<p>Há muita confusão organizacional na história, com diversas linhas de raciocínio, muitas explicações, muitos surtos de Sam e, vez ou outra, um novo Transformer pintando e bordando, ou melhor, atirando e explodindo, metade do cenário. Isso sem contar nas inevitáveis, e esquisitas, referências cinematográficas. Tem de tudo, de Roland Emmerich (duas vezes, aliás!), <em>Terminator 3</em>, <em>Van Helsing [Starscream É O IGOR!, Megratron é DRÁCULA... e só tem uma noiva gostosa!] </em>, <em>Legalmente Loira</em> a Riddick. E não é caso de erro no foco e da expectativa, pois o primeiro filme é mais coeso e faz mais sentido, sem tanto esforço.</p>
<p>O grande público não quer saber de nada disso. Quer ver explosão, robôs e Megan Fox. Justo. Mais justo seria todo esse esforço contribuir para um filme inesquecível, dentro de seu gênero, onde foi sinônimo de inovação tecnológica há alguns anos e poderia fazer história novamente. Não faz. Apenas adiciona novos milhões de dólares aos envolvidos. “Corremos risco ao dedicar tantos recursos ao filme 100% comercial? Sim, mas é nosso jeito de dar ao público condições e incentivo de nos visitar [cinemas] mais vezes e reduzir perdas com pirataria, downloads e outros formados”, analisou Lorenzo Di Bonaventura, produtor de<em> Transformers</em> e<em> G.I. Joe</em>. “Ás vezes, pipoca e qualidade crítica se misturam. É raro, mas acontece. Temos que manter a porta aberta e, enquanto isso, agradar ao público no Verão”. Pensando assim, a ofensiva Hasbro nos cinemas é perfeita. Investimento = retorno = mais investimento. Hollywood agradece.</p>
<p>Chamar Michael Bay de exagerado é redundante. Mesmo tendo exagerado em<em> Transformers 2</em>. Exagero bom, porém. O primor da mixagem de som, o estilo agressivo de filmagens e edição [ele nunca começa a filmar sem que outras três tomadas estejam sendo preparadas, para gerar fluxo de produção e cortar custos] e as maravilhas tecnológicas são parte de seu legado. Assim como a boa imagem causada perante a Dreamworks por ter economizado US$ 40 milhões no orçamento. Também exagerou com Megan, exageradamente gostosa e desejável. Um exagero de mulher, cujo exagero na maquiagem sempre oleosa e brilhante, ou nos modelitos vislumbrantes, reforça sua imagem de mulher mais que perfeita. E mais que perfeito não é bom. Pessoalmente é um arraso. Linda [e passou a entrevista toda fazendo carinho no cabelo e ombros do Shia]. Sem exagero. Sem iluminação. Perfeição não requer exageros. Quando se exagera, você pensa em coisas como céu de Transformers e cenas de sexo gay entre cachorros. Afinal, Megan é toda exagerada visualmente, mas na hora do vamovê, quase não beija o Sam. E chega de exagero.</p>
<p>Talvez por isso Turturro tenha superado os colegas. Entregou suas piadas e pirações na medida certa, sem chamar muita atenção. Cumpriu seu papel. <em>Tranformers 2</em> também faz jus a suas expectativas, especialmente por parte do grande público e deve incomodar<em> Star Trek </em>na briga pelo topo das bilheterias, mas deixa um gostinho de quero mais. Chance desperdiçada de um grande filme, em vez de um filme grande. Assista sem preconceitos&#8230; e sem expectativas, pois, como eu, pode se surpreender e entrar no espírito. Viva São Turturro! E viva o Buzz, que tranforma filme mais ou menos no mais aguardado do ano!</p>
<p>BUMBLEBEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!</p>
<p><em><font size="-2">Fábio M. Barreto</font></em></p>
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		<title>Jornalismo ou marketing?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 04:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio M. Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Crise é a palavra do momento. Economia. Política. Hollywood. Todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-386" title="mundo_dos_jornalistas" src="http://www.soshollywood.com.br/wp-content/uploads/2009/07/mundo_dos_jornalistas.jpg" alt="mundo_dos_jornalistas" /></p>
<blockquote><p>Crise é a palavra do momento. Economia. Política. Hollywood. Todo mundo está em crise. O jornalismo também, afinal, colhe os frutos de sua postura subserviente e conivente com o controle dos estúdios, distribuidoras ou canais de TV. Chegou a hora de perguntar: fazemos jornalismo ou somos mera ferramenta de marketing?</p></blockquote>
<p>Diferente do jornalismo cotidiano ou da cobertura econômica e política, os cadernos de entretenimento funcionam de forma diferente, especialmente quando se fala em cinema. Enquanto nos primeiros as informações não disponibilizadas podem ser reunidas por um jornalista investigativo, no caso do cinema isso não acontece, por dois motivos: primeiro, tratam-se de empresas privadas, que possuem o direito de tomar suas decisões a portas fechadas; e, segundo, o próprio teor deste meio não admite práticas deste tipo.</p>
<p>Tentar se infiltrar num set seria perigoso, e, no mínimo, vergonhoso perante toda segurança dos estúdios. São empresas privadas, logo, fazem o que bem entendem lá dentro. Portanto, há um acordo silencioso no qual estúdios permitem o acesso dos jornalistas a suas entranhas cinematográficas em troca de divulgação dos produtos [filmes, séries, DVDs]. Normalmente, ninguém é obrigado a falar bem e, até certo ponto, se tem muita liberdade para perguntar o que for necessário para a pauta. Entretanto, como muitos departamentos de comunicação estão subordinados a um gerente de marketing – não um jornalista ou relações públicas –, tudo tem servir a uma estratégia e ai de quem não obedecer às diretrizes e obrigatoriedades impostas pelo estúdio. Ou seja, a cobertura não é feita pela necessidade ou relevância do assunto, mas sim para cumprir as metas e ter uma função puramente comercial. Logo, pergunto: isso é jornalismo?</p>
<p>A resposta imediata é “não”. Afinal de contas, se sujeitar ao planejamento de uma companhia que, descaradamente, usa seu veículo como ferramenta para aumentar seu resultado de bilheteria é algo desproposital. Claro que os veículos também fazem dinheiro dependendo do tipo de conteúdo e de sua relevância, mas, no meio disso tudo, está o jornalista. E nem falo do profissional utópico, que sonha com grandes reportagens ou ganhar o prêmio Pullitzer, mas do sujeito que passa a semana entrevistando meio mundo, analisa filmes e dedica boa parte do seu tempo a, acima de tudo, abastecer a opinião pública com informações sobre o entretenimento. Mas esse é o modus operandi de Hollywood e o Brasil, claro, se submete aos comandos da matriz.</p>
<p>Tomemos esse exemplo para ilustrar o conceito:</p>
<blockquote><p>“Estúdio Tabajara vai lançar um filme sobre a vida de seu Fundador, Tibúrcio Tabajara. A imprensa é cautelosamente selecionada e aprovada para participar do lançamento. Quem é aprovado, tem acesso a quase tudo; quem não é, não pode, sequer, assistir ao filme. O Estúdio Tabajara informa que há embargo nas matérias, elas só podem ser publicadas no mês de lançamento: no caso de revistas, ela só pode chegar às bancas 3 semanas antes da estréia; jornais, só dois dias antes. Por diversas vezes, mesmo previamente aprovados, os jornalistas precisam assinar um documento concordando com o embargo para poder realizar as entrevistas, ou então são barrados na porta. Entrevistas feitas, é vez dos escritórios locais entrarem em ação. Se, digamos, a ENTREVISTANDO, respeitosa revista que há anos segue o trabalho do ilustre Sr. Tibúrcio, resolveu não publicar a matéria por não ter gostado do filme e não desejar que mais ninguém tenha contato com aquela imagem distorcida do homem que tanto idolatram, o stress é inevitável. Porém, se utiliza apenas, digamos, duas frases geradas por conta de um dia inteiro de bate-papo, o objetivo do lançamento foi atingido: os célebres leitores da ENTREVISTANDO leram o nome do filme e, certamente, vão correr para os cinemas.”</p></blockquote>
<p>A função das assessorias de imprensa, por muito tempo, foi maximizar a exposição de seus clientes e produtos. Logo, quanto mais, melhor. Se uma entrevista se transformar em cinco grandes matérias, seria o mesmo que matar toda a família de coelhos com uma paulada só. Bom, assim diz a lógica e a linha de raciocínio que vê o jornalismo como algo dinâmico, atualizável e útil. Pensemos: o filme do Sr. Tabajara não agradou ao editor da revista, mas seus comentários sobre golf, feitos durante a entrevista de divulgação do filme, seriam um prato cheio para a outra revista da editora, a BURACO 18.</p>
<p>Entretanto, a distribuidora do filme não “aprovou” a BURACO 18. E é nessa prática quase fascista que reside todo o problema nessa relação secular entre estúdio e imprensa. Liberdade de informação nunca é respeitada nessa equação e todos sabem. O estúdio investe no evento em si e, por conta de permutas com companhias aéreas, ou descontos especiais nos hotéis, acaba vendo pouco do seu orçamento de comunicação sendo utilizado, especialmente se comparado ao resultado primário que obtém [as matérias nos veículos que aceitaram o convite para viajar]. É uma realidade numérica. Número de leitores, transformado em valor monetário, contra o custo. Ninguém joga dinheiro fora. E nem deveria.</p>
<p>Mas aí entra o elemento do freelancer. Cada vez menos, os veículos têm menos condição de bancar correspondentes fixos e a saída é contratar quem está baseado por conta própria nos locais. São apenas seis brasileiros em Los Angeles. No dia do evento, pouco importa se você é enviado ou local, o que vale é o nome do periódico que está na lista, o veículo que o estúdio quer ver divulgando seu filme. Poucos são os casos em que o material não é utilizado pelos jornais, revistas e sites aprovados, mas acontece.</p>
<p>Além de tudo isso, cada estúdio faz as “entrevistas genéricas”, normalmente conduzidas por um jornalista contratado, cheio de perguntas conceituais e positivas para transformar até mesmo filmes como <em>Dragonball Evolution</